Ônix

9 Capítulo VIII - History


Notas iniciais
Hello my little Wolfies ♥ Passarei a postar semanalmente agora... Vejo vocês nas terças...

Capítulo VIII — History

Não havia sido capaz de voltar a dormir por nem mais um segundo, não conseguia nem ao menos pensar em ir a escola, mesmo que não soubesse exatamente se teríamos ou não aula. Era complicado imaginar os professores tentando explicar as matérias finais para alunos assustados, dispersos e esperando pela próxima aparição sobrenatural.

Me questionei do que aconteceria hoje, afinal um evento maluco parecia ser programado para cada dia, sempre superando o anterior. Me levantei esperando que fosse apenas um dia normal, para variar um pouco minha rotina.

Saí mais cedo que o normal, pra não chamar atenção indesejada de meus pais ou acidentalmente esbarrar com a Nanda ao sair de casa, não sei se conseguiria falar com ela normalmente após aquele sonho.

A imagem de seu corpo jogado no chão ainda era nítida em minha memória, o sangue fluindo sem parar, tingindo tudo em um vermelho vibrante.

Balancei a cabeça e me encolhi dentro o casaco grosso, tentando livrar minha mente daquelas imagens perturbadoras, virei a esquina tomando a direção do único lugar onde eu sabia que ninguém pensaria em me procurar.

A manhã de outono estava fria como de costume, a névoa lhe rendendo um toque assustador no melhor clima de Halloween, mesmo que nossa cidade não comemorasse em peso o feriado, muitas casas estavam decoradas e aquilo me perturbava.

De certa formar nunca havia gostado do Halloween, por mais que essa fosse uma tradição forte entre os adolescentes, mesmo os canadenses.

Continuei meu caminho, ignorando tudo ao meu redor até entrar no cemitério, que parecia particularmente mais assustador ao amanhecer, mesmo com toda a luz da manhã, o lugar era de dar arrepios, e eles não tinham absolutamente nada a ver com o frio.

Parei apenas ao chegar na lápide do meu irmão, haviam semanas que eu não ousava pisar ali, as flores já haviam morrido e secado, grande parte delas sido levada pelo vento, mas alguns vestígios mórbidos ainda permaneciam, como se teimassem em não deixar o lugar.

Me sentei na grama, ignorando a racionalidade, me encostei em uma das muitas estatuas de anjos que adornavam toda a extensão do lote, era um costume verdadeiramente estranho colocar imagens de anjos em um local de morte.

—Você faz tanta falta — soltei baixo, sabia que ele estava vivo e que não fazia o menor sentido falar com uma lápide, mas eu precisava de algo ao qual me agarrar, e eu sempre havia me agarrado a ele, Tyler era a pessoa a quem eu sempre corria em qualquer problema — seria tão mais fácil se estivesse aqui, se tivesse simplesmente me contado a verdade desde o início.

O silêncio era simplesmente ensurdecedor, não sei por qual razão estupida eu realmente esperava por uma resposta, qualquer tipo de resposta, qualquer indício de que ele estava por perto, de que ele sabia disso, de que ainda estava ali por mim.

Agarrei a lua de ônix e a apertei contra meus dedos, buscando um pouco de conforto, de coragem. Tudo o que pude sentir foi a pedra gelada entre meus dedos e o vazio em meu peito se intensificar.

Me levantei frustrada comigo mesma, o que eu estava pensando? Que depois de meses Tyler apareceria magicamente para mim, deixando todos os motivos que o levaram para longe de lado, apenas por minha causa, que era a principal razão de ele precisar desaparecer?

Bufei irritada e me virei para deixar aquele lugar estranho, mas acabei por perder totalmente o ar, eu simplesmente não conseguia acreditar no que eu estava vendo a minha frente, era impossível.

Mas de alguma forma todos os impossíveis estavam se provando realidade.

Parada logo a minha frente estava uma garota exatamente igual a mim, talvez um pouco mais velha, longos cabelos castanhos, olhos de um castanho médio, levemente avermelhados pela iluminação naquele horário.

Dei um passo para trás tentando colocar meu raciocínio em linha. Eu devia estar alucinando, uma alucinação incrivelmente realista e assustadora.

