Zumbis
21 Capitulo 20 Passado...
Notas iniciais
Dois Meses Depois...
P.O.V Mônica
Acordo assustada com Cebola se virando muito na cama, ele estava suando frio. Seria um pesadelo?
— Cê? – O chamo, mas ele não acorda, apenas continua a se debater.
— Maria... – Sussurra ele inúmeras vezes. Quem é Maria?
— Cê... Acorda... – O chacoalho para que pudesse acordar.
— Mônica?! – Exclama abrindo os olhos, seu olhar era sombrio.
— Teve um pesadelo? – Pergunto preocupada.
— Foi mais uma lembrança, uma lembrança que eu queria esquecer. – Diz sentando na beira da cama.
— Quer me contar? – Digo o abraçando por trás, dou beijos pelas suas costas para tentar acalmá-lo.
— Minha irmã... – Começa e sinto seu corpo estremecer. – Maria... Ela tinha apenas cinco anos e eu apenas quatorze. Chego em casa e acabo encontrando meu padrasto, aquele maldito saco de estrume, ele estava estuprando ela... Mas ela não estava mais consciente, ele havia a matado... O soquei tanto que o deixei inconsciente e mais ainda até que ele morresse...
— Ce... – O abraço mais forte. Ele estava fechando os punhos fortemente.
— Eu devia estar lá para ela... Eu devia ter a protegido... – Ele estava com lagrimas nos olhos, mas ainda assim explodindo de raiva.
— Você não deve se culpar... Você não poderia saber que isso ia acontecer. – Digo tentando acalma-lo.
— Você tem razão... A culpa é do meu pai por te morrido quando eu tinha sete anos... A culpa é da vadia da minha mãe que não se importava comigo e com minha irmã...
— Calma... – Digo e saio da cama para ficar na frente dele. – Você não tem culpa, eu sei que isso te destrói por dentro, mas você não precisa ficar preso a isso.
— De qualquer forma... Isso fez eu ser quem sou, eu fugi e virei caçador... Não me importava com mais nada. Aí... Eu te conheci... – Sussurra, seus olhos continuavam sombrios.
— Cê... – Sussurro e lhe beijo suavemente. – Não se prenda ao passado, apenas lembre-se dela e do quanto você a ama.
— Obrigado... Por estar comigo...
— Sempre estarei...
P.O.V Magali
— Sua barriga não cresceu quase nada. – Diz Carmen.
— É claro. Ainda estou com uns três meses. – Explico rindo um pouco.
— Daqui a pouco esse garotão estará enorme. – Diz Cascão acariciando minha barriga.
— Pode ser uma menina. – Digo e ele sorri.
— Seja o que for. Amarei da mesma forma. – Me dá um selinho e volta para a patrulha. Havíamos achado outro hotel com muros, então dava para descansar bem, estávamos a um dia do porto.
— É tão lindo ver esse cuidado todo. – Diz Denise fazendo uma carinha fofa.
— Faz de conta que você e o Xaveco não tem isso. – Retruco rindo.
— Temos, mas ainda assim é fofo ver. – Afirma.
— Denise. – Digo rindo.
— Eu sei... Sou maravilhosa.
~*~_~*~_~*~
Porto... Finalmente!!!
Após chegarmos, Cascão, Cebola e Xaveco foram conferir o barco que estava ancorado no cais.
— Que sorte. Nem precisamos olhar nos armazéns. – Diz Mônica chegando perto de mim, ela segurava a Estela.
— Sim... Mas não está muito fácil? – Pergunto incerta.
— Fácil? Viajamos por meses até conseguir esse único barco. – Ela ri.
— Verdade. – Rio também.
— Está tudo certo. – Diz Cascão para todos. – Mas teremos que fazer duas viagens, pois não sabemos quanto é limite do barco, nossa sorte que não é tão longe a ilha.
Todos concordamos e tratamos de preparar nossas coisas para ir.
— Iremos guardar os carros dentro dos armazéns vazios. – Diz Cascão me explicando o que aconteceria com nossos carros.
— Será enfim um recomeço? – Pergunto para ele e ele sorri.
— É claro. O nosso recomeço. – Ele me abraça e ficamos um tempo assim... Olhando o mar.
— Vamos pombinhos. – Diz Mônica vindo até nós depois de por as coisas no barco.
— Você e o Cê também são pombinhos. – Retruco e ela ri.
— Vamos. – Ela me ajuda com minhas coisas.
— Não precisa me ajudar. – Faço biquinho.
— Preciso sim. Você está gravida e eu quero te ajudar, hunf. – Diz ela. Me despeço de meu noivo, pois o mesmo ficaria para ir na segunda viagem.
— Vamos então. – Pego uma das únicas malas que havia sobrado e ainda era leve.
