Amor com amor se paga - No limite!
9 Capítulo 09
Notas iniciais
Ikki havia erguido o punho, mas algo o impediu de continuar e ao invés de socar Kagaho, saiu de cima do outro e foi até Hyoga que se erguia naquele momento. Nos lábios do ex-patinador já escorria um filete de sangue, Hyoga cuspiu mais no chão e praguejou. Olhando Kagaho com ódio embora o olhar de mar do loiro também estivesse nublado de lágrimas.
— Seu filho da puta! Eu nunca mais quero olhar na sua cara, que se foda o que você pensa de mim. Eu não sou um puto! — gritou o loiro para Kagaho, o advogado já em pé tentava se aprumar, embora estivesse abalado demais com aquela situação toda.
— É pior, você é um doente por estar aqui recebendo as migalhas dele. Então esse é o cara que você tanto fala que largou você aqui e se foi para agora voltar casado? Ele te deixou e agora depois de quatro anos ele volta e a primeira coisa que você faz é foder com ele! — Kagaho deu um sorriso amargo olhando para os dois jovens à sua frente, ambos tinham o olhar raivoso para si e ele não sabia qual doía mais. Mas ele se sentia traído e as emoções a flor da pele o impediam de pensar antes de falar — Acha que ele vai largar tudo agora por você? Você é um babaca se espera isso.
Hyoga se encolheu, as palavras de Kagaho machucando mais do que os socos porque ele pensava exatamente igual. Se deixara levar pelo que sentia por Ikki, mas no final sabia que ele correria para Esmeralda e estava arrependido.
— Eu não sou você! — cuspiu Ikki. Sentia toda a raiva que tinha guardada se revolver como lava quente dentro de si.
— Óbvio que não, você não vai largar Esmeralda como eu fiz com a sua mãe. Você devia ter ficado longe dele mesmo estando arrependido, é tarde demais pra você tentar resgatar o que quer que seja.
"Como eu fiz com a sua mãe..."a frase fez algo estalar dentro da cabeça do russo que olhou de um para o outro, atentamente agora e a semelhança entre eles começou a lhe mostrar uma revelação aterradora.
— Não... Você é... – Ikki se virou para Hyoga assentindo, fazendo o russo levar a mão a boca e rir, mas o riso era algo entre desesperado e incrédulo porque ele não conseguia acreditar que a vida fosse tão fodida assim podia? Então ele tinha mesmo se envolvido com o pai que Ikki tanto odiava? O cara que ele passou a vida falando que nunca seria, que odiava por ter largado sua mãe doente para trás com dois filhos pequenos? Aquele homem asqueroso que era apenas um nome em um cheque para os Amamiya?
Ele estava prestes a gritar agora. Sentia seu peito queimar e a garganta se fechar, estava conseguindo ouvir os batimentos de seu coração tinindo nos ouvidos. Sabia que estava olhando para Kagaho e Ikki, mas a visão começava a ficar turva, era tudo um borrão.
— Hyoga, olha pra mim, respira. Você está começando a hiperventilar.– a voz de Ikki parecia a quilômetros de distância, sua visão começava a ficar escura e aquela dor terrível no peito — Hyoga!
O loiro tentou focar na voz de Ikki e no movimento da mão dele indo e vindo em suas costas, lembrou-se de voltar a respirar e a sua visão clareou lhe dando a imagem nítida da preocupação do Amamiya à sua frente.
— Isso, vai ficar tudo bem... Vamos fique calmo. Não é... Não importa, foi só uma coincidência. — mas o sorriso de Ikki era triste e amargo, óbvio de que ele estava odiando o fato de Hyoga e o pai estarem juntos.
— Não é culpa minha, eu não sabia. — sussurrou Hyoga olhando para Kagaho e para Ikki. Será que não sabia mesmo? Se perguntava. "Eles são um a cara do outro Hyoga, como é que você nem ao menos desconfiou?! Será que no fundo você só se deixou levar porque Kagaho de alguma forma lembrava Ikki?"