Poderia estar me olhando em um espelho se não fosse pelo fato de que ela usava roupas que eu jamais vestiria em um dia como esse, um vestido florido e botas de cano alto, junto de um casaco de lã. Pensando por um momento, eu não usaria nada assim em qualquer dia.

E também havia o comprimento de seus cabelos, três vezes mais longos que o meu, chegando bem a baixo de seu quadril, essa alucinação realmente precisava conhecer um cabeleireiro.

—Olá Liah – ela sorriu animada, andando em minha direção – minha bela cópia, ainda não consigo entender como...

—Do que me chamou? – por mais confusa que estivesse com a situação, meu cérebro parecia estar se adaptando a isso, funcionando, pelo menos em partes.

Seu sorriso morreu e ela pareceu muito desapontada, quase como se esperasse mais de mim, o que não fazia sentido algum, mas vamos encarar os fatos, o que ainda fazia algum sentido?

—Copia, você é uma cópia Petrova, assim como eu – ela explicou como se fosse algo completamente óbvio – descendemos de uma longa linhagem de cópias e a história é realmente longa, deve ter mais de três mil anos...

—Como posso ser uma cópia Petrova se eu nem ao menos sou Petrova? – a cortei em seu discurso sem sentido e ela balançou a cabeça como se reprovasse meu ato.

—Claro que é, seus pais não te contaram que é adotada? – ela parecia verdadeiramente revoltada e nem ao menos deu atenção a minha reação de quase gritar com a palavra adotada — Eu disse a eles que viria te buscar.

—Quem é você?

E definitivamente, depois de tantas informações sem sentido e mal explicadas, essa era a única coisa que eu realmente queria saber. Ou pelo menos era a única coisa que meu cérebro queria se focar no momento.

—Meu nome é Tatia Petrova e você é minha sobrinha, Liara Petrova – ela soou entediada por ser obrigada a explicar aquilo, depois agarrou minha mão e me puxou em direção a saída do cemitério — temos que conversar com seus pais, eles já deveriam ter contado toda a verdade.

—Que verdade?

—Sobre quem você é, mas vamos mudar isso – ela sorriu e continuou me puxando pelo caminho, como se fizesse aquele trajeto sempre e soubesse exatamente onde estava indo.

Tatia não falou nenhuma palavra em todo o caminho até minha casa, era estranho andar com ela pelas ruas desertas, e se alguém nos visse?

Éramos exatamente iguais, bem, não totalmente já que nossos estilos variavam assim como o cabelo, mas ainda assim, qualquer um que nos visse juntas pensaria sermos irmãs gêmeas. E o problema é que, toda a cidade sabia que eu não tenho nenhuma irmã.

Mas a real diferença entre nós era que eu sou humana, já ela, bem, algo na maneira como se movia e falava, simplesmente sentia que não era humana a um longo tempo.

Finalmente paramos em frente a minha casa, Tatia simplesmente atravessou a varanda e entrou, sem me esperar, a segui e para minha surpresa meus pais não haviam saído para o trabalho, eles estavam na sala, como se esperassem por nós.

—Como pode... Exatamente igual — meu pai parecia fascinado com aquilo, mas o olhar que minha mãe lhe lançou o calou imediatamente.

Tatia se aproximou em silêncio e sentou-se no sofá como se fosse uma amiga antiga da família, algo na expressão dos meus pais me fez questionar o que estava acontecendo ali, pareciam assustados, ou poderia ser apenas minha mente tentando enxergar perigo em tudo.

—Tatia não esperávamos que voltasse tão cedo, disse que esperaria ela completar 18...

—Em quatro meses Liah fará dezoito anos – Tatia cortou sua fala e minha mãe se calou de imediato, ouvindo o que a outra tinha a dizer — ela está descobrindo sobre os lobisomens sozinha, vocês sabiam disso?

Eles negaram a informação, me fitando surpresos, mas a pessoa que realmente estava surpresa ali era eu, de um minuto para outro meu mundo estava despencando, minha realidade fragmentada como um espelho quebrado, se partindo ainda mais.

—Klaus levou o Tyler – meu pai soou triste, mais um choque, eles sabiam sobre o hibrido, eles sabiam de tudo – com todas as mortes recentes, não tivemos nenhum tempo para lidar com isso.

