os sentidos do amor
8 Capítulo 8 – hostilidade
Notas iniciais
Uma boa noite de sono é o melhor remédio pra quase tudo... mas como conseguir dormir tranquilamente se nosso coração chama pelo nosso amor a noite inteira? Como relaxar se até nossos sonhos nos trazem a realidade de um amor não correspondido?
Brittany após tal noite resolveu chegar mais cedo na academia, ocupar a mente com o trabalho talvez lhe aliviasse um pouco o coração. Enviou antes de sair de casa um sms pra Rachel dizendo que a morena havia topado participar da mostra, mas não explicou como conseguiu isso. Descendo do carro com sua mochila e alguns CDs nas mãos, a bailarina viu a latina se aproximar num taxi; pois seu carro havia ficado no estacionamento no dia anterior; passar por ela e parar algumas vagas adiante, percebeu que sua presença não fora notada. Era estranho ver Santana ali àquela hora, costumava ser sempre uma das últimas as chegar. Ficou observando a morena dentro do carro, cabeça recostada... aparentava a menor intenção de descer.
Santana havia chegado mais cedo pra conversar com a loira, mas agora ali, de olhos fechados, seu pensamento inicial havia lhe fugido.
O taxista viu a loira se aproximar e apontar com a cabeça em direção a morena, querendo saber o que estava acontecendo. Ele em resposta levantou os ombros e balançou negativamente a cabeça.
— Está tudo bem San? — Brittany pergunta baixinho pela janela aberta do carro, não querendo assustar a cantora, colocando em seguida a mão sobre seu ombro.
Santana abre os olhos surpresa por ter chegado e surpresa por ter a loira a sua frente, e após alguns segundos pensando no que responder, desce do carro parando em frente à bailarina.
— Me desculpe por ontem, por sair daquele jeito, foi grosseria minha eu sei, você foi super gentil me convidando pra almoçar na sua casa, mas... mas... — ela jogou as palavras de uma vez só... não queria ter de dar explicações pelo seu comportamento, mas se sentia obrigada a, pelo menos, se desculpar, tentava negar, mas gostava de ter a bailarina por perto.
— Relaxa ok? Está tudo bem! Eu não vou te amar menos por você ter fugido da minha casa sem mal me dar tchau. — respondeu tocando a face morena que lhe encarava com olhar triste e ficando vermelha assim que terminou a frase.
— Me me amar? — pergunta engolindo seco.
— Bom dia estrelas! — Kurt vem ao encontro delas todo animado, recebendo um beijo de Britt e um aceno de cabeça de Santana. — Vamos entrar que quero mostrar umas ideias ótimas que tive para o figurino de vocês... sim, já estou sabendo que Santana vai pra mostra com a gente e Rachel já está nos esperando. Vamos? — pergunta novamente, tendo agora a atenção total das meninas.
Santana lá no fundo agradeceu Kurt pela interrupção, não queria saber, não estava preparada pra ouvir a resposta de Brittany, não queria, pois se sentia mexida quando a loira estava por perto e não queria lidar com esses sentimentos que a pegavam de surpresa. Precisava se manter firme, raciocinar, precisava se afastar da loira.
Brittany por outro lado não sabia o que pensar, havia falado sem querer, mas não seria essa a melhor maneira de começar o assunto?
O taxista coitado precisou se manifestar, fingindo uma tosse pra poder receber pela corrida.
— Eu pago. — Brittany se adiantou, — não é justo que você gaste já que eu te levei daqui ontem, te deixando hoje sem carro.
— Ok. — a morena respondeu e saiu na frente, andando sem olhar pra trás.
Kurt e Brittany se olharam e saíram no rastro da morena
Na reunião Kurt empolgadíssimo falava de seus planos, irritando um pouco Rachel que tentava saber como havia sido o almoço das duas, mas cada vez que abria a boca pra perguntar o garoto a interrompia. O jeito era ouvi-lo e depois, sutilmente curiar sobre o almoço.
— Sim Kurt, concordo com tudo e já disse que o figurino fica totalmente sob sua responsabilidade.
— Ok, minha diva, então farei uns esboços e depois eu volto.
— Certo, até mais então. — Rachel responde feliz ao garoto por ter ficado a sós com Brittany e Santana.
— Vamos a vocês agora... como foi o almoço? — pergunta nada sutil.
— Como assim, como foi o almoço? — Santana fala meio agressiva.
— Sobre o que conversaram?
