Zombie Attack
11 I - O atirador.
Notas iniciais
— Tenho a impressão que são aqueles zombies ali. (Eu)
— Mas que... (Policial)
— Nem notamos que foram atacados. (Policial 3)
— O que faremos agora? (Policial 2)
— Sobreviveremos. (Eu)
— Sem eletricidade, alimentos e com eles andando por ai? (Policial)
— Pegamos o que precisarmos nas estradas, em carros e casas vazias. (Lara)
— Vocês roubam? (Policial 2)
— Nesses tempos isso não se chama roubo, só levamos o que encontramos. (Lara)
— Nós não deveríamos ter escutado vocês, vamos prendê... (Policial 3)
Nesse instante um zombie apareceu do nada na janela do carona onde estava o terceiro policial, cravou os dentes em seu pescoço e arrancou um “pedaço“.
— Ai meu Deus! (Lara)
— Acelera! (Policial)
— Tira a gente daqui! (Policial 3)
Pisei fundo no acelerador e atropelei dois mortos, enquanto desviava dos outros que se aproximavam.
— Ah! Meu pescoço! Estou sangrando! (Policial 3)
— Isso aconteceu porque prestávamos atenção em outra coisa e não vimos o zombie se aproximar. Nos dias atuais devemos prestar atenção em tudo e em todos à nossa volta. (Lara)
— Estou sentindo minhas pálpebras pesarem, e... Não... Con... Sigo... Ficar... Acor...Dado... (Policial 3)
— Henry, fique conosco, acordado, não vá para a luz, acorde, Henry. (Policial 2)
Nesse momento ele fechou lentamente os olhos, ficou sem nos responder e sua respiração parou alguns segundos depois. O segundo policial tentava acorda-lo enquanto eu passava pelo meio de alguns zombies.
— O que faremos com ele? (Policial)
— Nos livramos o mais depressa do corpo para que não se transforme perto de nós. (Lara)
— Lara... não é bem assim, vamos enterra-lo. (Eu)
— Mas ele só levou uma mordida, não está morto, só inconsciente, vamos leva-lo para algum hospital, eu sei onde fica o hospital Hansey Dwenyston, e não é muito longe daqui. (Policial 2)
— Foi uma mordida no pescoço, onde fica a artéria que irriga todo o cérebro com sangue, se o sangue começar a jorrar para fora ao invés de ir para o cérebro, você já pode imaginar o que acontece. (Eu)
— Em questão de minutos ele pode virar um zombie e morder todos desse carro. (Lara)
— Ele é meu irmão, não posso deixa-lo ir assim. (Policial 2)
Com lagrimas nos olhos ele observava seu irmão parado, imóvel, mas não havia nada que poderíamos fazer.
— Ele foi mordido e morrerá em breve, sinto ter de te dizer isso, mas não podemos fazer nada. (Lara)
— Henry nós tínhamos os nossos desentendimentos às vezes, mas você sempre foi um ótimo irmão e sempre cuidou de mim, pena que eu não pude retribuir. (Policial 2)
Parei o carro do lado de um edifício e tudo parecia estar vazio, então saímos do carro enquanto o policial pegou e levou seu irmão em seu ombro.
— A propósito agora que o mundo mudou, não sou mais considerado um policial então pode me chamar de Cleber. (Policial)
— E eu sou o Joaquim. (Policial 2)
— Mas as habilidades de policiais vão nos servir, meu nome é Lara. (Lara)
— Rafael. (Eu)
Do lado do edifício havia uma construção com um buraco no chão, onde provavelmente seria colocado cimento para tampa-lo.
— Sabe o que tem que fazer, não sabe? (Eu)
— Sim, só pode me dar um minuto com ele? Preciso me despedir e pensar um pouco. (Joaquim)
— Vamos espera-lo no carro. (Eu)
Virei-me para Lara e Cleber e chamei-os.
— Vamos deixa-lo se despedir. (Eu)
— Esta bem. (Lara)
— Certo. (Cleber)
Lara se aproximou, pôs a mão direita em seu ombro e disse.
— Eu sei como é a dor de se perder um irmão. (Lara)
Então se virou e caminhou em direção ao carro, Cleber e eu nos juntamos a ela. Assim que chegamos ao carro e nos viramos, Joaquim estava colocando seu irmão no buraco da construção e ele se transformou, agarrou Joaquim e tentou morde-lo, mas ele o segurava com as duas mãos. Cleber tentou correr para ajuda-lo, mas Lara o impediu esticando um de seus braços em frente a ele.
— Isso é com ele agora. (Lara)
Joaquim pegou a sua pistola com a mão direita enquanto segurava-o com a esquerda, apontou para o morto, mas não conseguiu disparar, o zumbi conseguiu se soltar e o mordeu fazendo-o derrubar a sua arma. Todos nós corremos para tentar salva-lo, mas o sangue jorrava para tudo quanto é lado enquanto ele gritava.
Lara escorregou de barriga e alcançou a arma que ele havia derrubado no chão e a jogou pra mim.
— Sua vez de matar um zombie. (Lara)
Posicionei o cano da arma em direção à cabeça do morto enquanto ele mordia o seu irmão e este gritava, apertei o gatilho e a arma recuou de uma forma que eu não esperava, o tiro acertou e deixei um buraco na cabeça dele, meio distante de onde eu mirava, por alguns centímetros o recuo da arma não me fez errar o alvo.