—Tyler não foi pego – ela soou levemente irritada – ele fugiu para não atrair atenção a Liah, ele fez sua parte para protege-la. Pensei que soubessem disso.

—Desconfiávamos, mas não havia como ter certeza – minha mãe desviou o olhar para mim por alguns segundos, antes de voltar a fitar minha cópia a sua frente, a culpa estampada em seu rosto como uma tatuagem.

Precisava me manifestar, apenas assistir toda aquela cena não estava esclarecendo absolutamente nenhuma dúvida, apenas criando novas. E não era como se eu precisasse de novas questões me atormentando.

—Afinal o que não me contaram? – minha voz quebrou a bolha invisível que eles pareciam estar, todos os olhares se fixaram em mim, se eu queria atenção, havia acabado de conseguir.

Tatia se virou completamente para mim, ainda me assustava de olhar para ela, éramos tão parecidas que chegava a ser arrepiante, como um filme de terror, onde a gêmea do mal tenta te matar ou algo do tipo, não sou muito de terrores.

Depois de dar um sorriso amigável, ou pelo menos era o que parecia, ela indicou para que sentasse no sofá ao seu lado, o que atendi prontamente, ela parecia a primeira disposta a simplesmente me contar tudo o que eu queria saber.

—É realmente uma longa historia, mas você precisa saber minha querida, a uns 1100 anos atras eu vivia em uma vila, onde quase tudo era pacifico, até me envolver com a família Mikaelson.

—E? — questionei sem entender a pausa.

—Certo dia o irmão mais novo deles foi morto, morto por um lobo, um de nossos vizinhos, Esther enlouqueceu, ela criou um feitiço e transformou seus filhos em vampiros, os originais, e usou meu sangue para isso. Mas a parte lobisomem do Klaus despertou....

—Klaus? O hibrido louco que caça lobisomens?

—Sim, esse Klaus — ela me fitou levemente irritada pela intromissão e eu me calei — voltando a historia, o pai dele não era lobisomem, o que entregou a traição de Esther, ela selou o lado lobisomem do filho, mas para isso precisava de um sacrifício, então ela me matou.

—E como você esta viva, você não morreu por causa do feitiço?

—Elijah, o outro irmão, me deu seu sangue, eu morri, mas pouco tempo depois voltei como vampira, e para desfazer o feitiço lançado sobre o Klaus, ele precisava de algumas coisas, mas principalmente do sangue de uma duplicata Petrova, você.

—Quer dizer que eu existo como uma maneira de quebrar o feitiço? — a pergunta soava ainda mais estranha feita em voz alta do que em minha mente, e ela já soava extremamente louca na minha cabeça.

—Não exatamente, ninguém sabe ao certo qual a razão pela existência das cópias — Tatia deu de ombros, como se aquilo não fosse nada — apenas aparecemos a cada cem anos ou menos. No seu caso bem menos.

Arqueei as sobrancelhas ainda mais confusa, como se isso pudesse ser possível, nós eramos exatamente iguais mas definitivamente nossas mentes trabalhavam de um jeito completamente oposto. Aquilo devia significar algo maior, precisava existir um motivo para nossa existência.

Mas essa dúvida poderia esperar, se já haviam se passado tantos anos sem uma resposta concreta, alguns minutos não seriam nada, existiam outras coisas que atraiam mais minha atenção, como por exemplo o fato de que, se existiam mais de nós, porque Klaus precisaria de mim?

—Por que logo eu?

—Liah lembra que eu disse que você é minha sobrinha? — assenti me perguntando onde aquilo nos levaria, não havia sido essa minha pergunta, não ainda pelo menos — Como acha que isso é possível se eu tenho 1100 anos?

Aquilo me pegou desprevenida, sem dúvida meu raciocínio ainda não havia chego assim tão longe, quer dizer, a principio não havia entendido como poderia ser sua sobrinha, mas devia ser algo como algum parentesco muito distante, gerações de distância.

—Como? — minha voz saiu tão baixa quanto minhas certezas se encontravam naquele instante, quase nulas.

