os sentidos do amor

42 Capítulo 42 – verdade


Notas iniciais
Este capítulo é separado por cenas e não tem uma sequência cronológica exata, já que as cenas acontecem meio que ao mesmo tempo. Espero que gostem. Beijos PS: eu ia dividir esse capítulo em dois, mas minha amiga loira linda Laila disse não gostar muito dessa maldade, então eu mudei de ideia... agradeçam a ela ;-) PS²: Palloma... como você pediu as duas conversas estão aí.

Santana ia pelas calçadas da cidade ao lado de Quinn e Rachel, mas era como se não estivesse ali. Seu pensamento não estava naqueles passos que ela dava, ele era total em Brittany e em sua mãe.

Fala alguma coisa. — Rachel gesticulou com os lábios, formando as palavras, mas sem produzir som.

Falar o que? — Quinn pronunciou da mesma forma.

Eu não sei.

O silêncio já estava incomodando o casal e Santana continuava seus passos para lugar nenhum.

— Estou pensando em não esperar a sobremesa. Que tal tomarmos um sorvete? — a loira disse a primeira coisa que lhe veio à mente.

— E cabe? — Rachel pergunta arregalando os olhos.

— Claro que cabe.

— Não foi você que reclamou que iria engordar?

— Não reclamei amor, apenas constatei. — responde sorrindo.

— O que você acha Santana? — silêncio. — Santana? — Rachel aumenta um pouco o tom de voz ao chamá-la novamente.

— Eu acho que não devia tê-la deixado sozinha. Vou voltar.

— Santana não, por favor.

— Rachel... o que minha mãe pode querer com ela que eu não possa saber?

— Tem certeza San?

— Tenho sim Quinn. Talvez eu chegue antes que ela saia.

— Ok então, vamos voltar. — a loira fala.

— Não, podem continuar.

— Mas San...

— Rach, tudo bem, ela tem razão. Vamos deixá-la voltar sozinha já que ó o que ela quer.

— Tudo bem então, se vocês acham melhor.

— Sim Rach.

— Mas qualquer coisa nos ligue, ok? — Quinn diz.

— Ok. Tchau.

Santana se vira e volta pelo mesmo caminho, mas dessa vez seus passos são apressados, quase uma corrida. Será que ela voltaria a tempo de pegar Brittany ainda na casa dos Srs Berry?

***

Brittany permaneceu parada no mesmo lugar, vendo a porta se fechar atrás de Santana. Ela não sabia o que pensar. Não estava com medo por pensar que Maribel lhe fizesse alguma mal, seu medo era pela situação, por estar sozinha com uma pessoa desconhecida sendo que essa pessoa era mãe da sua namorada e elas não tinham contato há anos.

— Não tenha medo minha querida. Maribel é um amor de pessoa. — Leroy tentava tranquilizá-la.

— Ela pode ter alguma coisa pra contar sobre Santana. — Hiram tentava preparar a loira caso Maribel fosse falar sobre o passado dela, mas ele não sabia que a loira já sabia de tudo.

— Eu conheço a Santana, ela é o amor da minha vida, a amo acima de tudo e nada nesse mundo me fará vê-la de outra forma, eu a admiro pela pessoa que ela é, pela personalidade dela, pelo que conseguiu na vida e conseguiu sozinha.

— É isso que você deve mostrar a Maribel, esse carinho que tem pela filha dela. Seja sincera e deixe que ela também seja. Tenho certeza que tudo ficará bem. — Hiram dizia parado em sua frente, orgulhosa da loira por ela não ter vergonha ou medo de demonstrar seus sentimentos para eles.

— Está bem, obrigada... eu vou lá então.

— Nós vamos, prometi a Santana que eu mesmo te acompanharia.

Em seu coração Brittany sentia o nome da namorada gritando, e era isso que lhe dava coragem. Ela faria qualquer coisa para ajudar Santana a se aproximar da mãe... e com esse amor incondicional ela segue ao lado do senhor gentil.

***

— Acha que foi uma boa ideia termos deixado Santana voltar sozinha?

— Tenho sim amor. A Santana encontra sua força na minha prima e tenho certeza que o amor que uma sente pela outra vai ajudar Santana a esquecer de tudo que... tudo que passou na infância. — termina de dizer com lágrimas se formando e isso deixa a morena preocupada.

