Notas iniciais
Olá pessoal tudo bem? Bem a fic tá numa parte da trama que eu gosto muito, então tudo está fluindo muito bem por aqui. Por isso os caps saem mais rápido também. Isso se deve boa parte ao retorno legal que estou recebendo da fic, meu muito obrigado pela força e comentarios pessoal. capitulo betado pela maravilhosa Vagabond ♥

Na varanda da cobertura dos Savalas, Kagaho olhava o perfil de Hyoga que fitava a noite fingindo ignorá-lo.

— O que está fazendo aqui? Veio me demitir pessoalmente? – o russo quebrou o silêncio.

— Você não precisava ter saído daquele jeito. O que ganha sendo tão intempestivo assim? – Kagaho colocou as mãos no bolso, podia ver apenas o perfil perfeito e só isso já lhe deixava inquieto. Porque parecia um adolescente com hormônios em fúria quando estava perto de Hyoga?

— Não foi de repente. – o loiro deu de ombros – Apenas, ação e reação. Você me comunicou a sua decisão, eu não aceitei e, por isso, me demiti. Não teve nada a ver com o fato de ter me sentido usado por você e jogado fora logo depois.

— Ah, você está se sentindo usado? – Kagaho riu irônico – Não me lembro de ter prometido algo.

— De fato, nada foi prometido. Na verdade nada foi conversado também, mas não me arrependo. Foi bom, tivemos nosso momento e agora cada um seguirá com a sua vida. Não é assim? – Hyoga não se virou para olhá-lo. Ter aquela conversa com Kagaho naquele momento não estava nos seus planos, havia acontecido coisas demais naquele dia para se sentir forte o suficiente. Sentia-se vulnerável e ter Kagaho exercendo sobre si seu magnetismo intimidador não ajudava em nada.

— Acreditei que o cargo lhe deixaria feliz. Depois do que houve entre nós, não é de bom tom trabalhar juntos, então pensei que alocar você para uma vaga de alto nível seria o ideal.

— Mesmo em outra circunstância eu declinaria, porque não posso e não quero trabalhar na área criminal. Você não entenderia... Porque você não quer saber do que eu sinto, para você não passo de alguém disponível para o seu prazer. – os olhos de céu mergulharam no azul índigo procurando alguma reação às suas palavras.

— Era assim no início. Algo em você me atraiu instantaneamente, talvez fosse porque eu já te via como o submisso perfeito. A submissão para mim é uma regra intransponível – se aproximou do russo que permaneceu parado olhando a rua, mas Kagaho não se intimidou ficando tão próximo quanto podia.

— E ser um submisso fora e, na cama, não está em cogitação para mim. Permiti ontem, porque queria experimentar, não para fazê-lo acreditar que seria sempre assim.

— Mas, você gostou, porque não tentar?

— Porque, na primeira oportunidade, você quis me controlar com esse cargo de segundo advogado! – Hyoga finalmente o olhou, o olhar celeste estava afiado e desafiador – Sei do que gosta senhor Li Ang, mas não o terá comigo. Melhor arrumar outro submisso.

— Não! Não é sobre ser a porra de um submisso! – Kagaho puxou Hyoga pelo cotovelo para olhar-lhe o rosto – Eu quero você! Não sei por que tem que ser você, nem quero saber! A única coisa que sei é que só você me fez repensar uma decisão. E-Eu estou disposto a tentar... – Kagaho deixou que os lábios deslizassem pelos malares de Hyoga. – Me controlar. A essa altura já tinha imprensado o russo na amurada da varanda e o jovem nem se lembrou de afastá-lo, o toque do advogado parecia fazê-lo derreter.

— Controlar-se? – o loiro o fitou boquiaberto e piscando aturdido com a súbita mudança no clima – Não... O que quer dizer com isso?

— Quero você, não precisa ser meu submisso, mas seja meu amante.

As mãos de Kagaho já tinham o rosto de Hyoga entre elas, o olhar azul profundo estava faminto pelo beijo e Hyoga tinha certeza de que ele também estava. A quem queria enganar? Kagaho o atraía como o fogo atraía as mariposas e Hyoga se sentia como uma mariposa prestes a se queimar na chama.

— Amante... Isso parece tão tentador e prático também, sem juras de amor eterno, nem promessas. Precisa saber que há uma pessoa que ainda mexe muito comigo e eu não sei ao certo os sentimentos que tenho por ele.

