Zombie Walk
5 Capítulo 5 - O sequestro.
Notas iniciais
Lentamente, abro meus olhos.
Tudo está embaçado.
Olhei para o chão.
Minha nuca doía.
Escuto algumas vozes conversando. Mas não ergo a cabeça.
– Por que ela amarrou uma jaqueta na mão direita dela? – Era uma voz masculina.
– Deve ter levado um tiro e fez isso pra conter o sangue. – Outro homem, mas com uma voz mais grave.
– Por que atirariam nela, Ray?
– Algum zumbi deve ter mordido ela então tentaram matá-la. Daí a garota deve ter fugido e veio aqui.
– Mas passou bastante tempo desde que ela chegou aqui.
– Não esqueça que houve casos de um dia inteiro até virarem zumbis, Hall. – Era uma menina.
Um dia inteiro... então eu não estava lá a tanto tempo, afinal.
– Ei ei, ela acordou – disse Hall.
Mãos apertaram minhas bochechas e erguem meu rosto.
Eu agora encarava um homem. Ele tinha olhos azuis, cabelos castanhos escuros curtos em um topete mal feito – talvez pela falta de gel -. Deveria ter uns 19 anos.
– Vejo só, ela está acordada – disse. – Olá, meu nome é Ray. Esses são Hall e Emily – e apontou para os outros dois.
Hall tinha cabelos pretos e olhos castanhos. Os cabelos dele eram médios, e a ponta da franja cobria um pouco seus olhos que pareciam assustados. Com certeza tinha a minha idade.
Emily tinha cabelos abaixo do peito, ondulados e loiros. Seus olhos mel eram sérios, e tinham contornos negros, provavelmente feito por um lápis de olho, antes do apocalipse. Deveria ter uns 18 anos.
– Qual é seu nome, queridinha? – Perguntou Ray a mim.
Não respondi.
– É apenas uma pergunta. Só queremos te conhecer um pouquinho. Pode ser só o primeiro nome. Tenho que te chamar de algo, certo?
– Izzy – respondi.
– Izzy? É um nome estranho. Nunca vi ninguém com esse nome na minha vida – comentou Hall.
– Bem, Hall também não é um nome muito comum pra ficar se achando por ai – retruquei.
– Ei ei, calma Hall, Izzy – disse Ray. – Muito bem, menina... pode responder algumas perguntas?
Encarei-o, sem falar nada.
– Por que você enrolou uma jaqueta na mão?
– Pra conter o sangue.
– Sangue?
– Levei um tiro na mão.
– Foi mordida por algum zumbi, então atiraram em você, mas erraram?
– Não. Tiranus atirou em mim.
– Quem é Tiranus? Você é louca? – Disse Hall.
– Cala a boca – advertiu Emily séria.
– Quem é Tiranus, Izzy? – Ray se apoiou nos braços da cadeira onde eu estava amarrada.
– É um zumbi.
– Um zumbi com arma? – Zombou.
– Ele não é um zumbi comum – respondi.
– É? Como é esse tal Tiranus então?
Dei a descrição. Logo, eles se entreolharam.
– Você o chama assim? – Perguntou Hall.
– Vocês já o viram?
– Sim – respondeu Emily, triste. – Nós o chamamos de Matur.
– Matur – repeti.
– Ele matou metade do nosso grupo, deixando apenas nós três continuou Ray.
– E... meu irmão... – respondeu a loira, quase num sussurro.
– Então ele atirou em você – o mais velho voltou-se para mim. – E você sobreviveu?
– Duas vezes – contei. – A primeira vez foi um tiro na perna. Ele, de alguma forma, achou o galpão onde eu e meu grupo nos escondíamos. Me pergunto porque não foi atrás dos outros, e sim de mim...
– Mas porque ele estaria atrás de você? – Perguntou Hall. – Como ele descobriu seu esconderijo?
– Eu sei lá!
Ray levou dois dedos aos abios, pensativo.
– Como chegou aqui?
– Estava escondida no esgoto. Apenas eu e um garoto. O irmão mais novo dele a outra garota do grupo se perderam no ataque. Então ele saiu do esgoto e me deixou lá por causa da perna. Mas Tiranus chegou alguns segundos depois, e não matou ele. Ou eu teria escutado os tiros... enfim, eu fugi e entrei aqui, pois a porta estava aberta.
– Espera espera espera, se o Matur está atrás de você... TEMOS QUE TE MATAR! – Gritou o mais novo. – Ele vai seguir o cheiro do seu sangue e vai vir atrás de nós todos! Concordam, pessoal?
– Teremos que nos livrar dela e mudar o esconderijo – disse Ray.
– Posso fazer isso? – Perguntou Emily.
– EI! Vocês não vão me matar, vão?
– Claro que vamos – respondeu Hall. – Queremos viver. Você é um risco. A propósito, você tem uma espada legal – disse ele.
Então me dou conta que a bainha nas costas dele era a minha katana.
– Me devolva agora!
– Pisou no nosso território, e agora ela é nossa – disse Emily, seu rosto sério. – Droga Ray, posso matar ela?
– Vá em frente. Eu e Hall iremos pegar nossas coisas. Esperamos vocês lá fora. – Ambos garotos saíram do quarto.
A loira pegou uma .12 que estava presa nas costas e apontou para minha cabeça.
– Você... vai mesmo me matar?
– Desculpa menina, mas eu quero viver. Ele vai seguir o cheiro do seu sangue e ver o seu rastro no chão, se a levarmos com a gente. E não quero que você morra nas mãos dele, como meu irmão.
Fechei os olhos. Não conseguiria fugir, agora.
– Tem últimas palavras? Sou uma pessoa misericordiosa. E vá rápido. Logo o Matur estará aqui.
