os sentidos do amor
16 Capítulo 16 – cadê o meu amor?
Notas iniciais
... quando abre os olhos...
... Brittany está parada em sua porta lhe chamando baixinho com uma embalagem de creme nas mãos.
Fica por uns segundos tentando entender como a loira foi parar em sua porta tão rápido... é estranho, pois ainda sente a sensação gostosa da língua da loira em sua boca, o corpo quente, está confusa.
Sabe aqueles segundinhos de dúvida assim que despertamos de um sonho, onde não entendemos se foi real ou não? Então, é justamente assim que a morena se encontra, mas acaba de dando conta que tudo não havia passado de um sonho, que o beijo foi apenas um sonho, e pensa, sabe que ser tocada pela loira agora pode não ser uma boa ideia.
— Está pronta San?
— Eu não sei... eu acho que... melhor deixar isso pra lá Brittany.
— Como assim? A gente já tinha combinado, será relaxante, eu prometo.
— Brittany eu não posso... — Santana fala com dúvidas na voz, o que não passa despercebido pela loira, mas sabe que se a morena não quer, forçar não é uma boa opção.
A bailarina baixa a cabeça um pouco triste, queria proporcionar um momento relaxante pra morena... não tinha segundas intenções, apenas pensava que passar um tempo com ela seria bom para a amizade... sim amizade, afinal era isso que estava acontecendo... ou não era? Não, claro que não era, mas não havia pensado sobre isso ainda.
Santana vê a mudança em seu semblante e muda de opinião, não queria deixar a loira triste, por mais que não tenha forças pra permanecer sozinha com ela, não a quer triste, então...
— Quer mesmo tanto assim me fazer essa massagem, não quer?
A loira levanta o olhar e caminha em direção à cama da morena parando bem próxima e colocando a mão em seus cabelos, deslizando até suas costas e repetindo o movimento antes de falar:
— Apenas deite e deixe que eu cuide de você.
Como resistir a alguém tão doce? Não tem como, então Santana se deixa conduzir na cama, deitando-se na posição que a loira lhe indica... estava muito constrangida, apenas com um roupão de banho e tentava a todo custo tirar do pensamento que estava sendo tocada pela pessoa que acabava de beijar em seus sonhos.
Brittany a coloca de bruços e começa com uma massagem nos pés fazendo a morena sentir de imediato uma leve sensação de leveza... está lutando pra se concentrar no toque da loira, o toque real, e não o toque de seu sonho... as mãos em sua cintura, seus lábios macios, sua língua...
(acorda Santana! Massagem mulher!) — ela se pega pensando, abrindo os olhos para se concentrar em algo em seu quarto, mas é difícil não fechá-los enquanto sente os dedos, as mãos quentes da loira subindo pelas suas pernas.
Brittany já havia feito massagens em várias pessoas, mas essa especialmente estava lhe causando certo calor. Ela estava totalmente hipnotizada deslizando sobre a pele de Santana, sentindo sua temperatura perfeita, inspirando seu cheiro doce... estava subindo as mãos pelas coxas morenas pensando na perfeição que eram aquelas pernas... seu toque era suave, uma mistura de massagem com carinho, o que causava em Santana gemidinhos involuntários, e Brittany ao ouvi-los sentia o coração pular no peito, respirando profundamente, desejando pular etapas para chegar logo às costas, subindo pela cintura, sentindo suas curvas, o calor de seu pescoço, descendo pelos braços, chegando ao pulso onde a pulsação é fácil ser sentida... tocar suas mãos e imaginá-las deslizando pelo seu corpo da mesma forma que está fazendo agora com a cantora.
O tempo corria sem elas se darem conta, estavam tão entregues ao momento que poderiam passam horas ali, sem nem sentir.
Brittany deixa escapar um suspiro um pouco mais alto quando enfim coloca as mãos na cintura de Santana, aperta com um pouco mais de força, como que se quisesse tomar aquele corpo pra si.
Santana sente uma sensação lhe dominar o corpo um desejo de retribuir o toque ou que ele não cesse nunca e acaba se assustando com isso, levantando da cama sem se lembrar de que seu roupão havia sido retirado por Brittany momentos antes.
Brittany se deixa cair pra trás surpresa, está apoiada nos cotovelos, involuntariamente de boca aberta, meio atônita, seus olhos que antes estavam mirando os olhos assustados de Santana, desviam indo para a boca, descendo pelo pescoço, colo, chegando aos seios nus e não tenta desviar o olhar, não consegue, é mais forte que ela.
A morena ao perceber a direção dos olhos da loira se sente exposta, não uma exposição física, sente-se como se ela estivesse vendo sua alma, como se com aquele olhar a loira pudesse ver o que ela estava pensando, pudesse entrar em sua mente, e sonhar com ela o sonho de alguns minutos, fica irritada com a situação, irritada por ter se permitido ficar exposta assim. Fecha a cara e segue para o banheiro.
A loira a acompanha com o olhar, e somente aí se dá conta de sua indiscrição. Se levanta, vai até a porta do banheiro e ameaça bater, mas arrepende-se no mesmo instante baixando a mão.
Santana lá dentro começa se odiar por permitir que tudo aquilo acontecesse... se não tivesse tido a ideia da massagem, talvez não tivesse dormido e sonhado com a loira e todas as decorrências disso. É totalmente louco pensar assim afinal quem consegue escolher com o que sonhar?