E esse pensamento o aterrorizou, deixando-o aflito pensando que de repente ele estava obcecado por Ikki a ponto de procurá-lo nas outras pessoas e ao conhecer Kagaho, achou inconscientemente tinha Ikki de alguma forma. E se ele fosse louco como Tenma? Era a única explicação para ter deixado passar despercebida a semelhança absurda de Kagaho e Ikki! Um lado da sua mente pensava, aquele lado sombrio e perdedor que sempre procurava os piores ângulos da situação. Mas tinha aquele lado também que dizia que ele não tinha como saber, nunca fora lhe falado nada sobre quem era o pai dos Amamiya, ele não tinha nem um nome para lembrar e tanta gente se parecia! Descendentes de japoneses haviam aos montes em Atenas.
— Porque você foi embora Ikki se agora você está arrependido? — Kagaho olhou o filho ali angustiado tentando consolar o russo quando ele mesmo parecia destruído. Agora a raiva se esvaía ele conseguia colocar a cabeça no lugar e refletir, ver a ligação profunda e mal explicada entre aqueles dois jovens. Os dois que tocaram seu coração de maneiras diferentes.
Kagaho admitia agora que tinha mais do que desejo pelo belo ex-patinador russo, fazia muito tempo que não sentia tanta necessidade de alguém, de cuidar de alguém que lhe era caro. Por outro lado, tinha Ikki, seu filho que relegara em prol da carreira e do que se arrependia profundamente. Nunca conseguira resgatar qualquer vínculo com os filhos, Shun nem o conhecia! Era apenas o garoto, agora homem, ali na sua frente que lembrava de todos os seus pecados. Já fora casado duas vezes e em nenhuma delas tivera um filho, os únicos que tivera fora quando era adolescente. Um não lembrava dele e o outro o odiava.
Será que Ikki o odiaria ainda mais agora sabendo que ele amava o seu belo cisne?
— A gente faz algumas merdas quando não pensa, não é? Ou quando é "jovem demais para ter responsabilidades” – cutucou o outro. Mas tudo que Ikki teve de resposta era silencio.
— Melhor eu ir embora. Vocês precisam conversar... — Hyoga pegou a mochila de novo, fazendo uma careta porque esticara o lábio e sentira uma fisgada, seu rosto estava latejando, nem queria ver como estava já que só de brincadeira Kagaho deixara ele com a bunda roxa por dias, imagina agora como ficaria. Tivera sorte por não ter deslocado o maxilar? – Não vou atrapalhar mais vocês. – ele seguiu e antes que Ikki o segurasse ele foi até Kagaho – Eu sinto muito por você ter... Eu, perdi a cabeça e você tá certo sobre eu tentar viver uma coisa que não vai rolar. Mas eu não sou um puto! Eu só amei uma pessoa na vida, estava mesmo disposto a tentar com você...— Hyoga piscou porque estava prestes a arrebentar em lágrimas, a voz já começava a ficar embargada — Por deus! Eu queria demais, eu estava tentando...
Kagaho fitou o rosto agora machucado de Hyoga, o lábio já estava ferido e inchado assim como o malar e o olho que já arroxeava. Como pudera fazer aquilo um dia depois de ouvir todo o terror que o jovem russo contara sobre as pessoas tentando machucá-lo, sobre como tinha medo de Tenma o machucar novamente?
— Eu te amo. — despejou e Hyoga arregalou os olhos, Ikki estava próximo e também ficou surpreso com o que ouviu — Eu fiquei louco de ciúme, nunca tinha passado por isso, perder a cabeça desse jeito então deve ser porque eu te amo de verdade. — Kagaho levou a mão ao rosto de Hyoga que se encolheu — Eu... Não devia ter batido em você.
— Não devia. Mas agora você precisa conversar com o seu filho, nós conversamos depois. — Hyoga se afastou com a mochila em direção à porta – Eu vou esperar um táxi na portaria.
