Yume no Naka He

4 Capítulo 4 - Restaure o Coração Partido


Notas iniciais
Nikame Minayumi Idade: 14 anos Altura: 1,57 Cor dos cabelos: Dourados Cor dos olhos: Azuis

Eu ainda não posso ir, definitivamente não. Tem um lugar que ainda preciso chegar, e muitas coisas que quero fazer. Na verdade, eu tenho um grande divida a pagar, eu não posso me esquecer da minha última promessa, na qual confiei a uma pessoa, ela continuou esperando, o tempo passou em ambos os lugares, agora o crepúsculo já estava em seu respingo final, eu serei capaz de encontrar o fragmento que falta pra poder partir, ir de encontro a luz que eu jamais vi.

A cada passo que os quatro davam, o caminho parecia ainda mais estreito. Ryuugu, Haruka, Nijima e Yume buscavam compreender o sentido desse repentino fim. Nijima decidiu ajudar Haruka a encontrar o caminho para o céu e achar sua irmã, mesmo desconhecendo os perigos daquele mundo, o rapaz estava determinado, e Yume parecia não se preocupar com isso, afinal, também era uma pessoa amável que ajudara quem pudera, Ryuugu por sua vez, apenas os acompanhava, como havia prometido guiar os dois jovens até uma possível saída desse mundo, era o que mais possuía conhecimento desse misterioso apocalipse.

Ryuugu tomava frente na caminhada, seguia para onde provavelmente se encontrava os portões para o céu, onde as pessoas capturadas eram levadas. Porém, meio a jornada, os quatro se deparavam com uma cidade. Ela parecia bem vazia, como a maioria dos lugares do Japão e do mundo, mas em certos pontos podia-se notar aglomerado de pessoas trabalhando em agricultura ou artesanato, pareciam estar vivendo normalmente. Em cada rua, também podia-se ver uma igreja, o local com maior número de pessoas, todas pedindo perdão por seus pecados, com medo de irem para o inferno. Enquanto caminhavam vagarosamente, Ryuugu debochava da cidade:

Ryuugu: Tch, a cada canto que eu olho, sempre a mesma merda! O mundo está mesmo em seu fim, devido á essa total ignorância

Yume: Bom... acho que rezar, é o que a maioria iria fazer mesmo, diante do fim que cercam seus olhos. Não os culpe.

Nijima: Cara, e se nós avisássemos todos sobre as verdadeiras intenções de Deus?

Haruka: E qual são as verdadeiras intenções de Deus? Ainda não sabemos muita coisa...

Ryuugu: É CLARO QUE SABEMOS! Você estava lá, trancada em um lugar pseudo-religioso que estuprava garotas e enganava as pessoas, e todos eles, em nome desse falso Deus que dá essa maldita pregação. Deus e o Diabo, qual é a diferença afinal? O final é o mesmo, todos serão levados daqui pra sabe-se lá onde!

O rapaz esbravejava diante de Haruka, não agüentava ouvir argumentos a favor de um suposto Deus piedoso, mas tal atitude, não agradara Nijima.

Nijima: Ei idiota, não fale assim com ela, depois de tudo que ela passou.

Ryuugu o encarava com certo desprezo, estavam prestes a começar uma discussão, até que Yume os repreende.

Yume: Não é hora pra isso, parem! Estão vendo aquelas pessoas? Parecem que estão olhando pra gente.

A garota apontava para um grupo de várias senhoras, que pareciam cochichar a respeito dos visitantes, elas possuíam uma expressão nada amigável, quando uma delas, sai do grupo, e vai em direção á um senhor que parecia ser um tipo de Frei de uma das igrejas, enquanto os jovens continuavam a observar, o senhor caminhava em direção a eles, levando consigo seu cajado.

Frei Carmino: O que querem na nossa terra? Pelo visto vieram de bem longe, não vejo pessoas com essas roupas á um bom tempo aqui! Por acaso são de Tóquio?

Os quatro foram pegos desprevenidos pelas perguntas do homem, que por sinal, não parecia nada contente ao vê-los por ali. Nijima toma a iniciativa para respondê-lo:

Nijima: O que queremos? Bem, precisamos querer algo pra passar por alguma cidade? E vejo que o senhor não é tão saudoso com visitas, entretanto, só estamos de passagem, só queremos achar um lugar pra comer e então vamos embora.

