os sentidos do amor
50 Capítulo 50 - enfim em paz
Notas iniciais
O que é um lar? Na verdade pra saber o que é um lar precisamos saber o que é uma casa e como a partir dessa casa um lar é formado, pois há diferença entre eles... casa é uma estrutura que pode ser de tijolos, madeira, pedras, barro... qualquer tipo de material que forme paredes e teto e que abriguem pessoas... lar já é bem mais complexo, pois pra se formar um lar, essa estrutura física não importa muito, pois o que conta na verdade são as pessoas que vivem dentro dessas paredes e como elas se tratam entre si. Para construir uma casa basta dinheiro, mas para construir um lar além do dinheiro para erguer as paredes é necessário amor, carinho, respeito, companheirismo... sentimentos que estão presentes não somente em pessoas da mesma família, um grupo co-sanguíneo... pertencer a uma família é muito mais complexo que ter o mesmo sobrenome, pertencer a uma família, a um lar, é uma troca diária, é vivência, proximidade... é saber que pode acontecer de tudo em sua vida, mas braços fortes e amorosos estarão sempre ali dispostos a te ajudar se levantar, e é aí que podemos sentir isso, essa sensação de estar num lar, simplesmente por estar nos braços de alguém que amamos. Casa e lar em muitos contextos podem significar a mesma coisa, mas a estrutura de ambos é completamente diferente... uma casa é formada com materiais palpáveis, firmes e resistentes às forças da natureza, na maioria das vezes, um lar é formado por sentimentos, confiança, por energias que se regadas adequadamente se tornam fortes o bastante para conduzir e proporcionar experiências incrivelmente perfeitas e inesquecíveis. Está certo que sem uma casa não se pode formar um lar, mas de que adianta ter uma casa se não se compartilha a vida e sentimentos com as pessoas que amamos?
Santana quando saiu da casa de seus pais foi morar numa casa que alugou, e somente alguns meses depois que comprou a sua, mas mesmo assim era só um ambiente pra onde ela voltava depois de um dia de trabalho, nunca foi um lar de verdade, pois ela estava sozinha, infeliz, fechada... mas desde que se abriu para a vida, desde aquela noite que se abriu para Quinn, quando esta foi atrás dela devido seu sumiço, ou mesmo antes disso, quando aceitou participar da apresentação da danç'art e conheceu Brittany, começou sentir brotar em seu peito um sentimento que há muito tempo havia perdido... o sentimento de pertencer a algo, de ser parte de uma energia boa, energia essa que tem como base amor... e agora dentro do carro, levando seu pai para casa, a morena não poderia estar mais feliz... ela estava sentada entre sua namorada e seu pai, e sentia tantas coisas ao mesmo tempo que não saberia defini-las em uma única palavra. Ao seu lado esquerdo estava sua amada que tinha a cabeça recostada em seu ombro com os olhos fechados, sentindo-se a mulher mais feliz do mundo, sentindo o toque dos dedos da namorada entrelaçados aos seus, naquela certeza de estar, agora, tudo bem. Brittany não precisava olhar para Santana para saber que esta tinha um sorriso fixo no rosto... na verdade todos no carro estavam com o mesmo sorriso estampando suas feições. Antonio do outro lado de Santana segurava forte na mão da filha enquanto olhava pela janela vendo as luzes da cidade iluminar seu caminho para casa, estava apreensivo, não sabia o que dizer para a esposa ao vê-la, mas estava, de certa forma, bem tranquilo, afinal estava voltando para casa.
Os cinco, assim que adentraram o carro, tentaram manter um diálogo, mas aos poucos foram se calando e agora cada um refletia sobre coisas de sua vida, era como se dessem graças a todas as bençãos que receberam até o momento.