— Não... Eu vou deixar você em casa, não pode ir assim. — disse Ikki meio aflito.
— Eu preciso ir embora! – Hyoga abraçou a si mesmo — Eu não consigo olhar pra vocês dois!
O loiro se foi deixando os dois sozinhos em um silêncio tenso, ambos não tiravam os olhos um do outro, mas nada era dito. Talvez não soubessem o que falar, nada parecia certo. Por quase quinze anos não se falavam, a última vez Ikki ainda era um menino que pedira para ele ficar e Kagaho prometera voltar, mas essa promessa ele só cumpriu anos mais tarde e foi durante a morte de Ágatha. Ikki dissera que ele poderia ir embora, ele preferiu a ajuda de Saga Laskaris do que a dele e isso criou um fosso ainda maior entre os dois.
— Você se interessou por ele desde que o viu no dia da morte da Ágatha? Ele estava sempre por perto, eu lembro que você falou com o Milo por algum tempo. Hyoga estava lá – Ikki quebrou o silêncio relembrando aquele dia.
— Naquele dia ele era tão criança quanto Shun, eu os vi juntos e pensei que eles eram namorados. Nunca soube que era você que namorava ele.
— Porque naquela época não era muito evidente, a gente... Eu, era muito retardado sobre isso e não demonstrava nada. Sempre foi um problema pra mim demonstrar carinho, ficar junto de alguém e tudo... — o moreno passou a mão pelos cabelos repicados — Quando finalmente aceitei namorar com ele, foi mais porque ele parecia tão apaixonado por mim que eu fiquei com medo de magoá-lo e ao Milo. Porque o Milo era como um pai pra mim e eu sabia que ele queria que o Hyoga fosse feliz, eu também queria depois do Tenma.
— Ele me contou sobre isso, sobre vocês... Ele foi procurar Tenma no hospital, logo depois que vocês terminaram porque achava que ele era a única pessoa que o amava.
— Porque você quer me atingir?! Porque quer fazer eu me sentir culpado de tê-lo deixado?! Você também me abandonou! Preferiu sua carreira de sucesso à minha mãe e a nossa família! Você fez a mesma coisa que eu porra! — gritou Ikki para o pai que apenas assentiu, era exatamente o que Kagaho queria que ele admitisse.
— E do mesmo modo como me arrependi, você está arrependido agora. E então Ikki? Nós merecemos perdão?
***
Hyoga chegou em casa bem rápido, pediu um uber pelo celular e quando chegou na portaria da Fundação ele já esperava por ele.
Só queria tomar uma ducha e com sorte se trancar no quarto e dormir, sem pensar que acabara de descobrir que transava com o pai do seu ex-namorado. Ex esse que havia acabado de transar também. Era a loucura que estava sua vida amorosa.
Estava se sentindo com muita sorte por entrar e não encontrar ninguém até perceber movimento na cozinha e a voz de Milo ecoar no cômodo silencioso.
— Hyoga? É você filho?
"Porra! E tinha que ser o papai", pensou temeroso, mas indo até a cozinha porque se o ignorasse ele iria até o quarto e de nada adiantaria. Respirou fundo e resolveu acabar logo com aquilo, indo logo para a cozinha. Encontrou o pai terminando de lavar a pouca louça.
— Cadê o Camus? — perguntou indo direto para a geladeira para esconder o rosto lá, com sorte conseguiria esconder o rosto machucado do pai.
— Ele tomou um calmante e está deitado agora, chegou aqui soltando fogo pelas ventas! Nem consegui falar com ele, parecia que ia me matar. — Milo estalou a língua sem se virar para ver o que o filho fazia — Ele está tão irritado assim porque eu não voltei pra casa mais cedo?
