verde/prata

10 Meio, I: Expectativa


Notas iniciais
Nota: contém insinuações sexuais leves ̶(̶e̶ ̶t̶ê̶n̶i̶s̶)̶

Scorpius/Dominique

A relação de Scorpius e Dominique ficou física depressa, como mandava a lógica, já que a única coisa que tinham em comum para compartilhar era o interesse sexual correspondido.

Eles seguiram com os estudos e essas eram as únicas ocasiões mantinham o foco no caldeirão e suas mãos afastadas um do outro, já que mesmo com a tensão elétrica que crescia entre eles, Dominique levava a sério a segunda chance que lhe havia sido dada para conseguir um N.O.M. e Scorpius sabia o quão importante aquelas reuniões eram para que ela alcançasse tal objetivo. Mas, tão logo acabavam o que haviam planejado para a tarde, se permitiam alguns minutos a mais na sala privada das masmorras, nos quais trocavam ainda menos palavras do que durante o preparo das poções, e ainda mais carícias do que haviam feito no encontro anterior.

Scorpius tinha um modo consistente de levá-los cada vez um passo mais longe, parte para descobrir o quão fundo Dominique estava disposta a ir, parte para tentar atender a sede insaciável que tinha por mais e mais, mas não importava até onde iam, seu corpo sempre parecia querer mais. Eles colavam seus corpos abraçados contra a parede e o garoto descia a mão por baixo das vestes dela para apertar sua coxa, e isso só fazia seus hormônios aflorarem e a pulsação em suas veias acelerar.

Foi questão de duas ou três semanas até ambos se frustrarem ao constatar que aquela sala de aula cheia de mesas e cadeiras de madeira simples, balanças, instrumentos e ingredientes não lhes daria privacidade suficiente.

— Vamos dar uma pausa. — pediu Scorpius certo momento, em um fim de tarde. Aquela ação estava lhe deixando duro novamente e, se não parassem, ele ficaria com as partes íntimas doendo durante o jantar.

Ele sentou-se em uma das cadeiras e respirou fundo, esfregando o rosto com as mãos. Dominique puxou outra cadeiras para perto e acomodou-se também. Pôs a mão sobre o joelho dele.

— Malfoy?

— Me desculpe. — Scorpius pediu. — Só estou tentando não ficar muito empolgado.

— Tudo bem. — ela assegurou, então continuou em um tom um pouco hesitante: — Eu estive pensando… no próximo fim de semana teremos um passeio em Hogsmeade.

— Quatorze de Fevereiro. — ele concordou com a cabeça. — Dia dos Namorados.

— Você já fez planos? — a ruiva levantou as sobrancelhas sugestivamente.

A pergunta parecia casual, mas Scorpius era perceptivo o suficiente para perceber que havia nela uma sombra de ansiedade. Uma ruga de confusão surgiu na testa do sonserino quando ele juntou levemente as sobrancelhas. O questionamento saiu mais direto do que ele desejava:

— Você quer que eu te convide para irmos juntos?

Dominique franziu os lábios em uma linha fina e segurou o impulso de rolar os olhos, como Fleur a condicionara através de repreensões toda vez que reagia a algo daquela forma quando criança.

— Não quero. — corrigiu — Mas se quisesse, esse teria sido um convite patético.

Ele soltou uma risadinha pelo nariz.

— Desculpa. — disse novamente — Você me pegou de surpresa. Então qual foi o motivo dessa pergunta?

A ruiva puxou o ar pelo nariz, sem ter certeza de que estava tomando a iniciativa certa.

— Caso você não tenha nada em mente, podemos ficar no castelo. — sugeriu, fixa nos olhos dele para estudar a reação. — Se o resto dos garotos forem ao vilarejo, vamos ter o dormitório masculino do quinto ano vazio por uma tarde.

Scorpius piscou, aturdido. Se tinha entendido direito, Dominique estava demonstrando interesse em ficar a sós com ele em seu quarto durante algumas horas. Em todos os seus encontros até aquele momento eles haviam trocado beijos e carícias sugestivas, mas mantinham-se sempre dentro daquelas linhas desenhadas pela falta de privacidade e de um lugar confortável. Não conseguia enxergar qual seria o ponto de parada caso ele conseguisse levá-la, literalmente, para a sua cama.

Ele engoliu em seco. Não falou nada que passava por sua cabeça, porque aquele momento parecia decisivo demais e ele teve receio de dizer algo que pudesse mudar os rumos do que o final de semana estava prometendo.

— Não tenho nenhum plano que não possa ser facilmente cancelado. — respondeu por fim.

***

O resto da semana depois daquela conversa se arrastou, como se o universo estivesse pregando-lhes uma peça com o maior vira-tempo do mundo. As aulas pareciam ter dez vezes a duração normal, e Scorpius jurou que já estava na aula de História da Magia há décadas quando Binns finalmente os liberou. Ele tomou não uma, mas duas chamadas de atenção do professor Flitwick na aula de Feitiços por não estar prestando atenção, e a única coisa que pareceu tirar de sua cabeça por algumas horas a expectativa do encontro com Dominique foi o treino de Quadribol na quinta-feira à tarde.

Albus havia ganho o título de capitão do time da casa naquele ano, o que era uma grande honra, já que ele ainda estava no quinto ano, mas não exatamente uma surpresa, considerando que jogava como apanhador desde o segundo ano. Todos os Potters herdaram o talento dos pais e eram apaixonados pelo esporte, mas Albus também era obcecado por levar o time da Sonserina à vitória. Ele havia montado a equipe perfeita naquele ano — mantendo Scorpius na posição de batedor que havia conquistado no ano anterior -, e era implacável durante as práticas. Sua abordagem dividiu opiniões; alguns confiaram e outros questionaram suas propostas, que previam longas horas de treinamento e uma série de jogadas arriscadas. Porém, no final do primeiro jogo em Novembro contra a Corvinal, todos eles concordaram: as técnicas de Potter funcionavam. A Sonserina levou uma vitória com mais de duzentos pontos de vantagem.

O capitão da Sonserina explicou pela segunda vez o que esperava dos artilheiros e os três se lançaram ao ar para tomar suas posições. Albus então veio voando baixo para onde Scorpius conversava com Melissa Cortez, a segunda batedora.

— Mel, você precisa ficar de olho no Gabe. — lembrou, referindo-se ao colega que havia se juntado ao time naquele ano e havia sido treinado pelo capitão anterior para substituí-lo na posição de artilheiro. — Ele sabe se posicionar muito bem, mas pode ser um pouco lento nos desvios.

Melissa assentiu e girou o bastão na mão.

— Ninguém toca nele.

— Perfeito. — encorajou Albus com um sorriso — Scorpius, você já conhece o plano. Acompanhe os contra-ataques. Quando eu der o sinal, você me dá cobertura.

O loiro balançou a cabeça em sinal afirmativo. Aquela sempre fora a jogada deles, e eles eram tão sincronizados que as equipes adversárias ainda estavam por traçar uma estratégia que fizesse oposição à altura. Montou na vassoura e deu impulso com os joelhos, direcionando-se para seu lugar do lado esquerdo do campo.

Enquanto subia no ar, ele pensou ter enxergado uma mancha ruiva na arquibancada.

Notas finais
Eu >preciso< saber o que vocês estão achando desse casal. Quais são as expectativas?