— Falamos de várias coisas Rach, eu contei pra San como era quando...
— Para de palhaçada... o que interessa pro trabalho como foi o almoço?... mas tá bom, pra resumir... comemos e eu topei viajar com vocês, agora vamos trabalhar, pois se soubesse que era pra ficar de fofoquinha, eu nem teria vindo, preferia ficar em casa dormindo.
A frieza e grosseria da morena pegaram Brittany e Rachel de surpresa. A loira estava chocada com a facilidade que a latina tinha pra mudar de humor, e a morena mesmo conhecendo muito bem Santana, não esperava essa reação dela a uma simples pergunta.
— OK, vamos ao trabalho então... eu quero que vocês duas juntas decidam a música. Britt, você como coreógrafa precisa estar envolvida com tudo...
— Mas eu não preciso ficar grudada nela! Ela escolhe a música, ensaia com um CD, e eu ensaio a música sem precisarmos ficar o dia toda juntas.
— Santana você não acha que se ensaiarem juntas a sintonia no palco será bem melhor?
— Rachel, a primeira apresentação foi um improviso e deu o sucesso que todo mundo aqui sabe, com essa temos quase um mês de preparação, não precisa esse exagero todo. Resolve aí com a Brittany o que você quer e eu vou fazer meu trabalho. — levanta decidida e sai da sala deixando uma Brittany chateada e com os olhos marejados pela hostilidade repentina.
Rachel, após alguns minutos que não saberia dizer quantos foram se recupera da patada e vai se sentar ao lado da loira no sofá.
— Eu não entendo. Santana é minha amiga a vida toda, crescemos juntas, mas não consigo entender por que ela se tornou arredia assim.
— Eu muito menos... na verdade nem sei o que dizer, como agir com ela agora, tivemos um momento tão agradável ontem, ela estava até meio solta, relaxada, hoje de manhã também, e agora isso. — Brittany responde tentando disfarçar as lágrimas.
— Mas o que aconteceu entre vocês?
— Ah Rach, não sei... tudo aconteceu tão rápido... na verdade nada aconteceu... nos conhecemos, depois ela veio trabalhar com a gente e aqui só falamos sobre trabalho, quer dizer, ela me assiste ensaiar, dar aulas, sempre num canto me observando, quando percebo ela já está lá, e eu gosto disso.
— Britt, presta atenção... muita coisa aconteceu, pode ter certeza... conheço a San, ela não é disso.
— Mas ela não fala nada, nossa primeira conversa foi ontem durante o almoço.
— Eu entendo que pense que nada aconteceu entre vocês, mas olha, eu a conheço desde meus 5 anos, e quando crianças éramos super grudadas, não fazíamos nada sem que a outra estivesse perto, mas depois ela foi se fechando, e pra mim que tenho digamos intimidade com ela, não consegui fazer com que fosse no meu casamento, que fosse me visitar em casa. Esse jeito dela ir para as suas aulas e ficar te assistindo, é um jeito dela se comunicar com você, mesmo que não fale nada.
— É estranho demais isso.
— Muito estranho, mas é o jeito dela... agora, como foi o almoço ontem, se importa em dizer?
— Falamos de nossas paixões na vida, que se resume em nossos trabalhos. Contei algumas coisas da minha infância, coisas normais Rach, que dizemos quando estamos conhecendo alguém, falamos da gente, ouvimos o outro falando, ela basicamente me ouviu, mas quando começou falar sobre suas dublagens, da forma que se sentia... foi tão bonito, eu me senti tão bem, meio que me convidei pra ir um dia ao estúdio.
— E ela respondeu o que?
— Disse que pode ser.
— Caramba, por essa eu não esperava... mas o que fez pra convencê-la sobre a apresentação?
— Eu abri meu coração e ela apenas disse que topava.
— Britt, o que você precisa fazer agora em relação a Santana...
— Rach, não quero fazer nada, nem sei se ela vai falar comigo de novo, vamos esquecer isso por enquanto, não estou me sentindo muito bem, vou pra casa, não temos aulas mesmo, preciso de um tempo sozinha, amanhã conversamos, ok? Desculpa, mas preciso mesmo ir. — a loira dá um beijo na morena, se levanta e sai.
Rachel permanece sentada, tentava pensar em algo pra ajudar a amiga, precisava fazer isso novamente, não desistiria enquanto não conseguisse, mas estava meio chocada ainda, fechou os olhos e sem querer adormeceu.
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