os sentidos do amor
5 Capítulo 5 – nova rotina
Notas iniciais
Alguns dias haviam se passado desde a apresentação onde Santana e Brittany se conheceram. Rachel preferiu não questionar a amiga pelo sumiço, agia como se nada tivesse acontecido, estava louca pra brigar com a latina por desaparecer daquele jeito, mas sabia que se pressionasse, era capaz da latina fugir de vez. Sempre com planos mirabolantes, Rachel conseguiu fazer com que Santana fosse contratada pela companhia, coisa que na verdade beneficiava a danç’art!, pois apresentação de dança com música ao vivo era de certa forma novidade, principalmente músicas com vocal.
Santana precisou mudar um pouco sua rotina. Agora ao invés de acordar e ficar horas em casa sem fazer nada, ia pra companhia cedo, discutia músicas com Blaine no piano, brigava com Rachel, mas só pra não perder o hábito e, sempre quando desaparecia estava em um canto escondida vendo Brittany coreografar, ensaiar com outros alunos, ou simplesmente entrava na sala de aula, sentava num colchonete e assistia a bailarina em seus alongamentos, muitas das vezes participando, servindo de dupla pra certos movimentos; de tarde ia para o estúdio de dublagem. Essa agora era sua vida, que ela estava se acostumando, apreciando sem perceber, mas... como ninguém muda assim facilmente.
Pelo sistema de som que ligava tanto teatro quando academia, ouve-se a voz de Finn: “reunião com todos em 15 minutos”.
Santana que assistia Brittany ensaiando, de boca aberta, quase babando, levantou assustada, indo em direção à porta.
— Santana me espera, vamos juntas. — a loira chama sua atenção, enquanto colocava a calça de malhas e tirava as sapatilhas pra colocar os tênis.
— Não vou pra reunião. — diz como se fosse óbvio.
— Claro que vai! Você ouviu REUNIÃO COM TODOS. — a loira não deu chance pra morena argumentar, a pegou pela mão, o que causou uma troca de eletricidade em ambas, e a levou em direção ao escritório de Rachel.
— UAU! Santana uma das primeiras a chegar, pensei que nem viria. — diz Rachel provocando a amiga, que dá como resposta o dedo do meio levantado. — Malcriada!
Alguns minutos se passam...
— Desculpe a demora chefe diva, estava... estava resolvendo um assuntos. — Kurt entra falando, meio vermelho como se tivesse corrido alguns metros. — Mas não fui o último a chegar, falta nossa deusa loira de olhos verdes.
Kurt era um garoto ainda, o mais novo do grupo, era o estilista da companhia. Estava com Rachel desde sempre, cresceram juntos, era irmão de Finn, e enquanto Finn passava a infância brincando na rua com Noah, Kurt e Rachel brincavam em casa, com bonecas, fazendo roupinhas, penteando cabelos, vivendo histórias de amor imaginárias, eram super amigos, bem próximos, a alma feminina de Kurt o fazia ser muito próximo da amiga, mas mesmo com essa proximidade havia coisas na vida de Kurt que ele preferia não dividir. Era muito amoroso com os amigos, família, mas sua vida íntima não era mencionada, não se sentia à vontade com isso.
— A MINHA deusa loira de olhos verdes não virá, pois está resolvendo outras coisas relacionadas à essa reunião. Chega de papo, vamos começar então?
— Calma maninha, ainda faltam uns minutos e Blaine ainda não está aqui. — afirma Noah olhando diretamente pra Kurt, lhe dando uma piscadinha safada, deixando o garoto ainda mais vermelho.
— Desculpe o atraso Rach, estava...
— Sei, estava resolvendo uns assuntos — diz Noah tirando risos de todos na sala, — quem eles pensam que enganam? Termina baixo, mas não o suficiente que não pudesse ser ouvido por todos.
— Sem problemas — Rachel diz para o garoto tentando manter a feição séria, — mas vamos ao que interessa. Parece que nosso pequeno problema na apresentação, na verdade a solução do problema, fez sucesso, e por isso fomos convidados para abrir as apresentações da mostra de inverno nacional em três semanas.
—Ok, precisamos escolher tecidos para os figurinos, ver as opções de músicas... vamos gente não temos tempo. — dizia Kurt já desesperado, enquanto os outros apenas comemoravam animados abraçando-se, achando graça do seu ataque. Ele tinha certos momentos de Rachel nele, quando empolgado começava falar sem parar, mas como todos já estavam acostumados, não davam muita bola.
Santana permanecia calada, séria, sentada numa poltrona olhando para o chão.
— Aí latina, quem diria que o diferencial seria você. — Noah diz com a mão no ar esperando um hi-five, tentando pela primeira vez, uma aproximação com a morena, mas sendo logo interrompido por sua “cara de poucos amigos”.
— E o que eu tenho haver com isso? — pergunta séria cruzando os braços.
— Tudo haver com você Santana. Os organizadores do festival foram bem claros quando disseram pra Quinn e pra mim que a última apresentação daquela noite, era exatamente o que faltava para a abertura das apresentações no próximo mês.
— Isso não é problema meu, eu não irei Rachel.
—Você assinou um contrato com essa companhia Santana, não se esqueça disso. — Rachel lhe responde tentando parecer o menos “chefe” possível.
— Ok, me processe. — responde se levantando e saindo deixando todos com cara de perdidos, tentando entender se tinham realmente visto a latina jogar um balde de água gelada no sonho de todos.
— Juro que se ela não fosse minha amiga...
— Calma Rach, vou falar com ela. — se adianta Brittany, tentando arrumar uma solução, mas principalmente, louca pra ficar um tempo sozinha com a latina malcriada.
— Acho bom já chamarmos uma ambulância, nossa estrela pode não sair inteira dessa conversa. — brinca Kurt, arrancando risos de todos.
Brittany alcança Santana antes que ela chegue ao estacionamento.
— Hei San, me espera!
— Brittany nem insiste que eu não...
— Aceita almoçar comigo? — interrompe a latina, deixando-a sem reação. — Vem, entre no carro, eu dirijo. — convida mantendo a porta de seu carro aberta pra morena entrar.
Santana não sabia por que, mas não conseguia dizer não à loira, se deixou levar sem falar nada, entrou no carro e colocou o sinto de segurança.
— Conheço um lugar perfeito, super tranquilo pra gente ficar à vontade, sem ninguém pra nos atrapalhar. — comentava virando a chave na ignição e saindo com carro.
— Me chamou de San?!
— Ué, é um apelido tão lindo quanto você. — responde carinhosa, colocando a mão na coxa de Santana, que se sente arrepiar e dá um longo suspiro.
— V.vamos então? — a latina gagueja não conseguindo conter o nervosismo. E elas seguem de carro.
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