— Ele está furioso porque você sumiu o dia inteiro e aconteceu um acidente na oficina e você, Milo Savalas, não estava lá como disse que estaria. — Hyoga revirou os olhos, havia pego a bolsa de gelo no congelador, já desistindo de tentar esconder o machucado que latejava — Afinal! Onde você se meteu pai?! Aiolos me disse que você saiu ainda de manhã de lá.
— Surgiu novidade no caso do Saga, parece que ele sequestrou o Kanon e sabe aquela chefe de segurança deles? Ela tá investigando e... Ei você entrou em uma briga? — Milo havia virado e deu de cara com Hyoga e a bolsa de gelo no rosto — Nem adianta mentir dizendo que caiu no gelo, eu sei reconhecer um soco! E um muito bem dado... Foi aquele advogado? Porque ele te bateu?
— Problema meu isso, não tenho mais quinze anos pai. Deixa que eu resolvo isso, vamos voltar ao foco. Então você sumiu o dia inteiro pra brincar de detetive com a tal de Tethis, qual foi a parte do "vamos deixar a polícia cuidar disso" que eu não entendi?
— Hyoga, ela sabe das coisas! E ela conhece muito bem os Laskaris e está a anos-luz da polícia, do jeito que ela é esperta vai acabar achando o Saga primeiro que todo mundo. Ela salvou o Camus, é boa! Tá empenhada em achar o Saga e colocar uma bala na cabeça dele e se eu tiver que ajudar ela a fazer isso, eu vou fazer. — Milo mirou o filho atentamente, mesmo com o olhar de reprovação que Hyoga lhe lançava, o grego não podia deixar de notar que o filho estava nervoso e prestes a chorar. Era muito fácil ler os sinais — Agora você vai me contar o que aconteceu? Eu recuperei a minha Glock.
— Ótimo, então comece atirando em mim. — o russo fez uma careta qdo apertou a bolsa um pouco mais — Eu só faço merda na vida!
— O que aconteceu? — a voz de Camus se fez ouvir, ele estava entrando na cozinha nesse momento já indo em direção à Hyoga, mas antes olhou de esguelha para Milo — Então grandíssimo detetive e sua fiel escudeira Tethis, quero saber o que descobriram sobre Saga. Isso me interessa também, — Camus tomou a bolsa da mão de Hyoga e colocou ele mesmo no rosto dele — Conte-me querido, eu saí de lá e você estava bem e aguardando Kagaho. O que houve? Krest já está dormindo, não se preocupe. Vamos, comece a falar que eu vou esquentar o seu jantar.
— Não estou com fome. — murmurou Hyoga puxando Camus para mais perto, apoiando a cabeça no padrasto— Sabia que o Kagaho é pai do Ikki?
— PAI?! — falaram Milo e Camus ao mesmo tempo.
***
Já era bem tarde e Camus sentava-se na varanda com um cobertor e uma xícara de chá, Hyoga já tinha chorado tudo que podia e agora dormia. Milo depois de amaldiçoar o mundo e deus, além de contar o que fizera durante todo aquele dia também dormia. O único daquela família que adormeceram por um motivo feliz, cansaço pela tarde patinando, era Krest. Pelo menos alguém precisava ser feliz naquela família, pensou Camus levando o chá aos lábios.
Tinha muitas coisas para arrumar. 1. A vida amorosa do filho; 2.A sua própria vida amorosa que parecia afundada no meio daqueles problemas; 3.Saga. Saga era um pouco mais fácil já que relativamente parecia adiantado, a polícia seguia as pistas que a "maravilhosa Tethis" conseguira então logo achariam os irmãos, já que Kanon sumirá também. A polícia e os advogados estavam se empenhando, confiava em Minos para conseguir isso. Agora com Hyoga as coisas estavam mais complicadas.
"Que merda", pensou ao lembrar do que o enteado relatara na cozinha. Não havia duvidas que Hyoga estava balançado por Kagaho, mas aquela súbita recaída por Ikki poderia colocar tudo a perder. Também havia aquela aterradora novidade. Camus concordava com Shun ao achar que Ikki se arrependia de bem mais do que apenas ter saído da Grécia, acreditavam que ele também se conscientizava agora que amava Hyoga e achava que era tarde demais. Ver o russo com o pai deveria ter sido um duro golpe.
