os sentidos do amor
7 Capítulo 7 – interrupção
Notas iniciais
... olhos fitando-se, desviando para os lábios que automaticamente são umedecidos pela língua, quando nosso corpo decide, sem que nosso cérebro perceba, que você quer beijar... a respiração vai acelerando, o coração dispara no peito...
Estavam quase conectando os lábios quando o celular da loira toca, despertando-as do transe.
Santana assustada com a interrupção se dá conta do que estavam prestes a fazer e se afasta rapidamente, não podia ter deixado se levar pelo momento, não podia confiar nas pessoas, foi por confiar que viveu um inferno quando criança.
Brittany meio frustrada pela interrupção respira fundo e vai até sua bolsa pegar o celular que toca insistentemente.
— Brittany o banheiro... onde fica o banheiro? — pergunta completamente perdida, sem coragem de olhar pra loira, precisava de um lugar pra se esconder por alguns segundos, estava se odiando por sua fraqueza.
— No corredor, segunda porta a esquerda. — responde olhando pra morena vendo como ela parecia quebrada pelo acontecido, em seguida olha para o visor do celular, não acreditando em quem era.
— Fala Rachel. — atende se refazendo do susto, tentando voltar ao ritmo normal de sua respiração afetada pelo quase beijo em Santana.
— Você está bem? Conseguiu alcançar Santana? — pergunta preocupada.
— Sim para as duas perguntas. Posso te ligar depois, ainda estamos conversando? — finaliza a ligação rapidamente, não tinha condições de falar com alguém que não fosse a latina naquele momento.
No banheiro, Santana senta-se na borda da banheira, tentando se concentrar em seus pensamentos, tentando esquecer o que quase aconteceu. Não podia, não queria mudar sua vida, não tinha condições psicológicas para deixar alguém entrar em seu mundo. Sua única certeza era que o controle de sua vida estava em suas mãos, não podia mudar isso, nada podia forçá-la a mudar essa sua realidade. Lavou demoradamente o rosto na água fria que escorria da torneira, pegou a toalha pra se secar e nela inalou demoradamente o perfume da loira que dominava o tecido. Precisava sair dali, voltar para a vida que conhecia, na qual se sentia segura... mas como fazer isso, como passar pela loira e não se deixar levar novamente?
Brittany à espera de Santana, andava de um lado para o outro, sentava no sofá, se levantava logo em seguida, começava andar novamente, olhava a cada segundo para o corredor, ansiosa para que a porta se abrisse e que a morena voltasse tranquila como estava antes. Ficava pensando nos últimos dias, na pequena aproximação que conseguiu com a latina... falavam apenas sobre trabalho, mas a morena sempre lhe era cordial, não exagerava nas palavras, mas sempre a tratava com educação, coisa que não acontecia com os outros integrantes do grupo, onde Santana era sempre seca, fria... estava ficando louca já na sala, à espera, desejando que tudo corresse bem dali pra frente, mas infelizmente quando a morena saiu do banheiro, Brittany pôde ver rapidamente que a abertura que havia visto por parte de Santana, se perdeu com o toque do celular, e em sua frente estava novamente a Santana fechada, tensa, que parecia deslocada.
— Vamos pra sala? Tenho bolo de chocolate com morangos, podemos continuar nossa conversa lá. — fala sentindo que a morena não está nada confortável, tentando libertar novamente a Santana de alguns minutos. Tentava agir como se nada tivesse acontecido, mas era inevitável não tremer, não deixar a voz falhar, e o coração parecia querer sair pela boca.
Por uns segundos a morena permaneceu calada, deixando-se levar pelo pedido, era como se estivesse enfeitiçada pela loira, mas se concentrou e disse:
— Preciso ir. — abriu a porta e saiu, deixando parada no meio da sala uma Brittany com cara de decepção e tristeza, sem saber o que dizer pra tentar convencer a morena a ficar, sem saber, na verdade, o que pensar.
A loira após alguns minutos, foi para o banheiro que ficava em seu quarto, ligou o chuveiro, tirou a roupa, entrou no box sentando-se encolhida no chão, abraçando as pernas juntas ao corpo e deixou que a água quente levasse ralo abaixo, todas as suas lágrimas... sua infelicidade... essa ela carregaria pra cama.
A morena foi seguindo pelas ruas não prestando a menor atenção ao caminho que fazia. Pouco mais de uma hora depois chegou ao seu apartamento, abriu a porta da sala, entrou e foi em direção ao quarto, se jogou na cama e chorou até adormecer.
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