Yume no Naka He

3 Capítulo 3 - Busque o Céu


Buscar o céu... Mas, o que na verdade é o céu? É apenas um vasto azul coberto por nuvens que não podemos alcançar? Ou o céu estaria além dos nossos olhos, além do que todos pudessem imaginar? Não importa, eu havia feito uma promessa, e estava ali naquele momento, para cumpri-la, irei agarrar fortemente com minhas mãos, mesmo que a distância seja infinita, eu ainda vou chegar lá, nesse céu que tanto busco.

Ainda espantado com a cena que acabara de ver, Nijima ficara com medo, sabia que algo aconteceria, e mesmo trêmulo, não podia ficar parado apenas esperando. Haruka abria os olhos lentamente, parecia olhar para o rapaz, quando ela recobrara totalmente a consciência, fitava Nijima com desespero, como se estivesse sendo sufocada. Nijima não tem outra escolha, ele entra no quarto, e começa a ajudá-la. Ao tirar a mordaça de sua boca, perguntara o que havia acontecido:

Nijima: Haruka-Chan, ei, ta tudo bem? O que houve?

A menina parecia cada vez mais desesperada, respirava ofegante, sem dizer nenhuma palavra, apenas apontava para frente.

Nijima: Ei, me diz, quem fez isso?!

O rapaz começara a ficar impaciente, até que a expressão de Haruka muda, estava ainda mais assustada, e da escada, os dois podiam ouvir passos de alguém que subira rapidamente.

Haruka: Ele ta vindo, sai daqui, por favor!

Nijima não sabia quem estava vindo, mas não podia deixar as coisas daquela maneira, já tinha decidido, iria salvar a garota de quem quer que tenha feito aquilo. Ele prestara atenção nos passosque se aproximavam do quarto, certamente alguém entraria em qualquer instante, o jovem então se esconde atrás da porta, pegando o abajur que ficara ao lado da cabeceira da cama, deixando Haruka no mesmo lugar, para que a pessoa, ao entrar, não olhasse para os lados. Haruka já desamarrada, subira em cima da cama, e se engolia pelos cobertores. Zun entra pelo quarto, parecia bastante furioso, segurando um enorme chicote em suas mãos.

Zun: SUA CADELA, COMO CONSEGUIU SAIR?

Nijima não pudera mais agüentar, ao ouvir a voz de Zun, fechara a porta com força, e golpeara o abajur contra sua cabeça.

Nijima: PURGATÓRIO HEIN? Vocês fazem jus ao nome!

O homem caíra no chão, o vidro havia feito um enorme corte em sua cabeça, o sangue pingava e se esparramava por toda sua face, Nijima corria para perto de Haruka, e a colocava em segurança, deixando-a atrás de si. Zun não perdera tempo, e com seu chicote, desvairava um golpe contra Nijima, que bloqueara com seus braços.

Zun: Filho da putinha, eu pretendia deixar vocês irem embora tranquilamente amanhã, crianças mal criadas como vocês não nos interessam, mas, sabe o que acabou de fazer?

Nijima: É, eu sei o que acabei de fazer, acabei de salvar essa garota, e não vou desistir até salvar todo mundo daqui!

O rapaz com um rápido movimento chegara frente-a-frente com Zun, e com toda força que pudera colocar em seu punho, desferia um golpe contra o queijo do sujeito, e em seguida, conseguia agarrar o chicote e tomá-lo para si. Com o homem confuso por conseqüência da pancada, Nijima se colocara por trás desse mesmo, passara o chicote sobre seu pescoço, e com uma rasteira, o derrubava no chão, enforcando-o.

Nijima: Rápido Haruka, tranque a porta, tem mais alguém subindo!

Zun tentara evitar o enforcamento segurando a corda, mas o garoto fazia uma extrema força, estava assustado, não podia matar alguém, isso nunca lhe passara por sua cabeça, mas naquele momento, não tinha outra escolha. Haruka trancara a porta, e segundos depois, ouvia-se pessoas chutando-a.

