os sentidos do amor
13 Capítulo 13 – meia lua...
Notas iniciais
No escritório...
— Quem vai explicar o que aconteceu? — Quinn pergunta recostada à mesa, olhando de Santana para Kurt.
— Se não se importam eu gostaria de falar. — Brittany se adianta, e começa sem esperar resposta. — Na verdade foi apenas um mal entendido... Kurt perguntou se eu poderia mudar algumas coisas na coreografia, pois não combinava totalmente com o figurino e eu disse que não daria, que em pouco tempo seria complicado, mas ele insistiu e eu fiquei sem ação, me senti pressionada... Santana foi me defender e eles discutiram, apenas isso. — termina colocando a mão sobre a coxa da morena ao seu lado, que apenas descruza os braços e pensa se tira ou não a mão da loira de sua perna. Não havia malícia no gesto da loira, foi apenas um toque, como um pedido de apoio para que lhe confirmasse a verdade.
Rachel olhava para Santana que desde que entrou no escritório permanecia sentada na poltrona com Brittany a seu lado. A morena estava olhando para o chão... era no fundo uma visão engraçada, parecia uma criança que havia sido colocada de castigo, e aguardava a bronca. Era uma cena fofa até. Olhou para Quinn tentando conter um sorriso e a loira entendeu que ela não conseguiria falar nada naquele momento.
— Ok, vamos resolver isso... primeiro... Kurt, o trabalho de todos está perfeito, você é o estilista, Brittany a coreógrafa e Santana a cantora, mas quem toma as decisões importantes somos Rachel e eu, e nós achamos que tudo está como deveria estar. Ninguém vai fazer alteração alguma. Se houver alguma mudança, caso isso seja necessário, será por decisão nossa, ok? — o garoto apenas balançou a cabeça afirmativamente. — Segundo, quando tiverem qualquer problema relacionado à companhia, resolvam aqui dentro, e não na rua, aos gritos... e terceiro... Santana... — Quinn fala olhando para a morena esperando ela lhe direcionar o olhar. — Obrigada por defender minha prima, pode não ter sido da melhor maneira, mas mostrou que tem um carinho por ela, e isso pra mim é importante, saber que a Britt pode contar com uma amiga que a proteja. — Santana esboçou um meio sorriso e volto a olhar para o chão.
— Obrigada amor. — Rachel movimenta os lábios para agradecer, silenciosamente, quando Quinn olha em sua direção.
— Fazer o que, né? — a loira responde dando de ombros.
— Ok, tudo resolvido... acho que poderíamos tirar uma folga, o que acham? — Rachel pergunta querendo acabar com o clima chato, mas no fundo queria mesmo era ir pra casa namorar sua loira.
— Ótima ideia, mas antes...
— Ahh cunhada, nada de “mas antes”, vamos logo pra casa, vai?
— Meu Deus, como esse meu cunhado é chato depois do almoço... chorão! — termina em tom divertido.
— Vai começar com o papo de chatice de novo loira? — Rachel pergunta séria, com uma sobrancelha arqueada, tentando fazer Quinn olhá-la.
— Continuando... — Quinn fala fugindo da pergunta, sem conseguir encarar Rachel. — Pensei que poderíamos fazer algo diferente hoje, meio que trabalho em grupo, mas voltado para o relaxamento. Estamos todos nervosos, e relaxar um pouco fará bem a todos.
— Como pretende isso prima? — a bailarina pergunta interessada.
— Você mesma Britt, nos dê uma aula, um alongamento... qualquer coisa que possamos fazer todos juntos.
Todos olham curiosos pra bailarina, à espera de alguma reação, e se surpreendem quando Santana dá uma ideia.
— Massagem seria legal. — fala olhando a loira nos olhos e logo em seguida baixa a cabeça novamente, tímida.
Brittany fica por uns segundo olhando Santana. Não sabia o que responder no momento, estava super surpresa com a naturalidade com que a morena lhe olhou e falou. Na verdade todos meio que a olhavam com cara de espanto. Santana mal falava quando sozinha com alguém, perto de todos era ainda mais raro isso acontecer.
— Ok, uma mistura de massagem e alongamento então. — a loira responde com sorriso meigo, olhando ainda, diretamente para Santana que levanta novamente o olhar, e um sorriso é compartilhado por elas.