—Tália, sua mãe e também minha irmã, engravidou de um dos lobisomens, nessa época Mikael, pai do Elijah, estava caçando todos os lobisomens que encontrava, ele matou seu pai e estava prestes a matar sua mãe, foi quando eu interferi, ninguém sabia que eu ainda estava viva, o elemento surpresa foi o que salvou a vocês duas.

—Por que ele faria algo assim?

—Seu pai era um lobo Liah, e os lobos haviam matado seu filho mais jovem, um dos lobisomens havia sido o homem com quem sua esposa o havia traído — Tatia desviou o olhar, parecendo presa a alguma memoria — vingança pode ser algo poderoso.

Aquela frase, algo nela significava muito mais a Tatia do que ela deixava parecer. Mas não havia tempo para questionar aquilo, haviam outras informações mais importantes.

—Eu ajudei sua mãe a fugir e quando você nasceu ela te entregou a mim, para que eu cuidasse de você — Tatia ainda encarava algum ponto aleatório, sem desviar por nem mesmo um segundo — ela não queria que você precisasse viver fugindo como ela estava fazendo.

—Então ela simplesmente me deixou? — a revolta em minha voz era evidente, por mais que saber ser adotada tenha sido um choque, ouvir que meu pai biológico havia morrido e minha mãe me deixado, era ainda pior.

—Não Liah, Tália não te deixou, ela salvou sua vida — Tatia fitou meus olhos pela primeira vez em minutos, mas logo voltou a desviar seu olhar — Mikael estava se aproximando e ela nos deu o tempo para fugirmos, ela se sacrificou para te salvar, assim como seu pai.

O choque foi instantâneo, enquanto as palavras me atingiam uma dor estranha se alastrava por meu peito, algo real de mais, ela estava me dizendo a verdade, eu senti isso a ouvir suas ultimas palavras, sobre como eles morreram por mim.

Era a primeira vez que algo fazia sentido, a primeira parte da historia que realmente me afetou, que me fez ter certeza de que aquele vazio que sempre senti não era imaginação.

—Eu fugi com você por meses — sua voz estava baixa e seu olhar preso ao chão enquanto eu voltava a fita-la sentindo ainda aquele aperto no peito — mas fui encontrada por um circulo de bruxas, elas sabiam que Mikael nos perseguia, e também que Klaus queria você.

Minha voz havia desaparecido, sua pausa durou algum tempo, como se ela escolhesse as palavras, pensasse no que devia ou não dizer, olhei para o lado, vendo que meus pais me fitavam, mas assim que perceberam meu olhar a culpa estampou suas expressões e seus olhos se desviaram para o chão.

—As bruxas lançaram uma maldição sobre você — aquilo trouxe de volta minha atenção a ela, maldição? — te congelaram no tempo, um feitiço inquebrável que te prendeu por mais de mil anos. E quando finalmente se quebrou, lhe trouxe aqui, para uma vida normal com uma família descendente de seu pai.

—Por que veio me buscar? Por que agora? — levantei irritada, eu havia perdido tudo antes mesmo de saber o que possuía e a única pessoa que me restava me abandonou com desconhecidos — Porque me deixou aqui?

Andei até a janela sentindo a tensão se espalhar pelo ar como a névoa pela manhã, me virei de volta para ela percebendo o olhar culpado no rosto de cada um deles.

Com toda certeza haviam muitos arrependimentos naquela sala, e o maior deles era o meu próprio de não ter percebido que algo estava errado antes, de não ter prestado atenção aos sinais, que eu não pertencia a aquele lugar.

—Pois não podia correr o risco do Klaus te encontrar — Tatia também se levantou, parecendo tentar se aproximar, mas mudou de ideia no segundo passo — Mas agora, ele quebrou o feitiço que o prendia e você pode vir comigo.

—Por que eu iria com você?

Era uma questão realmente válida, considerando que ela havia me abandonado. Não importava a razão, ela havia me deixado.

—Pois eu sou a sua família.

Revirei os olhos, ela precisaria de um motivo muito melhor que aquele para me convencer, e ao notar minha reação, Tatia pareceu perceber isso.

Notas finais
Hey wolfies ♥ Se não leram lá em cima, passarei a postar semanalmente, todas as terças...