Órion
4 Into You
Notas iniciais
Ao sair de meu quarto, me deparo com Werner, ele está mais sorridente do que nunca, e tenho que me esforçar muito para não sorrir também, olho ao redor e vejo que estamos praticamente sozinhos no corredor.
—Como foi a sua folga? —Pergunto, e tento continuar despreocupada. Ele não pode ter mudado de ideia.
—Foi ótima, quando contei as… novidades minha mãe começou a chorar e disse o quanto estava orgulhosa de mim, meu pai disse que eu tinha todo o apoio dele. Podemos dizer que foi maravilhosa. —Antes que eu possa falar, ele se inclina em minha direção e sussurra em meu ouvido. —E, não, Vossa Majestade, eu não mudei de ideia.
Sinto arrepios percorrendo meu corpo, Werner ainda está sorrindo quando chegamos ao final do corredor.
—Sabe, acho que como você está tão animado para o casamento, eu deveria mandar as decoradoras para que você cuide dos detalhes. —Ele dá risada mas balança a cabeça negativamente.
—Não daria muito certo, eu provavelmente faria um casamento gigante para anunciar para o mundo inteiro que Naomi Leola Steele é a minha mulher. —Reviro os olhos para ele, embora o sorriso em meus lábios me denuncie. —Mas eu ficaria muito feliz em planejar a lua de mel.
O olho espantada, havia me esquecido da lua de mel e, pela expressão de Werner, posso vê-lo repreender a si mesmo por ter soltado isso.
O resto do dia ficamos em silêncio, mas, ainda assim, percebo os olhares furtivos do garoto para mim, as bochechas dele parecem continuar coradas o dia inteiro.
—Você pode me encontrar no meu quarto hoje a noite? Depois do seu turno. —Me arrependo assim que as palavras são ditas em voz alta, Werner me olha confuso, assustado e curioso, tudo ao mesmo tempo, mas concorda com um aceno de cabeça.
Dispenso as criadas assim que o jantar chega, querendo poder comer sozinha enquanto espero pelo garoto, tomo uma pequena taça de vinho na esperança de que isso me ajude.
—Olá, Naomi. —Ele fala assim que entra no quarto, parece nem se importar com o fato de que estou comendo, apenas começa a andar de um lado para o outro no quarto, nervoso demais para ficar parado, apenas o observo enquanto como. —Sinto muito por ter dito aquilo mais cedo, eu não quis te insultar de forma alguma, era para ser apenas uma piada.
Levanto a mão e peço para que ele aguarde um pouco, vou para o banheiro e escovo os dentes, respiro fundo uma última vez e ando até Werner, que fica, pelo que parece a primeira vez desde que entrou em meu quarto, totalmente imóvel.
—Você me fez pensar em uma coisa muito importante: nós vamos nos casar e o mais próximo de nos tocar que chegamos foi um aperto de mãos ou um combate corpo a corpo.—Ele continua me olhando, os olhos azuis arregalados. —Não me parece bom se casar com alguém em quem eu nunca toquei de verdade.
—Você está dizendo que não quer se casar comigo? —Posso notar a dor em seu tom de voz, então balanço a cabeça negativamente.
—Não é isso que estou dizendo.
Respiro fundo e toco em seu rosto com a ponta dos meus dedos, a sua pele é macia de mais contra meus dedos machucados por conta do treinamento, mas isso não parece fazer diferença para o garoto, que inclina mais a cabeça em direção a minha mão, como se precisasse de mais. Seus olhos estão fechados e seu corpo mais relaxado do que nunca, percorro meus dedos pelo seu rosto inteiro, para um pouco mais de tempo em seus lábios, passo a mãos em seus cabelos e logo depois em seu pescoço, percebo que ele parece respirar com dificuldade, e sorrio, cada vez que o toco só o faz querer mais, e isso me deixa feliz. Levo as duas mãos para a sua nuca e o puxo mais para a frente, ele não protesta, mas, quando seu rosto encosta no meu, seus olhos se abrem e é como se ele finalmente tivesse acordado. Suas mãos vão para a minha cintura e, quando ele finalmente me beija, sinto como se a única coisa que ainda me prendia a terra eram seus dedos fortes percorrendo meu corpo.
—Imaginei isso acontecendo um milhão de vezes. —Werner fala enquanto dá beijos em meu pescoço. —E mesmo assim você ainda consegue superar as minhas expectativas, mas mesmo assim… —Ele se afasta de mim, e tenho que me controlar para não me jogar em seus braços. —Não é adequado para que um cavalheiro fique no quarto de sua rainha tão tarde da noite, ainda mais quando ela torna as coisas tão difíceis de pensar com sua beleza.
Reviro os olhos para ele, que faz uma reverência e se dirige até a porta. —Você acabou de tornar insuportável a minha espera pelo casamento, espero que esteja feliz.
Dou de ombros e sorrio para Werner, que balança a cabeça negativamente como se fosse um professor que repreende uma aluna bagunceira, e sai.
Me jogo na cama, já me sentindo solitária sem a presença de Werner, nem todo o treinamento de rainha poderia ser capaz de ensinar como fazer com que meu coração se acalmasse novamente.
Fale com o autor