os sentidos do amor
51 Capítulo 51 - correria, confusão, nervosismo, comédia, nervosismo, confusão, correria
Notas iniciais
Dias depois...
— NOAH! Não acredito que ainda está assim. — Rachel fala alto, chegando de surpresa e assustando o irmão que cai do balanço que fica na varanda em frente a casa.
— Que isso sua maluca? Quer me matar?
— Sabe quanto tempo falta pra festa e você nem começou se arrumar ainda? — ela continua irritada.
— Sim Rachel, eu sei quantas... 31 horas e 28 minutos faltam para a festa de nossos pais. — ele eleva a voz falando de frente para a irmã, se levantando do chão segundos depois de olhar a hora no celular que tinha em mãos. — Caramba Rachel, a festa é amanhã no final da tarde, custa me dar uma folga?!
— Não temos tempo pra folga. Você ainda não foi verificar o pedido das frutas...
— Não fui porque você delega funções, mas depois toma a frente de tudo.
— Não me interrompa... continuando... ainda não cortou o cabelo, não fez as unhas, não verificou se o terno está em ordem, se precisa passar ou se falta algum botão... tenho certeza que o colocou na mala de qualquer jeito e que ele ainda está lá.
— Eita... — ele fez cara de quem deu uma mancada e chegou dar um passo pra trás, de medo da reação dela. — O terno.
— Noah... você sabe onde está seu terno, não sabe? — fala se aproximando, cruzando os braços e o olhando fixamente, o que o faz sentir um pouco mais de medo.
— C-claro que sei Rachel. "ai porcaria, acho que não estarei vivo na festa de meus pais". — ele pensa.
— Onde está seu terno Noah Puckerman-Berry? — a baixinha pergunta intimidadoramente.
— "Caramba, me chamou pelo nome completo... estou morto". Está em cima da minha cama.
— Ok, então vamos lá ver em que estado ele está.
— Não é bem um estado. — ele fala baixo coçando a parte posterior da cabeça.
— Para de me enrolar e vamos logo ver seu terno.
— Não vai dar tempo Rach.
— Como não, não está sobre sua cama?
— Sim, mas... mas...
— Mas o que Noah? Não tenho tempo pra isso. Vamos logo. — ela fala irritada.
— Mas... minha cama está lá em New York.
— O QUÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ? — e foi como um grito em uma caverna, quando o som vai se repetindo, repetindo, repetindo...
***
Em um dos quartos...
— Onde? O que foi? Quem morreu? — Santana diz assustada e confusa, do chão.
— Eu vou matar a Rachel. — Brittany se move na cama para ajudar a namorada se levantar. — Não precisa gritar a uma hora dessas, na verdade não precisa nunca, ela já tem um tom de voz bem alto.
— Foi ela que gritou?
— Ela está agindo como louca a semana toda. Agora nem o sono das pessoas ela respeita mais. Já me irritei com isso.
— Calma amor, estou bem. — Santana achou estranha a reação de sua loira, afinal ela era sempre tão calma, tão ponderada, da paz mesmo... se irritar assim com uma atitude rotineira de Rachel era realmente muito estranho. — Ela te acordou também?
— Não, eu estava acordada já... — a morena percebe que ela está corando. — Estava admirando você dormir... és tão linda. — responde tímida e docemente, estendendo em seguida a mão para a namorada, a chamando para deitar em seu colo.
— Relaxa meu amor, Rachel é louca mesmo, já estou acostumada.
— Eu sei amor, mas poxa... depois de tudo que passamos... essa viagem poderia ter sido pra relaxar.
— Estou bem minha pequena... estamos bem, relaxa.
— Tudo bem, só... ah, só quero que tudo seja perfeito... se ninguém estragar já é um começo.
— Amor, olha pra mim. — a morena fala se ajeitando no colo da loira para ficar de frente para ela. — Está acontecendo alguma coisa que não quer me contar? — Essa mudança repentina de Brittany estava mesmo preocupando a morena.
— Não amor, desculpa, acho que... sei lá, só estou ansiosa pra amanhã.
— Nossa amor, se apegou mesmo aos pais da Rachel?!
— É, acho que é isso... e como Rachel está tornando nossos dias uma loucura estou meio tensa.
— Ok então minha princesa, mas relaxa, está tudo bem, estamos aqui, juntas e é só o que importa. — tentou parecer tranquila, mas ainda não estava confiante com a tranquilidade que a bailarina tentava aparentar.