Hiram pensava no marido, nos filhos, na sorte de tê-los e ser amado por eles, sua família era um presente em sua vida... pensava também na nora que estava ao seu lado e esta sorria imaginando a bronca que levaria ao encontrar com Rachel. Conseguia ver a baixinha vindo em sua direção, zangada, falando alto sem pegar fôlego por ela não ter enviado nem uma mensagem de texto... estava se divertindo sozinha com esse pensamento em seu assento, com a cabeça recostada no apoio do banco do carona, sentindo o vento suave que entrava pela janela que mantinha aberta, embora estivesse sentindo um pouco de frio.
Santana agora havia repousado a cabeça na de Brittany que havia adormecido em seu ombro... a morena estava tão relaxada agora, tão em paz que poderia adormecer tranquilamente, como fazia quando era criança e estavam voltando de um passeio... a viagem de ida era sempre empolgante, com conversas, cantoria, brincadeiras... mas na volta ela sempre adormecia e, seu pai, quando chegavam em casa, a carregava nos braços e a levava para dentro de casa, colocando-a em sua cama, lugar de onde ela sempre saía minutos depois para ir à cozinha preparar seu lanchinho antes de dormir, aí ia dividi-lo com seu pai que estava na sala com a esposa. Maribel sempre olhava encantada a cena: pai e filha se revesando para tomar um copo de leite com achocolatado... minutos depois a latina mais velha tinha a difícil missão de convencê-los a se levantar do sofá e ir tomar banho antes que adormecessem ali mesmo. Essa era a rotina dos três em todos os passeios na infância da morena, e Santana agora tinha dentro do peito a certeza de que todos voltariam a ter a mesma alegria explodindo no coração.
***
Quando o carro parou em frente a casa dos Berry, a vontade de Antonio era sair de dentro dele o mais rápido possível e correr ao encontro da esposa dizendo o quanto a amava e se sentia arrependido por ter fraquejado, mas o embrulho em seu estômago por medo de sua reação o estava prendendo dentro do veículo, fazendo-o segurar ainda mais forte na mão da filha, causando-lhe até certa dor, mas ela não reclamava, sabia que seu estava com medo, pois quando ela mesma colocou os pés em Lima, sentiu o mesmo pavor, o mesmo embrulho no estômago e, em sua mente, como com seu pai agora, tinha medo do reencontro com as pessoas que amava... é aquele velho e infeliz hábito que temos de sofrer por antecipação... parece que nunca vamos aprender a esperar as coisas acontecerem e aí reagir a elas.
***
No segundo em que Maribel ouviu o carro estacionando em frente à casa do amigo, levantou do sofá e correu para a porta de entrada encontrando Hiram saindo do veículo com uma expressão de paz no rosto. Estava preparada para já sair soltando toda sua agonia em palavras que certamente seriam em espanhol, mas quando viu a tranquilidade no sorriso do amigo parou na porta reparando que Quinn e Brittany estavam com o mesmo sorriso, com o mesmo ar de satisfação, de leveza.
Rachel por sua vez, passou pela porta como um furacão, sem prestar muita atenção em nada... deu a volta no carro, chegou até a porta do carona, que a esposa havia acabado de fechar e começou com a bronca para a qual a loira já estava preparada:
— Nem adianta ficar me olhando com essa cara de quem sabe que vai me dobrar com um eu te amo, pois não tem desculpa para o que vocês fizeram. Pode voltar no tempo e me enviar um sms dando notícias. Sabe quantas vezes ligamos, quantas mensagens de textos enviamos, ou quantas coisas passaram em nossa cabeça? Nem responde. — ela continuava sem dar uma brecha para a loira sequer abrir a boca (coisa que ela não faria mesmo, pois conhecia muito bem sua morena). — Ficamos aqui loucos de preocupação e vocês voltam com essa cara deslavada, como se estivessem saído há alguns minutos para comprar um sorvete? Vocês passaram o dia todo sem dar notícias e nós aqui preocupados. Eu pedi para ir junto e vocês não deixaram, disseram que seriam muitas pessoas... e agora voltam a essa hora?! — ela aponta para o braço indicando o relógio, mas não tem relógio algum em seu pulso. — Como acha que fiquei? Como acha que tia Maribel ficou?
