os sentidos do amor
17 Capítulo 17 – uma nova amiga
Notas iniciais
Já estavam todos preocupados com o sumiço de Santana. Ela não aparecia na companhia, continuava sem atender o celular... nada, era como se tivesse sumido do mapa, mas estava apenas em casa, pensando, tentando decidir sobre sua vida, tentando esquecer do sonho que teve com Brittany, mas cada vez que tentava isso, mais a imagem da loira lhe vinha à mente, mais se lembrava das sensações que seu corpo sentiu durante o sonho, e isso agora era uma coisa que sentia o tempo todo, mas não era somente isso, não era somente um desejo, era uma coisa maior, uma coisa que vinha de dentro que dominava não somente seu corpo, dominava seus sentimentos.
Quinn via Rachel e Brittany cada dia mais nervosas, era muito além de estarem cada vez mais próximos do dia da viagem, era preocupação com a morena mesmo, claro que se ela não aparecesse a apresentação não aconteceria e o sucesso que estava aguardando-os seria perdido sem mesmo ter sido encontrado, mas isso agora era o de menos.
Rachel já havido perdido as contas de quantas vezes foi bater na porta do apartamento da morena sem obter resposta, Brittany a mesma coisa, sem contar às vezes que as duas iam juntas. Estavam sem conseguir se concentrar no trabalho, sem dormir direito, e todos os assuntos que apareciam de um modo ou de outro acabava se transformando em “onde está Santana?”, não importa o que fosse, podia ser sobre o almoço, sobre trocar as roupas de cama, tudo levava o pensado de Brittany, Rachel e Quinn para Santana.
Quinn olhava as duas já sem saber o que dizer para acalmá-las; ela mesma já estava nervosa com a situação, mas sua preocupação maior era com suas garotas. Nada funcionava, a única coisa que as faria ficar calmas, seria a morena dar sinal de vida.
Brittany estava passando esses dias na casa das duas; não havia contado ainda sobre ter se apaixonado, não que precisasse, já que estava na cara; não aguentava ficar sozinha, ficava inquieta andando de um lado pro outro... pelo menos na casa da prima, tinha alguém pra conversar, pra dividir a preocupação, tentar de distrair.
— Eu não aguento mais isso. Ela apenas some assim do nada? — Rachel fala se levantando do sofá, um tom de voz um pouco mais alto que o normal.
— Nem sei mais o que dizer. — Brittany fala sem forças de sequer pensar mais em algum motivo pra morena ter desaparecido.
Quinn que até então apenas olhava, se levanta decidida e solta de uma vez:
— Chega! Eu vou até a casa dela agora.
— Mas e se ela não estiver lá?
— Como não? Todas aqui sabemos que ela está lá, é o único lugar. Já cansei dessa palhaçada, Santana vai me atender de um jeito ou de outro. — Quinn dizia alterada, assustando as outras duas mulheres... ela era sempre tão calma, ponderada, seu rompante as fez olhá-la surpresa.
— E como pretende fazer isso? — Brittany pergunta ainda sentada no sofá.
— Eu arrebento aquela porcaria de porta no pé se ela não abrir.
— Ok, então vamos com você. — Rachel fala esperançosa.
— Nada disso, vocês ficam aqui, já tentaram de tudo pra fazer ela se manifestar e nada funcionou, agora será do meu jeito. — diz decidida pegando as chaves do carro e saindo, mas resolve voltar pra perto de Rachel assim que coloca a mão na maçaneta para abri a porta. — Eu te amo, não se preocupe comigo, se eu não voltar hoje é porque estou plantada na porta daquela latina louca. Só volto pra casa com notícias dela, ok? — olha a esposa nos olhos, lhe dá um selinho e sai passando pelo sofá onde a prima está sentada, lhe dando um beijinho na testa e dizendo um “amo você”.
As duas apenas se olham. Não havia nada para dizerem, agora era apenas esperar a loira voltar pra casa.
***
No caminho do apartamento de Santana, Quinn pensava no que faria para convencê-la a abrir a porta e conversar. Sabia que se simplesmente tocasse a campainha e falasse que veio fazer uma vizita, a morena a ignoraria da mesma forma que vinha fazendo com Brittany e Rachel.
Chegando ao hall do apartamento da morena, ficou alguns segundos ainda pensando antes de apertar a campainha, mas acabou apertando já sabendo como fazer pra Santana abrir a porta.
A morena que estava no sofá olhando para a TV ligada sem na verdade prestar atenção, nem se importava mais com a campainha, estava inerte, já cansada de tanto chorar.
Quinn da porta tentava uma segunda vez.
— Santana sou eu, Quinn. Abre por favor, sei que está aí. — espera atentando para algum ruído no apartamento, mas nada.
