Zombie Attack

10 I - Atravessando a ponte.


Notas iniciais
Estamos finalmente do outro lado!

Acredito que ela seja apenas uma pessoa muito bem informada ou trabalhou com algum tipo secreto de governo, seja o que for ficou na vida passada dela e eu não tenho nada a ver. Ela poderia pelo menos me informar para que eu entenda como ela sabe de tanta coisa, mas isso é com ela.

— Ei Rafa, acho que vou chama-lo de Garfield, pois se parece com o gato dos desenhos e filmes. (Lara)

— Dando nome para um gato que só iriamos tirar de lá? (Eu)

— Não seja tão chato, me deixa ficar com ele... Vai? (Lara)

— Contanto que seja responsável e cuide dele. (Eu)

— Claro! (Lara)

Senti-me como se estivesse falando com uma criança e decidindo se ela podia ficar com o bichinho de estimação, foi um dos momentos mais estranhos que acabaram por acontecer, logo abaixo de ontem.

Sentado em nosso novo meio de locomoção agora estávamos indo em direção à ponte para saber se poderíamos atravessa-la. Por não termos andado muito chegamos rapidamente e novamente constatando haver policiais cercando o perímetro, chegaríamos ao outro lado se tivéssemos um transporte aquático, mas no momento somente aquele Peugeot 206 verde encontrado na casa, quem sabe se do outro lado haveria outro veiculo com tanta facilidade de ser encontrado.

— Se falarmos com os guardas eles não nos deixariam atravessar? (Lara)

— Podemos incluir na nossa lista de alternativas. (Eu)

— Lista? (Lara)

— Sim, temos três possibilidades, cada uma com alguma chance de êxito. (Eu)

— A primeira é procurar um veiculo aquático a margem do rio para atravessarmos por ele, a segunda agora é essa que você disse, pedir para os policiais que estão na ponte se podem baixa-lapara passarmos e a última é rampar a ponte elevada. (Eu)

— Eu voto para que seja a última. (Lara)

— Vamos pela ordem da lista. (Eu)

— Eu preferia rampar primeiro, mas pode acabar estragando o carro. (Lara)

— Isso também. (Eu)

— Então vamos pela sua ordem. (Lara)

— Certo. (Eu)

Dei marcha ré e segui o curso do rio lentamente procurando algum veiculo aquático, muitos carros quebrados e outros deixados estavam na estrada e em cada um paramos para verificar, mas somente em um carro havia algo que poderíamos utilizar, alimentos perecíveis e não perecíveis.

Depois de pegar, percorremos quase um quilometro sem mais nada a ser encontrado então parei o carro embaixo de uma arvore, em frente alguns deles estavam deitados no meio da rua e outros andando sem direção, muitos para se ter uma conta exata de quantos haviam ali.

— Certo, vamos voltar? (Lara)

— Não encontramos nada além dos alimentos, então vamos ver se os policiais são amigáveis e nos deixam passar. (Eu)

Bem nessa hora um deles começou a andar em nossa direção e Lara me mandou ficar em silencio e desligar o carro, assim feito ficamos observando. Ele passou reto e esbarrou no carro parado do outro lado da rua fazendo com que um alarme tenha começado a tocar bem alto. Todos os outros olharam e começaram a ranger os dentes e se arrastar em nossa direção.

— Não seria melhor sairmos daqui? (Eu)

— Eles não nos perceberam, só estão olhando em direção ao alarme do carro. (Lara)

Um deles escondido atrás da arvore com o barulho saiu de lá, se virou e nos percebeu ali, começou a se arrastar lentamente e bateu as mãos no vidro. Lara sem prestar atenção se assustou e deu um grito, fazendo com que todos os outros nos percebessem e começassem a vir em nossa direção.

— Agora é uma boa hora de ligar o carro e sair? (Eu)

— Com certeza. (Lara)

Rodei a chave, mas ele não ligou, cada vez os mortos se aproximavam mais e o que estava do lado do carro batia no vidro. Tirei a chave e tentei colocar de novo, mas ela bateu no canto da ignição e caiu no chão.

— O que esta esperando... Liga logo!(Lara)

— Calma, já vai. (Eu)

Os mortos chegaram ao capô do carro e começaram a bater nele, o vidro do lado de Lara começou a rachar e o carro não ligava. As minhas mãos começaram a suar e eles se aproximavam cada vez mais, então Lara nervosa pegou a pistola e fez um buraco no vidro estilhaçando-o e acertando o tiro na cabeça do morto, outros começaram a se juntar em minha janela, coloquei a chave e a virei, finalmente o carro acabou ligando. Dando marcha ré novamente deixamos todos eles embaixo da árvore, virei na rua e mudei de marcha, depois voltei para a margem do rio onde estávamos e saímos daquele lugar. Pelo espelho pude ver todos andando em nossa direção e sendo deixados para trás, mas sem desistir continuavam vindo até não serem mais vistos.