— O moleque que eu vi aqui outro dia. – Kagaho se afastou um pouco, rindo sarcástico – Seu amor de adolescência? O que foi? Ele voltou agora e quer relembrar o passado?

— Ele é casado, não é que ele queira voltar, nós...

— Shiii... – Kagaho voltou para junto do outro o trazendo para si pela cintura e aconchegando-o no peito largo – Não precisamos pensar nisso agora, nós só precisamos transar mais uma vez e mais outra... – beijou o canto dos lábios de Hyoga, lambendo o lábio inferior do russo – Veja como eu estou duro só de pensar em transar.

— Você é tão filho puta! – mas Hyoga estava rindo, era tão surreal ver Kagaho falando daquele modo cafajeste depois de conhecê-lo atuando nos tribunais. Ninguém suspeitaria.

— O melhor que você vai encontrar. – ergueu o rosto do russo que o enlaçou deixando os dentes arranharem o queixo de Kagaho. Hyoga já estava cansado de resistir a Li Ang Sing – Vamos deixar tudo fluir e ver onde um pode ceder pelo outro. Diga não sempre que quiser e nós vamos conversar até achar um meio termo. Mas, você precisa ser mais maleável também.

— Mais maleável? – o russo arqueou a sobrancelha.

Definitivamente aquele loiro era a provocação encarnada, pensou o advogado.

— Volte para a Elíseos. Como assistente, como segundo advogado... Posso colocar você no lugar da Eire se você usar meia sete oitavos e saia.

— É mesmo um filho da...

— Que delícia de boca suja! – antes que Hyoga completasse a frase Kagaho selou os lábios dele com os seus, enquanto as mãos desciam pelo corpo do russo apertando a carne trêmula e incitando o desejo do outro – Venha comigo, vamos para a minha casa terminar de fazer as pazes.

— Não posso... – Hyoga fechou os olhos sentindo a língua e os lábios de Kagaho trabalharem na pele sensível do pescoço – Ainda não me recuperei de ontem se quer saber.

— Certo. Então vamos apenas para conversar um pouco mais... À vontade. – Kagaho pressionou a sua ereção junto a de Hyoga que ofegou, apoiando-se nos ombros do advogado sênior.

— Eu acho q-

— HYOGA! – a porta de vidro estava prestes a vir abaixo – Abre essa porta! Você precisa cuidar do seu irmão, eu tenho que sair. Pelo amor de Deus não vai traumatizar Krest se agarrando com esse cara na frente dele. Quando eu chegar, a gente vai ter uma conversa – a voz de Milo já ia longe e o som da porta fechando com um baque deixaram Kagaho e Hyoga surpresos.

Kagaho respirou fundo para tentar controlar a excitação e a raiva por ser quase pego como um adolescente! Hyoga tentava engolir o coração que quase saltara pela boca.

— Onde ele será que ele vai? Cadê o Camus?

***

— Porque estamos perseguindo esse ruivo, Kanon? Ele é casado, pai de dois filhos. O grego marido dele é um pedaço de mau caminho.

— Fique de olho nesse ruivo Tethis e o "pedaço de mau caminho" vai lhe agradecer eternamente. – a jovem loira riu enquanto ouvia a voz sarcástica do chefe pelo fone. A chefe de segurança dos Laskaris seguira o francês desde o apartamento dele até aquele terreno baldio perto do monte Pireu, o palpite de Kanon de que o ruivo os levaria até Saga estava certo.

Tethis Anasthas era alguém cuja frase "as aparências se enganam" se aplicava perfeitamente. A ex-agente da polícia grega tinha trinta e cinco anos, trabalhava há cinco anos com os Laskaris, conhecia a fundo os problemas dos gêmeos e todos os crimes de Saga. Já salvara a vida de Kanon e de seus ex-namorados das mãos sádicas de Saga diversas vezes e agora estava ali para interferir mais uma vez.

— Ele chegou. – disse ela pelo fone, as mãos já preparavam a arma e Tethis descia da moto se posicionando pelos arbustos para ver melhor. Trabalhara por dez anos em missões de infiltração, combate ao narcotráfico e depois migrara para a área da segurança privada para ganhar mais dinheiro e assim conheceu os Laskaris – Não é melhor apenas chamar a polícia?

