Zombie Walk

3 Capítulo 3 - O ataque.


Era de noite, e eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser Matt conhecer outro grupo. Estávamos indo dormir quando Matt se levantou de uma das caixas em que estava sentado.

- Vou pegar comida — disse. Ele pegou suas duas armas.

- Ei ei ei — impediu Mikaella. — Você está louco? Está muito escuro, os zumbis vão te pegar fácil fácil.

- Eu se me virar — retrucou.

- Eu posso ir com ele — sugeri.

Ele me encarou.

- Não quero ter que ficar cuidando de crianças de noite.

- Eu não sou uma criança — falei. — É bem melhor se eu for junto com você, sabia? É menos perigoso ser atacado por um zumbi.

- É uma ótima ideia. — Comentou Mikaella. — Afinal, Izzy mais cedo ou mais tarde teria que sair daqui e ajudar na procura de comida. Não podemos deixa-la sempre cuidando do Luke. E, falando nisso, até ele já saiu pra pegar comida comigo!

O ruivo suspirou e colocou a mão no rosto.

- Tá legal, você vem. Mas vê se não me atrapalha, ou posso pensar que você é um zumbi e te matar, entendeu?

- Entendi.

Saímos. Estava bem escuro. Minha katana na mão.

Matt estava silencioso. Apesar de usar botas — que até onde eu lembrava, costumavam fazer bastante barulho -, era impossível ouvir qualquer som omitido dele.

- Não tem nenhum zumbi por aqui — sussurrei.

- Isso é ruim — sussurrou, ainda mais baixo. — Quanto menos zumbis, mais próximo Tiranus pode estar de nós.

Engoli em seco.

Logo, chegamos até o mercado — que não era muito longe do galpão — e ficamos por lá procurando comida.

- Hmm... Matt, posso te perguntar uma coisa? — Falei, virando de ponta-cabeça uma caixa de cereal vazia.

- O que foi?

- Promete me responder a verdade, seja qual for?

- Prometo, agora fala logo, caralho.

- Você sabe da existência de outro grupo?

Ele me fitou quando perguntei. Matt ficou sério, mas logo começou a rir.

- Na boa... de onde você tirou essa ideia? Outro grupo?

- Você disse que não ia mentir!

- Por que você me perguntou, sendo que já sabia a resposta, apesar de estar errada?

- Queria que você admitisse — falei.

Ele suspirou e colocou a mão no rosto.

- Me diga, o que te faz pensar isso, morena?

- É que... você sempre demora pra voltar, e sempre parece tão cansado e com tão pouca comida, apesar desse mercado ser perto do galpão. E... você disse que nem... "ela" era melhor que a Sheila. Eu sei que "ela" não sou eu, nem a Mikaella. Então, só pode ser outro grupo.

Ele começou a rir, o que me deixou com muita raiva.

- Escuta, morena, vou te explicar... eu demoro, porque, como pode ver, nesse mercado dá pra contar nos dedos quantas coisas você pode pegar aqui pra comer que ainda te servem. Eu sempre passo aqui pra ver se tem mais alguma comida que deixei passar, e vou pro outro local, que são extremamente longes. Eu não costumo ir tão longe, pois não conheço os arredores da cidade toda, então se o Tiranus aparecer, eu posso fugir facilmente. E, claro, a comida não de lá não dura pra sempre. Outras pessoas também comem.

- E sobre ninguém ser melhor que a Sheila?

- Ah isso. Escuta, eu já namorei antes disso tudo, sabia? Tive várias namoradas. Claro, a última foi mais... especial, digamos assim. Nós havíamos brigado. Ela ia me pedir desculpas. Nos encontramos, sabe. Mas ai, foi quando o apocalipse começou.

- Ela foi... mordida?

- Ela implorou para que eu a matasse — contou. — Disse: "Matt, por favor, me mate agora. Eu não quero que você morra por minha causa, dessa forma... por favor, me mate antes que eu fique como eles...". Eu era o típico playboyzinho de merda que andava com uma arma pra dizer que era foda e macho. Claro, fiquei receoso de matar ela. Eu realmente gostava dela. Mas não tinha como dizer não.

- Que triste — comentei.

- É. Mas ai apareceu a Sheila. As vezes fico em dúvida, caso não tivessem esses zumbis por ai, com qual delas eu ficaria hoje. Mas sabe, eu gostava da Sheila, de mais. Como nunca gostei de ninguém antes. Aquilo que eu disse foi mais para mim do que para você.

