Zumbis
10 Capitulo 9 Meu Passado Sombrio
Notas iniciais
Onde eu estou?
Que droga, não consigo me mexer, como irei sair desse lugar?
— Olá, gracinha. – Diz um homem com sorriso maquiavélico entrando no quarto em que eu estava.
— Me solta. – Grito chorando. Mas porque estou chorando? Eu não sou fraca assim, eu não quero chorar.
— É claro que não, minha linda menininha. – O monstro chega perto de mim e começa a passar suas mãos nojentas em mim.
— Pare. – Ordeno, mas ele continua. Espera ele disse menininha?
Não, por favor. Me deixa ir embora.
É claro, como não percebi.
— Você é tão gostosa. – Continua ele, agora arrancando minha roupa.
Eu preciso acordar, eu não posso continuar vendo isso. Eu não quero reviver isso. Eu não quero me lembrar dos meus seis anos.
— Não, por favor, não. – Começo a gritar, mas para mim mesma, tapo meus olhos enquanto minhas lagrimas caem.
— Deixa ela em paz. – Grita a voz de uma mulher, mas quando tempo abrir meus olhos tudo fica escuro.
—~*~_~*~_~*~_
Mônica.— Chama-me uma voz.
Devagar eu abro meus olhos e vejo os olhos de Cebola me encarando com uma tremenda preocupação, ao redor estão todos de meu grupo.
— Nunca mais me assuste assim. – Diz o de cabelos escuros me abraçando.
— O que aconteceu? – Pergunto confusa, eu sei que tive aquela memória ruim, não, não é uma memória ruim, é um pesadelo. A desgraça da minha vida.
— Depois que sua mãe ligou para você, falando coisas confusas, você desmaiou. – Conta Maga e o Ce concorda com a cabeça.
— Você estava apaga fazia dois dias. Nós achamos... Nós... – Aninha começa a chorar, ela com certeza lembrou do Titi e do Daniel.
— Vazo ruim não quebra. – Diz nojenta Irene logo saindo do recinto.
— Vaca. – Diz Maga com ódio.
— Agora estou bem. – Digo e as meninas vem me abraçar, inclusive a Marina, acho que enquanto eu estive apagada, ela fez amizades.
— Fico feliz que esteja de volta. – Confessa Maga ainda me abraçando.
— Também estou feliz de... Espera, onde está a Estela? – Pergunto ficando preocupada.
— Calma, mulher. – Fala rindo Cebola. – Ela está dormindo na cadeirinha ali. – Aponta na cadeira do lado da minha cama.
— Cega. – Digo para mim e depois rio.
— Acho que é melhor deixar vocês a sós. – Diz Magali empurrando todo mundo para fora, deixando só Cebola, Estela e eu.
— Você me deixou extremamente preocupado. – Reclama Cebola e eu não me aguentando, começo a rir. – Não é para rir. – Diz emburrado.
— É sim, idiota. – Falo o dando um selinho. – Me desculpa.
— Tudo bem, só não faz mais isso. – Sussurra e eu assinto.
— Minha mãe ligou de novo? Enquanto eu estava apagada?
— Sim. – Diz ele, mas eu vi que a pergunta o deixou meio desconfortável.
— Ela está bem? Minha família está bem? – Pergunto preocupada e ele fica mais desconfortável ainda.
— Claro, estão ótimos. – Eu sabia que ele estava mentindo, com certeza alguma coisa aconteceu, mas eu não quero descobrir, pelo menos, não por agora.
— Que bom. – Digo tentando parecer que acreditei, ele me abraça e não falamos mais nada, só curtimos o momento.
Será... Será que um deles morreu? Meu coração se entristece só de pensar. Eles fizeram tudo por mim. Eles... Eles são meus heróis.
— Cebola. – Sussurro seu nome e ele me encara desconfiado com meu tom de voz.
— O que foi, Mô? – Pergunta meio nervoso.
— Preciso te contar algo sobre meu passado. – Digo quase sem voz.
— O que tem ele? – Pergunta e eu não consigo encarar mais, seus olhos.
— Meus verdadeiros pais morreram num acidente de carro quando eu tinha cinco anos, como não tinham para onde me mandar, acabei indo parar num orfanato. No começo era tudo normal, mas quando eu tinha seis anos, um novo médico foi mandado para lá. Foi quando tudo começou a ficar ruim... para mim. – Começo a soltar lagrimas, o que faz com que Cebola me abrace. – Esse médico abusava de mim quase todas as noites. Em uma dessas noites, uma mulher, a enfermeira entra e acaba vendo a crueldade que aquele monstro fazia. Essa mulher é minha mãe adotiva, ela conseguiu fazer com que ele fosse preso, ela me resgatou, e depois, me adotou. – A esse momento não era só lagrimas, era um rio de choro vindo de mim.