Haruka: Nijima-Kun.. o que vai fazer?

A garota começava a chorar ao ver Zun quase sem ar, mas Nijima não suspendia sua ação, se inclinava para trás, tentava acabar com a vida do homem. Até que ele para de fazer força, e subitamente, de respirar. Nijima havia matado uma pessoa. Isso lhe custara muito de seu psicológico. Ao soltar o chicote, suas mãos estavam trêmulas como se estivesse enfartando, olhava para o homem largado no chão, e não podia acreditar que tinha feito aquilo, mas, ao mesmo tempo, Haruka chega com um tom de voz confiante para consolá-lo.

Haruka: Você fez o que era certo Haruka-Kun, me salvou, não se culpe por isso, ele..

Nijima: Sim, ele merecia, agora precisamos dar o fora daqui.

Os chutes na porta continuavam, ela estava quase sendo arrombada, os dois precisariam sair daquele quarto de imediato. Nijima agora mais calmo, só pensara em como sair dali, a sobrevivência dos dois em primeiro lugar.

Nijima:*Mase a Yume-Chan? Não posso deixá-la pra trás, mas parece que tem pelo menos meia dúzia de homens lá fora, e se eles forem como Zun...*

Haruka: Pela janela Nijima-Kun, não temos escolha D:

Nijima: Certo.. vamos nessa.

Os dois jovens então abriam a janela, e apesar de estarem no segundo andar, teriam que pular.

Nijima: Eu vou primeiro, e te seguro depois ok? *Droga, a porta!*

No momento em que Nijima falara, a porta era arrombada, e vários indivíduos entraram no quarto. Um deles possuía uma arma, ele apontara sem demandas para Haruka e Nijima, mas antes que pudesse atirar, o garoto segurava a mão da menina, e os dois então foram para o chão. Nijima conseguiu ser o primeiro a cair, e então, puxou Haruka para cima de si, para que ela não se machucasse. Suas costas doíam, mas ao olhar para cima, via o rapaz com arma, que estara prestes a atirar.

Nijima: Cuidado HARUKA!

Ele jogara a menina para o lado, e com uma cambalhota, pulara para trás. Rapidamente, Nijima ficara de pé, segurava a mão de Haruka, e corria para os fundos da casa. O rapaz atira mais uma vez, mais erra. Os dois já tinham sumido de sua vista.

- ORDENO AGORA QUE PEGUEM ESSES DOIS, SEM VIDA!

Margaret se aproximava do rapaz, e com toda sutileza e mostrando suas verdadeiras garras, dizia em tom de voz pacífico, como sempre:

Margaret: Não será necessário, eu já chamei a Equipe de Execução. Eles não tem saída.

Nijima e Haruka continuavam a correr, agora, já estavam bem longe da casa, se aproximando da montanha. A vegetação ali era um pouco densa, muitas árvores cercavam o local, o que seria difícil para uma perseguição.

Haruka: Aii ~

A corrida dos dois é interrompida quando Haruka sente seu tornozelo, havia torcido devido a queda da janela, e não podia mais andar.

Haruka: Vá Nijima-Kun, por favor, me deixe aqui!

Nijima: Você ta brincando comigo? Acha que te salvei por nada? Eu prometi, vou tirar todo mundo de lá, e você também!

Haruka: Todo mundo? Nijima-Kun..naquele lugar, todos estão sendo manipulados! Eles não acreditariam em nada que dissesse... Certa vez, um rapaz já veio tentar ajudar a todos por desconfiar desse suposto abrigo, até que Margaret deu um jeito de matá-lo, e alegou ás pessoas que ele fazia parte da equipe do inferno, e estava ali para levar todos. Certamente, ela já deve ter falado isso de vocês e seus amigos.

Nijima após ouvir o que a garota dizia, não podia conter sua raiva, não podia acreditar como as pessoas eram crentes em pessoas que nem tinham conhecimento de sua verdadeira face, como o ser humano era fácil de ser manipulado, bastava apenas promessas e palavras bonitas, era tudo que era preciso para influenciar alguém. Ele já havia visto muito disso de onde viera, não importa qual o lugar, as coisas nunca vão mudar.