— Amor o que foi? — Pergunta preocupada. — Você sabe de alguma coisa que eu não sei.

— Vem amor, vamos nos sentar num lugar sossegado e eu vou te contar tudo.

Rachel a abraça já nervosa pelo que pode ouvir da esposa e preocupada com o estado que ela ficou de repente.

***

— Tudo ficará bem, acredite em mim. — Hiram dizia para Brittany segundos após tocar a campainha da casa de Maribel.

Quando a porta é aberta os três ficam uns segundos em silêncio apenas se olhando, se estudando, mas a senhora acaba falando:

— Obrigada Brittany por vir, pensei que não iria querer ou não iria conseguir se afastar de... e obrigada meu amigo por trazê-la.

— Não me agradeça, apenas cuide bem dela, ok?

— Como se fosse minha fi... — ela para antes de completar a frase e baixa olhar triste.

— Você está bem, Bel? — o amigo pergunta preocupado.

— Estou sim, não se preocupe. Entre Brittany.

— Ok então, já vou e qualquer coisa estou em casa, é só chamar... isso vale para as duas.

E assim ele segue de volta para casa deixando as duas sozinhas.

Brittany ao ver a porta se fechando sente o coração disparar e Maribel se sente da mesma forma.

***

Ao virar a esquina da quadra onde a mãe morava, Santana vê Brittany entrando e se esconde atrás de uma árvore para não ser vista pelo senhor que fica do lado de fora. Ela sabe como a mãe é, pelo menos acha que sabe, mas nesse momento não sabe o que pensar e um medo lhe toma por saber que a namorada está dentro daquela casa que em vez de ter sido seu lar, foi o cenário de seu pior pesadelo.

***

— Oi meu querido. Elas ficaram bem? — Leroy pergunta ao ver o marido adentrando a cozinha.

— Sim. — o outro responde baixo.

— Que bom. Então vamos terminar a louça enquanto você me conta o que ia falar antes do almoço.

— Deixa a louça para depois e vem pra sala comigo. — pede ao marido que sente pelo seu modo de falar, que ele está nervoso.

***

Quinn e Rachel caminharam em silêncio até uma praça que ficava a beira de um lago e se sentaram no mesmo banco onde costumavam ficar quando queriam namorar vendo o pôr do sol, mas agora ali o que a loira sentia era completamente o oposto daquela leveza de tantas outras vezes que estivera naquele lugar.

— Você está me deixando mais aflita amor. Fala o que aconteceu, por favor.

***

— Sente-se Brittany, fique à vontade. — a latina fala assim que fecha a porta e se vira para a loira.

A bailarina se senta numa poltrona ao lado de uma mesinha que tem uma foto de um aniversário, onde ela vê um bolo em formato de bailarina e uma Santana com o dedo no que seria o cabelo da bailarina.

— Foi quando ela fez cindo anos. — a senhora fala naturalmente vendo o interesse de Brittany pela foto. — Nessa época ela só falava em ballét, mas não em dançar, ela apenas gostava de vê-las dançando, dizia que as bailarinas loiras eram lindas. Rachel fazia aula na academia no centro da cidade e Santana sempre ficava na porta de casa esperando dar o horário para ir junto com ela. A professora no começo estranhava, insistia para que ela participasse das aulas, mas ela dizia que queria ficar assistindo, então ela sempre deixava e minha Santana se sentar lá num cantinho da sala encostada no espelho, embaixo da barra e ficava admirando, quietinha.

— Deve ter sido uma fase boa.

— Sim, foi sim, pena que durou tão pouco. — ela fala triste sob o olhar da loira a sua frente, sentindo lágrimas se formarem e tentando inutilmente contê-las.

— A senhora está bem?

— Estou sim minha querida, só um pouco... nervosa. — dizia limpando o rosto com o dorso da mão.

— Por que pediu para conversar comigo? — Brittany apesar de também estar nervosa, pergunta firme.

***

— Como era na casa da San? Era ela, a mãe e o pai ou tinha mais alguém? — Quinn pergunta após ter ficado sentada em silêncio refletindo em como dar uma notícia assim para alguém que além de ser seu amor, sua maior preocupação, era também a pessoa que cresceu com Santana, a única que esteve sempre à seu lado.