A morena nem se mexe, é como se estivesse dormindo de olhos abertos.
— Preciso da sua ajuda... Rachel e Brittany... elas estão...
A morena se movimenta ao ouvir “ajuda” e “Brittany” na mesma frase, não significava que não se preocupava com Rachel, apenas em sua mente agora só havia espaço para Brittany. Abre a porta já preocupada enquanto a loira termina a frase olhando assustada para ela.
— ... estão me deixando louca. — termina de falar observando a morena que tem os olhos inchados; certamente havia chorado por um bom tempo; os cabelos presos num rabo de cavalo meio frouxo, está descalça e veste um pijamas qualquer.
— O que aconteceu com a Brittany? — a morena pergunta aparentando preocupação.
— Eu disse Rachel e Brittany.
— Sim Quinn eu ouvi, me diz logo... o que aconteceu? Ela está... elas estão bem? — pergunta já sem paciência, olhando a loira entrar em seu apartamento sem lhe dar uma resposta.
— O que acha Santana? — ela responde num misto de raiva e alívio. Raiva por constatar que Santana estava em casa apenas, fugindo sabe Deus de quê, e alívio por descobrir que estava bem.
— Que saco Quinn, me responde. — Santana grita batendo a porta.
— Claro que elas não estão bem, ninguém está bem com seu sumiço, e as duas são as que estão piores.
— Veio até aqui por isso?
— Claro que sim, qual outro motivo eu teria... — dá uma pausa olhando a morena nos olhos pensando na melhor forma para continuar a frase. Havia aprendido a gostar de Santana, apesar de sua grosseria, que havia diminuído bem; não podia negar; sentia que algo incomodava a morena, tornando-a tão agressiva com as pessoas. — Estou também preocupada contigo Santana, você sumiu há dias... não te encontramos em lugar algum.
— Não devo satisfação da minha vida a ninguém.
— Não é questão de dar satisfação, é apenas não matar do coração as pessoas que te amam. — Quinn disse calmamente e isso desarmou a morena, fazendo-a sair da pose defensiva que havia adquirido.
— Não queria preocupar vocês, apenas não tenho cabeça pra enfrentar nada agora. Eu não posso... — termina a frase deixando a loira curiosa.
— Não pode...?
— Não quero falar sobre isso.
— Ok... falemos sobre o que então?
— Quinn, vai embora, eu quero ficar sozinha.
— Não tem a menor chance de isso acontecer, agora que consegui te encontrar não vai se livrar de mim tão facilmente, e outra, eu disse que só voltaria pra casa com notícias suas, mas pelo jeito você está é precisando de alguém pra cuidar de você. — diz olhando em volta e vendo alguns copos sobre a mesinha de centro.
— Que saco que todo mundo agora quer cuidar de mim! Já não bastou a Brittany insistindo com aquela droga de massagem? O que vocês têm contra eu ficar quieta no meu canto? Que saco! — disse se irritando novamente.
— Então seu sumiço tem a ver com a Brittany, Santana? (e que massagem é essa?) — a loira pensa enquanto diz.
— Que saco, eu não quero falar dela, é difícil entender isso?
Quinn ficou em silêncio observando a morena, pensando em tudo que havia acontecido desde a apresentação, desde quando ela e Rachel colocaram em prática o plano para fazer Brittany e Santana se conhecerem. Lembrando-se de todas as conversas que teve com a esposa, quando ela lhe contava sobre como a amiga estava mais calma, mais sociável. Essa mudança Quinn havia notado, no pouco tempo que convivia com a latina tinha reparado; e pensava em sua prima também, na forma que ela ficava mais feliz, com sorriso sempre no rosto, olhinhos brilhantes cada vez que estava perto ou apenas falava da morena. Não era preciso perguntar para saber que tinham se apaixonado.
— Você a ama! — disse certa de sua afirmação, sentando-se no sofá.
Santana a olhou assustada, não sabia o que responder, mas precisava.
— F.ficou louca? C.claro que não.
— Não precisava responder Santana, eu não perguntei, apenas disse... você a ama!
— Você não sabe o que diz. — a morena diz meio atônita, começando andar de um lado para outro, na sala.
— Está na sua cara Santana, na forma como reage quando ela está por perto, no jeito que a olha, no nervosismo que sente perto dela, na maneira que sempre deixa ela te dizer o que fazer e agora, olha o jeito que está, bastou eu falar nela, pra você...
— Quinn para! — a morena interrompe já se sentindo desesperada. Passou os últimos dias tentando fugir de uma resposta para o que havia sentido em relação ao sonho, e agora Quinn aparecia em sua porta lhe jogando na cara algo que ela lutava contra.