O rapaz demonstrara confiança em suas palavras, agindo como líder do grupo.

Frei Carmino: Realmente, pessoas assim não são bem vindas assim, geralmente os visitantes daqui querem preencher nossas vidas com o caos, são mensageiros do diabo, eles querem tirar o bem que nossa cidade possuí, por isso não aceitamos mais pessoas por aqui!

Ryuugu já sentia uma vontade tremenda de ofender o Frei, mas Yume o segurava para não acabarem expulsos á força dali.

Haruka: Espere... o senhor disse Tóquio? Sabe em que direção fica? ‘u’

O senhor parecia surpreendido com a pergunta de Haruka, e logo a responde:

Frei Carmino: Então não são de Tóquio? Estranho, quem são vocês?

Yume ficara intrigada ao ouvir a pergunta de Haruka, por que ela queria saber de Tóquio? Sem esperar, ela questiona a menina:

Yume: O que tem... Tóquio?

Ryuugu: Hã, você não sabe? Supostamente lá é onde Deus fica, e também é pra onde estamos indo.

Yume: *Como é que eu poderia saber?*

Ryuugu: De qualquer forma só estamos perdendo tempo aqui falando com o senhor, precisamos seguir enfrente.

Nijima: Mas e a comida? ;-; To morrendo de fome!

Frei Carmino: Não os quero aqui até o entardecer, ou então chamarei minhas tropas.

Os quatro se distanciam do senhor, um pouco irritados com a atitude desse mesmo, a humanidade parecia estar mesmo no fundo do poço da ignorância, assim como Ryuugu dizia, mas precisavam comer, a comida que haviam pegado no Purgatório já estava quase acabando, mas ao andarem pela cidade, não encontraram nenhuma loja de conveniência aberta, ou algo do tipo, parecia que as pessoas plantavam para si mesmas o que precisavam, aquilo estava mais pra era feudal do que para o futuro, graças ao acontecido, a humanidade andara ao contrário, era o fim da evolução. Até que cansados de procurarem por comida, e com todas as pessoas que encontraram os evitando, os quatro param em um pequeno parque abandono, e se sentam pra descansar.

Yume: O que dá nessas pessoas pra nos ignorarem assim? Foram manipulados tão facilmente? Será que assim eles vão mesmo chegar ao céu? Haha.

Ryuugu: Cedo ou tarde não vai mais sobrar ninguém daqui, é bom que eles aproveitem seus últimos dias com esse orgulhoso e desconfiança.

Haruka parecia intrigada com alguma coisa que tinha visto, eis que então, Nijima resolve perguntar:

Nijima: Haruka-Chan, está inquieta já faz algum tempo, tá preocupada com alguma coisa?

A garota olhava para os lados, se levantava, e ao ver que tudo estava limpo, respondia em tom de voz baixa para o garoto:

Haruka: Eto..Nijima-Kun, acho que alguém está nos seguindo desde que encontramos o bispo.

Nijima: O quê? Tu viu alguém?

Ryuugu: Haha, como vocês são lerdos mesmo, é claro que estão nos seguindo. Você aí atrás dessas pedras, pode sair já.

Enquanto Ryuugu falara, um garoto saía de trás de um pequeno amontoado de rochedos que havia no meio do parque. Ele aparentava ter de 14 á 15 anos, assim como os outros habitantes da cidade, perante aos jovens, os tratava com indiferença e desprezo em seus olhos, continuara de pé olhando para os quatro, ficando em silêncio.

Nijima: Um pirralho? O que você quer?

Ao entoar tais palavras em direção ao menino, esse então se abaixa, pega um pedaço de pedregulho, e arremessa contra a cabeça de Nijima, o atingindo.

Nijima: EI MALDITO Ò_O, o que pensa que ta fazendo?

Yume: Isso que da mexer com crianças.

Ryuugu: Você foi mandado pelo padre ignorante, é? Não sabia que as pessoas daqui eram tão baixas a ponto de mandarem apenas um garotinho para seguir os visitantes!

O menino parecia mudar de expressão ao ouvir Ryuugu falando mal das pessoas da cidade, ele então com a cabeça abaixada, se aproxima dos 4, e responde gritando:

- VOCÊ NÃO SABE NADA, NÃO SABE NADA! ENTÃO PARE DE FALAR ASSIM DAS PESSOAS DAQUI!