— Quando meus pais e eu nos mudamos pra casa ao lado eram só os três sim, mas um ou dois anos depois um irmão de Antônio, o pai da San, se mudou para lá. Não lembro direito por que, acho que a empresa dele havia falido e ele precisou vender tudo que tinha, inclusive a casa para poder pagar as dívidas.

A loira fica um tempo quieta tentando se lembrar se percebia alguma indicação da conversa que presenciou entre Santana e Brittany... não podia acusar uma pessoa sendo que nem sabia quem era essa pessoa. Pensar que o próprio pai pudesse fazer uma crueldade assim com a filha era terrível, mas pensar que o tio pudesse, era tão chocante quanto.

— Quinn, por favor amor, está me enlouquecendo, o que importa quem morava com eles?

— Santana foi... — lagrimas lhe descem a face e soluços a impedem de falar.

— Está me assustando amor.

— Ela foi violentada quando criança. — fala de uma vez, olhando para o chão, como se estivesse vomitando as palavras e à sua frente Rachel sente-se enjoada e corre para a lixeira próxima, não conseguindo segurar o almoço no estômago.

***

Após respirar profundamente Hiram continua do ponto que parou mais cedo:

— Quando eu fui visitar Maribel no hospital ela estava transtornada... começou falar que havia sido uma péssima mãe, dizia se odiar, que devia ter cuspido no caixão de Ricardo... ela estava descontrolada. As enfermeiras tentaram me tirar do quarto, mas eu implorei pra ficar com minha amiga e elas deixaram. Acabou que lhe deram um sedativo e ela conseguiu se acalmar um pouco, ficou meio grogue, mas continuou falando.

— Não estou entendendo, por que ela disse que deveria ter cuspido do caixão do cunhado?

— No dia que sofreu o acidente, ela havia passado a manhã separando as coisas dele, o tinham enterrado dois dias antes e ela queria poupar o marido de fazer isso, então esperou Antônio sair para trabalhar e foi separar as coisas todas, roupas para doar, livros... essas coisas, mas acabou encontrando umas fotos de algumas garotas... ela me mostrou essas fotos depois, as garotas aparentavam de 7 a 14 anos, mais ou menos, eram coisas tiradas da internet eu acho... e essas garotas estavam sendo... violentadas.

— Que horror! — dizia chocado.

— É pior... — para um instante tomando coragem para continuar. — Junto com essas fotos tinha uma espécie de diário e nele ele escreveu coisas que havia feito antes de morar aqui... nome, idade e alguns detalhes de coisas que fez com outras garotas.

— Deus... e nossa princesinha teve contato com esse monstro.

— Ele nunca fez nada com ela, mas...

— Mas...? — pergunta já muito mais preocupado.

— Santana morava sob o mesmo teto.

Nesse momento Leroy entende o que aconteceu e diz com a voz embargada:

— Ele abusou dela? — recebe um aceno de confirmação do marido. — A própria sobrinha? Isso é... monstruoso, já era de qualquer forma, mas a própria sobrinha? Diz que é mentira?! — pergunta já com as lágrimas lhe descendo pela face.

— Eu mesmo li algumas coisas que ele detalhou... ele... ela... Santana estava aqui brincando com nossa filha, crescendo junto com ela... tudo aconteceu na nossa cara e não percebemos... preferimos pensar que Santana estava se tornando uma criança, uma pré-adolescente rebelde.

— Isso é um pesadelo.

— É pior que isso... aconteceu de verdade e foi com alguém próximo a nós e não... nós não a protegemos.

Leroy ainda chocado com a bomba já detonada que lhe foi entregue viu no marido a dor que este sentia por ter guardado isso por vários meses, a dor de se sentir impotente, de sentir que falhou, a dor que ele também estava sentindo e, olhando para ele deixou-se entregar ao pranto, como o homem à sua frente já havia se entregado quando começou a narrativa.

***

— Brittany... eu quero lhe pedir um favor. Quero que tire Santana daqui, que a leve embora, que não permita mais que ela volte e que... que cuide dela como eu não... como eu não fui capaz de cuidar.