— Sim, é isso que importa. "Como que eu vou falar pra ela? Preciso ter jeito ou... ai droga, o que eu faço?" — e a loira fica lá, perdida em seus pensamentos e com a morena nos braços.
***
— Eu não quero nem saber Noah, você vai comprar um terno agora mesmo, aí aproveita e vai dar um jeito nesse cabelo, já marquei hora pra você no salão, pra todos na verdade, só falta você e Finn irem.
— Você e o restante das meninas ainda não foram.
— Cara, não cutuca a onça. — Finn falava baixo para o amigo, segurando o terno para que Rachel o checasse pela quinta vez.
— E por que será que ainda não fomos? Será que é por que precisamos ficar aqui arrumando as coisas todas, revisando, controlando, planejando, cuidando de vocês?!
— Ui... nada como bom humor na véspera de uma festa. — Noah responde irônico à irmã, fazendo-a se irritar ainda mais.
— QUIIIINN? — Rachel berra da sala. — Vem dar um jeito no seu cunhado ou amanhã em vez de bodas teremos um velório.
— Pronto, sobrou pra mim. — a loira responde da cozinha e os dois ouvem da sala enquanto que Rachel sobe as escadas para sutilmente (só que não) entrar no quarto de Brittany e Santana.
***
— Acha que foi uma boa ideia deixarmos Rachel no comando lá em casa enquanto estamos fora? — Leroy pergunta ao marido enquanto fazem as unhas, cortam o cabelo... enquanto se preparam para a grande festa do dia seguinte.
— Ah meu querido, ela já havia tomado a frente de tudo antes mesmo de falarmos sobre a data.
— Verdade, mas creio que ela agora deve estar surtando e enlouquecendo todos os outros ainda mais, principalmente se alguém não fizer algo como ela quer.
— Relaxa que nossa menininha vai saber como botar ordem na casa.
— É isso que me preocupa, os meios de ela fazer isso. Conhecemos bem aquela baixinha.
— Por que será que toda baixinha é brava? — termina de falar e os dois caem na risada. Não adiantaria se estressar, pra isso já existia a filha deles.
***
Novamente no quarto de Santana e Brittany...
— Não acredito que vocês ainda estão assim! — Rachel fala ao ver as duas ainda deitadas na cama.
— Olha Rachel, resolvemos ficar aqui na casa de seus pais e deixar os meninos na casa de minha sogra para ajudar com as milhares de coisas que você inventa de fazer de última hora durante a madrugada, mas precisamos descansar. Essa noite fomos dormir já era quase de manhã, então por favor, saia e nos dê mais uma hora, aí descemos e voltamos a fazer as coisas que já sabemos de cor e salteado quais são. — a loira termina de falar e vai para o banheiro, deixando tanto Rachel quanto Santana de queixo caído no quarto. Rachel convive com a loira há alguns anos já e nunca a viu perder a paciência com quem quer que fosse e, Santana, apesar do pouco convívio que tinha com ela sabe que algo muito sério deveria estar acontecendo para ela agir assim.
Brittany na verdade não havia sido grosseira, estava no seu direito, mas nunca na vida falou assim, com impaciência, com alguém.
— Tem alguma coisa acontecendo com ela. — Santana fala mais para si do que para a amiga que permanecia parada, chocada, com a mão na maçaneta.
— Eu vou... preciso... Noah esqueceu o terno em... podem ficar mais uma hora aqui, sem problema... vou indo. — e a baixinha sai meio desnorteada enquanto que a latina pensa, tenta descobrir o que está acontecendo.
Alguns minuto depois a loira ouve batidas na porta...
— Licença amor... estou entrando. — e ao fazer, é envolvida pelos braços de sua namorada que lhe aperta forte enquanto, chorando, fala:
— Eu não devia ter falado assim com ela, não sou assim... só estou ansiosa, nervosa... Rachel não tem culpa de nada.
— Britt, eu sei que não se sente bem ao falar dessa maneira com as pessoas, mas Rachel está merecendo algo até pior. Ela está nos enlouquecendo essa semana e só estou aturando tudo, pois é uma ocasião muito especial para meus tios. Cada um aqui já discutiu com ela nesses últimos dias e sinceramente, todos tiveram seus motivos. — Santana se afasta para olhar a namorada nos olhos. — Olha, apesar de todo esse estresse que ela nos causa, não existe pessoa melhor que ela pra organizar uma festa e, quando formos nos casar eu sei que cometerei a loucura de pedir para ela organizar nosso casamento.
