os sentidos do amor
41 Capítulo 41 – decisões
Notas iniciais
— Com licença? — Quinn pedia dando batidinhas na porta do quarto onde Brittany e Santana estavam e já a abrindo.
— Quinn. — Santana se adianta. — Me perdoe por mais cedo, eu não estava pronta para... eu não soube o que fazer quando vi minha mãe e perdi o controle, mas eu quero ficar e enfrentar, quero resolver as coisas... — ela diz essa última parte olhando nos olhos da bailarina que está ao seu lado, sentada da cama, segurando sua mão.
— Tem certeza amor?
— Tenho sim, eu preciso ver onde isso pode dar. Passei minha vida longe da minha mãe, longe da minha família toda... a única família que sempre tive foi a Rachel e só tive por que ela me amou o suficiente pra não deixar que eu me afastasse... só que isso não é tudo, ela não conseguiu preencher o vazio que minha família deixou aqui... — para uns instantes com a mão no peito, tentando alcançar o coração já tão machucado e as loiras veem uma lágrima descer pela pele morena. — O vazio que meu distanciamento ocasionou. — completa reconhecendo sua culpa. — Só eu fui culpada por isso, minha mãe por mais carinhosa que fosse comigo não tinha como saber reagir a todas as grosserias e a meu jeito fechado, afastando todos e ela principalmente.
— Meu amor, você não teve culpa de nada! Você foi uma vítima daquele monstro e tudo que aconteceu depois foi consequência do abuso que você sofreu. Você era uma criança, inocente, indefesa e mesmo assim conseguiu ser madura o suficiente para proteger sua família, pra evitar que eles fizessem uma loucura no momento da raiva caso descobrissem o nojento que aquele cara era... era você que precisava de proteção. Você não teve culpa de nada, você é a vítima amor.
Quinn ainda parada perto delas assistia a cena chocada com o que sua mente estava processando da conversa das duas.
Brittany termina de falar e abraça Santana apertado se refazendo da emoção, ao se virarem para a loira parada em sua frente a encontram com lágrimas descendo pela face rosada, braços cruzados na frente do peito e um olhar de compaixão para a morena, e só aí elas percebem que acabaram de contar para Quinn sobre o que aconteceu no passado de Santana.
— Quinn a San foi abu...
— Eu entendi... não precisa falar nada, eu entendi. — ela pronuncia interrompendo a prima sem nem tentar conter as lágrimas que num momento assim são impossíveis de se segurar.
— Me desculpe, eu não...
— San, olha pra mim. — a loira pede se ajoelhando na frente da morena. — Você tem um coração lindo, Santana, uma alma pura, uma personalidade forte o suficiente pra não ter deixado uma atrocidade como essa destruir sua vida. Você está aqui hoje, na casa ao lado daquela que um dia foi sua, sufocada com todas essas lembranças, mas está firme, decidida a enfrentar tudo, querendo retomar com sua mãe uma ligação perdida já há muito tempo. Isso só me faz te amar ainda mais, só me faz te olhar com muito mais carinho e admiração. Você é a pessoa mais forte que eu conheço, pois passou por tudo calada, sozinha.
— Eu não... não sei o que... só... obrigada. — a morena responde tímida.
— Me diz o que eu posso fazer pra te ajudar, San. — pergunta carinhosamente a loira de olhos verdes a sua frente.
— Eu só quero... — solta um leve sorriso. — Na verdade agora a única coisa que quero é comer... estou morrendo de fome.
— Foi isso que eu vim fazer aqui, chamá-la para almoçarmos, mas antes... levem o rosto, respirem, se acalmem que eu vou fazer o mesmo e as encontro lá embaixo. — Quinn fala dando um beijo no topo da cabeça da morena.
As três se levantam prontas para irem, mas Brittany se lembra, mais uma vez do pedido de sua sogra.
— Amor, eu tenho uma coisa pra te contar antes. — a loira solta um pouco insegura.
— Vou deixá-las sozinhas.
— Não Quinn, tudo bem, fique. — Brittany diz tensa querendo a companhia da prima como apoio.
— O que foi amor? — Santana pergunta preocupada sentindo o nervosismo na bailarina.
— Sua mãe veio falar comigo assim que chegamos aqui e ela... ela...
— Fala amor... o que ela queria?
— Ela me pediu para encontra-la hoje em sua casa.
— Pra quê? — Quinn pergunta entrando no assunto.
— Não disse, mas parecia aflita... e tem mais... ela me pediu para não te falar nada sobre, mas eu não podia fazer isso com você, não podia te esconder isso.
— Agradeço por isso amor, por não trair minha confiança, mas... o que você pretende fazer?
— Eu não sei, fiquei preocupada com ela, mas se você não quiser que eu vá, eu não vou.
Elas ficam em silêncio pensando no que fazer, quando Quinn resolve falar:
— Por que a gente não volta lá pra baixo almoça primeiro e depois vocês decidem sobre isso, mas Britt... eu acho que você deve ir ver o que ela quer.
— Sério, e por quê? — Santana pergunta.