— Filha... — Hiram tenta explicar ou mesmo mostrar que ela tem razão, mas agora não era o melhor horário para ela falar tudo que estava sentindo, poderiam conversar sobre isso depois, mas Rachel estica o braço com a mão espalmada na direção dele para que não a interrompa e, mesmo que seja uma ação meio desrespeitosa da parte dela, ele entende que realmente erraram.
— Será que não pensaram na gente um segundo? Em como ficaríamos agoniados? Me desculpe pai, mas não há argumento no mundo que dê razão pra vocês, então nem adianta tentar.
***
De dentro da casa, Noah ouvia os gritos da irmã com uma cara de espanto fingido e com as mãos nos ouvidos, dizia para Finn, Kurt e Blaine:
— Como é possível uma pessoa falar tantas palavras assim num único segundo?
— Nossa rainha chefe diva loira sofre gente... coitada. — Kurt falava compadecido ao sofrimento da amiga.
— Não acredito que ela se importe com isso. — Blaine completa tranquilizando o namorado.
E enquanto Blaine e Kurt tentam falar sério, Noah e Finn continuam com a brincadeira:
— Acho que sei onde meu gravador de infância está... se fizermos um raio x na Rachel, o encontraremos dentro dela. — Finn diz com uma falsa preocupação, lembrando-se do sumiço de muitos anos de seu brinquedo preferido.
— Ou talvez ela engoliu um narrador de esporte. — Noah fala não conseguindo segurar a risada que sai segundos depois. — Acho que minha cunhadinha deve até apanhar da maluca da minha irmã. — completa batendo a mão na própria perna, ainda rindo da situação.
— Nossa Senhora dos vizinhos que já estão dormindo... alguém cale a boca da minha filha. — Leroy sai do banheiro aflito secando as mãos numa toalha num tom de vermelho igual ao que provavelmente ficaria caso algum de seus vizinhos viesse reclamar da confusão a essa hora da noite.
***
Sem ter um milésimo de segundo para tentar argumentar, coisa que sabia que não adiantaria, Quinn decide fazer a única coisa que sabe, e que só ela poderia, para interromper sua esposa... sem ameaçar ou dar uma indicação sequer, segura Rachel pelas laterais do rosto e lhe beija os lábios, mantendo-se assim pelos segundos necessários até a morena parar de tentar escapar e relaxar o corpo entregando-se ao beijo.
***
— Graças a Deus, pai, sua filha calou a boca... mas confesso que estou preocupado. — Leroy olha para o filho confuso. — Será que alguém está lhe sufocando com um travesseiro? Se for isso não posso perder. — levanta rapidamente do sofá e vai para o exterior da casa, seguido por Finn, para ver quem seria o herói da noite.
Chegando lá fora...
— Ahhh... nossas chefes se pegando no meio da rua é uma visão até bem quente, mas eu preferia a cena do travesseiro. — Finn fala voltando para dentro de casa seguido pelo amigo e ambos gargalham com a mão na barriga.
— Vocês não tomam jeito, né? — Leroy tenta ficar sério, mas por dentro estava aliviado com a descontração que os meninos traziam para aquela tensão toda.
***
Quando precisou pegar fôlego, Quinn desconectou os lábios dos da esposa e antes que esta retomasse seu discurso de fúria, a virou para a direção onde Antonio estava, ainda dentro do carro.
— Não acredito! — foi o que a morena conseguiu, com olhos arregalados, dizer.
Da porta, Maribel não conseguia ver a filha, já que Brittany lhe tampava a visão e tentava entender por que ela ainda permanecia no interior do veículo e por que Hiram, Quinn e Brittany haviam saído do carro tão tranquilos.