Todos ficaram surpresos, o garotinho parecia bem inofensivo a primeira vista, apesar de ter quase arrancado um olho de Nijima.

Yume: Ei.. desculpe nosso amigo ^^’, ele não teve intenção sabe.

Ryuugu: Eu tive intenção sabe!

Yume: Cale a boca *pancada*

Haruka: Por que você estava nos seguindo? Eu também te vi lá atrás, pareceu não receber ordens do Frei, nem de ninguém.

O jovem novamente abaixara sua cabeça, e parecia pensativo por alguns segundos. Ninguém entendia nada, a rua ao redor do parque era bem silenciosa, enquanto esperavam uma resposta do garoto, um gato preto subira em cima do escorregador, era a primeira vez que haviam visto um animal pelas redondezas. Eis que o garotinho então, caguejando, os responde:

- C..comida.

Nijima: Hein?

- COMIDA! Vocês pareciam com fome...

Yume: Bem, de fato, não encontramos nenhum lugar pra comermos por aqui, e as pessoas parecem nos desprezar.

- Eles não fazem isso por mal, entendam. Se quiserem... mamãe pode fazer um bolo pra vocês!

Enquanto fazia tal convite, o menino parecia um pouco tímido, era de estatura média, e tinha cabelos loiros até o ombro, estava bem sujo, assim como todas as pessoas que encontraram por ali.

- Mamãe me disse que não podemos negar comida a ninguém, ainda mais quem tá passando fome. Essa cidade não tem muito, mas mesmo assim podemos ajudar.

Nijima: Tá falando sério? Sua mãe não iria achar ruim mesmo como todos da cidade?

Nijima achara um pouco suspeito a atitude do menino, visto que todos que encontraram pelo caminho, não demonstraram um pingo de piedade.

- Cala a boca! Mamãe é diferente... ela é diferente, eu e ela... nos não somos iguais os demais.

Haruka: Então seria um prazer fazer companhia á vocês dois.

Sem êxito, Haruka logo aceitara o convite, sabia que as palavras do menino eram transmitidas com sinceridade, assim como as de sua irmã, eles eram bem parecidos.

Ryuugu: Vamos aceitar sem mais nem menos?

Nijima: Apesar da pedrada, ele é um bom garotinho *-* ~Só ta com fome~

Enquanto Nijima afagava a cabeça do garoto, ele se afastava, e começara a caminhar.

- Vamos, não demora muito até chegar lá.

Yume: Aliás, qual seu nome?

O jovem se virava, e ainda com seu olhar frio e sem vida, respondia á garota:

- Nikame. O resto não importa.

Ao chegarem na casa de Nikame, tudo parecia bem humilde. Era uma antiga casa japonesa de madeira, bem simples, com alguns buracos e madeiras quebradas, ao entrarem, uma mesa preenchia a cozinha, junto com um armário onde eram postos os alimentos, e sentada no sofá da sala, estava a mãe de Nikame, parecia estar lendo a bíblia sagrada, mas ao entrarem, ela logo se levanta, e dá as boas vindas aos visitantes.

Kotahora: Ara ara, parece que Nikame-Chan fez alguns novos amigos, estou bem feliz!

A mulher se aproximava de seu filho, apertando suas bochechas fortemente, o que envergonhara o garoto.

Nikame: Mãe.. pode parar com isso por favor?

Kotahora: Yare, me perdoe se te constrangi, mas sabia que você é o orgulho da mamãe? *3*

Yume cutucava Haruka e cochichara com a mesma:

Yume: Realmente, ela é BEM diferente das outras pessoas da cidade ._.

O garotinho dava um forte tapa nas mãos de sua mãe, deixando todos no local com olhos arregalados meio á essa atitude.

Nikame: JÁ DISSE PRA PARAR COM ISSO!

Sua mãe se afastara sem expressão alguma, mas após um instante, ela voltara a sorrir como sempre.

Kotahora: Entendi Nikame-Chan, então você os trouxe pra comer também, né? ^^

Nijima: Também?

Kotahora: Sim sim, meu filho é o único aldeão da cidade que trás os visitantes pra cá, devido ao desprezo dos demais... ele pode parecer um garoto fechado, mas é uma boa pessoa!