— Shiiu. Calma, está tudo bem agora. – Sussurra ele meio nervoso sem saber ao certo o que falar, então apenas me abraça bem forte.
— Eu sei, sei que tudo isso já passou. Mas quando eu apaguei eu revivi isso tudo. – Sussurro continuando a chorar.
— Tudo vai ficar bem. – Sussurra e eu sabia que ele estava tão assustado quanto eu, principalmente porque ele não sabia o que falar.
— Eu te amo. – Sussurro ainda abraça a ele.
— Eu te amo muito. Não vou deixar que nada mais de ruim aconteça com você. Por você, enfrentaria o Inferno. – Sussurra me abraçando mais forte ainda.
—~*~_~*~_~*~_
— Vamos vocês dois. – Nos apressa Magali.
— Calma. – Digo saindo da casa com minha mochila nas costas e Estela em meus braços, minhas armas já estavam equipadas como a de todos.
— Temos que pegar logo a estrada, ficamos muito tempo aqui. – Diz Denise olhando em seu celular onde estava olhando o GPS.
— Eu ainda nem acredito que vocês vão vir com nós. – Digo indo até a Marina.
— Pois é, Fran e eu resolvemos. Mesmo que passamos pelo México e não vimos nada seguro, vocês têm um lugar, já nós não sabemos onde podemos ir, e um grupo grande é mais fácil sobreviver que um pequeno. E gostei da maioria de vocês. – Confessa ela e eu assinto.
— Entendo, e fico feliz, vocês dois parecem serem legais. – Sorrio e ela retribui.
— Entrem nos carros, estamos partindo em direção a saída de Colômbia. – Diz Denise o que fez todos entrarem nos carros.
Na Picape Americana estavam Franja, Marina, Denise e Xaveco. Na Caminhonete permaneciam Cascão, Magali, Aninha e Irene. Já no meu Astra, permaneciam Cebola, Estela, Jeremias, Carmen e eu, é claro.
A viagem vai ser longa, mas temos um objetivo. Temos um pote de ouro no final do arco-íris. E eu estou nervosa para uma caraíba. Será mesmo que está ainda tudo bem na Ilha? Esquece Mônica, tenho que me concentrar na estrada, não em ideias paralelas que só irão me deixar desconcentrada, e triste, e paranoica.
—~*~_~*~_~*~_
Já havíamos parado em Caucásia e em Apartadó para descansar, agora nosso destino era sair da Colômbia e ir para o Panamá. Mas me perguntam, qual o problema agora?
— Eu não acredito que a merda de uma árvore caiu bem nessa estrada e um monte de desnaturados abandonaram os carros, trancando mais ainda a passagem. – Diz com raiva Magali.
— Calma, tem uma outra estradinha, vai ficar tudo bem. – Diz Denise tentando acalmar geral.
— É só a gente... – Antes que Cascão completasse sua fala ele começa a fazer um movimento com a mão para que todos se abaixassem. Procuro o motivo da sua pausa e vejo uma horda enorme vindo. – Para baixo dos carros. – Fala para todos e quando eu ia obedecer lembrei de uma individua.
— Estela. – Falo correndo para o carro, mas Magali me impede me puxando para baixo de um carro. – A Estela, Maga. – Digo chorando, ela me faz sinal para ficar em silencio e aponta para o meu carro, mas exato para baixo dele.
Cebola estava com ela enrolada numa manta. Por favor, Estela não acorde. Eram muitos zumbis, parecia que não ia parar mais de vir, e o pior que eles demoravam muito para passar, pois a estrada estava trancada. Depois que os zumbis desapareceram, o que demorou muito, saímos de baixo dos carros.
— Ainda bem que eu assistia TWD. – Brinca Cascão para tentar descontrair.
— Ainda bem que você lembrou. – Digo dando uma risada nervosa.
— Quantos walkers! – Exclama Magali, ainda pasma.
— Eles estão se juntando. – Fala Cebola e eu suspiro.
— E isso que é o ruim, eles são fracos separados, mas quando se trata de uma horda desse tamanho ou maior não tem como escapar. Eles te cercam. Precisamos ser mais espertos e cuidadosos. – Falo seria e todos concordam.
— É melhor voltarmos as estradas, não queremos que eles voltem. – Após Cascão falar, todos se dirigimos para nossos respectivos carros.
— Você está bem, amorzinho? – Sussurro pegando Estela no colo. – Obrigada, Ce. – Sussurro para ele, o dando um selinho.
— Somos uma família agora. – Sorri travesso entrando no carro para dirigir.
— É, somos uma família.
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