Ao abrir a porta do banheiro um tempo depois vê Brittany inquieta andando pelo seu quarto, mas procura não olhar muito pra ela, sabe que se fizer isso pode acabar não resistindo e mudando sobre o que falar.
— San, me desculpe. Eu não queria te constranger. — a loira fala interrompendo a ação da morena que já havia respirado pra falar.
— Eu acho que já está bom, chega de massagem. É melhor você ir embora. Estou cansada, quero dormir. Nos vemos na companhia. — joga as palavras de uma vez só, sem olhar a loira nos olhos já se encaminhando para a sala e abrindo a porta pra loira sair.
Brittany a segue sem dizer nada e na saída tenta lhe dar um beijo na bochecha, mas Santana desvia dizendo um “tchau” seco, e a loira se vai, segue seu caminho pra casa sem saber o que pensar. Não entendeu por que a morena levantou daquele jeito, apressada e assustada.
De uma hora pra outra a morena havia mudado de entregue e relaxada para tensa e irritada. Brittany estava triste, triste por não conseguir entender a morena, triste por imaginar que pudesse ter feito algo que tivesse machucado Santana, triste por pensar... pensar... ela só pensava na morena sem conseguir chegar a conclusões ou razões. A cantora dominava seus pensamentos, seus dias, seus sonhos... dominava sua vida. E foi nesse momento que ela percebeu:
“eu me apaixone” — pensou entrando em casa. Era um misto de felicidade e tristeza. Felicidade por enfim ter descoberto o amor, entendendo todas as sensações que havia sentido perto da morena, com a morena, os arrepios, frios no estômago, desejo... e tristeza por saber que a morena precisava de ajuda, mas sem saber como ajudar, como fazer pra tirar essa amargura do coração de Santana, como fazê-la ver que a vida era algo belo, e que as pessoas podiam oferecer coisas boas.
***
No dia seguinte Brittany acordou cedo, tomou um banho demorado, lavou os cabelos... se vestiu escolhendo com cuidado a roupa, pensando a cada peça que pegava se a morena gostaria, se diria algo... se perfumou, deu uma última olhada no espelho e saiu feliz rumo a academia.
Foi a primeira a chegar, estava ansiosa para ver a morena e não conseguia ficar em casa esperando dar a hora certa, a hora que Santana costumava chegar, precisa estar lá para vê-la chegando.
O tempo foi passando, Rachel chegou, Finn e Noah chegaram, Kurt e Blaine também, e nada de Santana... Brittany a essa altura já havia trocado de roupas e estava em uma das salas de aula fazendo passos aleatórios de ballét, não dançava uma coreografia específica, apenas se movimentava pela sala, sem conseguir tirar a morena do pensamento, estava numa ansiedade que lhe consumia.
Quinn também já havia chegado e nada de Santana. Brittany não olhava para o relógio, pois sabia que se ficasse em cima o tempo não passaria nunca, mas na verdade ele não estava passando, se arrastava tornando cada segundo eterno.
***
— Alguém pode me dizer por quanto tempo Britt vai ficar naquela sala? De onde ela tira tanta disposição? — Noah pergunta entrando no escritório, encontrando Rachel, Quinn e Kurt.
— Ela ainda está lá? — Quinn pergunta surpresa. — Caramba eu cheguei já faz algumas horas, pensei que estava conversando com alguém, ou parado pra tomar um suco na lanchonete, sei lá, alguma coisa qualquer.
— Nada... está como se...
— Eu vou lá. Que é isso, ela vai ensaiar o dia todo?! Precisa se poupar para os próximos dias. — a loira se direciona pra porta interrompendo o cunhado.
Brittany ouve a porta se abrindo e se vira automaticamente esperando ver a imagem da morena de olhos negros, lábios carnudos...
— Está tentando se tornar parte dessa sala prima? — Quinn pergunta assim que a bailarina lhe vê.
— Bom dia prima! — diz sorrindo.
— Bom dia? Já passa das 14 horas Brittany, onde você está com a cabeça?
— Tarde assim? Preciso ver a Santana, podemos conversar depois? — fala pegando sua camiseta e indo em direção à porta sem esperar resposta.
— Calma prima, o que aconteceu? Está meio desligada, apressada.
Brittany não queria contar ainda sobre ter se apaixonado, Quinn assim como Rachel eram suas confidentes, suas melhores amigas, mas precisava apenas ver Santana antes, lhe dar um beijo, um abraço, ficar perto o suficiente pra ter certeza... certeza, isso ela já tinha, queria era ficar apenas perto mesmo, colada de preferência.
— Estou feliz hoje, apenas isso. — responde escondendo o motivo, mas não o sentimento.
— Isso eu to vendo, mas espera, Santana ainda não chegou.
— Como assim? Onde ela está?
— Como eu vou sabe amor? Vamos almoçar, vai? Já está na hora, na verdade já passou da hora.
***
Seguem para o restaurante, e nem sinal de Santana aparecer. Brittany por insistência da prima não ficou na academia esperando Santana para depois irem ao restaurante, então no caminho lhe enviou um sms dizendo que estariam todos lá à espera dela.
As horas vão passando e nada de Santana aparecer. Brittany está numa inquietação que praticamente obriga Rachel a ligar pra morena a cada 30 minutos, mas sempre o mesmo resultado... caixa postal, e os sms de Brittany sempre sem resposta, era como se estivesse enviando-os para o nada.
O dia termina e nada da morena aparecer. Seguem para casa, e no dia seguinte o mesmo se repete, e no outro, no outro...
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