"Agora ele surta de vez! ", pensou Camus tomando mais chá. A sua vida amorosa parecia bem mais fácil de resolver.
Ouviu o barulho da porta de correr e em seguida Milo apareceu só de calça com os cabelos revoltos, o rosto meio inchado de sono e mesmo assim para Camus ele ainda era uma visão e tanto.
— Porque está acordado? Deveria tentar descansar, você levou uma descarga de 220V. — disse o grego o olhando.
— Vem aqui Milo. — Camus ergueu os braços para receber o marido que prontamente o atendeu, sentando no sofá de vime e se aconchegando em seus braços, o ruivo sentindo como o corpo de Milo era gostoso e quente junto ao seu — Eu amo você Milo, me perdoa.
Milo ergueu o rosto e tomou os lábios de Camus nos seus, em um beijo delicado onde saboreou o gosto do seu ruivo junto com o chá. Sentindo o calor da boca dele ao serpentear a língua pela cavidade aveludada. Nunca se cansaria daquele gosto.
— Me perdoa Milo? — há muito que Camus não sentia aquela insegurança, mas depois de tudo aquilo, da perseguição de Saga e sentir aquele perfume fresco e cítrico em Milo logo depois que ele chegou em casa, não sentia-se seguro com a sua relação com o marido. Parecia bobo, mas já bastava o fantasma de Natassia e o inconformismo de Milo sobre a morte dela. Já bastava ter Saga infernizando a vida deles.
— Promete que nunca mais vai tentar me deixar? — Milo levou a mão grande para a lateral do rosto do francês segurando-o de modo a deixar o polegar acariciar o maxilar de Camus. Os olhos azuis do grego estavam fixos no rosto do amado aguardando a resposta dele porque sabia do grande amor de Camus por ele e pela família deles, mas também sabia que o ruivo levava suas promessas muito a sério. Não deixaria que esse amor enorme fosse motivos para ele se sacrificar.
Camus se ajeitou no sofá e deixou Milo se sentar para em seguida sentar no colo dele, apoiando-se nos ombros dele para se encaixar no corpo do outro. Como Camus era alto, sentado assim ele ficava uma cabeça maior que Milo e assim podia olhá-lo por cima.
— Eu juro. Não vou mais tentar fazer nenhuma besteira.
— Sim... — Milo trouxe o rosto de Camus para si pelo pescoço, tomando os lábios dele em outro beijo delicado. Quatro dias sem tocar no seu ruivo! Talvez por isso tenha acabado sucumbindo ao encanto da sereia...
— Vamos ‘pro quarto. — murmurou Camus sem parar de beijá-lo e se erguendo trazendo Milo junto. Era muito tarde, Krest e Hyoga dormiam profundamente
Só tiveram o cuidado de trancar a porta, Krest era muito pequeno ainda para certas coisas. Dessa forma, protegidos na alcova eles se deixaram cair na cama e serem consumidos pela voragem que tinham um pelo outro.
Camus tirou o pijama leve que usava e depois deitou-se sobre Milo, moldando a boca carnuda do grego com a sua enquanto o ajudava a se livrar da calça de moleton. Como sempre o ex-mecânico não usava nada por baixo dela e os olhos de Camus brilharam ao ver o membro já duro, lhe dava água na boca. Sem demora abocanhou a glande, deixando a língua brincar com o orifício primeiro para em seguida deixar que o membro fosse empurrado até a sua garganta, sugando forte no processo. Milo arfou, cerrando os dentes e segurando a cabeça de Camus no lugar para começar os movimentos de vai e vem, era a preliminar do sexo gostoso que estava por vir.