— Maribel, a San é a melhor pessoa que conheço nesse mundo, a mais forte, mais determinada, mais tudo... ela é perfeita... e sei que me ama mais que tudo nesse mundo, assim como eu a amo, mas nem eu poderia ser capaz de dizer o que ela pode ou não fazer. Ela está aqui porque quer estar.

— Brittany, você não está entendendo. EU NÃO A QUERO AQUI! — diz quase gritando.

***

— Rach, amor... tenta ficar calma... me perdoa por ter contado isso assim. — a loira dizia desesperada por ver sua esposa escorada na lixeira, vomitando, chorando, tremendo...

Algumas pessoas olhavam de longe, outras se aproximavam oferecendo ajuda... não era um lugar de muito movimento, só ia mesmo ali pessoas que queriam sossego.

Um casal de senhores se aproxima e a mulher fala para Quinn:

— Moramos aqui perto, venham conosco... vocês se acalmam e depois as levamos para casa se quiserem.

— Não precisa. Obrigada. — Quinn responde dispersa sem nem olhar para a senhora que falava com ela.

— Venha comigo o homem falava amparando Rachel que já mal se aguentava em pé e, sem conseguirem resistir elas acompanham os senhores por algumas dezenas de metros até sua casa.

Dentro da casa o senhor lhes indica o banheiro enquanto a senhora vai para a cozinha preparar um chá. Rachel chorava incontrolavelmente, não falava nada e Quinn não sabia se lhe abraçava, se falava alguma coisa... estava perdida por ver sua esposa daquela forma.

— Tomem o chá, lhes fará bem. — a senhora volta minutos depois e lhes oferece duas xícaras, parada na porta do banheiro que ninguém se lembrou de fechar.

***

— Parece que eu acabei de sair de uma sessão de tortura. — Leroy falava soltando as palavras sem direcioná-las ao marido. — Meu corpo todo dói... é cruel demais tudo isso.

— Sim, é uma atrocidade.

— Como ela não contou isso pra ninguém? Como aguentou calada?

— Só vamos saber disso se um dia ela nos falar, mas isso não importa, eu só quero que ela esqueça, é a única forma de se livrar dessa dor... esquecendo.

— Acha que é sobre isso que Maribel que conversar com Brittany?

— Pode ser que sim... talvez pedir para que ela tenha com Santana a paciência que ela não teve. Eu só sei que Maribel nunca faria mal a ela.

— Como será que Brittany vai reagir a isso?

— Vamos torcer para que ela... nem sei, mas vamos torcer para que tudo fique bem.

— Vem meu querido, vamos pra cozinha tomar um chá e esperar nossas meninas voltarem. — Leroy fala estendendo a mão ao marido. — Espero que Santana esteja se divertindo com nossa princesinha e com Quinn, pois pode ficar um pouco tenso dependendo de como Brittany voltar.

— Acho melhor... vou ligar para Quinn pra saber como estão as coisas por lá.

***

— Sente-se melhor? — a senhora pergunta carinhosamente, minutos depois, quando já estavam sentadas no sofá da sala.

— Sim, obrigada e me desculpe pelo trabalho que demos a vocês.

— Não se desculpe, você não passou mal porque quis, certo? — a mulher dizia tentando distrair Rachel que embora tentasse emboçar um sorriso ainda estava meio pálida.

— Você não está se lembrando de mim, não é? — o senhor fala se sentando ao lado da esposa.

— Desculpe, mas não.

— É sempre assim, cuidamos de vocês e nos esquecem depois. — ele diz sério, mas acaba sorrindo depois, se levanta e vai até o escritório deixando as duas confusas olhando para a senhora e volta segundos depois com um porta retratos com ele aproximadamente uns quinze anos mais novo e uma Rachel de trancinhas sentada na maca de um consultório médico.

— Dr Joseph?

— Eu mesmo. Seu primeiro pediatra aqui na cidade.

— Na verdade o único, já que meus pais nunca quiseram outro por confiar tanto no senhor.

— Não era bem assim. — ele fala sorrindo. — Você nunca deixou outro médico te atender... chorava, se agarrava em seus pais e eles acabavam marcando comigo em outro dia.

