You're A Million Ways To Be Cruel - NÃO CONCLUÍDA
4 The Darck Of The Night
Notas iniciais
“Eu cronometro todos os turnos
Para topar com você acidentalmente
Eu a enfeitiço e lhe conto
Sobre os caras que odeio, as garotas que odeio
As palavras que odeio, as roupas que odeio
Sobre como nunca serei nada do que odeio.”
(The Darck Of The Matinée – Franz Ferdinand)
*
O dia da Terceira tarefa havia chegado, todos estavam com os nervos à flor da pele, as apostas subiam a cada hora, cada um creditando fé em seus favoritos. Hermione estava andando pelos jardins, tentando fugir da euforia dos outros e tentando se concentrar nas coisas que se passavam dentro dela.
Seu ‘treino’ com Draco, estava indo muito bem. A cada encontro, ela aprendia um pouco mais de como a aristocracia bruxa se comportava, de como deviam agir, e ainda mais sobre artes das trevas e o legado de Voldemort. Draco foi bem sorrateiro com ela, quando começou a entrar nesse assunto, mas mesmo assim ela se assustou a princípio. Malfoy no entanto, foi paciente e persuasivo, além do mais ter a aprovação dele era importante pra ela, pois ela não tinha mais ninguém. Só ele.
Apesar de ele parecer conhecer cada coisa da vida dela, ela não sabia muito sobre ele, e isso a instigava. Ela não entendia ele, ou os atos dele. De como parecia tão próximo a ela em alguns momentos, e outros em que ele nem a tocava. Ele era tão frustrante, a prendendo em sua personalidade enigmática. Mas no momento, o que preocupava Hermione, era a proximidade do fim do ano. Na verdade, era dali a dois dias que não o veria até o início do próximo ano. Ela temia que seus pais percebessem suas mudanças, e que ela própria não conseguisse lidar com eles e com o sentimento ruim da ausência de Draco.
– Ai Malfoy! Olha o que você arrumou pra mim! – Ela suspirou cansada.
*
Draco tentava a todo custo fugir das garras de Astória, queria pensar em uma maneira de poder conversar com ela, antes que o ano acabasse. Ele tinha coisas a contar:
– Pela milésima vez Astória! Eu quero sair! – Ele disse autoritário, e a loura recuou.
– Ai Draco, faz meses que você está tão sem graça assim. Não me deixa nem tocar em você direito, some o tempo todo – Ela queixou-se.
– Eu tenho minhas coisas, e isso não lhe interessa – Desviou-se das mãos da garota e finalmente pôde sair do Salão Comunal.
Hermione estava indo tão bem, ele era só orgulho com o que conseguira ensinar a ela. Ele mesmo não sabia muito das coisas, mas o que entendia ele passou a ela, e a cada dia ela se mostrava ainda melhor que o anterior. Sabia coisas sobre ela, pois a vigiava e a investigou, mas tinha coisas que ele desconhecia e que o prendiam como nunca. A forma como ela o olhava, ou os sorrisos que dava sozinha pelo corredor, e ainda a frustração evidente que ela vinha sentindo nos últimos dias... Ele aprendera a decifra-la, e era injusto que ela não podia fazer o mesmo com ele. Ele a queria para ser sua igual, então por isso precisava encontrá-la. Além disso não queria saber se ficaria com saudades nas férias, tinham que trocar endereços.
*
Ao longe, as badaladas que indicavam que todos deveriam se reunir para assistir a tarefa, soou forte e imperioso. Hermione olhou ao redor, e todos corriam para o campo de quadribol, sem entusiasmo algum, ela seguiu para lá. Passou pelas pessoas sem vê-las, foi dificultoso arrumar um lugar em não lhe acotovelassem ou esbarrassem com muita força, isso a irritava profundamente. Por fim, sentou-se ao lado de uns corvinos, que pareciam imparciais diante o resultado pois não expressavam preferência alguma por nenhum dos candidatos. Finalmente acomodada, ela correu os olhos pelas pessoas tentando encontrar Draco, o localizou a três grupos a sua esquerda, ele encontrou o seu olhar e piscou, ela sorriu. Sorriso esse que logo se desmanchou, pois Pansy sentava-se grudada nele e tentando chamar a sua atenção, ela fez uma careta e focou seu olhar no labirinto.