Nijima: Mas mesmo assim, eu não posso ficar parado e deixar que todos apenas... joguem suas vidas nas mãos de vermes como eles! E Yume e Ryuugu, preciso ajudá-los.

Haruka: Foi tudo por minha culpa, Nijima-Kun, me desculpe... me desculpe.

A menina começara a chorar, se culpando pelo ocorrido. Suas lágrimas pareciam despencar de seu lindo rosto, a sombra da lua daquela noite não existia, estava meio á uma árvore, cobertos por escuridão, apenas as luzes da casa eram vistas por eles de longe, Nijima precisava fazer algo, vê-la daquela maneira, lhe doía o coração.

Nijima: Ei... você sabe que essa foi minha escolha, certo? Não me arrependo de nada, se eu morrer aqui, estarei feliz, por ter feito tudo que eu podia =P Então não fique assim, ainda estamos vivos, e se tem uma coisa que eu aprendi em minha vida é: Não podemos desacreditar no valor que a vida tem, mesmo que ela esteja no fim, mesmo que esteja no limite, como todos desse mundo estão, não dá pra apenas aceitar a derrota, eu nunca vou aceitar isso.

A confiança de Nijima conseguia afetar diretamente a garota, que mesmo sem poder enxergá-lo direito, olhava em seus olhos, e se sentia confortada, disposta a seguir adiante.

Nijima: Me diga, como e por quê foi parar naquele lugar? E sua família?

Ao fazer tal pergunta, a jovem senti-se um pouco afetada, voltara a olhar para baixo, e a ficar em silêncio.

Nijima: Bem, eu imagino que não queira me dizer mas..