— Ela continua difícil assim... — Quinn fala, mas é interrompida pelo seu celular que toca. — Com licença, avisa se levantando ao ver o número da casa dos sogros.

“oi Hiram.”.

“Está tudo bem aí com vocês?”.

“Agora sim.”. — ela diz aliviada olhando para a esposa um pouco mais corada. — “Santana está bem, Brittany já voltou?”.

“Como assim Santana está bem? Ela está com vocês, não está?”.

“Não, ela voltou nem cinco minutos depois que saímos.”.

“Mas ela não veio pra cá.”. — pronuncia preocupado.

“Estamos voltando.” — finaliza a ligação preocupada com a amiga. — Santana não voltou pra casa. — a loira dizia aflita para a esposa.

— Desculpem mais uma vez e obrigada por tudo, mas precisamos ir. — Rachel falava já se encaminhando para a porta.

— Eu as levo, e não aceito não como resposta.

No pequeno trajeto feito de carro Quinn tentava falar com a morena, mas seu celular sempre caía na caixa postal, deixando-a cada vez mais aflita.

Chegaram em casa alguns minutos depois, despediram-se do antigo médico de Rachel e entrando encontram os pais no mesmo estado de aflição.

***

— Como assim você não a quer aqui? Ela é sua filha. Que tipo de mãe diz não querer a filha por perto? — Brittany dizia meio perplexa.

— Eu não posso vê-la aqui, não tenho coragem de encará-la. Não cuidei dela quando eu devia, era meu dever protegê-la e eu não o fiz. Ela deve me odiar. Não vou suportar ser desprezada por ela. — a latina dizia alto, descontrolada, tentando fazer Brittany entender. — Eu preciso que a afaste de mim, que cuide dela por mim.

Brittany só agora compreende a aflição da mulher.

— Sua filha te ama, Maribel, ela veio...

— Ela não me ama, eu não fui uma boa mãe pra ela.

— Sabe o que a San fez assim que chegamos aqui?

— Sei, ela fugiu de mim, não aguentou me ter por perto.

— Quase isso. — diz se levantando e indo se sentar ao lado da sogra. Ela a olhava admirada, pois ali naquele momento era como se visse uma Santana mais velha, tamanha semelhança. — Ela realmente fugiu de perto de você, mas foi por medo de dizer o que sentia, medo de dizer que sentia a falta da mãe dela, medo de ser rejeitada.

— Eu nunca a rejeitaria... — para uns segundos refletindo. — Não de novo. — e mais uma vez termina uma frase se entregando ao pranto, com soluços incontidos preenchendo o ar... segundos depois ela continua: — Brittany preciso te contar uma coisa, mas lhe imploro que não abandone minha... Santana não pode ser desprezada novamente.

— Maribel eu sei o que...

— Me deixe terminar, por favor... — pede olhando para a loira. — Um tio da Santana... — ela tenta, mas a voz lhe fala.

— Eu já sei sobre o que esse cara fez com ela.

— Sabe? — a senhora lhe olha surpresa.

— Sei, ela me contou... e depois disso eu entendi tudo.

— Como assim?

— Eu conheci a San há pouco tempo, e me apaixonei logo de cara, mas ela era muito arredia...

A loira ficou lá contando para a sogra como tinha sido com Santana, contou também que isso só aconteceu por causa de Rachel e Quinn. Ao final da narrativa encontrou admiração no olhar da mulher.

— Brittany, você é um anjo que a vida deu de presente pra minha filha... eu só tenho a lhe agradecer por isso, por ter sido tão paciente com ela e por estar ao seu lado mesmo quando ela fingia não querer.

— Eu amo sua filha, incondicionalmente... simples assim. — dizia emocionada por poder declarar seu amor para sua sogra.

— E é por isso que eu lhe peço que a leve daqui. Esse lugar nunca fez bem a ela, eu nunca fiz bem a ela. — ela dizia triste, mais uma vez constatando que falhara no seu papel como mãe em proteger sua prole.

— Maribel, me ouve com atenção. — a bailarina pede colocando a mão sobre a da senhora que as mantinha juntas, movimentando-as nervosamente. — A Santana quer estar aqui, ela sente sua fala, te quer fazendo parte da vida dela, da nossa vida... ela quer que se orgulhe da mulher forte que ela é, que ela sempre foi, mesmo tendo passado por todo aquele horror.