*
Draco não conseguiu achar Hermione, antes que soasse o sino para o início da prova, frustrado ele seguiu com os outros. Pansy, infelizmente sentou-se ao seu lado, era incrível como ele fugia de uma e a outra já estava lá para inferniza-lo:
– Pansy, me largue. Deixe eu ver as pessoas. – Ele a procurava em todos os lugares.
– Não ficamos desde o baile, Draquinho. – Ela falou manhosa. – Sinto saudades.
Finalmente ele a encontrou, e ela o olhava. Ele piscou, ela sorriu. Uma sensação estranha de prazer, instalou-se em seu peito, depois eles iriam conversar e ele saberia como se falariam durante as férias. Mas a expressão dela mudou, a insatisfação era visível em seu rosto:
– Draco, você está me ouvindo? — A morena não desistia.
– Cala a boca Pansy – Ele resmungou perdido em pensamentos. O que provocara a mudança repentina?
*
A tarefa se passou de forma tediosa para o expectadores, pois nada eles podiam ver. A primeira coisa emocionante, foi quando Fleur voltou, como o esperado, e foi direto para a enfermaria. Depois foi a vez de Krum, para o espanto de todos, que estava enfeitiçado e deu um certo trabalho para fazê-lo voltar ao normal.
Hermione via tudo tediosamente, com uma vontade imensa de dormir ou de fazer qualquer coisa que não fosse olhar para um monte de cerca viva. Draco compartilhava do mesmo tédio, ainda mais com Pansy babando em cima dele louca para ter um pouco de atenção, mas ele só tinha olhos para Hermione. Era difícil admitir que sentia algo por ela, mas de fato tinha alguma coisa ali que ficava cutucando seu peito. Ela era uma garota interessante, a mais interessante que conhecera e a única que não ficava babando por ele como uma cachorrinha.
Depois de uma hora, finalmente Harry apareceu trazendo Cedrico. Todos começaram a gritar e aplaudir, e Hermione levantou-se. Resolveu voltar para o castelo já que o compromisso social estava feito, não queria ficar para a cerimônia de entrega da Taça. Draco viu ela sair e tratou de fazer o mesmo, mas ela já tinha sumido de sua vista, quando os gritos começaram e perceberam que Cedrico estava morto.
– Onde você vai? – Pansy perguntou – Ele está morto Draco, não pode sair assim.
– Olha a minha cara de quem está ligando – Ele começou a abrir caminho entre a multidão e tomou o caminho de volta ao castelo.
Lá ia Hermione, andando graciosamente a sua frente e com certa prepotência. Ela realmente era uma ótima aluna. Porém ela andava distraída e lentamente, e como estava escuro, ele correu o mais silencioso que pôde e se escondeu em uma das arvores, um metro a frente dela. Assim que ela foi se aproximando, ele saiu de seu esconderijo e disse:
– Olá Hermione. – A garota tomou um susto, e em um reflexo puxou a varinha – Calma, sou eu.
– Draco! – O alivio foi notável – Eu podia ter te azarado, sabia?
– Sabia! – Ele piscou – Eu que te ensinei a nunca ser pega de surpresa, lembra?
– É, estou vendo que tenho que treinar mais isso. Não notei a sua aproximação.
– Não faz mal – Ele deu de ombros – Por enquanto. – Ela assentiu para si mesma – O tal do Diggory morreu.
– O quê? – Um relâmpago da antiga Hermione passou-se por seu rosto – Mas como? Ele era um ótimo bruxo, um...
– Hermione – Ele interrompeu – Eu não sei, e não me interessa o mínimo se isso não atingir a mim. Você deveria se sentir assim também.
– Para você é fácil falar! – Ela aumentou o tom de voz – Nunca esteve do outro lado da coisa.
