Notas iniciais
yo! Olá vocês! Como vão? Bommmm, eu resolvi trazer logo o primeiro capítulo. Eu pretendia esperar mais um tempo, até a capa ficar pronta e tudo estar resolvido, masssss eu recebi um empurrãozinho (no diminutivo porque fica mais fofo, mas não foi nada leve!) de uma leitora e precisei trazê-lo aqui. Antes de mais nada, muito obrigada Nyx, seu comentário realmente me deixou mais animada! Bom, caso não se lembrem, no prólogo eu expliquei sobre as várias tramas que teriam aqui. O capítulo passado teve um foco numa trama que eu não posso comentar pra não dar spoiler, por isso não teve muita ficção-científica, que é uma das tramas mais importantes, é claro. Bom, já nesse, temos finalmente as explicações sobre a trama que envolve ficção-científica e é, inclusive, a qual eu me refiro no título da fic. Caso alguma coisa tenha ficado confusa, é só falar que eu tento repetir de forma mais clara e etc, mas devo lembrar que eu pretendo desenvolver essas explicações ao longo da estória, por isso haverão sim coisas que não devem ser totalmente compreendidas por vocês. Apenas uma dica: prestem atenção na relação de Kira com John. Não é conturbada porque eu simplesmente decidi fazer com que eles não se deem bem. E eu tentei mostrar um pouco mais do lado de John também, não quero que pensem que ele é o covarde da história nem que a Kira é a egoísta. Não quero deixar nenhum tipo de rótulo nos personagens, mas sim mostrá-los como seres humanos diante de uma situação caótica e no que suas ações totalmente desesperadas e precipitadas acabam resultando. Espero que gostem do capítulo, dúvidas, críticas, qualquer coisa, é só comentar c:

– É mesmo verdade, então? Eles avaliaram? Testaram? – Uma não tão pequena Kira Sünder de quatorze anos tinha seus grandes olhos escuros brilhando, inundados de esperança. A mãe da garota adoecia gradativamente pela Onda Branca. Um belo nome dado para uma crueldade humana que matava milhões de pessoas todos os dias. A Onda Branca deveria representar, segundo o governo, uma onda de esperança, mas para todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer de perto o vírus, seja por alguém próximo ou por si próprio, significava apenas a realidade: os olhos revirados e sem vida, que antes transmitiam emoções, agora transmitiam uma onda de... vazio, morte... branco. Uma onda de devastação, que estava se tornando um mar. – Você... conseguiu a cura?

Talvez a Onda Branca tenha sido uma boa revolução dos costumes de muitos. O branco tornara-se a cor do luto para os que perderam, a cor da morte para os que lutaram em vão, a cor da esperança para aqueles que se tornariam algum dos anteriores num futuro próximo. Basicamente, o mundo se resumia em branco, e não havia previsões para que voltasse ao normal.

Mas, enquanto isso, John Sünder virava uma celebridade pelas televisões, jornais, sites, do mundo todo: o cientista que pode ter criado a cura da Onda Branca sem nem mesmo saber disso. Alguns o viam como um gênio, outros como uma figura religiosa, tudo diante de suas próprias crenças. Kira o via como um pai, ou pelo menos, algo perto disso. Todas as esperanças que sobraram diante do caos pareciam apostadas nele. Irônico mesmo, era lembrar que a pandemia havia se iniciado daquela mesma forma. Não que duvidasse das capacidades cientificas do homem, embora nunca tivesse conversado de forma séria sobre o assunto. Mas, oito meses atrás, uma mulher que dizia ter uma cura, devastou o mundo. O desespero engolira a população à ponto desse tipo de confiança às cegas?

– Eles não querem arriscar nada, Kira. A população pode estar cega de desespero, mas o governo não pode se dar à esse luxo. – John suspirou. Os dias trancado no laboratório causaram-lhe olheiras maiores que as de costume e uma barba mal feita, além de um péssimo humor, do qual parecia ter se espalhado por toda a casa, deixando o clima tenso e pesado, ou pelo menos, piorando o que já estava daquele jeito. – eles querem me entregar prisioneiros em cativeiro para os testes e depois deixá-los em uma zona de quarentena. Disseram que uma zona de quarentena não fará diferença, visto que já estavam numa cadeia, causará menos alvoroço, afinal, já temos muita coisa para nos preocupar. Eu não posso...

– E eles estão certos! O que você está esperando pra fazer logo essa merda? É ótimo! Quero dizer, nada vai acontecer com eles, você mesmo disse que está confiante, todos os superiores apostam em você. Quais a chances de dar errado? E se der, qual será a diferença? Isso já será um passo enorme para a cura... – Kira sabia o quão egoísta soaram suas palavras, mas não se importou. Para ela, a guerra tinha seus estágios, e quando eles chegam em níveis críticos, não havia espaço para remorso. Principalmente quando o inimigo é uma incógnita.

Principalmente quando alguns não aceitavam estar guerreando contra algo que não é humano.

– A diferença é que se algo der errado, eu terei sangue nas minhas mãos! Você tem alguma noção do que é isso? – Incrédulo, sua voz falhara. Simplesmente não conseguia continuar. E nem precisava, pois Kira entendera o que ele quis dizer, apesar de discordar completamente.