— Não! Deixe que eles se vejam – disse Kanon e a voz estava carregada de apreensão – Mas faça o que tiver de fazer para não permitir que ele machuque o Camus! Nem que o pegue, impeça-o de sair daí, já estou chegando. Eles precisam desse confronto, mas não quero que eles se matem, entendeu?

Tethis suspirou. Kanon e a superproteção sobre Saga não ajudaria ninguém! Para ela Saga Laskaris estava fora de controle e só deixaria Camus em paz se fosse preso ou morto.

— Bem, ele disse para fazer o que tiver de fazer. – engatilhou a semiautomática e se esgueirou pelos arbustos mais uma vez.

Camus já estava fora do carro, colocara a arma no cós da calça na parte de trás e a camisa solta a cobria. Observava o homem que havia transformado sua vida em um inferno de medo e dor, se aproximar. Os passos seguros e destemidos de Saga camuflavam o caráter doentio que enganava a todos. Como poderia imaginar que ele seria tão cruel assim quando se conheceram? Aquele cavalheiro sedutor que só com gestos lhe encantara?

— Veja Camus, o vinho contra a luz é da mesma cor dos seus olhos. – suspendeu a taça contra a luz, beijando a lateral do rosto de Camus que estava em seus braços em pé na varanda da casa de praia em Laka – Não parece um pouco com sangue?

Acho que sangue é mais encorpado, denso... – Camus apoiou a cabeça no ombro de Saga – Porque estamos falando em sangue?

— Não sei! – sorriu Saga, virando-o para beijar-lhe com carinho e então afastou o rosto para fitar o de Camus – Você tem uma beleza exótica, fiquei apaixonado por você assim que o vi.

— Você não pode estar apaixonado por mim, nós só nos conhecemos há algumas semanas.

— Você não acredita em amor à primeira vista Camus? – e o sorriso matador do gêmeo estava lá.

Era só pegar a arma e atirar, sem hesitação! Não precisaria nem esperá-lo falar aquelas coisas estúpidas que costumava a dizer. Camus levou a mão à arma, mas não chegou a pegá-la, porque sentiu uma descarga elétrica muito forte percorrer o corpo, não houve tempo para reagir.

Atrás de Camus um homem enorme guardava no casaco uma arma de choque, Saga se aproximava do francês desacordado no chão, os dois se preparando para pegá-lo. Tethis do seu esconderijo pensou rápido e começou a atirar, não poderia deixar que levassem o ruivo ou teria problemas. Amaldiçoou-se por não ter previsto que Saga conseguiria ajuda, ele ainda era rico e tinha seus meios escusos para conseguir capangas e dinheiro. Mandou as recomendações de Kanon às favas e discou para o seu contato na polícia, enquanto alvejava o capanga de Saga.

Saga também estava armado e revidou, iniciando o tiroteio junto com o capanga que o acompanhava que atirou mesmo ferido. Tethis estava sozinha e começava a ficar em apuros, torcia para que Kanon chegasse logo ou a polícia. Apenas, tentava mirar nos dois sem atirar no francês desacordado no chão.

Nesse momento um carro chegou a toda entrando no terreno baldio e isso distraiu Saga e o capanga. A segurança aproveitou para sair do seu esconderijo e se aproximar de Camus recarregando a arma.

— Pegue-o Cassius! Não vamos ter outra oportunidade! – gritou Saga ao capanga, mas ele estava encurralado, porque Tethis não parava de atirar e vinha pra cima dele se esgueirando nas sombras.

— SEU FILHO DA PUTA! – gritou Milo do carro, já se preparando para sair dele, quando viu Saga correr e pegar o próprio carro, para fugir.

Milo engatou a marcha e deu uma guinada para segui-lo quando viu o capanga s urrar e Tethis surgir, para se abaixar próximo ao grandão verificando um corpo. Na fraca iluminação ele só pode distinguir alguns fios vermelhos e seu coração quase parou.

Camus! Gritou interiormente, vendo Saga se afastar, mas também uma mulher desconhecida cutucar seu ruivo desacordado. Ele podia estar ferido!

Por fim, Milo desceu do carro indo até onde Camus estava com a mulher, os dois viram o carro de Saga arrancar e levantar poeira, partindo pelo lado oposto a eles.

— Ele está vivo, só levou uma descarga de choque, mas vai precisar de uma ambulância. – disse Tethis à Milo que se abaixou para checar ele mesmo os sinais vitais de Camus – Eu chamei a polícia e uma ambulância, vai ficar tudo bem. Veja, – já se podia ouvir as sirenes se aproximando – como foram rápidos! Vou para o portão guiá-los atrás de Saga, ele não pode ter ido muito longe.