– Mas já desejei! – Ele se viu falando, para o espanto dela – Eu já desejei estar do outro lado, mas vi que não me encaixaria e estou bem assim, obrigada. – Ela o avaliou e percebeu que ele não mentia. Na verdade, Draco quase nunca mentia para ela.
– Porque você desejaria algo do tipo? – Ela mal conseguia disfarçar a curiosidade doente.
– Pode até não parecer, mas existem mais bruxos que não se importam com o sangue puro do que os que se importam. – Ele falou sereno – Então minha família sempre foi vista como radical e ultrapassada. Não é fácil fazer amizades, quando se é criança, com uma família que é taxada por isso. – Ele deu de ombros – Mas já passou, sei a que mundo pertenço.
– Eu não sei qual o meu mundo, Draco – Ela confessou – Não sou boa, para ficar ao lado de Potter e dos outros bruxos normais, mas também não posso pertencer ao seu mundo. Além disso tenho uma família trouxa, para a qual devo voltar todo final de ano, onde realmente tenho certeza que não pertenço.
– Você vai pertencer ao meu mundo – Ele sorriu de lado – Eu estou trabalhando nisso, e você poderá ser vista junto a mim e ninguém julgará. Você só tem que ter paciência.
– Tudo bem, eu confio em você – Ela deu de ombros. – Mas porque você está fazendo isso, por que tanto trabalho para eu pertencer ao seu mundo? – Finalmente as perguntas escapavam de sua boca, e um grande alivio tomou conta dela por finalmente as pronunciar.
– Foi por isso que eu vim falar com você. Quero te contar algumas coisas sobre mim, que você não sabe. – Ele segurou o seu pulso e a puxou – Venha aqui. – Ela obedeceu.
Ele a estava chamando para sentar-se ao seu lado, ao pé da arvore em que se escondera. O verão estava se aproximando, então a grama estava seca e pouco confortável, mas acomodaram-se o melhor que puderam. A lua estava em quarto minguante, deixando para as estrelas o trabalho maior de iluminar os dois.
– Eu preciso de você, Hermione – Ele declarou e ela ficou em choque. Ele nunca demonstrava coisas desse tipo. – Entenda, minha família é da mais pura classe e não há uma diversidade de garotas, se é que me entende.
– N-n-ão entendo – Ela gaguejou. Com certeza aquilo era um sonho e logo acordaria, não poderia ser real. Ela estava muito confusa.
– Hermione, minha família tradicional exige que eu me relacione com puros sangue, case com uma puro sangue e dê continuidade a nossa família puro sangue. – Ele explicou e ela balançou a cabeça assentindo. Isso ela entendia – Então, imagine a minha decepção quando percebi que a maioria das famílias puras da Inglaterra, só têm garotas como Astória, Daphne e Pansy. Eu não podia ter uma garota daquelas na minha vida.
– Ainda não entendo onde me encaixo nessa sua história – O cérebro dela trabalhava freneticamente para achar o fim daquela história, mas falhava miseravelmente.
– Como não? Você é uma garota inteligente – Ele riu e ela apenas a fitou impaciente e confusa – Você será a minha companheira Hermione. Você é inteligente, bonita, racional e uma bruxa excelente.
Um leque de emoções perpassou o rosto dela. Ele estava brincando com ela? Não haveria outra explicação. Como ela, Hermione Jean Granger, poderia ser a companheira dele? ele gostava dela? Estava apaixonado? Ela era uma sague ruim, isso não fazia sentindo algum.
– Draco, não entendo – Ela balançava a cabeça, para ver se os pensamentos se organizavam – Sou uma sangue ruim, você me odiou por três anos. Você se apaixonou? Por que isso não faz sentido...