Enquanto sugava Milo, o francês deixava que as unhas curtas percorressem as coxas grossas, acariciassem os ossos do quadril ouvindo o grego gemer e arquear-se porque os sons que Milo fazia eram seus afrodisíacos também. Seu membro já estava dolorosamente duro e precisando de alívio.
— Me deixa te chupar Camus, vem aqui – chamou Milo e ambos se ajeitaram na cama para atender o pedido dele, o sessenta e nove estava feito e Camus gemeu alto quando sentiu Milo o abarcar quase completamente com a mesma fome que ele estava. Intimamente confessava que Milo era muito melhor naquilo do que ele, aquela boca definitamente...
— Aaaahhh! Porra! — Camus tirou o membro de Milo da boca para gemer, o grego largara seu pau para chupar as bolas e agora lambia a sua entrada forçando-a com a língua. O loiro sorriu malicioso já mudando de posição e incitando Camus a fazer o mesmo, o rosto afundou com vontade entre as nádegas do marido que gemeu alto de novo e crispou os dedos nos lençóis.
Ajoelhado na cama Milo só esticou o braço para pegar o lubrificante, preparando a si mesmo e derramando um pouco na entrada de Camus, deixando que os dedos resvalassem pela entrada com a ajuda do lubrificante enquanto a outra mão deslizava o líquido incolor em si mesmo com os movimentos de vai e vem. Queria que a preparação fosse a melhor possível porque ele estava sedendo e por isso o sexo ia ser duro.
— Agora eu vou te foder, tão duro que você não vai conseguir andar amanhã. – disse entredentes posicionando o membro na entrada de Camus.
— Aaahh por favor! Me fode Milo, até eu não lembrar mais meu nome.
Ambos riram, entre quatro paredes deixavam todas as inibições de lado, Camua se transformava numa chama acesa de luxúria e Milo exultava por isso por saber-se ser aquele que causava aquilo. Se amavam e por isso estavam dispostos a dar tudo de si um para o outro.
Milo iniciou a invasão, colando o peito as costas de Camus para lamber a orelha do ruivo e distribuir beijos pelos ombros do seu amor enquanto invadia o corpo dele, abrindo caminho pela entrada estreita e sentindo-o apertá-lo. Aquilo enlouquecia aos dois! Saindo mais uma vez, Milo voltou a penetrar Camus com uma lentidão torturante, para deixar que o ruivo se acostumasse com a invasão.
— Milo!
— Você pediu.
Milo fincou os joelhos na cama e segurou os quadris de Camus no lugar para começar a meter forte e rápido, o ruivo ergueu mais os quadris e afundou a cara no colchão abafando os gritos de êxtase. Sentindo Milo preencher seu interior e ouvindo o som dos quadris dele se chocando contra si, isso era lascivo e quente e Camus estava delirando. Amava aquela entrega, aquele desejo duro que Milo sentia por ele e aquilo era tudo que precisava para restabelecer sua confiança no amor deles. Sentir que Milo o desejava tão loucamente como ele próprio desejava o marido, mesmo depois dos atropelos, dos problemas, era-lhe restaurador.
— Argh! Ruivo caralho que gostoso...— Milo fechou os olhos, lambendo os lábios e deixando as mãos grandes acariciarem os quadris de Camus — Vira, eu quero gozar olhando você meu amor.
O grego saiu de Camus apenas para que o francês se deitasse de costas na cama, para que Milo se encaixasse entre as pernas musculosas e continuasse a arremeter fundo nele. Camus revirou os olhos, as unhas curtas correndo pela pele bronzeada e suada do outro, a boca que lambia e sugava o que encontrava naquele frenesi de excitação. A visão acima de si parecia um delírio, mas era o homem que amava. Os cabelos revoltos, a boca entreaberta e os olhos semicerrados o fitando enquanto se movimentava, penetrando-o forte, a boca perfeita inchada dos beijos que trocaram. Camus mataria por aquele homem.