— Quem é você?! – gritou Milo vendo ela se afastar.

— Meu nome é Tethis, não se preocupe sou sua amiga! – a bela loira piscou antes de correr para o portão e esperar os policiais. Milo voltou-se para o marido que continuava desacordado, erguendo-o no colo para fitar-lhe o rosto e ver se estava mesmo vivo.

— Por Deus Camus! Porque você fez isso com a gente?! – murmurou acariciando o rosto do amado.

***

Foram horas de depoimento de Tethis e Milo. Camus havia sido encaminhado para a emergência e os investigadores aguardavam autorização médica para falar com ele. Milo ligou para Hyoga e explicou o que sabia, o loiro veio correndo com Kagaho para o hospital e este acionou Minos. A ex-policial já havia sido liberada e foi embora, querendo achar Kanon que aparentemente desaparecera junto como Saga!

— Porque não deixou Krest com Shun? – falou Milo assim que viu Hyoga chegar à ala do hospital em que Camus estava, com o irmãozinho no colo.

— Ele não quis ficar, principalmente depois que viu Ikki lá e ele quer muito ver o papai. – Milo pegou Krest do colo de Hyoga abraçando os dois filhos – Tenho que ligar para o Shun, ele está aflito querendo saber de tudo.

— Eu liguei para Aiolos. Quando ele chegar, vocês voltam com ele para casa.

— Cadê o papa?! – Krest perguntou para Milo – Quero ver o papa!

Milo ia responder, mas uma jovem enfermeira se aproximava do grupo e então todos se juntaram em volta dela.

— São os parentes do senhor Chateaubriand Savalas? – ela perguntou olhando para Milo – Ele já pode receber visitas, está acordado e bem agora.

Antes que Hyoga se afastasse com a enfermeira, Milo fez um gesto para que ele esperasse, seguindo sozinho com a mulher. Hyoga ia protestar porque não achava prudente que Milo e Camus ficassem sozinhos, naquele momento, mas Kagaho colocou a mão nos ombros do russo e com um olhar, pediu que ele se calasse. O japonês entendeu que o casal precisava daquele momento.

Milo respirou fundo antes de entrar no quarto de hospital para ver o marido, estar ali lhe parecia um déjà vu doloroso. Estar em um hospital não lhe trazia boas lembranças. Ao adentrar no quarto encontrou Camus olhando para o nada. Quando sentiu a presença do grego, o ruivo voltou seu olhar para ele e seu coração apertou ao ver que Milo se continha a custo. Sabia que ele estava furioso!

— Eu precisava tentar. – Camus disse logo, mesmo que se sentisse exausto e dolorido. A descarga tinha debilitado seu corpo, mas fora isso estava bem e receberia alta ainda aquela noite, só esperava o resultado dos exames de praxe.

— Tentar? Tentar que ele te matasse era isso que você queria! Deixar que Saga finalmente conseguisse o que tanto quer?! – Milo gritou a última frase estendendo os braços de forma enérgica – Ou preferia matar ele e ir preso?! Arruinando a nossa vida também?

— Não seja hipócrita, Milo, você também estava atrás de Saga. – Camus baixou o olhar, não queria ver a expressão de raiva do marido e também lhe deixava irritado que agora Milo quisesse repreender-lhe por algo que os dois queriam! Milo também estava trás de Saga, pelo que Camus conseguira apurar.

— Estava procurando ele para colocá-lo na cadeia! Para finalmente livrar você desse psicopata sem que ele consiga o que tanto queria. Mas, do jeito certo Camus!Porra, você pensou nos nossos filhos? Em como eles iam ficar com você preso ou... – Milo se afastou passando as mãos no rosto – Morto?!

— Eu fiquei desesperado Milo! Ele ameaçou você... Nossos filhos... Eu tinha que fazer alguma coisa antes que ele conseguisse algo. Ele foi à oficina, cacete! Ele esteve na nossa casa, era questão de tempo ele pegar Hyoga ou Krest... Você!

