os sentidos do amor
10 Capítulo 10 – Blaine um amigo
Notas iniciais
Brittany a caminho de casa pensava se não teria sido melhor contar a Rachel sobre o quase beijo. Estava muito confusa, sentia uma ligação com Santana, o que era meio louco, pois nem se conheciam direito. Era mesmo melhor ir pra casa, dormir, tentar pensar... fazer qualquer coisa, só não podia ficar perto de Santana agora, na verdade não queria estar perto de ninguém. Chegou em casa e automaticamente foi pra cozinha beber um copo com água. Encostou-se à pia e lembrou do dia anterior. Viu surgir em sua frente a imagem de Santana, parada ao lado da mesa de vidro fumê, com a mão apoiada na cadeira de madeira preta lustrosa e acento branco. Foi se aproximando lentamente, baixou o olhar para colocar o copo sobre a mesa e quando o elevou novamente encontrou a cozinha vazia. Por mais difícil que fosse ficar na companhia, perto da morena, perto das pessoas lhe perguntando o que havia acontecido, por que estava triste... ficar em casa, lembrando da morena, sonhando com ela... era pior. Resolveu voltar, dançar sempre lhe abriu a mente, lhe aliviou o coração.
***
Mais uma vez no estacionamento um encontro inesperado.
Santana foi ao carro buscar umas partituras e encontrou a loira sentada, mãos no volante, olhos fechados, era uma cena bem parecida com a de manhã. Ficou parada olhando os raios de sol bater nos cabelos loiros, lhes dando vida, a leve brisa esvoaçando alguns fios. Era como se estivesse espiando um anjo em toda sua pureza. Nunca havia visto tamanha beleza, não cansava de olhar pra ela, mas num momento despertou e resolveu se aproximar.
— Brittany... tudo bem? Está indo embora?
— Acabei de chegar.
— Não te vi saindo.
— Eu não queria que ninguém visse. Fui em casa, mas decidi voltar.
— Olha, sobre meu comportamento na reunião...
— Vamos esquecer isso ok? Não precisa pedir desculpa, eu não fiquei chateada, e acho que Rachel também não ficou então vamos apenas fazer nosso trabalho, e tudo se ajeita. — a bailarina disse decidida, estava sim chateada, mas não deixaria Santana saber, e não deixaria isso lhe afetar.
— Mesmo assim desculpa.
— Ok San, digo... Santana.
— Pode me chamar como quiser Brittany. — a morena sempre se deixava levar quando estava sozinha com a loira, mas perto de outras pessoas era seca, estúpida...
— Vamos então? — a loira pergunta ainda de dentro do carro, olhando para Santana que estava parada encostada na porta; mãos sobre o vidro que não foi totalmente aberto; impedindo sua saída.
— Desculpa... — diz com um sorriso envergonhado. — Vamos sim, mas quero conversar com você, na verdade com Rachel também.
— Vamos à sala dela então?!
***
Fizeram o caminho em silêncio, olhando-se às vezes, mas desviando em seguida o olhar para o chão com um sorriso tímido.
Chegando à sala, elas encontram Rachel, Quinn, Kurt e Blaine. Estavam vendo os esboços dos figurinos.
— Eu disse Kurt que confiava em você... estão perfeitos. — Rachel falava admirada.
— Estão mesmo, você é um ótimo estilista Kurt, agora só precisamos...
Quinn ia continuar, mas vê as duas paradas a porta esperando o momento pra interromper a conversa. Por debaixo da mesa procura a mão de Rachel, enlaça seus dedos e aperta forte, ela precisava desse contato pra não voar no pescoço da morena, não aceitava que Rachel sempre defendesse Santana dizendo que esse era o jeito dela... Quinn não aceitava, pois Rachel sempre terminava magoada, passava depois, mas ela sempre sofria com o jeito da amiga, e Quinn odiava não poder fazer nada. Era uma pessoa super controlada, sensata, mas o que a tirava do sério era ver sua morena e sua prima sendo maltratadas.
— Calma! — Rachel fala baixinho em seu ouvido se aproximando e lhe dando um beijo na bochecha logo em seguida.
— Estrelas! — Kurt fala eufórico. — o figurino de vocês já foi desenhado, aproveitando que estão aqui preciso tirar as medidas. — o garoto se adianta indo na direção das meninas, mas é cortado por Santana que lhe olha séria.