– Eu vou explicar – Ele riu – Não, eu não estou apaixonado. Você está certa, eu odiei você, mas as coisas mudaram um pouco. Desde que eu percebi que você tinha um pouco de mim em você, as coisas mudaram. A sua raiva, a sua irritação, sua impaciência com os seus amigos e a sua falta de tato com o amor de Krum, tudo me fez ver em você alguém diferente. Alguém que eu poderia moldar e ser minha parceira, em quem eu pudesse confiar. Para pertencer a minha família, só com espirito forte e você é assim. Alguém fútil como Pansy e Astória não suportaria a pressão, principalmente se um dia eu tiver que seguir o mesmo caminho que meu pai, preciso de uma mulher forte ao meu lado. E eu realmente não preciso ser como minha família em tudo. Eu amo a minha mãe, mas nunca vou entender porque meu pai a escolheu, ela é tão frágil. Eu odeio me sentir impotente, e com você eu sinto que nunca serei assim.
Hermione olhava fascinada para o rosto dele, nenhum traço de hesitação e só verdades transbordando em seus olhos. Ele a achava boa o suficiente para estar ao lado dele, isso era um alivio. Mais que isso, ele não gostava de Pansy e nem Astória, elas eram brinquedos para ele, ela estava gostando disso.
– Não passou pela sua cabeça, talvez, eu não quisesse ser a sua parceira? – Ela arqueou a sobrancelha em desafio e ele o olhou consternado.
– Na verdade não – Ele disse sincero – Eu acolhi você e a ajudei a transformar sua raiva indiscreta em uma personalidade decente e com auto estima, você me deve isso. – Ela gargalhou
– Sou sua Draco – Ela evitou o olhar ao declarar isso. Era a mais pura verdade afinal, ela não tinha mais ninguém. – Só te testei, só fiquei curiosa para saber qual seria a tua resposta.
– Esse é um dos motivos de eu escolher você – O sorriso voltou a tomar conta do seu rosto – Você me desafia, não tem medo de mim, não é submissa. Eu gosto.
– Não é verdade. Tenho medo de você as vezes, só não demonstro – Ela deu de ombros.
– Hermione me olhe – Ele segurou o rosto dela e o virou até ficarem cara a cara – Você não deve ter medo de nada, entendeu? Muito menos de mim. – A expressão dele era séria, mas não de uma forma ruim. Ela balançou a cabeça confirmando, ele era hipnotizante.
Ele a soltou e os dois ficaram se encarando em silêncio. Ele satisfeito com o rumo que as coisas tomavam, e ela tentando conciliar o fato de ser dele de verdade e a frase “não estou apaixonado”. E ela? Estava apaixonada? Ou só sentia que nenhuma garota deveria pertencer a ele também?
– Draco?
– Sim.
– Não gosto de você com Pansy e Astória – A frase fugiu antes que ela se desse conta de como soava. Ciumenta e possessiva. Ele riu gostosamente.
– Ah querida, eu também não gosto delas ao meu lado. Elas são muito irritantes, mas tenho que manter as aparências. Não posso dispensa-las até que você ocupe seu lugar ao meu lado. – Ela ainda não estava satisfeita com a resposta, mas era um bom começo.
– Como você pretende fazer isso? Como vai mudar o meu sangue?
– Existe um ritual para isso. Eu o tenho estudado, não é difícil de se fazer e os ingredientes eu poderia facilmente ter acesso. – Ele explicou – O problema é o risco, é magia negra e você pode morrer no processo. – Um frio desceu a espinha dela, mas não demonstrou.
– Lá vem você de novo, afirmando que vou acatar as suas decisões – Ela tentou sorrir – Sou uma das suas marionetes Malfoy? – Ele a olhou de novo aturdido.
– Não ouviu nada do que eu disse? – Ele achava que estava enganado, e ela era uma verdadeira burra – Só quero que você tenha toda a instrução e conhecimento, e seja como eu para poder estar equiparada a mim. Não quero mandar em você.
– Eu entendo – Ela sorriu – Eu sei disso Draco, sei que preciso estar a sua altura. Tudo bem, vamos fazer qualquer ritual que quiser. Não tenho nada a perder mesmo.
E era verdade, a vida toda dela mudou completamente. Ou ela fazia o ritual e entrava no mundo dele, ou estaria sempre à deriva, sem lugar nenhum ao qual pertencer. Uma ninguém, sem casta, facção ou tribo.
– Às vezes, quando você não encosta em mim... É por causa do meu sangue, não é? – Ele ficou surpreso com a pergunta, não achava que ela perceberia.