— Pensa mesmo em se casar comigo? Namoramos há apenas uma semana. Não conhece meus defeitos, minhas manias, minha família...
— Eu já amo cada membro da sua família, amo cada mania sua e se tiver algum defeito, o que eu duvido, vou amar também, pois tudo faz parte de você e você é o amor da minha. Brittany, és a pessoa com quem eu sonhei a vida toda, és quem eu esperei, desejei e tive a sorte de ganhar como presente.
— Santana... — a loira fala ainda com lágrimas nos olhos.
— Não tenho medo desse sentimento, não quero esconder ou ir devagar. Eu te amo Brittany, te amo mais que tudo nesse mundo.
— Eu te amo San, nem sei explicar o quanto.
— Não explique meu amor, apenas o sinta da mesma forma que eu o sinto.
E num beijo delicado elas selam aquele momento e a morena percebe que sua loira está mais calma, mas ainda assim mantém certa preocupação com ela e com o desconhecido motivo pelo qual a fez explodir com a amiga.
***
— Nada como chegar em casa depois de algumas horinhas no salão. — Kurt fala entrando animado pela sala dos Srs. Berry e encontra Quinn, Finn e Noah com cara de "poucos amigos" enquanto que Rachel fala sobre prazos e todas as outras coisas que eles já estão cansados de ouvir.
— Pois chegou e já vai sair novamente. — a baixinha fala autoritária para o amigo.
— Mas por que? — pergunta desanimado.
— Meu adorável irmão aqui, esqueceu o terno em casa e se eu o deixar ir comprar sozinho, capaz de chegar aqui com uma jaqueta de couro, por isso você e Blaine vão com ele, pois você Kurt tem um ótimo gosto para roupas, mas exagera um pouco e você Blaine vai saber quebrar esse exagero todo... resumindo, Blaine não deixará Kurt escolher um terno cor de rosa e Kurt não deixará Blaine escolher um terno xadrez com uma gravata borboleta... vocês juntos são quase eu.
— Que humildade hein irmãzinha.
— Sim meu caro, sou simplesmente perfeita. Agora vão logo que por sua causa eu perdi dois ajudantes.
— Péssima ideia termos vindo dias antes, péssima ideia. — Finn fala indo junto com os outros três rapazes, afinal também tinha hora no salão, contra sua vontade, mas tinha.
***
Quase duas horas depois os Srs. Berry estacionam o carro na garagem de casa.
— Estou um pouco preocupado meu querido. — Leroy fala indo para a traseira do carro, enquanto que seu marido abre o porta malas para pegarem as sacolas com as compras que fizeram para o almoço.
— Preocupado com o silêncio da casa?
— Exatamente.
— Olha, temos duas explicações para isso: ou Rachel matou todos e está fazendo as coisas sozinhas, ou eles a amarraram e amordaçaram e estão comemorando em algum lugar por aí, felizes da vida, se sentindo livres. — Hiram tenta ficar sério vendo a expressão de pânico no rosto do marido, mas ri logo em seguida.
— Não vi graça alguma.
— Relaxa meu amor, tenho certeza que tudo está bem. Façamos assim... deixa que eu pego as compras e você pode entrar pra ver que tudo está na mais perfeita paz.
— Paz não creio, mas se estiverem todos vivos já fico feliz.
***
Enquanto isso no shopping...
— Noah, você não vai fazer isso com sua irmã?! Ela vai te matar cara.
— Vou sim, ela merece e vocês sabem disso.
— Mas como vai fazer pra esconder essa roupa dela?
— Ela não disse que confiava no Kurt e Blaine?! Pois então...
— Não nos responsabilizamos por nada, foi decisão sua comprar e decisão sua fazer surpresa até a hora da cerimônia. — Kurt responde "tirando o corpo fora".
— Se a Rachel não morrer hoje pelo suspense que ele fará, amanhã será uma surpresa e tanto. — Blaine fala e o assunto termina ali, com ele e Kurt voltando para casa e Noah e Finn indo, enfim, para o salão.
***
— E aí meus queridos, precisam de alguma ajuda de última hora? Só agora consegui me desocupar do escritório. — Maribel entra, acompanhada do marido, pela porta dos fundos, falando.