Nikame: CALE A BOCA! Não quero ouvir isso de você... Eu to indo nessa, eles agora é responsabilidade sua.

O menino saíra rapidamente da casa, batendo a porta com certa força, parecia estar chateado com sua mãe. Ninguém conseguia compreender tal atitude, depois de serem levados para comer em sua casa.

Kotahora: Por favor sentem-se e fiquem a vontade! Perdoem o meu filho, ele já passou por mals bocados, por isso tem esse gênio...

Ryuugu: É, talvez eu consiga entendê-lo.

Os quatro então se sentavam, enquanto a mulher se apresentara:

Kotahora: Me chamo Kotahora Minayumi, muito prazer. Vejo que vocês vieram de longe...

Haruka: Prazer Kotahora-San, eu sou Haruka, aquela ali no canto é Yume, e esses dois são Nijima e Ryuuku.

Ryuugu: RYUUGU Ò_O’

Kotahora: Vejo que vocês se dão muito bem, queria que meu filho fosse enérgico assim..

Yume: Desculpe a intromissão, Minayumi-San, mas, por que exatamente Nikame-Chan é desse jeito?

Enquanto Kotahora preparava um bolo na pia da cozinha, ela respondia a pergunta de Yume

Kotahora: Bem... desde que tudo ‘isso’ aconteceu, as coisas na nossa casa mudaram muito, é claro, elas mudaram no mundo todo. Mas mesmo depois do começo do apocalipse, nossa casa ainda era rodeada por alegria.

Haruka se levantara, e oferecia ajuda para preparar o chá e o bolo.

Kotahora: Pode não parecer mas, a alguns anos atrás, essa cidade ainda era bem movimentada, mesmo com a chegada de Deus, todo mundo continuou a viver sua vida normalmente, esperando o momento de partir, sem desespero. É claro que havia pessoas que se mudaram para bem longe, e outras que se isolaram em igrejas, mas a maioria ainda manteve a calma, e viram a chegada de Deus como salvação para o mundo. Era motivo de felicidade esse acontecimento, eu e meu marido queríamos dar o melhor para o nosso filho, nos últimos dias aqui na terra, Nikame vivia feliz, rodeado por amigos. Meu marido era um padeiro bondoso, que após a descida de Deus em Tóquio, decidiu distribuir comida gratuitamente para todas as pessoas, não só ele, mas todos agiam com bondade, apenas esperando a hora de serem levados pelo salvador. Tudo parecia muito bem, até que certo dia, um visitante misterioso, trajando roupas bem diferentes de nossos aldeões, chegou até a cidade. Meu marido lhe ofereceu alguns pães, pois este parecia com fome, mas ele recusou, e chamou a nossa padaria de lixo, e jogando os pães no chão. Meu marido não ligou, pensava que o rapaz estava estressado com seus problemas do cotidiano, ele então com boa vontade, lhe ofereceu um pedaço de bolo, o melhor que eu sabia fazer, mas ao se aproximar do homem, este mesmo com um forte tapa, arremessou o bolo sobre a parede da padaria. Nesse mesmo momento, um rapaz estava passando pela rua, e viu tal ato. Indignado, ele rapidamente entrou, e ao começar a discutir com o indivíduo, os dois partiram para uma briga. Meu marido tentou ajudar, mas tudo parecia em vão, o homem indignado o socava sem parar, até que o sujeito parecia não mais respirar. Quando a ajuda chegou, era tarde. Ele estava morto. O rapaz tentou explicar para os demais cidadãos o que tinha visto, mas mesmo com a explicação, alguns não aceitaram o ato cruel, ninguém sabia o que fazer. Quando as autoridades do local chegaram, sem meias palavras, os dois policiais resolveram dar sentença de morte ao homem. Depois que Deus estava na terra, a cidade só possuía pessoas boas, de boa índole, mas o feito do rapaz era totalmente contraditório a isso, não podia ser aceitado. Muitos foram contra, e muitos a favor da execução deste, até que ele apareceu.. o Frei Carmino. Ele havia chegado 1 ano atrás na cidade, dizia-se ser um padre enviado por Deus para manter a boa conduta no lugar, e assim, mantinha algumas regras rígidas. Ele era a favor da execução do assassino, mas havia um grupo contra, querendo apenas mandá-lo embora da cidade, os a favor do padre, diziam que a vontade de Deus era punir os pecadores, assim como o Frei dizia, só pessoas com atos bons poderiam ir para o céu, e Carmino estava lá para julgar todos. A discussão continuou durante a semana, o grupo continuou se rebelando as idéias do Frei, até que este resolveu tomar uma atitude. Quem protegia um assassino, também era julgado como assassino, e assim, deveriam ser banidos também. Todos acreditavam fielmente em tudo que o pseudo-padre dizia, o seguiam com temor e devoção, até que um dia, aconteceu uma reunião na igreja principal da cidade, onde o Frei formou um grupo para exterminar todos que fossem contra as vontades de Deus, e como compensação, as pessoas que lhe ajudassem, seriam levadas para o céu. Um grupo de 20 pessoas fora formado, e então, certa noite, com facas e outras armas, fizeram um ataque surpresa onde o homem estava sendo mantido. Mataram todos que o protegiam, inclusive meu marido, que foi a pessoa que deu idéia inicial para a proteção do rapaz. Depois disso, os ‘heróis’ da cidade foram levados pelo Frei até o céu, como se o que eles fizeram, tinha sido uma benção divina, tirar a vida de várias pessoas, sem exitar. Eu e Nikame só pudemos ficar calados e ver o corpo do meu marido queimar, a partir desse dia, a cidade mudou. A maioria das pessoas segue o Frei fielmente, e a cada semana, as mais bondosas são levadas para o céu, as que ele achar que estão preparadas, enquanto há outros grupos, de poucas pessoas, que se recusam a fazer bondades, por desconfiarem do padre, por isso o desprezo de alguns que vocês viram por aí, as pessoas querem se manter neutras, e outras, não confiarem em mais ninguém que não seja o Frei. Desde a morte de seu pai, Nikame tem se fechado, e o pior, ele tem tido vários sonhos, todas as noites. Ele diz que no sonho seu pai o encontra, e diz que ele não pode partir ainda, pois tem uma coisa importante para fazer. É por isso que ele vive assim, indiferente com todos, ele continua tendo o mesmo sonho todos os dias. Trazer visitantes pra cidade é considerado crime, mas felizmente, nunca fomos descobertos, mas mesmo assim, acho que o pior que poderia nos acontecer seria ficarmos pra sempre aqui, já que não é considerado um bom ato nos olhos do Frei.