Haruka: Foi á 6 meses... um pouco depois que tudo isso começou. Mas antes disso... Eu morava com meus pais, eu tinha uma família, e eu era feliz. Vivíamos todo jeito, como o mesmo, nada parecia acontecer, nada parecia mudar. Quando eu acordava, ia até a mesa, e via as torradas com geléia que minha mãe preparava, enquanto meu pai já havia acordado bem cedo, como sempre fazia, pronto para encarar seu difícil serviço... Mamãe era responsável por cuidar de mim e de Gianna, minha irmã mais velha. Mesmo que não fossemos uma família tão rica, mesmo assim, ela fazia tudo que pedíamos, na verdade, parecia que ela se esforçava apenas para fazer isso, ela dizia que sem o nosso sorriso, não poderia mais olhara para o céu. Gianna sempre me acompanhava para a escola, mamãe ficara preocupada demais sempre que saíamos, eu sempre fui descuidada, e quando pequena, enquanto voltava da padaria com minha mãe, uma moto me atropelou. Fiquei 6 dias no hospital, mas felizmente, meus ferimentos curaram... mas, havia algo estranho. O médico disse que eu tinha sido afetada em uma das regiões do cérebro que era responsável pela ‘atenção’, e desde aquele dia então, eu venho tomando medicamentos nada baratos pra essa doença. Papai teve que trabalhar mais, e por isso, raramente voltada pra casa. Eu sempre me senti culpada, sempre me senti um fardo pra minha família, eu não conseguia mais brincar normalmente com Gianna. Antes disso tudo acontecer, quando tínhamos 7 anos, nós quatro fomos pela primeira vez em um dos pequenos picos do monte Fuji, para vermos as estrelas, aquele foi o dia mais feliz da minha vida, fizemos um grande pick-nick, papai me pegava no colo para que eu pudesse ver melhor, mamãe havia preparado várias tortinhas gostosas, esse era o sonho de Gianna, sempre que ela via o monte na televisão, pensava como era olhar para o céu, daquela vista, de uma altura que parecia poder agarrá-lo, mesmo que não estivéssemos no topo, a sensação é de que estávamos em outro mundo, de que podíamos voar. Lá em cima não tinha barulho, não tinha nada, apenas a calmaria tomava conta de nossos corações. Quando estávamos prestes a ir embora, eu fiz uma promessa para Gianna, prometi que um dia, iria levá-la ao topo do monte Fuji para que juntas, pudéssemos agarrar alguma estrela, essa visita, havia sido o pedido de aniversário de Gianna, mas eu queria dar um presente maior, também queria sentir... como é estar no céu. Infelizmente, anos depois, as coisas começaram a mudar, como eu jamais podia esperar. Depois que eu sofri o acidente e papai arrumou seu emprego, mamãe e ele não tinham mais tempo pra sair com a gente. Mamãe começou a trabalhar, e as vezes ficávamos sozinhas em casa, uma cuidando da outra. Devido ao meu déficit de atenção, Gianna era sempre a responsável por mim, aos 14 anos já sabia fazer comida igual a da mamãe, ela era realmente impressionante... Até que em um sábado, mamãe recebera uma carta, era de nosso pai. No instante que ela começou a chorar, eu não conseguia entender o que estava se passando, mas Gianna se aproximou e tentou me levar para o quarto, eu não conseguia ir sem saber o que estava acontecendo, foi quando mamãe me disse que papai nunca mais iria voltar, que a partir de agora, estávamos sozinhas. Nada mais era como antes. Toda uma vida planejada, os momentos felizes, pareciam ter sido deixados no passado. Gianna quando completou 17 anos começou a trabalhar também, mamãe depois que perdeu o papai, não podia mais sorrir, mas mesmo assim, em minha frente, ela continuava forte, como sempre. Eu tinha medo de assim como papai, mamãe e Gianna me abandonarem também, eu tinha muito medo... Eu apenas queria ver as estrelas com todos mais uma vez. Foi quando ‘aquilo’ aconteceu. Eu e Gianna estávamos jogando cartas no quarto, e mamãe preparava panquecas na cozinha, até que um enorme temporal tomou conta da cidade, e esse temporal foi se prolongando... quando mamãe ligou a televisão, vimos coisa que jamais imaginaríamos. Eles haviam chegado. Deus, e o Diabo. As notícias se espalharam rapidamente, era o juízo final. Mamãe não havia me falado muito sobre Deus, ainda mais depois que papai se foi, ela não acredita que Deus podia ser tão injusto a ponto de separar nossa família, por isso tudo que ela via ali, nada daquilo era real. O medo se espalhou pela sociedade, víamos pela TV as pessoas sendo levadas, ou para o céu, ou para o inferno, mas eu não queria..não até cumprir minha promessa com Gianna. Mamãe e nós duas nos mudamos para a casa de nosso tio em Hokkaido, uma região agrícola afastada da cidade, pensaríamos lá estarmos seguros, até que um dia, nosso tio nos traiu. Em troca de ir para o céu, ele chamou soldados celestiais até nossa casa, quando mamãe soube da notícia, tentou nos esconder rapidamente, mas era tarde. Os soldados entraram pela casa, mamãe fechou a porta do quarto e fico para fora tentando resolver as coisas. Ela se negava a nos entregar, até que devido a sua resistência, ouvimos um forte grito dela, e por baixo da porta, vimos sangue escorrer, eu... eufiquei desesperado, não queria ver o que tinha acontecido. Gianna fez exatamente como você, ela me disse para sobreviver, e para um dia eu achar uma resposta pra tudo aquilo, e que em breve, iríamos nos encontrar. Ela abriu a janela, e me pediu para fugir. Eu não queria ir, mas ao vê-la expressar o seu lindo sorriso seguido por lágrimas, eu sabia que era aquela escolha que devia fazer. Caminhei por um bom tempo sozinha, me alimentando do que encontrava, desmotivada por perder tudo que eu mais tinha, sem esperança de ver o céu, pois pra mim, não havia mais céu, não havia mais sonhos para agarrar. Até que eu encontrei Zun no caminho. Ele parecia ser um bondoso homem, eu estava chorando no momento, então, ele me questionará sobre o que havia ocorrido. Disse que estava com medo.. com medo de ir pro céu por ter abandonado minha família, eu não tinha perdão, não tinha como Deus me perdoar por isso. Ele então me ofereceu abrigo no purgatório, e disse que lá, eu poderia me curar, mas... desde que eu cheguei, tudo que e vejo lá, são eles abusando das pessoas, controlando-as, e de mim...Zun me garantia comida e segurança, em troca de ele me usar como quisesse. Foi assim, até você chegar. Eu agora, estou no fundo do poço, Nijima-Kun, eu perdi a dignidade, eu perdi a vontade de lutar, o que me fez ter corrido com você, foi que vi em sua face a expressão da minha irmã, eu não quero desistir..

Nijima: E você não vai desistir, eu não vou deixar mais nada te ferir, Haruka-Chan =] Acredite, eu não deixarei.

A garota então não conseguia se conter, e caía no choro. Nijima a abraçava tentando confortá-la, até que um barulho pode ser ouvido vindo em direção aos dois. Estavam sem tempo.

Nijima: Será que são eles? Merda, vamos Haruka, eu te carrego.

A menina parecia mais descontente ainda, e um pouco inquieta sobre o que ouvia.

Haruka: Não.. não são eles.

Nijima: O quê?

Haruka: São antrocipedes. Eu me esqueci, essa montanha é famosa por abrigar uma matilha de várias espécimes de animais transmutados!

Nijima se surpreendera ao ouvir a palavra transmutados.

Nijima: O que quer dizer? Tem animais.. modificados aqui?

Haruka: Exatamente, os daqui são cachorros misturados com leopardos, eles são enormes, e jamais deixam suas presas vivas para contar ahistória, precisamos correr.

O barulho parecia cada vez mais próximo, o rapaz não perdia mais tempo ali parado, colocara Haruka em suas costas, e correra para frente com toda velocidade que podia. Atrás dos dois, aparecia o ser citado por Haruka, um tipo de cachorro negro, com um vasto pelo e olhos vermelhos, parecia saltar entre as árvores. Nijima tentava mudar sempre o caminho para que o animal se confundisse, até que ele via uma enorme descida, se fosse por ali, não conseguiria se equilibrar com a garota, mas não tinham outra escolha.

Nijima: É, vamos ter que nos machucar de novo.

O garoto segurava-se fortemente no corpo de Haruka, e junto dela, rolava barranco abaixo. Desciam rapidamente, até que chegaram no terreno plano.

Nijima: Você ta bem? Se machucou?

Haruka: Eu to bem mas, e o ...

Ao olharem pra cima, o animal descia com toda velocidade, parecia o fim. Antes dele desferir um mordida no braço de Nijima que se colocara na frente de Haruka, um enorme tiro acertava seu peito, e o atravessara, derrubando o ‘monstro’ no chão. Um grupo com 5 homens e uma mulher se aproximavam de Haruka e Nijima, parecia todos vestidos com o mesmo uniforme, carregavam várias armas, e pareciam bem calmos naquela situação.

Otokuro: Parece que salvei a pele dos dois, hein? ^^

O rapaz parecia ser o líder dos 4, era o mais baixo, mas mesmo assim aparentava estar no comando. Ao seu lado, estava Tomio, um rapaz com cabelos brancos, era o mais velho do grupo, e sempre carregava um telescópio consigo. Haviam também Misaki, Johnny e Jikaru.

Haruka: Vocês...

A menina parecia estar espantada, mais espantada do que quando sentiu a presença do animal. Olhava sem se mexer para Otokuro.

Nijima: Você conhece eles? o-o

Johnny: Hahaha, você está me zombando, seu moleque? Todos que habitam o Japão, devem ter ao menos ouvido falar uma vez da Equipe de Execução.

Nijima: *Equipe de Execução?* O_O

Haruka: Eles... mandaram vocês atrás da gente? Foi isso?

Johnny: Hã? Eles?