Às vezes olhamos uma pessoa e perdemos a noção das coisas... a noção de tempo, espaço... é meio difícil explicar... é como se algo naquela visão nos colocasse num estado de paralisia e conseguimos somente ficar olhando, meio que babando... é mais que uma atração física, ou um desejo que nos toma... nossa mente viaja e meio que perdemos a sanidade... mas isso é somente o físico, o que nos prende de primeira... o que importa mesmo é o depois, a conversa, o conhecer aos poucos, a troca de energia, os carinhos, o amor que nasce automaticamente e vai crescendo com o tempo, ou mesmo o amor que nasce a partir de uma amizade... é isso que importa, a essência da pessoa, não a casca. Brittany e Santana sentiam-se assim, numa entrega sem explicação... para a loira isso era mais tranquilo, era natural se sentir e querer estar ligada a alguém... para a morena isso era meio aterrorizador, mas mesmo assim ela acabava sempre se deixando levar e se soltava perto da bailarina. Sem querer uma amizade já havia começado.
Todos ainda na sala das chefes esperando alguém dizer mais alguma coisa, ou se encaminhar pra sala de aula, quando...
— Sinceramente eu não vejo isso acontecendo comigo. — Noah falava como se fosse óbvio. — Digamos que quase todos aqui estão em casais (aponta para Rachel e Quinn, Santana e Brittany e Kurt e Blaine)... quem sobra somos Finn e eu, e não tem jeito de eu deixar ele me fazer uma massagem... sério cara, eu te amo, você é meu irmão do coração, mas isso não vai rolar.
— Estamos em quatro homens e quatro mulheres... — Kurt começou...
— Ninguém toca na minha loira a não ser eu. — Rachel disse decidida.
— Querem saber, vamos seguir a ideia de Rachel... pra casa ou outro lugar que queiram ir. — Quinn fala indo até sua morena que estava sentada atrás de sua mesa e lhe estende a mão convidando para irem embora.
— Graças a Deus... pra casa dormir um pouco e depois... — olha pra Finn esperando resposta.
— Ah meu amigo, depois sair pra curtir a noite.
Todos já preparados para sair exceto Brittany que ainda permanecia sentada.
— Vamos prima, ou ainda que falar mais alguma coisa?
— Eu só quero pegar alguns CDs e já estou indo também... podem ir que eu fecho tudo aqui.
— Não senhora, não vamos te deixar pra trás.
— Eu posso te acompanhar se quiser Brittany. — Santana fala meio de longe, tão baixo que por pouco não foi ouvida.
— Sim. — a loira responde com um sorriso aberto, daqueles que aparecem no rosto de alguém que consegue algo que tanto quer.
— Santana você não acha...
— O que é agora anã? Acha que sou péssima companhia?
— Calma! Eu só ia dizer... ah esquece, deixa pra lá... nos vemos amanhã. — Rachel sai puxando a esposa pela mão.
Santana na verdade havia ficado frustrada. Queria participar da atividade, e era óbvio que se houvesse formação de duplas ela seria o par de Brittany, e a loira se sentia da mesma forma. O tempo todo queria estar perto da morena, se sentia completa junto dela. Não resistiu e acabou pedindo:
— Santana... será que a gente poderia... sei lá... continuar?
— Continuar?
— Sim... eu queria te fazer uma massagem, acho que te ajudaria a relaxar... sei que ficou brava com a discussão, mas se não quiser...
— Eu quero. — diz de supetão como que com medo de perder a oportunidade.
— Legal! — a loira diz animada se aproximando pra dar um beijo na bochecha da morena, mas Santana se mexe sem querer e elas acabam trocando um beijo meia lua, aquele na trave, no cantinho da boca.
Afastam-se envergonhadas. Santana consegue disfarçar devido seu tom de pele mais moreno, mas Brittany fica toda vermelhinha e a morena sente o coração disparar com a visão da loira assim.
— Desculpe, eu não... foi... você virou e eu...
— Vamos pra sala fazer a massagem? — Santana fala rápido mudando de assunto, sabia que a loira estava muito constrangida.
— Não!
— Como não Brittany? Você disse que...
— Eu disse que era pra você relaxar, e existe um lugar onde se sinta mais a vontade que sua casa?
Por um segundo a morena pensou: “sim, nesse seu sorriso me sinto a vontade”, mas respondeu seca:
— Pode ser... te espero no estacionamento.
Uma luta constante, isso era o que Brittany enfrentava perto da morena, todo o tempo. Ao mesmo tempo em que ela era um doce de pessoa (pelos olhos da bailarina), conseguia ser a pessoa mais fria, grossa e distante do mundo... mas já havia feito tanto progresso e se sentia tão bem tendo a morena por perto que até nesses momentos de indelicadeza se sentia feliz.
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