— Você foi egoísta! – a raiva transbordava de Milo junto com o seu desespero, Camus havia revirado um sentimento que ele julgava que nunca mais ia sentir que era o de perder alguém que amava – Não pensou no Hyoga e no Krest! Não pensou em mim Camus, eu nunca vou te perdoar! Você não pensou sequer na possibilidade de que ia acabar comigo se eu te perdesse, se caso Saga te pegasse! Você não pensou que eu não aguentaria passar por isso de novo?

Milo tinha lágrimas nos olhos, refletidas também no olhar amendoado de Camus. Não queria fazer Milo sofrer daquela maneira, mas quando viu que Saga estava tão perto, seu único pensamento era que ele poderia fazer mal aos filhos deles, à Milo. Ele se sacrificaria se fosse manter sua família segura, queria que Milo entendesse isso. Mas aparentemente para Milo, ele fora egoísta!

— Milo, não foi egoísmo, eu queria proteger vocês. – Camus apertou os braços em volta de si, triste por ver que Milo estava com raiva dele – Eu pensei que indo até ele estava terminando tudo isso e protegendo nossa família.

— E se matando! Matando a nossa família, porque ele ia te matar e isso acabaria destruindo a todos nós! – Milo disse de forma dolorida – Eu não ia ter força pra superar perder a pessoa que eu amo, de novo.

Milo saiu do quarto antes que Camus retrucasse, apesar de saber que no fundo Camus queria protegê-los, não conseguia aceitar que o ruivo tivesse tomado àquela decisão sozinho. Sentia que Camus não confiava nele para cuidar da família e para o grego sacrificar-se daquela maneira lhe fazia pensar que Camus não o amava tanto como imaginara.

O mecânico saiu pelo corredor sem falar com ninguém, passando pelos filhos e os advogados como um trator, os irmãos Argenkland chegavam nesse momento e viram o meio irmão sair pelas portas duplas do hospital em direção ao estacionamento.

— Vão ver o Camus e os garotos que eu cuido disso. – Aiolos disse a Aiolia e Marin que vieram junto com ele, os olhos castanhos seguindo a figura furiosa do irmão do meio que andava a passos duros pelo estacionamento.

Marin assentiu e puxou Aiolia para dentro, enquanto Aiolos se afastava para ir de encontro à Milo. O Argenkland mais velho estava consternado pelo o que seu irmão e a família estavam passando naquele momento difícil, achava que Milo já tivera sua dose de sofrimento na vida e que merecia ser feliz. Conhecera Milo quando este ainda era um jovem rapazote de doze anos, emburrado e orgulhoso, enquanto ele já estava se formando. Aiolia era o mais novo. Só haviam se conhecido, porque a mãe de Milo queria que ele conhecesse a família do pai antes que ela o deixasse, pois estava doente. E então começou aquela estranha relação que só se estreitou quando o então, auxiliar de mecânico, veio falar com Aiolos para ajudá-lo com o filho. Aiolos Argenkland ficara tocado como nunca na vida ao ver o meio-irmão ali na sala da mansão Argenkland nervoso e envergonhado por estar ali pedindo ajuda para Hyoga, que precisava de acompanhamento especial por causa da hiperatividade. Fora o pequeno que os aproximara.

— Milo. – chamou o irmão hesitando se aproximar. O mecânico chutava uma lixeira e parecia prestes a socar alguém – Mi vem aqui.

— Eu tenho vontade de matar ele! Queria jogar o corpo dele de cima de um penhasco e vê-lo bater nas rochas até chegar ao chão. – Milo disse entre dentes cerrando os punhos – ARGH! ODEIO AQUELE FILHO DA PUTA!

— Tá tudo bem agora Milo, o Camus está vivo e bem, logo Saga será preso.

— EU QUERO QUE ELE SEJA MORTO! ELE QUASE ME TIROU O CAMUS, ELE VAI CONSEGUIR UM DIA! – gritou o mecânico a plenos pulmões. Aiolos mordeu o lábio se sentindo impotente ao ver o sofrimento do irmão e não poder ajudar muito.

Tudo que podia oferecer é seu conforto e foi isso que fez, puxando Milo para si e o apertando forte em um abraço que ruiu com todas as barreiras do outro. O mecânico se agarrou ao irmão e deixou que as lágrimas saíssem, levando embora os sentimentos ruins que conflitavam dentro de si. Estava em um nível grande de estresse, mas segurava-se, porque queria deixar Camus despreocupado, no entanto ver que até o ruivo perdera a cabeça fora demais para Milo.