Ouço barulho de tiros na rua. Abro os olhos assustada. Emily olha a janela do quarto assustada, também.
Eu devo estar louca. Com certeza não é ele.
Mas decido chamá-lo mesmo assim.
– MATT! – Grito. – MATT! ESTOU AQUI!
– Matt? – A garota vira-se para mim. – É o menino do seu grupo que estava com você?
Logo, ela olha a janela mais uma vez ao ouvir um som vindo dela.
Se assusta.
Um garoto ruivo de olhos verdes estava confiando na força das pernas. Os pés sobre o parapeito da janela.
Eu sorri.
Se não tivesse visto uma grade ao lado dessa janela com flores apodrecidas, possível de escalar, teria achado que Matt voara até a janela.
– O que você faz segurando essa .12 e com a morena presa nessa cadeira, loira? – Ele apontava seus dois revólveres para ela.
– E-eu... ia matar ela pro Matur não nos seguir... ela disse que levou dois tiros dele, e eu, Hall e Ray achamos que ele estaria a seguindo...
– Matur? Ela fala de Tiranus? – Concordei com a cabeça. – Hall e Ray, é? Aqueles merdinhas que levaram uns tiros na cara quando os ouvi falando sobre a morena ter que morrer?
– Você... m-matou eles?
– Não se preocupe, você vai ver eles agora – e atirou na testa da garota.
Olhei-o. Era incrível o modo como ela tratava as coisas.
O ruivo entrou no quarto. Apenas notei minha katana quando ele a tirou da bainha que estava nas suas costas e cortou as cordas que me prendiam naquela cadeira.
– Tudo bem? – Sorriu ele.
– Pensei que fosse morrer agora, mas tudo bem – eu ri.
– Então, você levou mesmo um tiro, né? – Perguntou, olhando de sua jaqueta em meu corpo, dá minha própria que estava enrolada na mão.
– Pois é... – cocei a cabeça.
Ele segurou meu braço e me levou até a cama do quarto, sentando-me. Pegou a minha mochila dos ombros – que até agora a pouco estava com Ray – e tirou o kit de primeiros socorros dela. Então, se ajoelhou na minha frente, desenrolando minha jaqueta.
– Cara, mas que merda aquela filho da puta fez na sua mão – comentou ele, deixando de lado a roupa ensanguentada.
Mais uma vez, ele repetiu o processo de tirar a bala, esterilização e costurar o ferimento.
– Temos que lavar essa coisa – disse, pegando minha jaqueta. – Será que tem água por aqui?
– Deve ter – dei de ombros.
Logo, quando eu ia tirar a blusa dele, Matt me parou.
– Pode ficar com você até a sua secar, tudo bem... vou no banheiro tirar o sangue dessa coisa.
– Ah, Matt... – ele parou na porta do banheiro do quarto. – Você encontrou com o Tiranus no caminho, quando saía do esgoto?
Ele fitou-me por um tempo.
– Não – respondeu, e entrou no banheiro.
Depois de um tempo, ele voltou.
– Vamos ter que deixar isso secando um pouco – e balançou a roupa.
– Tudo bem – falei.
– Ah, e... o que você acha de tomar um banho? Acredite, você ainda tem cheiro de esgoto – ele riu.
– Deus, que merda – eu ri junto.
Logo, fiz o que ele mandou.
Tranquei a porta do banheiro e soltei o elástico que prendia meus cabelos.
Fazia algum tempo que eu não os via soltos.
– Ei morena, eu também tenho cheiro de esgoto, sai logo daí – ouvi ele batendo na porta.
– Já estou saindo peguei o elástico que estava na pia do banheiro e abri a porta. Estava trocada. Faltava apenas prender o cabelo.
– Ah, bem melhor – riu. – Nunca te vi de cabelo solto – comentou. – Você até que fica bonitinha – senti meu rosto corar. – Fica um pouco assim. Seu cabelo está molhado, não prenda-o assim. Deixa ele solto hoje. Eu também faço isso as vezes.
– T-tudo bem... – falei, colocando o elástico no pulso.
O ruivo entrou no banheiro. Realmente, ele estava cheirando a esgoto.
Era de noite quando ele saiu. Estava com a toalha sobre os cabelos, secando-os. Corei ao ver que Matt estava apenas usando a calça jeans.
– Você... realmente não está com frio? – Perguntei. Eu tremia com o vento só de olhar o peito nu dele.
– Está tudo bem – disse ele. – Já vou colocou a camisa. Costuma secar meu cabelo antes de colocar ela.
– Mas... está frio... não quer mesmo sua jaqueta? Posso usar a minha.
– Ela só vai secar amanhã – disse. – Fica com ela. Eu não vou morrer congelado. – Ele voltou ao banheiro e colocou a camisa. Sentou-se na cama, ao meu lado.
– Achou a Mikaella ou o Luke? – Perguntei. Ele balançou a cabeça.
– Vou achar eles amanhã... – ele abraçou as pernas e encostou a cabeça nos joelhos. Ele não queria dizer, mas estava realmente preocupado com ambos.
– Eu vou ajudar você a encontrá-los – falei.
– Não, você n—
– Eu vou – cortei. – Minha perna não está tão ruim assim, afinal. Além de que... acabo de me lembrar... acho que sei aonde eles foram.
– Aonde? – O ruivo me olhou.
– O Luke me contou uma vez de um prédio que tinha na cidade... que ele a Mikaella já pensaram em invadir, pois talvez os zumbis não fossem o atacar lá.
Matt refletiu um pouco sobre a confissão.
– Você sabe onde fica?
– Na verdade... eu morava lá – sorri.
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