— Você anota e eu tiro as medidas. — Rachel se adianta, pegando a fita métrica do garoto que paralisou de medo.
Pouco tempo depois Santana diz que precisa conversar, e todos a olham curiosos, ela nunca falava muito, só abria a boca pra dar respostas malcriadas, e agora tomando a iniciativa?
— Falar sobre? — Quinn pergunta curiosa. Era a primeira vez que elas se falavam... não chegava a ser um diálogo, mas era um começo.
Rachel olha pra sua loira, lhe dá um sorriso, e sussurra um “obrigada” por Quinn estar calma ao falar com a morena.
— Eu mesma queria dizer a todos que topei participar...
— Mas nem todos estão aqui... Finn não está, Noah também não...
— Sério gazela? Acha que não percebi que um cara gigante e desengonçado e outro com moicano ridículo não estão na sala? — ela interrompe Kurt que paralisa de medo mais uma vez.
— Há um hotel próximo ao teatro, se concordarem poderemos ficar lá. — Quinn entra no assunto rapidamente, quebrando a tensão que se formou.
— Perfeito. Então quase tudo decidido, só falta a música, não é Santana? — Rachel pergunta, já imaginando a resposta da outra morena.
— Eu já disse que vocês resolvem isso. Estou na sala do piano se precisarem de mim pra algo não inútil. — vira as costas e sai.
— Até que foi suave a patada dessa vez. — Rachel diz.
— Suave? Não foi você que foi chamado de gazela. — Kurt responde se fazendo de magoado, arrancando risos de todos.
— Ah Kurt, você precisava provocar? — Rachel pergunta em meio ao riso.
— Eu vou me trocar. — Brittany fala saindo do escritório, aparentando estar chateada.
No vestiário Brittany encontrava-se cabisbaixa, pensativa, sentada no chão com as sapatilhas de ponta nas mãos, brincando distraída com suas fitas de cetim, sem a menor intenção de colocá-las.
Blaine entra pouco tempo depois surpreendendo a bailarina que estava perdida em seus pensamentos. Ele senta no chão ao seu lado, segura sua não e, como se tivesse escutado seus pensamentos, lhe diz olhando em seus olhos:
— Dê a ela o tempo necessário para entender seus sentimentos, não force nada, continue sendo você, que quando estiver pronta ela virá. — olha ainda mais profundo nos olhos da loira, lhe dá um sorriso, um beijo na bochecha e se levanta, mas antes de sair...
— Blaine? Obrigada amigo! Não sei como você percebe essas coisas, mas... obrigada. — se levanta lhe dá um abraço carinhoso, lhe afaga a face e volta às sapatilhas.
Blaine era aquele tipo de pessoa que observa muito e fala pouco, o que o torna super atendo a tudo e todos. Quando fala, toca o coração das pessoas, é aquele tipo de amigo pra todas as horas, que está disposto a ajudar, mesmo quando a maioria nem sabe que existe um problema. Brittany lhe chamava de anjo da guarda, e ele era quase isso mesmo.
***
Sentada ao piano, Santana pensava sobre como vinha tratando Brittany, tentava se concentrar em uma música qualquer que ensaiava com Blaine, mas volta e meia o menino doce de gravata borboleta se pegava falando sozinho, enquanto observava a morena perdida em seus pensamentos. Ela se sentia mal pelo modo como falou com a loira de manhã, por simplesmente do nada sair andando a deixando parada, estática... mas e se confiasse nela e depois se decepcionasse? Suportaria tal dor? Se abrir, deixá-la entrar em sua vida, e depois descobrir que ela não era digna de confiança. O que faria numa situação assim? No fundo ela sentia algo bom vindo da loira, se sentia feliz quando estavam pertos, mas estava completamente perdida, não sabia o que fazer.
— Paciência minha querida, tudo à seu tempo. Não é preciso pressa, o que tiver de ser, será, não decida nada enquanto estiver com dúvidas, medo... relaxa! — diz tocando o ombro da latina, com um sorriso suave e um olhar sincero.
Santana nada respondeu, apenas fechou os olhos, respirou fundo e voltou às notas.
Era como se Blaine entrasse na cabeça das pessoas, dizendo sempre o que elas precisavam ouvir pra se acalmar. Falava, mas não ficava esperando resposta, era simples.
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