Órion
7 Never Forget You pt. 2
Notas iniciais
Órion, 17 de março de 2204
Estou observando meus pais silenciosamente, meu pai parece radiante enquanto conversa com Werner e olha para mim de minuto em minuto, como se quisesse se certificar de que eu não havia corrido para fora do castelo outra vez. Por outro lado, minha mãe nunca pareceu tão prestes a ter um ataque de nervos, olhando para a janela e para as portas, com medo de que a qualquer minuto alguém passasse por elas. E, quando finalmente seu olhar me encontra, ela dá um sorriso fraco e logo desvia o olhar.
E então alguém entra, fazendo com que os dois se levantem em um pulo, meu pai tentando controla a sua própria agitação e a de minha mãe. O guarda sussurra algo para os dois, que voltam seus olhares rapidamente para mim e para Werner.
—Leve-a para um lugar seguro e não saia de lá até ter certeza de que não há mais nenhum perigo. —Posso sentir o medo de minha mãe ao falar essas palavras, me encolho.
—Mãe? —A minha voz sai esganiçada. —Vocês não vem com a gente? —Tudo o que ela faz é sorrir.
—Nós logos iremos alcançá-la. —É meu pai que fala dessa vez, a voz segura e confiante, mas seus grandes olhos castanhos claros estão agitados demais. —Agora vá.
Sinto uma mão envolver a minha e começar a me puxar para fora da grande sala do trono, quando olho para trás, logo antes de passar pela grande porta, vejo pessoas que eu nunca vi na vida, empunhando todos os tipos de armas, tentando alcançar meus pais, que correm para a direção oposta de onde estou, as mãos mais unidas do que nunca.
—Você tem que vir comigo, Naomi. Por favor, ande. —Não percebo que estou parada na porta até que a voz de Werner me desperta, faço com que as minhas pernas se movimentem e deixo-o me guiar pelos inúmeros corredores do castelo.
Enquanto corro, a certeza de que nunca os verei novamente me alcança em cheio e sinto as lágrimas escorrem o meu rosto, meu corpo treme como nunca antes e as minhas pernas parecem queimar com o esforço.
Finalmente paramos em um pequeno quarto, ele já está bagunçado, mas Werner não parece se importar, apenas deixa a porta entreaberta e levanta o guarda-roupa, abre as portas e me manda entrar.
—Eles já revistaram esse quarto, duvido que voltarão, mas, se voltarem, temos que estar escondidos.
Entro sabendo que é o melhor a se fazer, logo, o garoto está encolhido ao meu lado, a mão segurando o cabo de uma faca tão forte que faz com que as juntas de seus dedos fiquem brancas.
—Quanto tempo você acha que isso vai durar? —Sussurro o mais baixo que consigo e tento procurar seus olhos, mas no escuro, o máximo que possa fazer é escutar a sua respiração constante e as batidas de meu coração.
—Não muito, Naomi. Não muito. —Sua mão procura pela minha e, quando finalmente a encontra, ele a segura e seu toque é suave, sua mão é apenas um recado de que ele estará ali com ela. E eu agradeço por isso, porque quando as lágrimas voltam a escorrer em meu rosto e a espera se torna insuportável, eu pelo menos sei que não estou sozinha e que nem estarei enquanto tiver Werner ao meu lado.
Naomi.
Meus olhos se abrem, mas por algum motivo tudo continua escuro.
—Naomi. —Alguém está chamando meu nome, cada vez mais perto, aperto a mão de Werner com força. —Sou eu, Darrel. —O garoto ao meu lado aperta a minha mão mais forte ainda, mas o resto do seu corpo continua imóvel.
—E se ele estiver sendo obrigado a dizer isso? —Não tenho certeza se ele está realmente perguntando para mim, a sua voz é baixa demais.
—Como poderemos saber? —A insegurança em minha voz é grande demais, não tenho certeza se quero saber a resposta.
—Nós não podemos.
A mão dele solta a minha aos poucos, o garoto abre a porta do guarda-roupa lentamente e sai com passos silenciosos, posso ver ele indo até a porta e espiar o lado de fora. Quando olha para mim novamente, há um sorriso em seu rosto. Werner faz sinal para que eu saia e corre para fora do quarto.
Saio com passos lentos, sei o que não vou encontrar fora desse quarto, e o pensamento me faz querer voltar e me esconder.
Encontro Werner e Darrel se abraçando, o garoto parece estar tremendo no colo do pai, que está com lagrimas escorrendo pelo seu rosto. Me apoio na parede e vejo mais guardas correndo em minha direção. A pessoas checando se eu estou bem, se não há um machucado ou se eu não estou tendo um ataque de pânico.
Ninguém me fala sobre os meus pais, mas há olhares triste e pesarosos o suficiente para que eu saiba o que aconteceu.
Eu tenho seis anos e meus pais estão mortos.
Eu tenho seis anos e sou a nova rainha de Órion.
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