Finalmente o bolo ficara pronto, todos ficaram entristecidos com a história da mulher, e conseguiram sentir a dor de Nikame, e porque ele agia daquela forma. Enquanto Kotahora lhes servia o bolo, e Haruka o chá, Nijima mantinha uma expressão furiosa em sua face:

Nijima: Está decidido. Eu vou matar esse Frei.

Todos olhavam para ele, entendiam esse sentimento, mas mesmo assim...

Ryuugu: Idiota, quer se envolver em tudo é? Não viu o que aconteceu? A cidade toda ta do lado dele, não podemos fazer nada.

Kotahora: Infelizmente, Ryuuku-San tem razão... Não podemos nos opor contra as autoridades, sempre foi assim, não é?

Ryuugu: É Ryuugu ¬¬’

Yume: Mas isso é realmente injusto! A senhora ainda acredita nesse tal de Deus?!

Kotahora: É claro que não. Eu apenas vivo minha vida tentando deixar Nikame feliz, sabendo que o fim logo estará aí, tudo que me importa aqui é a felicidade dele ^^

Haruka: Então é assim que uma mãe se sente...

Kotahora: Aliás Haruka-Chan, sabe fazer um chá excelente *-*, mais tarde quero que me ensine os truques!

Haruka meio sem graça, respondia:

Haruka: Claro claro, mas o melhor é ficarmos o menos possível por aqui...

Após apreciarem o delicioso bolo da mãe de Nikame, Nijima agradece pela refeição, se sentindo aliviado.

Nijima; Cara , esse foi o melhor bolo que comi na vida! Nikame tem muita sorte.

Kotahora: Ara ara, não precisa mentir assim! Mas fico contente que tenha gostado, eu ainda não chego aos pés do meu marido mas, tento fazer meu melhor.

Enquanto conversavam, todos puderam perceber vários estrondos vindos de perto.

Yume: Ouviram isso?

Ryuugu: O que diabos ta havendo lá fora?