— Você está aqui, decidida a enfrentar seu passado e pelo que Britt disse, sua mãe estava aflita, quem sabe essa conversa possa ajudar na aproximação de vocês.
— Você quer ir amor? Se não quiser não precisa, ninguém vai te obrigar a nada.
— Eu fiquei curiosa pra o que ela quer conversar comigo.
— Então está bem, a gente almoça, faz alguma coisa juntas e no final da tarde você vai, tudo bem assim?
— Sim amor, mas e você, vai ficar fazendo o que?
— A gente sai um pouco. Tenho certeza que Rachel deve estar querendo andar pela cidade e levamos Santana junto com a gente enquanto você vai conversar com sua sogra. — Quinn falava tranquilizando a prima e concluindo o assunto. — Mas agora vamos ou Rach daqui a pouco vem aqui gritar com a gente. — termina divertida cortando o clima tenso e elas seguem para a sala de jantar.
***
O almoço em família seguiu animado... todos estavam preocupados com as emoções que cedo ou tarde acabaria atingindo não somente Santana, mas a todos, e tentavam ao máximo distrair-se disso. Rachel e Leroy ainda não sabiam que tipo de emoções era, mas conviveram de perto com a morena em todo seu drama e sabiam que para ela estar ali, perto da família era uma coisa difícil, era um resgate de um tempo perdido, de um sentimento que esse tempo trancou no peito não só dela, mas da família toda.
— Eu estava com saudade de momentos como esse. — Santana fala tímida olhando para os Srs Berry.
— Nós é que sentimos sua falta, minha querida. — Leroy completa carinhoso.
— E esperamos que daqui pra frente tudo seja melhor... um brinde a isso, a esse momento, essa saudade que estamos matando. — Hiram diz se levantando com uma taça na mão e todos o seguem.
Santana sente em seu peito que a partir daquele momento as coisas serão sim como o senhor acabara de dizer... tudo seria melhor, mas isso dependia de sua coragem para ter uma conversa sincera com sua mãe.
Terminam o almoço com um papo descontraído...
— Agora nossas princesas vão pra sala assistir alguma coisa enquanto os homens da casa arrumam tudo, e mais tarde temos a sobremesa preferida da nossa menininha. — Leroy diz para as quatro e Rachel já se anima imaginando o que os pais prepararam para eles.
— Torta holandesa? — pergunta batendo palmas como quando era criança, já aguardando ansiosa pelo momento.
— Já estou vendo os quilos que iremos ganhar nesses dias aqui. — Quinn fala divertida se levantando da mesa.
— Isso mesmo, mas agora para a sala que daqui a pouco as encontramos.
— Que tal assistirmos Marujos do amor? Meus pais e eu passávamos o fim de semana todo em maratona de Gene Kelly, assistindo os grandes clássicos da MGM. — a baixinha já se animava, mas...
— Tenho uma ideia melhor. — a esposa a interrompe, deixando-a um pouco frustrada. — Vamos dar uma volta pela cidade, e mais tarde fazemos essa maratona todos juntos, o que acham?
— É até melhor assim, pois aproveitamos para mostrar a cidade pra Brittany, já que é sua primeira vez aqui.
— Não amor, a Britt tem outra coisa pra fazer. — Rachel e os pais olham curiosos esperando uma resposta de uma das duas, mas quem se pronuncia é Santana.
— Minha... mãe... — ela fala engolindo seco ao sentir a palavra saindo dos lábios. — quer conversar com ela e nós achamos que ela deve ir.
O seis ficam uns segundos em silêncio... todos estavam meio tensos com esse pedido de Maribel, mas nenhum deles pensava que a latina poderia fazer algum mal a Brittany... será que estavam certos?
— Olha Brittany, pode ir sem medo... tenho certeza que Maribel tem coisas muito importantes para dizer a você e lhe tratará com o maior carinho do mundo. Fique tranquila, e você também Santana. Podem ir dar o passeio de vocês sossegadas que eu mesmo a levo na sua mãe e qualquer coisa é só voltar para cá que estaremos te esperando, ok? — Hiram se pronuncia, falando diretamente com as duas, tranquilizando-as.
— Tudo bem então, obrigada tio. — a morena agradecida dá um meio abraço no senhor que a olha carinhosamente.
— Eu espero vocês saírem e vou em alguns minutos. — a bailarina diz tentando passar segurança para a namorada, mas ela não se sentia segura e Santana percebia isso.
— Tudo bem amor, qualquer coisa me ligue que eu volto correndo. — dizia de frente para a namorada, segurando firme em suas mãos, tentando mostrar que estava bem com isso, mas a loira a sentia tremer.
Todos estavam tensos, impossível ser diferente, mas mesmo assim seguiram com o combinado... Quinn, Rachel e Santana foram dar uma volta pela cidade, enquanto que Leroy, Hiram e Brittany ficaram em casa por mais alguns minutos.
Cada um dos seis tinha no pensamento milhões de preocupações, mas estavam juntos, unidos como uma família deve ser, e essa certeza do amor que os uniam é que lhes dava forças para seguirem.
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