– Você não terá sangue nas mãos! A sua intenção é de salvá-los, de salvar todos, de salvar minha mãe! Eles não podem fazer isso, não podem te culpar por isso, simplesmente... – A morena precisou soltar alguns palavrões para se acalmar e esperar pela resposta.

– Você realmente acha que tem algum lugar pra “intenções”?! Nós estamos no meio de uma guerra! Sabe o que as intenções significam numa guerra? Porra nenhuma! De que adianta uma intenção, se no fim, pode resultar em mais mortes? Foi assim que o surto começou, e foram pessoas medíocres que pensam como você que mataram milhões de pessoas, que mataram sua mãe! – A explosão do pai acabou não sendo um sacode em Kira. Esta, como sempre fez, levou as palavras como um desafio. Uma infantilidade que não deveria ter espaço diante daquela situação, mas que também não poderia ser impedida. Deixara de ver o sofá vermelho do qual estava sentada ao lado de John, ou a televisão que transmitia algum jogo de basquete, ou o imundo carpete azul da sala-de-estar e muito menos a expressão de nojo no rosto do homem. O mundo passara a ser as palavras que tinha acabado de ouvir, e quem as disse.

– Ela não está morta, John. Ainda não. Mas vai estar a qualquer momento se você não largar de ser um frouxo de merda e crescer um pouco, sabia? Isso não é um surtinho que podemos resolver com um pouco de álcool-gel, é uma bomba relógio que você vai deixar explodir porquê consegue ser egoísta o bastante pra pensar em ter suas mãos sujas e nem enxerga que elas já estão! Nesse exato momento, tem milhares de pessoas morrendo porque você não age! Mas enquanto isso, a sua preocupação é repetir o que você já faz todos os dias de forma mais direta? Poupe-me.

John parecia estar sem palavras, e a satisfação que Kira sentiu era inexplicável. Entretanto, o homem não demorou a acordar de seu transe momentâneo e se aproximou, com uma raiva contida à tempos prestes a explodir.

– Você tem quatorze anos, Kira. Nunca, nunca tente me dizer que eu preciso crescer. Você mal sabe o que é viver, não tem a menor ideia do que está falando. – O rosto distorcido e ruborizado de raiva, cuspiu as palavras como ácido, dessa vez sem levantar a voz, deixando-as sair como um sussurro. E o resultado fora como esperado. A garota preferia mil vezes que tivesse berrado até seus ouvidos latejarem.

Por um instante, as respostas que a morena sempre tinha na ponta da língua desapareceram, mas para o próprio alívio, voltaram logo depois.

– E eu nunca saberei o que é viver com esse surto. Até os que já souberam um dia, esqueceram ou nem tiveram a chance disso antes de morrer. O tempo não vai esperar você decidir, John, nem a onda. Ela está logo acima de nós, e não vai demorar até que não tenha mais lugar para fugir. E enquanto isso, vão continuar o trabalho de nos matar. Não pense que terá muitas escolhas, ninguém mais tem. Todas as portas foram trancadas atrás de nós, e você quer guardar a única chave que pode abri-las. Você pode fazer o certo, ou pode deixar com que eu mesma faça, mas eu juro, não vou deixar que volte atrás como um covarde desgraçado.

E com essas palavras vagando no ar, sem resposta, Kira deixou o cômodo. Não pôde deixar de se sentir satisfeita com o efeito que conseguira por trás da tensão que suas palavras causariam não apenas na vida de sua família, mas talvez nas poucas vidas restantes que ainda usufruíam a arte de viver naquele mundo.

*

– Senhor Sünder, precisamos de uma resposta. – A voz do governador, apesar de entrecortada pelo sinal ruim, soou firme. John ainda não havia decidido. Antes, tinha certeza de sua escolha, mas quanto mais pensara no ocorrido da noite passada, mais dúvidas surgiam, perambulando por sua mente.

Estava prestes a dizer que recusaria as cobaias, mas interrompeu-se repentinamente, um misto de ideias e opções se embaralhando por onde olhava, não conseguia pensar, formular uma resposta.

E então, percebera que aquele era o problema desde o início. Se calculasse cada vantagem e desvantagem de cada escolha, como poderia decidir por si próprio? Era impossível. As chances de fazer uma merda enorme com sua próxima decisão eram as mesmas de uma decisão considerada racional. John nunca acreditara que algo poderia dar certo se dito sem uma balança, sem uma medida. Ou, quem sabe, nunca acreditara que qualquer coisa poderia dar certo?

Nada que importasse, nada que já tenha importado, nada que importará. Pela primeira vez em anos, concluiu uma frase sem medir meticulosamente cada palavra, simplesmente a concluiu, esperando estar pronto para as consequências.

– Eu já testei uma dose, senhor. E funcionou. Encontramos a cura.

Bem... ninguém estava pronto para as consequências, afinal.

Notas finais
Ah, e me desculpem caso alguém tenha se incomodado com o linguajar usado durante o capítulo. Meu forte é narrar a mente, por isso tenho certa dificuldade em desenvolver uma conversa casual entre dois personagens, por isso tentei relaxar com a censura. Sei que está nos avisos e tudo mais sobre a linguagem forte, mas é sempre bom lembrar eu mesma. Até o próximo capítulo, eu espero! c: