Y.o.u.t.h.

5 She Will Be Loved


Notas iniciais
Eis mais um capítulo ^_^ Espero que goste!

Ethan organizava os finos livros da seção infantil, enquanto se perguntava onde estaria Carol. Ela não era de se atrasar, e a roda de leitura com as crianças estava prestes a começar. Esperava impaciente, checando a porta de entrada a cada livro colocado na estante. Se movia pelas seções, sem rumo definido, a cada instante ficando mais preocupado.

O momento esperado chegou, com quarenta minutos de atraso, fazendo a sineta da porta tocar singelamente. O coração de Ethan se desfez em areia, e sua garganta secou. Por um instante sua visão ficou turva, e ele só queria que aquilo fosse uma miragem, que o anjo por quem esperava estivesse em casa aproveitando um dia de folga. Mas não, aquela era ela. Um anjo não caído, mas derrubado, com as asas quebradas e impedida de voar.

Incapaz de se mover, Ethan apenas a observou pelo que pareceu ser uma eternidade. Como podia alguém fazer aquilo com um ser tão perfeito? O corpo de Carol estava coberto de hematomas, cortes em seu rosto, olhos roxos e marcas ao longo de seus braços.

O garoto só reagiu quando viu que Carol não conseguia mais manter sua expressão forte enquanto falava com Heather, e a tristeza e o desespero tomavam conta de seu rosto, de forma que o menino correu para perto delas.

— Sinto muito, Carol, mas você sabe que não posso deixar as crianças te verem assim – a negra dizia, com o coração pesado.

— Mas e se... – ela tentou argumentar.

— Você sabe que não dá. Vá para casa e descanse, volte dentro de alguns dias, e você sabe que aquele lugar será seu, como sempre.

Quando Carol baixou o olhar, pronta para se render, ainda de mãos dadas com Sophia, Ethan não se conteve mais e interferiu.

— Como assim? – as duas viraram os rostos para ele – Ela já não está bem e você vai tirar dela o pouco que ainda lhe resta?

— Ethan, não insiste – Heather disse, séria – Isso não tem nada a ver com você.

— Pode não ter, mas não vou deixar você fazer isso com ela! – ele balançava os braços como um italiano enquanto falava, indignado.

— Ethan, meu amor, não precisa – Carol disse, em voz baixa.

— Não, precisa sim! – ele insistiu – Olha, se você não permitir que ela entretenha aquelas crianças hoje, ele estará ganhando, não percebe? – falou, referindo-se ao homem que vira no outro dia – Não pode deixar que ele controle a vida dela, é exatamente isso que ele quer!

A discussão continuou, lentamente trazendo lágrimas silenciosas aos olhos de Carol. Tinha medo de que, se Ethan a visse chorar, pensaria que estava fazendo a coisa errada, quando, na verdade, ele não podia estar sendo mais gentil e justo. Para poupar aquele espírito juvenil e seu coração correto, Carol fugiu para a salinha de funcionários no fundo da loja, deixando sua filha aos cuidados do garoto, em quem confiava até a própria vida, se necessário.

Ethan se calou imediatamente quando viu sua amada correr. Não sabia se a havia machucado ou ido longe demais, mas se deu conta de que continuar aquela discussão poderia piorar as coisas.

— Está bem, eu o faço então – ele disse, olhando fixamente para Heather, e não podia estar falando mais sério – Conto a história no lugar dela. Pode ser?

A dona da biblioteca o encarou, perguntando- se se aquela era a decisão correta a se tomar. Entretanto, ver Sophia levantar a mãozinha para alcançar a dele a fez ter certeza de que nada podia dar errado.

— Vá em frente, tio Ethan – ela sorriu, pegando uma flor rosa de papel e colando-a no avental do menino, sorrindo.

— Pronta para a historinha, princesa Sophia? – ele perguntou, pegando a menina no colo.

— Sim! – ela gritou, alegre, levantando o punho à la John Bender, extremamente decidida.

— Não vai se arrepender – ele sussurrou para Heather por cima do ombro enquanto carregava a menininha para a área infantil sobre o tapete azul.

Carol tentava secar as lágrimas e segurar o choro ali, sozinha, na salinha dos funcionários. Como podia ela ser tão fraca? E, mais inacreditável ainda: como podia aquele menino Ethan ser tão maravilhoso?

O local, que até então permanecia em silêncio tumbal, exceto pelo som do desespero da mulher, foi subitamente tomado pelos agudos risos e entusiasmadas celebrações dos pequenos na área infantil. O som chamou a atenção de Carol, que, curiosa, secou as lágrimas uma última vez, e se levantou para espiar pela janelinha na porta o que ocorria do lado de fora.

Seu cenho se franziu com a surpresa, e seu coração apertou. Não acreditava no que via: Ethan estava sentado sobre a cadeirinha verde de plástico que normalmente era ocupada por ela. Apesar de tímido e calado, para surpresa de Carol, o garoto falava alta e claramente, divertindo as crianças, fazendo-as rir e participar da história. Aquele menino não podia ser nada menos do que um sonho.

Entre as crianças, Carol localizou Sophia, que ria num estado de felicidade plena. Ainda que contra sua vontade, a mente de Carol tentava recordar algum momento em que o pai da menina a houvesse feito sentir nem que metade da alegria que sentia agora. Nada lhe vinha à cabeça.

Por um momento, enquanto ouvia a história de Robin Hood, a mulher conseguiu se esquecer de todas as suas feridas, tanto as externas quanto as internas, e se sentir em paz. Ethan tinha esse efeito sobre ela. Ele a fazia se sentir viva.

— “Mantenha o queixo erguido” – o menino lia para as crianças – “algum dia haverá felicidade novamente”.

Notas finais
Comentários? ^_^ Post de hoje lá no blog: "Heather, Michonne, Robin Hood e John Bender" ( http://thesecretfanficwriter.tumblr.com/post/146943458784/heather-michonne-robin-hood-e-john-bender )