No quarto do hospital Camus tinha Krest aninhado em seu peito com Hyoga sentado na cama junto a ele também, enquanto conversava com Minos e Kagaho sobre o ocorrido. Eles alinhavam o que o francês diria a polícia no seu depoimento que Griffon conseguira transferir para o dia seguinte.

— É muito importante que você siga as nossas instruções, Camus, do contrário seu depoimento pode complicar a sua situação e nós não queremos que você tenha que responder por nenhum crime. Você disse que levou uma arma, mas ela não foi encontrada no local, melhor que você nem toque no assunto. Só diga o que conversamos aqui. – Griffon finalizou a conversa.

— Que eu fui apenas me entregar? – Camus arqueou uma sobrancelha. Marin e Aiolia também estavam no quarto.

— Sim. Ou você dará mais motivos para Milo Savalas ficar mais irritado com a sua atitude impensada.

Camus abaixou o olhar para Krest, as maçãs do rosto vermelhas de vergonha e irritação por Kagaho ter lhe repreendido daquela maneira. Hyoga olhou para Kagaho com irritação.

— Acho que já chega por hoje. Vocês podem continuar amanhã. – Aiolia interveio, também irritado, não era muito fã de advogados – vou ver se liberaram a alta do Camus e ir ver o Aiolos. – disse, saindo do quarto.

— Já liguei em casa e vamos todos para lá – Marin acariciou os ombros de Camus que já ia começar a falar – Nada disso, vai todo mundo pra Mansão. Não é bom, nem seguro vocês ficarem lá na cobertura sozinhos por hoje. Sem discussão Camus! Shun e Shiryu já pegaram algumas coisas de vocês lá na cobertura e levaram para a Mansão.

— Hyoga, podemos conversar lá fora um minuto? – Kagaho perguntou antes de sair na porta. Marin e Camus olharam para Hyoga, que se levantou meio agitado e com o rosto em fogo, meio eufórico, sem nem saber por quê.

Sentia os olhares do padrasto e da tia queimando nas suas costas, já pensando na conversa que teriam depois.

— Acha que eles estão tendo alguma coisa? – Marin ainda olhava para a porta recém-fechada.

— Desconfio. – disse Camus acariciando os cabelos de Krest.

— O chefe deu um beijo no Hyoga, tia! – Krest ergueu o rosto e disse todo animado – Igual quando o papa dá no papai!

— Sério?!

— Krest! – ralhou Camus ao mesmo tempo em que Marin olhava-o boquiaberta.

***

— Sei que agora nem que eu amarrasse você e o colocasse sobre os ombros, você iria para a minha casa comigo. – Kagaho chegou próximo ao russo, acariciando a linha do queixo de Hyoga, fazendo-o olhá-lo. O loiro riu de lado, deixando que Kagaho continuasse o carinho sem se importar com Minos, ali próximo, ou os seguranças mais distantes dali. – Mas, amanhã precisamos continuar nossa conversa. Seria bom se você voltasse para a Elíseos.

— Isso não está em negociação Kagaho, eu já tomei minha decisão. – Hyoga deixou o rosto descansar na mão grande e morena do outro – Mas conversaremos amanhã.

— Tudo bem. – Kagaho deixou um beijo singelo na ponta do nariz de Hyoga – Durma bem, sonhe comigo.

— Melhor do que sonhar com o Saga. – o riso saiu nervoso apesar da pilhéria e Kagaho notou que o loiro estava nervoso, apesar de aparentar calma. Ele estava se fazendo de forte por causa dos pais.

— Vá com ele, Hyoga.

Milo já estava próximo a eles, apenas alguns passos. Viera praticamente correndo assim que viu o advogado e seu filho naquela conversa cheia de carinhos. Ainda estava achando aquela história esquisita, mas não ia questionar o filho agora. Tinha muitas coisas na cabeça, muitos sentimentos revirados, o que não o impedia de ver que tudo aquilo mexia com Hyoga de alguma forma. O loirinho já tinha seus próprios traumas para lidar e a família estava abalada demais para notar que ele estava nervoso com aquilo. Mas ele conhecia Hyoga como ninguém e desde que ele chegara ao hospital, sentia o filho prestes a chorar ou algo do tipo.

— Não estou muito satisfeito com essa história, – continuou o grego olhando fixamente para Kagaho com cara de poucos amigos – Mas essa conversa fica pra outra hora, agora você como bom namorado faça alguma coisa para distrair o meu filho! E cuide bem dele ou vou querer o seu escalpo.

