verde/prata

11 Meio, II: Verde e prata


Notas iniciais
Nota: esse capítulo contém insinuações sexuais. Aproveitem!

Scorpius/Dominique

— Acorda, Malfoy. — Albus chamou, abrindo a cortina do da cama de Scorpius. Uma luz turva que cruzava a água do lago e penetrava pela janela atingiu-lhe o rosto, despertando-o.

O loiro gemeu, irritado. Jogou um travesseiro por cima da cabeça. Albus já havia tomado café-da-manhã e estava se vestindo para sair.

— Você realmente precisa aprender a respeitar a privacidade alheia.

— Eu tenho dois irmãos e uns duzentos primos. Este conceito não existe para mim.

Scorpius grunhiu algo ininteligível. Albus continuou, encorajado:

— Vamos, Scorp. Já são quase onze horas, e provavelmente vai começar a nevar logo. Quero chegar à Hogsmeade antes disso.

Ao escutar isso, Scorpius rolou na cama e forçou um tom de voz desanimado. Soltou um gemido falso.

— Minha cabeça está doendo horrores. — mentiu — Não acho que vai ser uma boa ideia ir ao vilarejo hoje.

Albus fez uma careta para mostrar sua insatisfação. Scorpius temeu que o amigo não fosse acreditar, pois sabia que precisaria basear-se apenas na sua lábia para convencê-lo; a outra opção, que consistia em simular uma doença utilizando um dos doces das Gemialidades Weasley, estava fora de cogitação já que o Potter conhecia cada produto feito e comercializado pelos seus tios.

Ele se preparou, plantando as falsas pistas durante a semana: na aula de Adivinhação alegou ter previsto um mal-estar se aproximando e na noite anterior, depois do jantar, comentou com Albus sobre uma pressão que sentia atrás dos olhos. Dessa forma, a tendência era que ele desconfiasse menos quando finalmente lhe dissesse que não iria sair do castelo naquele final de semana.

— Qual é, Scorpius. — protestou Albus. Baixou o tom de voz para que ninguém mais no quarto os escutassem. — Você sabe que é importante. Alice concordou em nos acompanhar dessa vez.

— Ótima oportunidade para você passar um tempo a sós com ela. Eu sei que está interessado. — sugeriu Scorpius com malícia.

— Ela vai achar que eu fiz de propósito. — Albus retrucou, prontamente. — Que eu pedi que você não fosse para poder sair em um encontro com ela no Dia dos Namorados.

Scorpius deu de ombros.

— Hoje é um dia perfeito para que a relação entre vocês passe de platônica para…

— Arruinada?

— Corta o drama. — rolou os olhos. — É sério, Al. Vou pedir uma poção à Madame Pomfrey e ficar estudando. Se eu for passear na neve, só vou ficar pior.

O moreno apertou os lábios, mas não insistiu. Balbuciou algumas reclamações e terminou de se aprontar junto com os outros colegas de quarto enquanto Malfoy estava quieto na cama, fingindo indisposição. Quando o grupo saiu e bateu a porta, ele levantou-se da cama com um pulo e foi direto para o banheiro dos monitores.

***

Ele tomou um banho longo tentando relaxar e, por alguns minutos, não pensar que Dominique apareceria em seu quarto em algum momento naquela tarde, quando todos os aposentos da Sonserina estariam praticamente tão vazios quanto ficavam nas férias. Saiu do banheiro diretamente para o Salão Principal, onde esperava encontrá-la almoçando também, mas sentados na mesa da Sonserina só encontrou alguns alunos do primeiro e segundo ano que não tinham autorização para sair.

A expectativa cresceu dentro dele com o passar das horas. Depois de um breve passeio pelos campos de Quadribol para organizar os pensamentos, ele voltou para o dormitório e ficou deitado na cama por minutos a fio, encarando o teto e incapaz de fazer qualquer outra coisa que não fosse esperar ansiosamente. Sentia uma energia elétrica percorrendo seu corpo.

Três batidas ritmadas ecoaram na porta.

***

Scorpius abriu o primeiro botão de Dominique com seus dedos tão delicados que ela só sentiu um roçar leve e a pressão da camiseta aliviando sobre seus peitos. Então desceu devagar até o segundo, para tirá-lo do lugar também, mas a ruiva se sentiu alarmada de repente. Afastou-se alguns centímetros dele e segurou seu pulso com a mão fina. Ele soltou o botão dela imediato, olhando-a com seriedade.

— Está tudo bem?

Ela assentiu com a cabeça sem hesitar, jogando um mecha de cabelo atrás da orelha.

— Sim. Eu só queria dizer, antes de… — ela lambeu os lábios, que haviam ficado secos. — Essa é a primeira vez que eu…

— Eu também. — Scorpius apressou-se em completar. — Não precisamos fazer nada se você não quiser.

Dominique não tinha uma atitude conservadora ao tratar sobre sexo. Ela era introvertida, era verdade, mas isso não lhe trazia timidez ou insegurança. Não sentia vergonha ao ter as mãos de Scorpius explorando seu corpo e, considerando que os encontros às escondidas com o colega tinham feito sua barriga gelar e tinham lhe dado tanto para lembrar-se antes de dormir, não se sentia compelida a recuar agora; pelo contrário: um leve formigamento nas pontas dos dedos denunciavam a expectativa ao imaginar como seria a sensação de levar aquilo até o fim.

— Eu quero. — confirmou, e levou a mão dele de volta a sua camisa, liberando-o para que ele continuasse sua disputa com os botões.

Scorpius não precisou de uma segunda deixa. Voltou ao trabalho e, menos de dez segundos depois, podia ver a lingerie preta e a barriga nua de Dominique pela fenda da roupa aberta. Olhou novamente para o rosto dela, tocando sua bochecha com as costas dos dedos, naquele gesto característico que era o mais próximo de um carinho que chegavam.

— Me avise se quiser parar, está bem? — pediu. Dominique assentiu e jogou o cabelo todo para trás, para liberar acesso ao seu pescoço, seus ombros e seus seios.

Scorpius não era seu namorado, aquilo também era verdade, afinal eles nunca haviam nem sido vistos em público por outras pessoas. Mas aquilo não importava de verdade. Ela não acreditava na necessidade de uma conexão romântica para seguir em frente, e sabia que ele pensava igual. Naquele momento, com Dominique sentada no colo de Scorpius e ele abaixando uma das alças de seu sutiã com o pretexto de beijar-lhe o ombro, tudo com que se preocupavam era matar o dragão que crescia dentro deles, sedento por mais carícias, mais contato, mais intimidade.

Os dois eram exatamente iguais: lógicos, impessoais e egoístas, motivados somente por seu próprio benefício. Apenas instrumentos um para o outro, uma fonte de puro prazer — e, naquele momento, formavam um só espírito dividido em dois corpos, o mesmo sangue verde e prata correndo debaixo de suas peles.

Notas finais
Que momento, meus amigos! Por favor, deixem seus comentários.