Milo estava tão próximo! Mas se segurava porque queria que Camus viesse junto com ele, o prazer que o francês sentia era também o seu prazer. Como podia ainda achar que teria aquele momento com outra pessoa? Nunca fora assim nem com Natassia! Ele a amou, a desejou sim e tiveram um filho. Mas era Camus aquele ser cujo o corpo e o coração lhe completavam, cogitar viver sem ele era algo inconcebível. Jamais permitiria que o seu ruivo o deixasse, nunca mais também se permitiria fraquejar por nada...
— Milo! — gritou Camus e então se derramou no próprio abdômen, comprimindo o canal estreito e fazendo Milo revirar os olhos, gozando também no interior do ruivo. Ambos chegando ao ápice juntos.
Arfantes, se deixaram largar na cama esperando que os tremores do orgasmo acabassem. Camus levou as mãos aos cabelos longos do esposo em uma carícia suave, Milo se ajeitou para acomodar o ruivo nos braços sem se preocupar em limpar-se. Fariam isso pela manhã.
— Você acha que o Saga vai tentar se passar pelo Kanon de novo? — perguntou Milo, Camus apoiou o queixo no peito dele para olhá-lo.
— Vai, por isso precisamos ficar atentos. Eu e você sabemos diferenciá-los, mas Hyoga não e muito menos Krest ou alguém dos Argenkland. Nós precisamos deixá-los avisados.
— Chamei os advogados e Tethis para jantarem aqui hoje, vamos conversar com todo mundo e alinhar uma estratégia. — Milo acariciou o rosto de Camus com carinho – Ele está encurralado, logo vai atacar de novo, mas nós estaremos preparados para ele.
— Sei de alguém que pode atraí-lo mais rapidamente, se ele... — Camus mordeu o lábio inferior – Duvido ele não surtar de vez se descobrir que Shaka voltou à Atenas.
— E Shaka voltaria? Para te ajudar?
— Se eu pedisse ele voltaria. — Camus olhou um ponto distante, lembrando da última vez que viu o indiano. Do pedido dele de perdão, mas estava tão ferido para perdoá-lo naquele momento — Como uma forma de se redimir, eu o conheço o suficiente para saber que ele se cobra isso.
— Se você tá dizendo... — não agradava a Milo esse retorno, no fundo sentia ciúmes de Shaka e insegurança também por pensar que o indiano seria mais centrado para aquele momento do que ele. Mas se fosse para se livrar de Saga, ele correria o risco — Não que me deixe feliz ter o senhor sexo tântrico de volta, mas se for pra ajudar!
— Não acredito que mesmo depois desse tempo todo você ainda tem ciúme do Shaka! — Camus se ergueu apenas o suficiente para olhar o marido nos olhos, Milo tinha o rosto virado para a parede de vidro, contudo a careta evidenciava o ciúme — Que fofo!
— Fofo é meu pau, Camus! — ele crispou, irritado e o sorriso presunçoso do ruivo piorava tudo.
— Seu pau não é fofo também... — e dizendo isso Camus levou a mão até o membro de Milo acariciando em movimentos de vai e vem — Ele é monstruoso! "Big cock" — as palavras em inglês foram ditas em um gemido languido e sensual.
— Fala a verdade pra mim e diz que você fazia pornô antes de vir morar na Grécia? Eu vou entender. — Milo deixou-se levar pela carícia em seu membro e os lábios de Camus que agora estavam em volta de um dos seus mamilos — Que na verdade você fazia pornô e o Saga era o seu agente e por isso que ele não te perdoa por ter fugido.
— Porra Milo! — o grego protestou porque nesse momento levou uma mordida forte e em seguida o ruivo saiu da cama — Depois dessa eu vou tomar banho.
"Quando vocês já tinham feito as pazes, você estraga tudo Milo. Continue sendo um idiota com o senhor sexo tântrico por perto e veja o que acontece!" seu subconsciente o julgou, ele era otimo nisso. Pena que Milo não pensava antes de falar.
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