Misaki: Ela deve estar falando dos bastardos que cortamos a cabeça naquela casa imunda, hehehe.

A jovem do grupo ria, enquanto lambia sua faca que estava coberta com sangue.

Nijima: *Ryuugu e YUME, não pode ser...* Vocês mataram todos do purgatório?! RESPONDA!

Otokuro: Ei, vá com calma garoto, se não sabia, agora, tem conhecimento de quem nos somos.

Nijima: Eu quero que se foda quem vocês são, só responda a minha pergunta!

Misaki: Então havia alguém com quem se importava por lá, é? Haha, mesmo diante de todo aquele lixo? Francamente.

Jikaru: Já chega de falatório, quero descansar por hoje, esses merdas nos chamaram pra cuidar de dois pirralhos? Vai tomar no cu. Vou acabar com isso e ir tomar uma ducha.

Tomio: *Tragando* Pense pelo lado bom, ao menos você pode ver o Oto-San em ação, haha.

Jikaru: É, isso é raro... mas agora, acho que é hora de dizer adeus. Se vocês são namorados ou algo assim, deixarei vocês darem um último beijo de despedida.

Naquele momento, tudo parecia perdido para os dois, Haruka sem poder fazer nada, pegara a mão de Nijima, e corria para frente, mesmo sabendo que eles estavam armados, ela queria viver até o limite, como sua irmã e Nijima haviam falado.

Jikaru: HÃ? Ainda pensam em fugir? Seria mais legal se se beijassem, bem, tanto faz.

Jikaru apontava sua arma para a cabeça dos dois, mas, algo os faziam parar de correr, e de perder a atenção em sua mira. Fortes barulhos vinham da caverna de onde eles estavam em frente, parecia que algo estava se aproximando, quando Nijima assemelhou os barulhos com os passos do animal que havia sido morto, agarrou Haruka, e se jogou fortemente para o lado. Da caverna saíram 9 animais, todos ferozes, afinal, tinham os acordado.

Misaki: Iii, nada bom, nada bom.

Tomio: É, missão cancelada, vamos dar o fora.

Jikaru: DAR O FORA? MAS..

Otokuro: Sim, vamos nos retirar apenas, Jikaru-San ^^

A voz do líder parecia penetrar sobre os ouvidos de Jikaru, e o medo tomava conta de sua espinha, ele e o resto obedeciam sua ordem, e com rápidos movimentos, subiam a descida rapidamente, enquanto os cachorros leopardos iam atrás deles. Nijima e Haruka estavam caídos no chão, no canto da entrada da caverna.

Nijima: A gente..tá salvo?

Haruka: É, acho que sim, mas graças a você... obrigado, Nijima-Kun.

Nijima: Ei, se não fosse você ter pego em minha mão, a gente teria sido morto ok?

Haruka ficara envergonhada ao lembrar que segurou a mão do rapaz, mas logo voltara ao normal, e sabia de um jeito de como voltar para o purgatório por outro caminho. Os dois estavam preocupados com Yume e Ryuugu, enquanto Nijima caminhara, seu coração batia rapidamente, tinha medo de ver sua amiga morta, mesmo sem ter tantas esperanças. Depois de alguns minutos, os dois, em segurança, chegaram a frente da casa, que parecia toda destruída. O guarda estava morto, e na porta, muitos moradores decolados, pareciam tentar fugir. Os dois entram vagarosamente, e quando Nijima vira pra trás, tem uma faca apontada para seu pescoço.

- Parado aí seu filho da..

Quando Haruka acende a luz da entrada principal, ela vê Yume e Ryuugu. Os dois estavam bem, apesar de todos os corpos espalhados no lugar.

Nijima: Graças a DEUS, Yume.

Com um forte abraço, Nijima expressara seu alivio pela menina estar bem.

Ryuugu: Onde vocês estavam? Pensei que já tinha ido pro céu, haha.

Nijima: Como se eu fosse morrer tão fácil, haha.

Ryuugu: Digo o mesmo, por isso to aqui ok?