— Está tudo bem pai, mamãe te ama e não vê a hora de te abraçar, não precisa ter medo. Estamos juntos agora e tudo ficou no passado. — a latina falava olhando fixamente para o rosto do pai e este mantinha o olhar na caixinha que havia ganho dela. Santana estava se sentindo numa troca de papéis, onde ela era a pessoa que deveria proteger, confortar, dar coragem, e seu pai indefeso como se fosse seu filho, como se fosse uma criança enfrentando uma situação nova.
Algumas vezes em nossa vida, precisamos ser fortes para passar confiança ao outro, mesmo que por dentro estejamos morrendo de medo, mas ao olharmos nos olhos de alguém e mostrarmos com toda a certeza que sentimos em nosso coração que tudo ficará bem, aquela energia que temos em nós no momento, acaba sendo um pouco transmitida, conseguimos dividir um pouco de nossa coragem e isso faz um bem danado para ambos os lados.
Como se a cena acontecesse em câmera lenta, Maribel vê sua filha saindo do carro e em seguida vê o marido saindo pelo outro lado. Era como se seus olhos estivessem lhe pregando uma peça, ela o estava vendo, mas não conseguia acreditar, não entendia como era possível.
Antonio fecha a porta do carro e dá a volta passando por trás do mesmo, indo, sem a hesitação de antes, ao encontro da mulher que tanto ama.
— Antonio! — Leroy exclama, colocando a mão no peito e fazendo cara de espanto, de dentro da sala, ao ver o amigo saindo do carro, e os garotos que estavam ainda gargalhando, param de rir voltando para o lado de fora.
Agora todos olham a cena emocionados... Antonio parado em frente a esposa, ambos com lágrimas descendo pela face, se olhando nos olhos para terem certeza que estavam mesmo frente a frente e, como que combinado, Maribel abraça o marido pelo pescoço enquanto que este envolve sua cintura com os braços, apertando o máximo que pode como que numa tentativa de fundir seu corpo ao dela, de alcançar seu coração com o seu próprio.
— Me perdoa amor... me perdoa por não ter protegido nossa menininha... por não ter aguentado firme ao seu lado... me perdoa... me perdoa... me perdoa. — Antonio falava no ouvido da esposa, cada vez mais agarrado a sua cintura.
— Eu te amo, meu querido, te amo mais que tudo e... vamos apenas esquecer tudo que passou, vamos deixar o passado onde ele está. Nossa filha está de volta, está feliz, namorando uma garota incrível e é isso que importa agora. — ela desfaz o abraço, mas continua com as mãos no ombro do marido e olhando em seus olhos continua: — Vamos viver o hoje, curtir nossa vida juntos, nossos amigos e principalmente... nossa filha que voltou pra gente. É nisso que precisamos nos focar agora, no amor que sentimos e compartilhamos com nossas pessoas queridas.
— Eu te amo. — Antonio fala para a esposa selando seus lábios em seguida com um beijo apaixonado e gentil.
— Não sei se aguentaremos tanto amor e tantos casais por uma semana... sairemos daqui diabéticos... é muito doce... eca.— Noah fala para Finn, mas seu pai que estava bem próximo a eles ouve e ele corre para dentro de casa fugindo do peteleco que achava que levaria do pai.
E depois de mais alguns minutos todos adentram a casa dos Berry, com o coração cheio de esperanças e certezas de dias melhores.
***
Algumas horas depois, muitas conversas, lágrimas, risadas e alguns já estavam caindo pelos cantos de sono e cansaço pelas fortes emoções do dia e pelo horário também. Santana ao lado da namorada, no sofá, havia dormido recostada no ombro da loira e esta, com a cabeça para trás, no encosto do mesmo; Quinn e Rachel não estavam numa posição diferente das de suas amigas; Finn e Noah, estavam sentados no chão, meio jogados, completamente apagados, Noah com a cabeça apoiada na perna da irmã e Finn apoiado na perna de Quinn; o restante estava acordado, embora Kurt vez ou outra deixava a cabeça pesar, mas refazia a "pose de cabide" fingindo que nada havia acontecido.