- Ah... — eu corei, me sentindo idiota.

- Afinal, quantos anos você tem? Nem mesmo o loirinho do meu irmão iria pensar em algo tão ridículo como isso — ele suspirou, impaciente. — Vamos logo. Essa merda de lugar não tem comida alguma pra gente. E vê se tira essas ideias da cabeça, morena — ele bateu a mão na minha cabeça, o que me fez ficar com raiva.

Saímos de mãos vazias. Fomos até um outro mercado mais distânte, mas que dessa vez, tinha bastante comida. Guardamos tudo nas nossas mochilas. Estávamos felizes, pois provavelmente, aquilo daria pra uma semana inteira.

Avistamos um zumbi.

- Meu ou seu? — Perguntou ele.

- Deixa eu me divertir um pouco — sorri. Saquei minha katana.

Aproximei-me cautelosamente do zumbi e perfurei a parte de trás de sua cabeça. Sorri. Tirando a parte do forte cheiro de sangue, de podridão e de gente morta, aquilo era realmente divertido.

Depois de matarmos alguns zumbis — eu e Matt em uma competição pra ver qual de nós acaba com mais deles -, voltamos até o galpão.

- Chegamos — falei, sorrindo. Tiramos nossas mochilas.

- Nossa, quanta coisa! — Exclamou Mikaella, após ver o conteúdo. Ela abriu um largo sorriso.

Logo após terminarmos nossa refeição, fomos dormir. A mochila minha e do Matt próximas de nós para ninguém do grupo sentir fome e "assaltar" o que conseguimos pegar.

Acordei na madrugada. Eu tinha o costume de sempre acordar entre quatro e cinco horas, e sete e oito horas.

Estava escuro, então deduzi ser umas quatro e meia. Quando fui tentar dormir novamente, abri os olhos. Ouvi barulhos. Barulhos de pancadas. Pancas em metal — me preocupei. A porta do galpão era de metal.

Levantei e olhei para a porta. Arregalei os olhos. Haviam zumbis do lado de fora socando aquela porta, tentando entrar.

- Mikaella, Matt... — tentei acordar os dois.

- Que foi garota? — Resmungou ele.

- Zumbis — falei.

- O que? — Ele levantou a cabeça. — Ei, loira — ele chamava Mikaella. — Tem zumbis por aqui.

- Zumbis? — Ela se levantou também. — Luke, acorde, temos que sair daqui.

Ela pegou o pequeno.

- Como saíremos? Deve haver vários zumbis — disse Mikaella.

- A morena é boa com a espada. — Comentou Matt. — Eu e ela seguramos os zumbis por um tempinho, você e meu irmão fogem. Vamos atrás de vocês mais tarde.

- Certo — disse ela. Estava segurando a mão de Luke.

- Certo morena, vou abrir a porta no três.

- Ok.

- Um... dois... TRÊS!

Matt abriu, e vários zumbis surgiram em meu campo de visão. Não vi mais nada, a não ser várias cabeças já mortas sendo decaptadas por mim e vários furos sendo feitos em suas testas pelas armas do Matt. Ele sabia atirar com as duas mãos — o que facilitava tudo.

Apenas vi dois vultos com cabelos loiros voando por cima dos corpos mortos dos zumbis, fugindo.

- ELES JÁ FORAM, VAMOS DAR O FORA — gritou Matt. Obedeci e corremos para o caminho onde eles estavam. Ele parou. — ESPERA, VOLTA! — Berrou.

Ele não precisou mandar duas vezes. Vi Tiranus vindo. Mas ele não andava como os outros — quem dera fosse -, ele corria atrás de nós.

Vi cada pedaço dele detalhadamente.

Um buraco no lugar do olho direito. Um buraco cheio de larvas e outros bichos nojentos, que me faziam ter vontade de vomitar. Rosto horrivelmente remendado, partes abertas de sua pele. Ele usava um sobretudo preto — zumbi com roupas? Pegou o visual do Nemesis? Porque a roupa e as botas eram idênticas -. Sem lábios. Seus dentes a mostra — quer dizer, como eu explicaria aquilo? De fato, ele me lembrava o Nemesis. A boca também era idêntica. Seu olho esquerdo era um cinza-azulado, com a pupíla branca. Alojado em seu braço esquerdo, uma metralhadora — que alegria. Eu até iria admirar, se não estivesse preocupada com minha vida.

- CONHEÇO UM LUGAR, VEM — gritou. Eu o segui.