— Agora? — Rachel pergunta parando de colocar a mesa para o almoço e olhando para a tia.
— Olha Rachel, se for grossa com minha mãe eu vou realizar a fantasia de todos aqui e fazer picadinho de você... será o prato principal amanhã na festa e ainda faço um molho doce como acompanhamento pra quebrar o azedo que você é.
— Calma cariño, Rachel não foi grossa comigo, ela não seria tão louca a esse ponto. Certo Rachel? — a latina mais velha se vira para olhar para a baixinha que ficou sem reação.
— C-certo tia. Desculpa.
— Ok, tudo em ordem então, mas e aí, precisam de ajuda?
O almoço foi tranquilo, talvez pela presença de Maribel. Rachel havia ficado com medo da tia, sabia que o gênio da amiga era uma pequena porcentagem do gênio da mãe, então resolveu relaxar... totalmente de livre e espontânea pressão... coisa que ela vinha fazendo com todos.
Com os ânimos mais relaxados, o trabalho passou a fluir mais agradavelmente e assim as horas foram passando, tranquilas, com todos mais soltos e alegres, afinal era assim que deveria ser a véspera da festa, um clima agradável para todos, mas... (claro, sempre tem um mas)... como nem tudo são flores as garotas se distraíram com o tempo e perderam a hora no salão.
— O que faremos agora? Amanhã não teremos tempo e muito menos o salão terá como encaixar nós três de última hora.
— Filha, pra tudo tem um jeito, se não der pra se arrumarem no salão damos um jeito aqui em casa mesmo. — Hiram tentava acalmar a filha.
— Mas pai, isso é uma catástrofe.
— Credo Rach, do jeito que fala parece que vocês quatro são desse tipo que são largadas, que nem banho tomam.
— Ah Noah, não me enche.
— Qual o último dia que vocês fizeram as unhas? — Blaine pergunta, calmamente como sempre.
— Há séculos. — ela responde impaciente.
— Quarta-feira. — a esposa paciente da baixinha responde ao amigo.
— Deus do céu... realmente isso é o fim do mundo. Ficar três dias sem fazer as unhas é "UÓ". — Noah se levanta de seu lugar onde estava verificando os talheres para o dia seguinte e sai rebolando, numa imitação péssima de um gay desses bem caricatos.
— Nossa filho, você não leva o menor jeito pra isso. — Leroy diz sério. — Mas te amamos mesmo assim.
E o clima de descontração volta... até Rachel acaba caindo na risada.
— Acho que tenho uma solução, para o problema de vocês. — Maribel se pronuncia. — A prima da minha secretária tem um salão e ela é uma ótima profissional, ela e o marido na verdade, arrumei o cabelo um dia no salão deles e ficou incrível. Posso tentar ver com minha secretária, acabei perdendo o número do salão, e para não darem com a cara na porta, ligamos antes para saber se tem horário para vocês três. O que acham?
— Perfeito mãe, tudo que for possível fazer para que eu não precise matar a Rachel caso ela tenha mais um ataque é válido.
— Santana. — Maribel a repreende. Não tinha pra que cutucar a onça.
— Ok, desculpa anã de jardim.
— Está desculpada sua peste.
— Como o amor entre elas é lindo. — Quinn fala com a mão sobre o peito, fingindo emoção.
— Palhaça. — Rachel e Santana falam juntas.
— Olha aí a sintonia entre elas. Acho bom tomarmos cuidado prima, vai que elas resolvem ficar juntas e nos abandonar.
— ECA! — novamente as duas falam juntas, após uma breve troca de olhares.
— Não estou dizendo?! Se elas falarem "se eu fosse você", ferrou de vez. — termina fingindo espanto. — Não falem, por favor não falem. Santana até que é jeitosinha, mas não faz meu tipo.
— Muito menos a Rachel faz o meu. — Brittany entra na brincadeira.
— Nossa santa protetora das festas de gays lindíssimos como nós... que esse clima leve se estenda para o dia de amanhã. Amém. — Leroy fala baixinho de olhos fechados.
— Credo pai, isso é viadagem demais até pra você. — Rachel diz rindo e todos entram na onda.
E a noite termina assim, com um clima agradável... e depois de tudo resolvido para o dia seguinte, tudo adiantado ao extremo, eles vão dormir um pouco mais cedo, para acordarem dispostos e lindos para o grande dia.
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