os sentidos do amor
12 Capítulo 12 – preocupação, provocação, discussão
Notas iniciais
O caminho de volta ao teatro foi inicialmente tranquilo, iam caminhando pela calçada como se fossem todos amigos, e eram na verdade, a única que se mantinha distante era Santana, mas isso, os mais atentos percebiam aos poucos que estava mudando.
— Diz minha loira, por que olha tanto pra Santana? Passou o almoço todo assim, acho que até ela percebeu? — Rachel pergunta parando um pouco de andar segurando a loira pelo braço para se manterem um pouco distante da turma.
— Ninguém é assim sem um motivo amor. Alguma coisa deve ter acontecido com ela pra ela ter se tornado assim tão fria, tão dura. — Quinn falava com indignação e preocupação na voz.
— Sinceramente eu não sei, isso foi acontecendo aos poucos e só não nos afastamos, pois eu não deixei isso acontecer.
— Antes quando me contava coisas sobre ela eu pensava que ela era uma pessoa mal educada, insuportável e pronto, não queria saber os motivos, mas agora, vendo de perto, convivendo, cada dia tenho mais certeza que algo aconteceu pra ela se tornar assim.
— Eu nunca pensei nisso. — fez uma pausa, tentando lembrar exatamente quando começou perceber que a morena estava se fechando. — O relacionamento com a mãe dela foi a primeira mudança, não lembro exatamente quando, mas um dia ela me contou que haviam brigado, me deixou sem explicação, apenas veio até mim e disse isso, estava tremendo, chorando, gaguejava de tão nervosa que estava, mas eu era uma criança, nem prestei muita atenção, acabei esquecendo, mas agora pensando, deve ser alguma coisa com a mãe dela, pois foi depois disso que ela começou mudar.
— Você chegou a conversar com a mãe dela sobre isso?
— Não, continuei frequentando a casa delas normalmente, mas... ah amor, eu era uma criança... com meus pais sempre foi diferente, os dois sempre me deram liberdade pra falar sobre tudo, e também não sei como é o relacionamento entre mãe e filha, então...
— Eu sei amor, entendo você. Apenas estou curiosa e preocupada com nossa amiga.
— Nossa amiga? Que fofo isso amor. — Rachel diz emocionada, sempre quis aproximar a esposa da amiga, mas nunca conseguiu por uma ser fechada e outra um pouco teimosa.
Quinn na verdade não era teimosa, ela somente não aceitava que a esposa fosse sempre mal tratada por Santana, e isso a fazia perder a paciência e nem se dar ao trabalho de tentar entender os motivos da morena.
— Por incrível que pareça, e apesar de tudo que você já sofreu com ela... gosto dela, é uma pessoa sensível, isso não dá pra negar. Uma pessoa dura de verdade, sem coração, não trabalharia com dublagem de desenho, não teria uma insistente Rachel Berry como melhor amiga...
— Ai... do jeito que fala, parece que sou uma chata. — a morena fala manhosa virando as costas.
— Amor... olha pra mim. — Quinn segura em seu braço, fazendo a esposa se virar e olhar em seus olhos verdes à espera de que ela conserte a frase. — Rachel, você é o amor da minha vida, a pessoa mais... mais... mais chata que conheço, mas eu amo você mesmo assim, na verdade essa sua chatice é o que te torna perfeita pra mim, pois eu sou perfeita, então preciso de algo pra equilibrar essa perfeição toda. — termina de falar não conseguindo mais segurar o riso.
— Você fez feitiço pra mim, só pode, mesmo me avacalhando desse jeito eu continuo te amando... mas olha, vai precisar se redimir pra eu poder te perdoar e acabar com a greve de beijos.
— Que greve de beijos que eu não sei?
— A greve que acabou de começar uai. Acha que pode me chamar de chata na minha cara e sair impune? Não senhora. — Rachel diz decidida, cruzando os braços e dando um passo pra trás.
Quinn fica séria por uns segundos, depois se aproxima mais de sua morena, coloca uma mão em sua nuca e se aproximando de seu ouvido:
— Meus beijos vão sentir muito sua falta, mas se não os quer... — diz sussurrando, deixando seus lábios roçarem de leve a orelha da morena, vendo os pelinhos do pescoço de Rachel se arrepiarem ao sentir sua respiração provocante... se afasta devagar com cara de quem não se importa e volta a caminhar pela calçada, sabendo que Rachel não iria conseguir ir muito longe com a ameaça.
— O quê? Me provoca e simplesmente vira as costas?
Rachel apressa o passo e alcançando a loira para em sua frente, coloca as mãos nas laterais de seu rosto e sem pensar lhe toma os lábios num beijo desesperado, um beijo que demonstra todo o desejo que sente no momento. Alguns segundos depois elas se afastam em busca de ar, não se importavam nem um pouco em demonstrar o amor delas na rua.
— Estou adorando furar essa greve. — Quinn fala com a respiração ofegante, enlaçando a cintura de Rachel, trazendo-a o mais próximo que pode de seu corpo.
— Sua cachorra... sabe que não resisto a você, por isso me provoca, né?
— Sim eu sei, e adoro isso. — diz com sorriso malicioso, o que faz a morena soltar o ar num gemidinho incontido.
— Ai se não estivéssemos no horário de trabalho, te levaria pra casa e queria ver se é assim tão resistente, tão indiferente aos meus beijos.
— O mais legal de sermos chefes, é que podemos sair sem precisar dar explicações. — fala olhando nos olhos castanhos em tom de provocação.
— Ok, então...
Uma discussão as interrompe...
— Não me interessa se você não está satisfeito com o seu trabalho, se é um incompetente problema seu. Eu estou com o meu, a Brittany está com o dela e não vamos mudar nada pra agradar você. — Santana falava alterada para Kurt, parada na frente da loira, a mantendo em suas costas, pra quem olhava de longe, era como se a defendesse, e na verdade era isso mesmo.
— Eu só acho que alguns passos não combinam com o figurino. — Kurt falava baixo, morrendo de medo de ser assassinado pela morena que lhe olhava com fúria.
— O que está acontecendo aqui gente? Fiquem calmos, vamos pra academia e lá conversamos. — Quinn diz ficando entre Santana e Kurt.
O garoto baixa a cabeça e começa andar, mas Santana continua parada olhando pra ele com cara feia.
— Traga ela. — Quinn fala baixinho apenas pra Brittany escutar.
— Vamos San, a gente resolve isso daqui a pouco. — termina de falar pegando a mão da morena e lhe guiando atrás do grupo que já está praticamente na porta do prédio da companhia.
Todas as vezes que Brittany tocava em Santana, a morena sentia seu peito se encher de ar automaticamente, era uma sensação inexplicável, uma sensação de estar apaixonada... mas quando isso acontece pela primeira vez, demoramos um pouco a perceber do que se trata, e era assim que a morena se sentia, confusa em relação ao que sentia, mas bastava um toque da loira pra Santana se sentir no paraíso.
Fale com o autor