– Sim. – Ele confirmou – Gosto de ficar em sua presença e é a única que sei que posso contar tudo, mas as vezes eu me lembro que seu sangue é impuro e me repreendo por estar tão perto – Ela tentou não parecer magoada, mas era quase impossível – Tudo bem Herms, vamos resolver isso ano que vem. Eu juro, não passa disso.
– Herms?
– Gostou? É melhor do que Mione – Ambos fizeram uma careta.
– Soa legal – Ela deu de ombros – Tudo bem Draco, ano que vem nós fazemos isso. Mas e quanto a minha família?
– Um passo de cada vez, certo? Vamos ver como as coisas vão andar, então tomaremos uma decisão.
Ela gostou muito de ele estar usando os verbos no plural. Os dois ficaram ali, apreciando a lua e as estrelas, ocultos pelas folhagens e pela escuridão. Os alunos passaram de volta ao castelo, e Hermione fez menção de se levantar, mas ele segurou sua mão e a manteve ali. Então os dois ficaram de mãos dadas, apenas curtindo a escuridão da noite.
*
Cedrico havia morrido, então a partida dos alunos foi antecipada, assim que entraram, Draco e Hermione ficaram sabendo que já tinham que fazer as malas. Todos os alunos corriam pra cima e pra baixo para arrumar todas as coisas e ficarem prontos para partida do trem, e ficaram sem tempos de chorar a morte do colega.
Porém na manhã seguinte, uma homenagem foi feita e ao som das palavras do diretor, os alunos choraram o seu luto. Pelo menos uma boa parte. Além disso o pânico também tomou conta dos jovens ao ouvirem o autor da morte de Cedrico:
– Cedrico foi assassinado por Voldemort. – Arquejos de espantos e incredulidade foram ouvidos – Temo em dizer, que ele voltou.
Draco, ao ouvir as palavras, lançou um olhar para Hermione, que já o olhava. Ambos sabiam, que se aquilo fosse real, tudo mudaria ainda mais.
*
Hermione acabou sozinha em uma cabine do trem, não tinha amigos e o único com quem se importava, não podia estar com ela. Sentou-se ao lado da janela, e enquanto olhava a paisagem, pensava no que o diretor disse. Voldemort voltara, nem os comensais mais fieis acreditavam que isso era possível. Agora, mais do que nunca precisavam fazer o ritual, ela queria ser pura para que ela pudesse ficar com o Draco e se fosse inevitável o destino dele, ela também poderia seguir com ele:
– Calma, Hermione – Ela disse a si mesma – Não apresse as coisas.
– Você, e seu dom de adiantar as preocupações. – Ele riu – Relaxe.
Ela virou sorridente para encara-lo. Ele estava escorado na porta, com as mãos no bolso e um sorriso travesso no rosto:
– Você não devia estar com as suas fãs grudentas? – Ela ironizou.
– Deveria, mas a morte desse garoto estragou meus planos – Ele sentou-se ao seu lado – Tive um dia a menos com você – Ela se concentrou em não corar e nem transparecer um sentimento mais forte – Não tive tempo de pegar seu endereço.
– Vai me mandar cartas? – Arqueou a sobrancelha em súbito espanto.
– Veremos – Ele piscou. Ela sorriu e tratou de pegar um pergaminho e uma pena. Anotou o endereço e deu a ele. – Isso, muito obrigada. Se tiver algo de relevante para dizer, eu lhe mandarei uma coruja.
– Tudo bem – Ela tentou manter o tom de voz normal, mas estava realmente emocionada com a atenção.
– Ah, quase ia esquecendo.
– Sim? – Ela o encarou em expectativa.
– Boas férias, sangue ruim – Antes que ela pudesse refutar, ele encostou os lábios levemente nos dela.
Ela foi pega de surpresa, e uma onda de eletricidade passou pelo seu corpo, deixando-o mole e a fazendo fechar os olhos. Cedo demais ele se foi, saindo rapidamente da cabine e a deixando extasiada e confusa.
– Boas férias.
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