Depois de desviar de alguns pela estrada voltamos para perto da única ponte que ligava as cidades, ouvimos gritos e tiros, aproximamos pela rua a direita e constatamos haver vários mortos mordendo policiais e outros levando tiro, mas cada vez chegando mais deles pelas ruas. Lara pegou um dos rifles e saiu do carro, correu em direção aos policiais, se virou na metade do caminho e disse:

— Vamos, precisamos ajudá-los, quem sabe eles nos retribuam deixando-nos passar. (Lara)

— O... Kay... (Eu)

Puxei uma das armas do banco traseiro, sai do carro deixando-o do lado de uma casa com o “Garfield“ e as outras armas.

Corri em direção a ponte onde Lara estava ajudando os policiais, quando uma horda começou a aparecer por todos os lados.

— Mas quem são eles? (Policial)

— Eu não sei. (Policial 2)

— Devem ser os doentes que nos informaram. (Policial 4)

— Então só atire se for mesmo preciso. (Policial)

— Ei, o certo é o que são eles. (Eu)

— E, o que são? E quem são vocês? (Policial)

— Morto vivos canibais, com fome de carne humana. (Lara)

— Vocês são canibais? (Policial)

— Claro que não, eles são canibais que querem nos devorar — Apontando para os mortos. — Já nós estamos no seu time. (Lara)

— Como assim mortos? (Policial 2)

— Alguém que morreu e voltou à vida sem ter controle de seus próprios movimentos, eles não estão doentes e sim sendo controlados por algo. (Eu)

— Não estão doentes? (Policial 4)

— Não. (Eu)

— Então são zombies? (Policial)

— Pode se dizer que sim. (Eu)

— Então para mata-los é com um tiro na cabeça. (Policial 3)

— Sim, mas como sabe disso? (Eu)

— Séries, filmes, jogos, são o que meu filho mais gosta. (Policial 3)

— Ei, ouviram eles, isso na nossa frente só morre com tiros na cabeça. (Policial)

— Mas, são pessoas senhor. (Policial 2)

— Não são mais. (Policial)

Enquanto falávamos matávamos vários deles, até perceber que o nosso número estava diminuindo demais, afinal eles foram treinados para pegar bandidos e não para matar isso.

— Gostei de “zombies“, fica menos assustador ao se falar deles. (Eu)

— Mas, ao olhar eles continuam do mesmo jeito. (Lara)

Sendo eliminados aos poucos o numero de policiais se limitavam aos cinco que estavam conosco, mas o de “zombies“ somente aumentava com as mortes dos outros que voltavam em questão de minutos à vida.

— Temos que chamar o pessoal do outro lado para ajudar-nos. (Policial)

— Vamos baixar a ponte? (Policial 2)

— O radio do carro não funciona mais. (Policial 3)

— Então baixem a ponte agora! (Policial)

Um dos policiais foi até a cabine de controle e após baixar alguns centímetros ela parou deixando interligadas as duas partes suspensas.

— Acho que é melhor ramparmos para o outro lado e ver no que dá, ao invés de ficar aqui onde podemos acabar morrendo. (Lara)

— Meu carro esta no meio deles, não temos como chegar lá. (Policial)

— Vamos no nosso carro, que está logo ali. (Eu)

— O verde? (Policial)

— Sim. (Eu)

— Como um número de vinte policiais diminui setenta e cinco por cento em tão pouco tempo? (Policial 3)

— Não sei, mas acho que vamos ter de nos juntar a eles agora. (Policial 4)

— Vamos para o carro agora! (Lara)

— Somos sete, não cabemos em um carro. (Eu)

— Nós dois vamos no outro que esta ali na esquina estacionado. (Policial 4)

— Certo, mas nos encontrem do outro lado. (Policial 2)

Liguei o carro o mais depressa possível e vi que Lara ficou triste.

— O que foi? Agora podemos atravessar e ainda por cima rampando como você queria. (Eu)

— O Garfield não estava aqui quando chegamos. (Lara)

— Você sabe que gatos sempre voltam para o seu lar, então ele deve ter voltado para aquela casa. (Eu)

— Eu sei, mas pensei que podia cuidar dele. (Lara)

— Com licença, sem querer interromper a sua conversa, mas estamos no meio do que se parece com um apocalipse “zombie” e gostaríamos de sobreviver. (Policial 3)

— Por favor, poderiam rampar logo para nos reunir com os policiais do outro lado? (Policial 2)

— Claro, foi mal. (Eu)

Com o carro ligado acelerei em direção a ponte, desviando de muitos “zombies“ e atropelando outros, ativei o limpador de para-brisas para tentar tirar o sangue que havia, mas sem muito sucesso. Passamos pela ponte voando literalmente, caímos do outro lado enquanto eu tentava controla-lo ao derrapar, depois que paramos não vimos o carro dos dois policiais, então dirigi até a margem do rio e pudemos ver uma horda cercando o carro deles e arrancando pedaços de seus corpos enquanto ouvíamos seus gritos de dor.

— Acho que somos somente nós. (Policial 3)

— Como assim? (Policial)

— Só sobramos nós cinco do carro e eu não vejo ninguém desse lado da ponte além de alguns zombies. (Lara)

— Exatamente. (Policial 3)

— Mas que merda, cadê todo mundo? (Policial 2)