— Porque Joaquim? Era só ter enterrado ele e o atingido na cabeça antes dele se transformar. (Eu)
— Eu não consegui disparar. (Joaquim)
— Matem-me agora para acabar com a minha dor, por favor, eu imploro. (Joaquim)
Entreguei a arma nas mãos de Cleber e disse.
— Ele era seu amigo, ajude-o nesse momento difícil. (Eu)
Virei-me e caminhei em direção ao carro novamente com Lara me acompanhando. Ouvi o disparo ao abrir a porta do carro, Lara foi para o banco traseiro e Cleber cobria os dois mortos com um pedaço de lona que havia antes no buraco. Levantou-se e veio em nossa direção, limpando as mãos sujas de sangue em sua calça.
— Vamos. (Cleber)
— Pra onde? (Lara)
— Procurar um local seguro, onde não tenham essas coisas. (Cleber)
— Agora em uma cidade maior temos mais possibilidades de sobrevivência. (Eu)
— Vocês já viram o supermercado daqui? (Lara)
— Não. (Respondemos juntos, Eu e Cleber)
— Tem de tudo lá e é muito seguro, janelas com grades de ferro e portas automáticas acionadas por dentro, sem falar que em um supermercado a variedade de suprimentos é enorme. (Lara)
— Cleber? (Eu)
— Parece bom pra mim. (Cleber)
— Então está decidido, é para lá que vamos. (Eu)
Dessa vez Lara se sentou na frente, ao lado da janela que ela quebrou, enquanto Cleber foi atrás, liguei o carro e de trás do edifício saíram dois zombies. Dei marcha ré e voltamos para a rua, nos afastando de lá. Lara me guiou pelas ruas enquanto desviávamos de zombies e seguíamos em direção ao supermercado.
— Em duas quadras nós chegamos lá. (Lara)
— Foi rápido, e pensar que em alguns instantes estaremos seguros e com muitos suprimentos. (Cleber)
Um tiro a distancia foi ouvido, enquanto o carro saia do meu controle como se algo houvesse acontecido com ele, podendo estar relacionado com o tiro de antes. O carro derrapou e acabou entrando de frente com um portão de uma casa.
— Estão todos bem? (Eu)
— Sim, mas o que foi isso? (Lara)
Outro tiro foi ouvido e dessa vez o vidro de trás do carro foi estilhaçado, em seguida mais um atingindo o retrovisor e então percebemos.
— Estão atirando em nós. (Cleber)
— Percebemos isso há alguns instantes. (Lara)
— Estávamos tão perto. (Eu)
— Tenta achar de onde vêm os tiros. (Cleber)
— Como? (Eu)
— Procura ao redor e tenta achar algo que pareça com alguém atirando em nós. (Cleber)
— Tão fácil assim? (Eu)
Mais um tiro foi ouvido e a janela do passageiro traseiro foi estilhaçada.
— Saiam do carro. (Eu)
Abrimos as portas e saímos agachados e rastejando para a lateral de uma caminhonete que estava estacionada de lado na calçada.
— Pega o rifle na traseira do carro para podermos observar de onde vêm os tiros. (Lara)
— Não sei se consigo. (Eu)
— Eu te dou cobertura. (Cleber)
— Certo. (Eu)
Arrastei-me lentamente no chão enquanto Cleber ficou atrás da roda traseira e Lara foi ao outro lado da caminhonete, na roda dianteira, levantei meu braço em direção ao banco e a minha cabeça para ver se a achava, senti algo passando por cima e deixando um pequeno buraco no banco do carro, nessa hora eu gelei e fiquei imóvel com uma das mãos em cima do banco.
— O que está esperando... Pega o rifle, já achei o desgraçado que está atirando. (Lara)
— Rafael... Ei... Psiu... — Ele disse quase sussurrando. — Pega o rifle e joga aqui, ela já achou onde ele está. (Cleber)
Cleber se aproximou rastejando e por um instante pareceu ter sentido alguma dor no braço, mas rapidamente encostou-se ao carro e voltou a chamar.
— Rafael... Porque você está parado ai? (Cleber)
— Nunca estive no meio de algo assim, estou com medo. (Eu)
— Cara, essa vai ser a primeira de muitas vezes suas, com esse mundo assim, agora é matar ou morrer, pega a arma para sairmos logo daqui. (Cleber)
Coloquei minha mão na bolsa de armas que estava atrás do banco, em cima do porta-malas, e puxei-a. Tirei o rifle e joguei para o Cleber, que correu de volta para trás da roda da caminhonete e perguntou para Lara onde estava o atirador, ela apontou para o prédio e ele mirou com o rifle, coloquei o rosto do lado do carro para tentar ver se achava ele, dois tiros foram ouvidos, o primeiro veio do lado da caminhonete, onde Lara e Cleber estavam, e o segundo tiro vindo de algum outro lugar, que acabou atingindo a parede ao lado de onde eu estava a uns dois metros de distancia de minha cabeça.
— Nossa... Ele errou... O que aconteceu? (Eu)
— Ele foi atingido, acertei-o bem na cabeça, na hora que ele mirava em você. (Cleber)
— Conseguimos? (Eu)
— Se ele estivesse sozinho, sim. (Lara)
— E estava? (Eu)
— Não sabemos, mas me parece que sim. (Lara)
Cleber deixou a arma cair de lado e colocou a mão no braço, Lara olhou preocupada e eu ainda escondido fui correndo até ele.
— Ei... Cara... O que foi que aconteceu? (Eu)
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