— Darei o meu melhor! – Kagaho assentiu sem conseguir disfarçar o sorriso presunçoso, enquanto Hyoga, ao lado, estava boquiaberto olhando o pai.

— Mas...

— Vá com o seu namorado. – puxou o loirinho para si apertando-o forte e beijando seus cabelos – Não se preocupe eu vou cuidar do Camus agora, vamos todos para a casa de Aiolos e estamos seguros. Fique tranquilo também – e se abaixou um pouco pra falar no ouvido do filho – Se você está mesmo com esse cara, aproveite-o pelo menos para aliviar a tensão mesmo que eu odeie pensar que você vai fazer isso.

Kagaho e Minos riram discretamente da vermelhidão que cobriu o rosto do russo, enquanto Milo se afastava com Aiolos. Hyoga nunca se imaginou numa situação daquelas e quase esqueceu o nervosismo para se afundar na vergonha depois de ouvir o que o pai disse.

— Que bonitinho, Kagaho. Parece que você regrediu vinte anos, eu nunca imaginei que veria você passar por essa situação constrangedora com pai de namorado. – Griffon não se refreou em comentar, as mãos colocadas casualmente nos bolsos do jeans. Fora tão rápido que tudo acontecera que só tivera tempo de colocar uma camisa social e jeans, assim como Kagaho que estava também casual por ter vindo direto da casa de Hyoga.

— Olha ao que você me reduziu? – Kagaho puxou Hyoga para andar com ele e Minos – Levar bronca de pai de “namorado”? E eu lá namoro alguém?

— Acho bom você começar a namorar. A Glock que o Camus estava era do Savalas, então já sabe o que ele pode fazer com ela. – e Minos saiu rindo na frente para deixar os “pombinhos” em paz.

Longe dali, muitas horas depois, no arquipélago Espórades1 Saga arrastava o corpo do irmão gêmeo, trancando-o em um dos porões da casa escondida em uma ilhota desabitada que havia preparado há um tempo para aquele fim. Se resguardar para voltar à Atenas e continuar sua sina, atormentar Camus.

Já desistira de entender o inicio daquilo ou sobre o fato de que odiava Camus daquela maneira para persegui-lo e torturá-lo. Não almejava a morte do ruivo, essa era a única coisa da qual tinha certeza. Talvez um mundo onde Camus não vivesse era algo impensável para ele, de forma que ele precisava estar ali e permanecer vivo. Talvez amasse o francês no fim, um tipo de amor diferente.

Não era porque Kanon amava Camus, isso se tornou irrelevante em algum momento ao longo daqueles anos. Milo também amava Camus e não o abalara tanto quanto saber que o irmão amava também o ruivo. Na época em que se envolveu com o ruivo, já sabia que Kanon era apaixonado por ele e o inicio do jogo era apenas para brincar com ambos. Tinha um relacionamento estranho ele o irmão gêmeo, eram mais que amantes, eram inimigos!

Você desejava isso desde o começo, admita. É a sua única chance de tê-lo da forma que quer, para a sua perversão. – Saga sussurrou no ouvido do gêmeo, se posicionando atrás do corpo forte de Kanon tão igual ao seu. Havia chamado o irmão para a sua suíte aquela noite depois de ter mais do “seu ruivo”, naquele dia estava particularmente inspirado – Ele nunca vai saber Kan.

Camus estava dopado jogado na king size, os pés e mãos acorrentados por uma corrente que terminava em algemas de ferro, os pulsos alvos do francês estavam começando a arroxear. O corpo todo de Camus apresentava machucados em vários tons de roxo e vermelho.

— Quer ver se o sangue tem a cor igual ao dos cabelos dele? – Saga disse isso olhando dentro dos orbes esmeraldas tão semelhantes as suas, que mesmo transparecendo apreensão, tinham as pupilas dilatadas ao ver o ruivo ali tão a sua mercê!

Agora os olhos de Kanon estavam fechados, mas Saga sabia que eles se abririam em breve e por isso que ele deveria ficar trancado ali. Kanon tivera a ousadia de colocar um detetive para caçá-lo e seguranças para proteger Camus. Com ele fora do caminho agora tudo ficaria mais fácil de pegar o ruivo, com sorte o francês faria companhia para Kanon ali naquele calabouço e eles teriam uma continuação da noite em que eles três se divertiram.