— Melhor acordá-los para irem para a cama ou amanhã ficarão com o corpo dolorido. — Leroy junto com o marido e Maribel se levantam para acordá-los.
— Só quero saber onde vamos colocar tanta gente. — Hiram para no meio da sala pensando em como fará para acomodar todos os oito.
A casa que era de apenas dois, no dia anterior passou a ser de seis, com a chegada das meninas e agora com os meninos faltava espaço para que todos ficassem confortáveis.
— Eu amaria que Santana e Brittany viessem para casa conosco, mas elas já se acomodaram aqui, então se concordarem os meninos vão para lá hoje e depois vemos como fica. O que acham? — a latina sugere aos amigos e antes mesmo que eles pudessem responder:
— Perfeito, então vamos, pois daqui a pouco minha cabeça se solta do pescoço e sai rolando pelo chão da sala de tantas cabeçadas que já dei. — Kurt totalmente sonolento e sem a menor noção do que está dizendo se levanta do sofá, quase caindo em seguida, causando riso nos mais velhos.
— Acordem minhas princesas. — Leroy chama baixinho a filha e a nora, e aos poucos elas despertam e se levantam para irem ao quarto, coisa que ele sabe que Rachel faria ainda dormindo... desde criança ela é assim, dormia no sofá e no dia seguinte quando acordava em sua cama, ficava tentando se lembrar de como fora parar lá.
E assim, aos poucos, todos são encaminhados para o merecido e confortável descanso, mas será que todos conseguiriam dormir, afinal aconteceram tantas coisas que a vontade era comemorar e aproveitar cada segundo perto das pessoas que amavam.
***
Santana e Brittany depois de um banho demorado enfim estavam deitadas, prontas para relaxarem do dia dia cansativo, ou melhor, dos dias de tantas emoções intensas. Estavam deitadas de frente uma para a outra, com as pernas enroscadas, num abraço de corpo todo, bem aconchegante, Santana com uma perna entre as de Brittany e esta com uma sobre seu quadril, totalmente encaixadas. Brittany sentia a respiração quente da morena em seu pescoço e isso lhe causava arreperios pelo corpo... Santana sentia os mesmos arrepios por estar assim com sua namorada e ainda mais por ter as mãos da loira passeando em suas costas distraidamente. Esse carinho involuntário e essa proximidade estava excitando Santana e ela involuntariamente começa forçar o corpo contra o da loira enquanto solta gemidinhos incontidos... fazia um pequeno balanço com o corpo indo e vindo para frente e para a trás, pressionando levemente seu quadril ao de Brittany e a loira estava se sentindo ficar mole com isso.
— O que você está fazendo amor? — pergunta já sentindo o calor lhe dominando o corpo.
— Não sei minha pequena, só sei que está gostoso demais. — responde entre um suspiro e outro e pouco depois começa intensificar o peso da respiração no pescoço da loira, passando por beijinhos leves que vão ganhando intensidade aos poucos e quando percebe já está presa fortemente nos braços de sua amada que com a perna sobre seu quadril força seu corpo para que fique sobre o dela.
Quando abrem os olhos encontram o mesmo desejo que sentem, brilhando no olhar apaixonado uma da outra e como se tivessem anos de prática na arte de fazer amor, se deixam levar pelo momento, num beijo que começa lento, suave, mas que vai se tornando tórrido, molhado, desesperado com um encaixe perfeito dos lábios, uma dança deliciosa das línguas numa mistura de tudo de mais gostoso que existe em um beijo e nesse momento as mãos ganham vida vagando pelo corpo uma da outra, sentindo, apertando cada centímetro de pele quente que implora pelo toque... as roupas vão sendo jogadas pelo chão do quarto como se sentissem prazer em serem arremessadas... o clima no quarto era muito mais que o delas duas entregues ao amor, era como se tudo naquele ambiente estivesse conectado para deixá-las livres e entregues. A luz da lua que entrava pelas frestas da janela dava ao lugar uma claridade onde ambas podiam apenas vislumbrar a silhueta uma da outra e apenas o brilho de desejo no olhar e nos lábios, favorecendo-as no tato, naquela intensividade dos sentidos de tato, paladar... quando nossa visão é afetada por algum motivo, ou mesmo quando fechamos os olhos para aguçar mais os outros sentidos.