Corremos como se não houvesse amanhã — o que poderia ser verdade mesmo. Se estivéssemos em uma competição olímpica, com certeza ganharíamos. E com um recorde de velocidade inacreditável!

Tiranus era rápido. Ouvi o som da metralhadora. Não arrisquei olhar para trás, mas deduzi que alguns zumbis foram mortos por ele. Corri para não morrer — mas ele acabou acertando minha coxa.

Gritei de dor, mas eu não podia parar. Não ali, não agora. Continuei correndo, não importando quanto sangue estava perdendo, ou quanta dor eu sentia naquela hora. Logo, ouvi sons de tiros. Era Matt, ele estava atrás de mim. Atirava em Tiranus.

- SEU FILHO DA PUTA, PARA DE NOS PERSEGUIR! — Ele atirava apenas com a mão direita. Com a esquerda, pegou uma grana do seu cinto e mordeu o detonador, arrancando-o. Esperou um pouco com ela na mão e jogou em Tiranus, que parou no caminho pela explosão, que com uma mira certeira do ruivo, atingiu seu rosto. Nenhum de nós parou de correr. Logo, fiquei mais lerda por causa da perna. O ruivo me ultrapassou.

- VEM MORENA! — Ele tirou a tampa de um boeiro no meio da rua. Parecia ser bem pesado, mas eu não liguei. Tinha que ir até lá nessa oportunidade que tivemos de despistar Tiranus. Me joguei lá dentro.

- AH, DROGA! — A dor que senti em minha coxa foi horrível. Deu um soco no chão molhado pela água. Matt pulou logo a trás de mim.

- Vem — disse ele. — Logo ele vai aparecer aqui em baixo.

- Caralho Matt, a minha perna — eu coloquei a mão contra ela e depois, retirei. Ela automáticamente ficou vermelha com tanto sangue.

Ele me deus as mãos pra me ajudar a levantar.

- Consegue correr um pouco mais? Só pra nos escondermos?

- Acho que sim — falei.

- Certo... está pronta? — Ele olhou nervoso para cima.

Fechei meus olhos e respirei fundo. Minha visão começou a escurecer um pouco pela falta de sangue.

- Vamos.

Eu e Matt pegamos uma lanterna. Amarrei minha jaqueta na perna, para não cair tanto sangue por lá. Iluminamos o caminho até acharmos um ponto mais fundo do esgoto. Um cantinho escondido. Ficamos lá.

- Você está bem? — Perguntou Matt, me encostando na parede.

- Nem um pouco. Daqui a pouco vou desmaiar. Não devia ter corrido com a perna assim — eu ofegava. Estava ficando tonta. Eu nunca havia me machucado quando era mais nova. Podia gostar de coisas de garoto, mas eu parecia as típicas patriçinhas que nunca cortaram nem o dedo na vida.

- Espera... pegou um kit de primeiro-socorros, não é?

- Peguei — tirei minha mochila e entreguei para ele.

Matt tirou uma agulha e uma linha. Ele sorriu. Pelo menos tínhamos aquilo.

Ele começou a abaixar minha calça. Eu sei que ele fazia isso pra poder ver o machucado, mas isso me deixou um pouco corada. Ele a tirou e deixou de lado.

Matt esterelizou a agulha e desenfectou o machucado.

- Você tem uma bala na sua coxa — comentou ele. — Isso é ruim...

- Imagino — falei.

Logo, depois de um tempo, ele conseguiu tirá-la — claro que depois de vários gritos de dor e tudo o mais. Não tinha nenhuma anestesia por ali.

- Aguenta ai, vou costurar — falou ele. Confirmei com a cabeça.

Ele, lentamente, costurava o local onde fui atingida. Ele parecia já ter feito isso antes, várias vezes. Eu me contorcia com a dor.

- Tente deixar sua perna parada.

- Desculpe — falei.

Depois de mais ou menos uns cinco minutos, ele finalizou tudo. Sorriu.

- Está melhor.

- Doeu pra caralho, mas estou — eu sorri e coloquei a calça novamente. Olhei. O rosto dele parecia sombriamente sério. — Matt?

- Hm?

- O que foi tudo aquilo? Comos nos viram por lá?

Ele demorou para me responder.

- Eu não sei — falou. — Mas nós não vamos morrer. — Ele se encostou na parede ao meu lado e me abraçou. — Não vou deixar mais ninguém morrer.

Notas finais
Ficou bom? Olha, eu não sou muito boa nessa área médica, então eu acho que ficou meio estranho D: Mandem reviews ^-^