Kotahora olha pela janela, e arregala os olhos imediatamente. Ela então sem explicações, pede para que os quatro se escondessem no porão de sua casa. Nijima tenta questioná-la, mas Ryuugu confia na mulher, e o força á ir se esconder. Kotahora se sentava novamente em seu sofá, trêmula, pegara seu livro, e começara a ler, ou pelo menos fingia, como se não houvesse ninguém por ali. Segundos depois, a porta de sua casa é arrombada, e dois indivíduos entram, Tomio e Misaki, do grupo de perseguição.

Misaki: Opa, boa tarde dona. Desculpe interromper sua agradável leitura.

Kotahora colocara o livro sobre a mesinha da sala, e com seu mesmo sorriso de sempre, atendia aos dois, como se tudo estivesse perfeitamente normal.

Kotahora: O que posso fazer por vocês? ^^

Tomio: Sem enrolação, mas, recebemos informação de que quatro visitantes estranhos vieram até essa cidade, e pelo visto, ainda estão por aqui, como testemunhas disseram.

O coração da mulher começara a bater mais forte, mas ela precisava manter a calma e não demonstrar insegurança nas palavras.

Kotahora: Bem... eu não saí de casa ainda hoje, então não estava sabendo de nada disso, desculpem.

Misaki: Haaam, to sabendo... Mas só pra não deixar nada passar mesmo, será que podíamos revistar a casa rapidinho?

Kotahora: Fiquem a vontade.

Como a entrada para o porão era coberta por um tapete, dificilmente os dois deveriam encontrá-la. Eles começam a revistar por toda pequena casa, vão até o quarto de Nikame, mas nada encontram.

Misaki: Pow, parece que ela ta falando a verdade mesmo, Tomi =/

Tomio: Cara, que saco, então quer dizer que o pirralho tava mentindo?

Kotahora; *Pirralho? O_O*

Sem pensar duas vezes, a mulher já sabia que se tratava de Nikame, sem esperar, ela questiona sobre o paradeiro de seu filho, e segundos depois, Frei Carmino aparecia na porta de sua casa, segurando a cabeça do garoto com a palma de sua enorme mão.

Frei Carmino: Kufufufu, olha só, que nostalgia! A puta mulher do protetor do assassino, é bom te ver!

Kotahora desesperada, pedia para o homem soltar seu filho;

Kotahora: Covarde, o que fez com Nikame? SOLTE-O

Nikame parecia desacordado, mas conseguia entoar algumas palavras

Nikame: Ma..mãe. Me desculpa x-x

Frei Carmino: Então eles já não estão mais aqui? A testemunha me disse que eles entraram na casa do pirralho, e depois da tortura que demos a ele, acabou confessando, então cadê?

Kotahora: TORTURA? FILHO...

A mulher se ajoelhava no chão implorando para que soltassem seu filho, chorava desesperadamente, enquanto Misaki olhava a mesa da cozinha, e via os pratos com farelos de bolo.

Misaki: AH... então é isso?

Ela pega sua arma da cintura, se vira para o Frei, e sorrindo, afirma:

Misaki: Não se preocupe, eles ainda estão aqui =)

Eis que Nijima com certa agilidade sai do esconderijo, e com toda sua força da um soco na nuca da garota, que vai em direção ao padre, que acaba soltando Nikame.

Nijima: Então aqui estamos novamente, seus FILHOS DA PUTA!

Enquanto Nijima pegara uma faca que estava em cima da mesa para se defender, por trás dele, Tomio apontava sua arma em direção a cabeça do rapaz

Tomio: O que quer fazer com uma faca de cozinha, seu lixo?

Frei Carmino se levantara do chão, juntamente com Misaki. Nikame fora ao lado de sua mãe que ainda estava chorando.

Misaki: Não perca tempo seu idiota, pegue os outros que estão onde esse verme saiu!

Misaki apontara sua arma para Nijima, que estava completamente rendido, enquanto Tomio fora revistar o local. Mas ao olhar, não encontra nada. Havia um buraco no fundo do porão, onde supostamente os outros haviam escapada.

Tomio: Eles foram espertos, se mandaram. Então só temos o nosso herói aqui.

Frei: EI CARALHO! Eu quero todos esses merdinhas capturados entenderam?

Misaki ainda com raiva do soco que recebera, pedia para Tomio bater em Nijima.