— Se permita a isso Santana. Brittany é uma das melhores pessoas que conheço. Dê uma chance pra ela te mostrar que a vida pode ser melhor do que é agora. Tente viver com alguém que ama ao lado, compartilhando as pequenas coisas do dia a dia, deixe a Brittany dividir a vida dela contigo, e tente fazer o mesmo. A vida é mais do que trabalho.
Santana a essa altura já não aguentava mais. As palavras da loira foram entrando em sua mente e formando uma guerra com os sentimentos que ela lutava para não sentir... acabou explodindo:
— É a minha vida, droga! Não posso permitir que alguém a tome de mim. Eu aprendi a controlá-la, a deixá-la do jeito que menos me machuque... eu decido se gosto ou não de alguém, e prefiro não gostar, não posso permitir que alguém chegue e mude tudo, não é assim que funciona. Não é convivendo com as diferenças de cada um que a gente é feliz, não é confiando em alguém, abrindo espaço, abrindo o coração, amando que as coisas vão se tornar melhores. Eu não quero... eu não quero Quinn... eu não quero. — termina com lágrimas lhe descendo pela face... as palavras saem doloridas, machucando, pois no fundo era exatamente o que ela queria, queria tudo àquilo que estava negando. Estava dizendo não, mas seu coração gritava “SIM”.
A melhor entrega é quando fazemos isso pra gente mesmo, mas como superar nossas próprias barreiras e deixar tudo acontecer?
A loira escutava Santana falando, desabafando, com lágrimas nos olhos... conseguia sentir toda dor e medo que a morena sentia. Era muito mais que uma conversa, era um momento, o momento onde Santana apesar da negação ainda, se dava conta que sua vida já não lhe pertencia mais, ela já estava entregue, seu coração não lhe pertencia, sua vida estava cada dia mais seguindo por outros rumos... não ia ao encontro da amizade ou amor somente, era mais que isso, muito mais, era para Brittany que seguia, com toda sua pureza e perfeição.
Santana após andar pela sala toda de um lado pro outro, se deixa cair exausta, sentada no sofá ao lado de Quinn. Está chorando descontroladamente, quer parar de pensar, sentir, mas isso já não é mais possível. Sua vida lhe foi tomada, e agora é preciso aprender a lidar com essa novidade.
Quinn tentava processar todas as coisas que ouviu. Sentia-se dividida... havia conseguido com Santana uma conexão que Rachel passou a vida toda buscando. Estava feliz em ser a pessoa que Santana escolheu pra confiar, mesmo que a morena pudesse ou viesse negar isso depois, e sabia que suas palavras não eram necessárias no momento, apenas sua companhia era suficiente e graças a Deus por isso, pois não sabia muito bem o que dizer. Pensava que Santana acabaria admitindo o amor por Brittany, mas ao invés disso ela admitiu o medo de amar... Por outro lado sua preocupação também era com Brittany, pois se Santana não conseguisse se libertar desse medo de pessoas a prima certamente sofreria com um amor não vivido.
O choro de Santana não cessava com o decorrer dos minutos e Quinn permanecia ali ao seu lado lhe dando apoio, estando presente apenas, deixando a morena saber que podia ser ela mesma, com todos os seus problemas que mesmo assim a loira não teria motivos para julgá-la, que não teria de olhar paras os olhos verdes e ver rejeição ou ser obrigada a ouvir um sermão.
Quinn se aproxima mais de Santana coloca a mão direita em suas costas lhe fazendo um afago, com a esquerda segura uma de suas mãos que apoiava sua cabeça; a morena estava com os cotovelos apoiados nos joelhos, sentada com as pernas dobradas, pés sobre o sofá; lhe dá um beijo na lateral da cabeça, quase na fronte, se levanta em seguida, ainda segurando a mão da morena e diz carinhosamente, mas decidida:
— Vem pra cama, vou te colocar pra dormir um pouco.
Santana como uma criança que precisa de proteção a segue sem tentar resistir, sem conseguir fazer qualquer coisa na verdade, apenas se levanta e segue para o quarto com Quinn lhe abraçando, lhe dando o ombro para que chore enquanto caminham.
Quinn a deita em sua cama, lhe cobre e se deita atrás dela, formando uma concha protetora com seu corpo, e como fazemos com uma criança assustada, fica ali lhe dando todo o amor que tem, lhe mostrando com os carinhos nos cabelos que está junto, perto o suficiente pra enfrentar com ela todos os medos pelos quais está passando.
Um longo tempo depois e o choro já terminado, Santana está calma o suficiente para conseguir se entregar ao sono.
O que fazer agora? Como cuidar de uma pessoa que se nega o direito de amar, de viver, simplesmente viver... e como proteger do amor alguém que sempre amou tudo, alguém que sempre fez da vida uma comemoração, que mostra seu carinho às pessoas e que enxerga nessas pessoas sempre o melhor de cada uma?
Fale com o autor