— Eu tenho medo Brittany, acho que lá no fundo ela deve me odiar... quem não odiaria uma mãe que deixou a filha passar... eu não... nunca estive...

Eu não te odeio mãe.

Elas ouvem a voz de Santana vindo de algum lugar perto, atrás delas, e quando olham para a direção da cozinha a morena está lá parada, meio escondida na penumbra do cômodo apagado. Ficam uns segundos em choque sem saber o que fazer... mãe e filha estão inertes e Brittany olha de uma para outra, se levanta do sofá, caminha até a namorada, lhe dá um beijo na bochecha, e a traz pela mão até a sala, para perto da sua mãe.

— Você...

— Sim mãe, eu ouvi tudo que vocês conversaram.

— Mas...

— Eu vi quando a Britt entrou e... eu entrei como tantas outras vezes que entrei pela garagem quando não... não queria ser vista.

— Filha eu...

— Está tudo bem mãe, eu...

— Não, não está nada bem, nunca esteve... eu preciso falar...

— Não precisa, eu já ouvi tudo.

— Não carinho, me deixe falar, por favor.

— Escute sua mãe San, deixe-a falar o que sente. — a loira pedia para a namorada com olhar carinhoso.

— Santana eu sempre tentei fazer meu melhor como mãe, mas eu... eu falhei, não fui o suficiente, deixei... você esteve diante de meus olhos e eu não consegui de ver... esteve em meus braços e eu não fui capaz de te segurar. Te senti escapando pelos meus dedos, mas continuei ali parada. Eu parti seu coração filha e mesmo assim você não conseguiu me odiar, e tão certo como o tempo passa é a verdade que aparece e nesse momento eu me vi pelos seus olhos... eu fracassei... devia ter te protegido e embora escutasse as batidas de seu coração e elas gritassem por socorro, eu como um tola deixei o terror te levar para longe de mim... me perdoa filha, me perdoa por não ter te salvado dele.

— Eu te amo mãe. — ela diz chorando, sentindo o peso daquelas palavras saírem enfim de seu peito. — Eu errei também, eu me calei por medo, vergonha... eu não... não fui uma boa filha... me perdoa mãe.

— Não há o que perdoar. Você é a melhor filha que alguém poderia querer ter... me orgulho muito de você. Eu te amo minha menininha.

E ali depois de tantos anos de dor mãe e filha se aproximam num abraço que começa tímido, mas que vai ganhando intensidade e elas choram, mas o choro agora é de alívio... alívio por retomarem um convívio que ficou perdido no tempo. Brittany emocionada se afasta lentamente, mas antes de chegar a porta Santana a chama:

— Amor... fica aqui com a gente.

— Sim Brittany, você é a responsável por eu ter minha filha de volta. — a senhora fala se aproximando da nora e lhe abraçando apertado.

E assim elas permanecem, as três ali na sala, tentando se conhecer, se reconhecer... deixando no passado as pancadas que a vida lhes deu.

***

— Eu não estou mais aguentando isso. — Rachel falava andando de um lado para outro, deixando todos ainda mais tensos. — Precisamos fazer alguma coisa.

— Fazer o que amor? Você quer sair pela cidade procurando Santana ou chegar na casa da mãe dela e assustar ela e Brittany falando que ela sumiu.

— Alguma coisa eu preciso fazer, ficar aqui parada é que não dá.

— Parada? — a loira dizia se referindo as voltas que a esposa dava pela sala dos pais. — Você vai acabar fazendo um buraco no chão amor. Santana está bem, tenho certeza, ela só deve estar precisando de um tempo pra pensar.

— Eu concordo com a Quinn filha. São muitas lembranças e emoções a atingindo ao mesmo tempo. — Hiram dizia ponderadamente.

— E o que vocês pretendem fazer caso a Brittany volte antes de Santana? — ela os encarava e nenhum dos três foi capaz de responder. — Chega, eu vou lá, Brittany precisa saber.

E ela sai com os outros três saindo atrás dela.

Notas finais
E aí? Sejam sinceras, o que acharam? Confesso que esse capítulo me deixou meio tensa.