Santana agora completamente deitada sobre o corpo esguio da namorada sentia os seios firmes e sensíveis de sua amada pressionados contra o seu, ela mantinha as mãos, uma no rosto da loira, como que vendo-a com a ponta dos dedos enquanto que a outra vagava pela cintura de Brittany e esta segurava Santana pela nuca, com os dedos enroscados em seus cabelos guiando-as no beijo, posicionando-a perfeitamente sobre ela para um melhor encaixe.
Estavam tão excitadas e tão encaixadas que sentiam a umidade uma da outra mesmo através do tecido das calcinhas que ainda as separavam e em uma perfeita sincronia ambas se afastam o suficiente apenas para tirar essa última peça do vestuário feminino... quando os sexos já doloridos de prazer se encontram elas soltam um gemido que de tão gostoso só atiça ainda mais o desejo em ambas e agora os beijos se tornam desconexos pelo movimento de vai e vem dos corpos na mais prazerosa das danças. Elas estavam entregues, sem aquele pensamento de dar ou ter prazer, estavam se sentindo, se curtindo, deixando os corpos suados deslizarem sem pensarem em tempo, espaço... sem pensarem em pudores ou medos... era como se naquele momento a vida delas dependesse daquelas sensações que o fazer amor as proporcionava.
Santana se apóia nas mãos elevando um pouco o tronco fazendo com que seu quadril seja um pouco mais forçado contra o de Brittany e nesse momento elas ficam ainda mais encaixadas, como se a intimidade delas se aprofundasse num beijo muito mais intenso... um beijo de pernas abertas, de lábios se possuindo, de clitóris se friccionando desesperadamente... era uma sensação tão deliciosa que não tinham pressa em terminar, poderiam passar horas naquela posição, naquele bailar íntimo, que tinha respirações, gemidos e batidas aceleradas de coração como fundo musical.
Brittany agora tinha as mãos nas costas e laterais do quadril de Santana, arranhando, apertando, puxando... estava tão presa à morena que não sabia mais onde seu corpo terminava e o dela começava.
Os movimentos de quadril foram ganhando mais velocidade aos poucos e tudo se tornando mais intenso... os gemidos agora precisavam ser contidos nos lábios uma da outra, numa tentativa meio frustrada de abafar o som que gritava vindo do prazer delas... prazer esse que as atingiu magicamente ao mesmo tempo, trazendo um orgasmo intenso, forte, longo, que as deixou, em vez de saciadas, ainda mais molhadas e sensíveis ao momento fazendo-as, em vez de cessar com os movimentos, continuar em busca de mais prazer que não demorou a surgir na intimidade e cada centímetro do corpo de ambas trazendo um segundo orgasmo que as atingiu segundos após o primeiro terminar, fazendo os corpos vibrarem, gritarem e doerem deliciosamente num prazer intenso, num prazer mútuo que aos poucos iam deixando-as cansadas, com o instinto de se confortar, voltando a relaxar, fazendo-as não conseguirem se mexer mais, mantendo-as abraçadas, enroscadas como se fossem uma só carne... e assim elas adormecem ao som das batidas de seus corações que é como uma canção de ninar para o sono dos amantes.
E aquele longo dia termina... e lá fora, a lua crescente sorri no céu, feliz por trazer o silêncio da noite, satisfeita por saber que agora os corações que antes aflitos, enfim encontrariam a tranquilidade numa agradável noite de sono.
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