Yume: Não é como se você tivesse feito nada, ao ouvir os barulhos vindo do quarto, eu rapidamente tranquei a porta, e então, ouvimos os gritos das pessoas sendo mortos, Ryuugu me disse pra ficarmos em silêncio, pois era a equipe se execução, então, apenas esperamos, eles não abriram a porta, e.. estamos aqui.

Nijima: Então foi isso?

Ryuugu: Eu instruí para que ela não saísse ok? e-e

Haruka: Mas quem diabos iria sair com o caos acontecendo? ^^’

Nijima: Mas cara... por que fizeram isso? Por que mataram todos?

Haruka: Provavelmente, Zun estava devendo para Deus... já que essa propriedade, só foi mantida por um trato feito com Deus. E talvez Deus soubesse da maldade que acontecia aqui.

Ryuugu: Não me faça rir. Eles mataram todos pois é a tarefa deles, eliminar tudo mundo, por acaso você acredita que existe mesmo céu?

Haruka: Bem, eu..

Nijima: Com certeza existe um céu. Haruka Sabe bem disso, não é Haruka? Mesmo não sendo esse céu pra onde todos são levados, sei que por trás dessas nuvens negras, ainda há algo que podemos admirar. Ryuugu, queria te pedir um favor.

Ryuugu: Outro? Há mas tudo bem, prometi de ajudar com o que pudesse, diga.

Nijima: Quero que leve Yume pra onde estávamos indo. Eu vou até o céu, salvar a irmã de Haruka.

Ryuugu: Você bebeu? Tomou alguma pancada na cabeça é?

Nijima: Não importa o que você diga, eu já decidi.

Haruka: MAS NIJIMA-KUN! Não pode se arriscar por mim.

Nijima: Eu sei o quanto uma promessa é valiosa, acredite. Se você fez uma promessa com sua irmã, deve cumprir, e eu também quero salvar todo mundo...

Yume: Você viu o que esses caras fizeram Nijima-KUN? Viu do que eles foram capazes? Acha que pode ir contra Deus? E acha que eu me separaria de você?

Nijima: Nunca se sabe até tentar. E você ficaria mais segura indo com Ryuugu...

Yume: Mesmo que diga isso, já sabe minha resposta né? ¬¬

Ryuugu: É, então parece que nosso rumo mudou, certo?

Nijima: Parece que não vamos pra casa tão cedo Yume-San.

Nijima sorria, enquanto todos lá haviam tomado uma decisão. O que lhes esperavam no céu? Após eles pegaram alguns alimentos da casa para a viagem, todos saíam da casa, e então, Haruka a sós com Nijima, lhe fazia uma pergunta, logo após de agradecê-lo:

Haruka: Ei.. Nijima-Kun.

O rapaz se virava, e olhava para os olhos da menina.

Haruka: MUITO OBRIGADA... obrigada por ter me salvado, por ter me mostrado o caminho pra seguir de volta á vida.

Nijima apenas sorria ao ver a expressão alegre da garota. Ele nunca havia sido um herói, não até hoje. Estava satisfeito, e começara a enxergar um motivo por estar ali, naquele mundo.

Haruka: E você me disse que sabe como uma promessa é preciosa. Por acaso, também prometeu alguma coisa que ainda mantém consigo?

Por alguns instantes, o garoto ficara pensativo, sem dizer nenhuma palavra, e com um olhar sério, respondia á Haruka:

Nijima: Eu sei que eu havia prometido algo pra alguém, a muito tempo, mas... eu não consigo me lembrar, ainda estou meio confuso.

Yume: EI, os dois aí, vamos logo!

Haruka: Parece que Yume-Chan está com pressa, é melhor irmos então, Nijima-Kun =]

Pela primeira vez, Nijima havia visto um sorriso no rosto de Haruka, aquilo era a recompensa por essa noite surreal que havia vivenciado. Mas havia um longo caminho até encontrar as respostas.

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• Próximo Capítulo: Restaure o coração partido .