— Espero que eles fiquem bem. – Suspira Mônica já entrando no barco. Cebola e Cascão insistiram em ficar para poder ajudar caso acontecesse algo, eles fossem os “heróis”.
— Eles vão. Você conhece seu homem e eu o meu. – Digo rindo, os dois eram uma dupla infalível.
— É... Conheço... – Diz parecendo totalmente distante.
Colocamos as coisas no barco e fomos até a proa para observar a maré. Denise seria a guia, e Nimbus o piloto, tivemos sorte que tinha alguém que sabia dirigir um barco desse porte.
Depois que todo Grupo A – primeira viagem – havia colocado suas coisas e já se acomodado no barco, Nimbus começou a navegar deixando a costa. Avistei ao longe, meu noivo olhando o barco. Mesmo sabendo que eles viriam na próxima, eu não tenho certeza. Afinal, ninguém está seguro.
— Eles vão ficar bem. – Diz Mônica segurando minha mão.
— Espero eu.
P.O.V Mônica
Enfim estamos chegando a Ilha. Dá para ver as casas de praia e as cabanas feitas de madeira. A natureza/paisagem da Ilha é linda.
— Espero que eles não nos vejam como ameaça. – Digo meio nervosa.
— Calma, Mô. Sua mãe sabe que você estaria vindo. – Diz Maga, tentando me reconfortar.
— É, mas eu perdi o contato com ela faz semanas.
— Vai dar tudo certo. – Ela dá um sorriso amigável e segura minha mão.
Nimbus para no mini cais que tinha na Ilha. Depois de alguns minutos começam a surgir alguns habitantes da Ilha.
— Como sabem dessa Ilha? – Pergunta um homem que parecia ser o dono daquela Ilha, mesmo com o fim do mundo, o cara se vestia bem e tinha uma cara de riquinho.
— Minha mãe... Ela disse que estava aqui e era para eu vir. – Digo e logo a vejo passando pela multidão, a mulher que me adotou e me considera como sua filha legitima.
— Mônica! – Exclama ela vindo correndo me abraçar.
— Mãe... – Sussurro a abraçando fortemente, como eu senti falta desse cheiro de jasmim que só ela tem.
— Que bom que você está bem, e que chegou aqui. – Desfazemos o abraço, mas não se afasta muito.
— Mãe... Onde está o pai? – Pergunto não vendo o homem que me criou como se fosse filha dele e que eu considero meu único e verdadeiro pai.
— Filha... – Sua voz se embaça e ela começa a soluçar, a abraço e começo a chorar também.
— O que aconteceu? – Pergunto depois de alguns minutos, já tentando me acalmar e minha mãe já calma.
— Nós tínhamos alguns idosos que estavam doentes. Alguns morreram e viraram, não sabíamos que não era só os mordidos que viravam, então começaram a ficar em maior quantidade. Os eliminamos, mas seu pai acabou sendo mordido enquanto salvava as crianças. – Diz ela tristemente, mas tentando ser forte para não chorar. Ela já devia ter chorado muito e a cada vez que chorava, perdia mais um pedaço da harmonia e felicidade pura que ela tem.
— Posso ver onde o enterraram? Quero dar o ultimo adeus. – Sussurro e ela concorda com a cabeça.
Fiquei tranquila com meus amigos, pois eles já estavam tirando as coisas para se alojar, então não precisava me preocupar com isso. Minha mãe me leva do cais, pela praia até uma estradinha de pedras ao morro a cima. Não era tão alto o morro, mas tinha uma subida. Quando chego lá, vejo a terra mexida e a cruz com nome. Ele não era o único, havia cerca de dez “lapides”.
— Vou deixa-la sozinha. Não consigo ficar aqui, agora... – Diz ela me dando um beijo na bochecha e saindo.
Me ajoelho na frente da cova de meu pai. E desabo no choro.
— Obrigada por tudo... Me desculpa não poder ter dado o ultimo abraço... Falado o ultimo te amo... Você vai fazer muita falta, meu pai... – Sussurro em soluços. Não sei quanto tempo fiquei assim, mas foi o suficiente para conseguir me levantar e voltar para onde todos estavam.
O barco já havia partido para buscar o Grupo B, e minhas coisas tinham sido tiradas por ajuda de meus amigos. Me aproximo de Magali que segurava Estela.
— Está como Mô? – Pergunta Maga me abraçando com um braço. Ela ouviu tudo, pois estava do meu lado.
— Péssima... Mas irei ficar bem. – Digo dando um sorriso triste.
— Vamos meninas, acomodarei vocês na minha casa. – Diz minha mãe ajudando com nossas malas e nos levando pela trilha até onde ela morava.
Uma Ilha...
Um recomeço...
Mas seria possível um recomeço no meio disso tudo?
Seria possível recomeçar num apocalipse zumbi?
Bem...
Só vivendo para ter certeza...
Fale com o autor