Misaki: Dê a esse rato o que ele merece agora.

O Frei então, e entromete, e faz outro pedido para Tomio.

Frei: Não... antes, eu quero que matem essa cadela vadia traidora!

Nijima: *O quê? O_O*

Nikame: NÃÃO! DEIXEM MAMÃE EM PAZ, FUI EU QUE TROUXE ELES, FUI EU, POR FAVOR!

O Frei apenas ria do garoto, e ao se aproximar dos dois, dava um forte soco na boca do menino. A mãe descontente com tal ato, se levantara, e tentara atingir o padre com tapas, mas este, nada sentia. Tomio olhava nos olhos de Carmino, e em seguida, atirava nos joelhos de Kotahora, que agonizava no chão coberto de sangue.

Nijima: SEUS MALDITOS! NÃO ERA EU E OS OUTROS QUE QUERIAM? DEIXEM ELES EM PAZ!

Misaki: Cala a boca meu, como é chato. Não vamos matá-la, não é nossas ordens mas, se o padrezinho aí quiser...

Misaki então dá sua arma para o Frei, e este rindo feito louco, mirava na cabeça de Kotahora.

Nikame: NÃOO, NÃO FAÇAM NADA COM A MAMÃE!

Kotahora, mesmo nesse momento, pensara em Nikame, e pedia para seu filho fugir.

Kotahora: Vá embora logo Nikame-Chan, mamãe vai ficar bem, saía pelo porão onde os outros fugiram!

Frei: Bem, acho que isso é tudo que tem a dizer, né?

Prestes a puxar o gatilho, a mãe de Nikame olha em seus olhos, pela última vez, chorando, ela suplica para seu amado filho

Kotahora: Fuja e algum dia vingue sua mãe, meu amorzinho.

Quando a mulher fechava seus olhos, o Frei disparava sem piedade. O tiro atingia a cabeça da mulher, que se abrira no meio, e seu corpo caía no chão, manchando Nikame com sangue, enquanto olhava fixamente para a imagem horripilante de sua mãe.

Nijima sem ter o que fazer, rendido por Tomio, apenas grita para o garoto.

Nijima: VÁ EMBORA LOGO DROGA!

O garoto decide então correr para o porão, e consegue escapar.

Tomio: Ei ei, vai deixar ele fugir assim?

Frei: Haha, ele é só um moleque, não vai sobreviver dois dias nessa cidade, com todos sabendo que ele é filho do traidor. Agora, vocês já podem ir embora, eu vou dar a grande notícia para a cidade, de que mais um inseto foi varrido com sucesso!

Misaki olhava com frieza para o bispo, e balançando a cabeça negativamente, lhe dizia:

Misaki: Ah cara... eu acho que não, hein.

Sacando sua katana da bainha que estara em sua cintura, a mulher com um rápido movimento, decaptara o Frei, que não pode ter reação alguma. Seu corpo se chocava contra a parede, e sua cabeça rolara até os pés de Tomio, que a segurava com suas mãos. Misaki pegara sua arma do cadáver, Tomio algemara Nijima, e os dois então saíam da casa. Do lado de fora, uma multidão que sempre acompanhava o Frei, queria saber qual teria sido o final do ocorrido, e se os visitantes tinham sido capturados. Tomio, que carregava a cabeça do padre, a joga no meio dos cidadãos da cidade, enquanto dizia:

Tomio: Pronto, seus tolos. Agora estão livres, não tem mais esse cabaço pra dar ordens e manter regras. Façam o que quiserem. Comam as vadias, fumem, matem, ta tudo liberado ok?

Misaki: Que rude, cara!

As pessoas ficaram todas em choque, não podiam acreditar no que viam, algumas entraram em desesperado, mas não podiam ir contra os membros do grupo de perseguição. Minutos depois, muitos da cidade começaram a brigar, e outros, a atearem fogo em tudo. A esperança havia sido perdida, também haviam aqueles que devido ao acontecimento, se jogaram totalmente para o mal, e começaram a matar e estuprar.

Misaki segurava fortemente os braços de Nijima, enquanto caminhava com este.

Misaki: Não se preocupe querido, cedo ou tarde, seus amiguinhos irão lhe fazer companhia, eu garanto x)

Nijima naquele momento não podia fazer nada, a não ser confiar na ajuda de seus amigos.

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