You're A Million Ways To Be Cruel - NÃO CONCLUÍDA
5 Bônus: Rompendo O Vinculo – Primeiras Semanas Com o Draco
Notas iniciais
“Desista de agir tão amigavelmente
Não acene, não ria toda agradável (...)
E não diga, “Já faz um tempo...”
E não reluza aquele seu sorriso estupido.”
(Don’t Ask Me – Ok Go)
*
Hermione tentava caminhar como Draco havia ensinado, ainda ontem, a ela. Mas não conseguia erguer a cabeça, com medo de tropeçar em algo no caminho:
– Odeio ser uma desastrada! – Confessou a si mesma, depois de desistir de tentar.
– Não me diga! – Ela escutou a voz irônica, um pouco atrás de si. – Olá Hermione. – Ele curvou-se em um gesto cavalheiresco.
– Oi Draco – A irritação de si mesma, ainda presente em sua voz.
– Venha aqui, quero relembrar algumas coisas antes de você descer pro café.
– Mas você já não me disse tudo ontem? – Sua voz foi quase manhosa, ela estava com fome.
Ele revirou os olhos e a tomou pelo braço. Sem tentar resistir, a garota deixou-se ser levada.
Draco tinha plena consciência de que esse encontro, tecnicamente, não era necessário, porém algo o vinha perturbando nos últimos dois dias. Ele notou que Rony e Harry, já não estavam tão enfurecidos com Hermione, quanto na primeira semana após o baile e ele receava que a castanha pudesse ceder a eles novamente. Mas não se ele pudesse impedir.
– Hermione, chamei você aqui pra te relembrar... – Ele começou, enquanto ela prestava atenção seriamente – O que você deve fazer ao andar por ai?
– Manter uma expressão séria, e sem sorrisos – Ela disse decorado – A não ser que algo aconteça de ruim com alguém, aí sim posso esboçar sorrisos irônicos – Ela sorriu para si mesma, cheia de orgulho.
– Muito bem – Ele elogiou – Nunca demonstre esse seu sorriso estupido – A cara dela se fechou na mesma hora – Claro, estou falando na frente de seus amiguinhos.
– Eu sei, já entendi isso. Mas eles nem se importam mesmo – Ela deu de ombros ressentida.
– Nunca se sabe, eles podem se “arrepender” – A descrença em sua fala, foi palpável. – E acima de tudo...
– Não seja amigável! – Ela completou.
– Isso, pode ir agora. – Hermione apenas assentiu e saiu sem nem olhar para ele.
Draco só podia a achar burra, se de ontem para hoje, ele achava que ela tinha esquecido alguma coisa. Ela foi marchando pro Salão Principal, esquecendo-se completamente de andar ereta e de forma delicada e superior. Ele logo a seguiu, queria ver de perto como ela reagiria se um dos antigos amigos, tentasse voltar com os laços.
Hermione jogou-se no banco da mesa da Grifinória, e encheu seu prato. Draco ria consigo mesmo, ela parecia uma ursa furiosa e desajeitada. Ainda tinha muito o que aprender:
– Ora esse louro metido a besta – Ela resmungava entre as garfadas que levava a boca.
– Hermione? – Alguém tocou em seu ombro, e ela logo lançou seu olhar de fúria – Ei calminha ai, amigo.
Harry ficara uma semana e meia ignorando Hermione, mas não dava mais. Ela era como a sua irmãzinha e sentia saudades. Talvez ela tivesse com alguma crise de garota, e por isso tinha agido daquela forma. Ele queria tentar outra fez.
Hermione olhou para Harry, os olhos calmos e um tanto inseguros. Ela vacilou em sua máscara de fúria, ele estava ali por ela, afinal:
– Oi Harry – Falou calmamente, sem demonstrar emoção.
– Hermione, olha – Ele começou – Eu sei que você pirou um pouco no início do mês, mas tudo bem. Todo mundo pira mesmo – Ele sorriu. – Só quero que voltemos a ser amigos. – E então ele a abraçou de lado.
Ela sentiu algo pequeno aquecer seu coração. Fazia quase duas semanas que ninguém lhe abraçava, e ela sentia falta disso. Mas ela não deixou transparecer muita coisa, sorriu rapidamente e acenou para ele com a cabeça.
Ela realmente não disse nada, mas Harry achou que aquilo era um sinal positivo, então começou a tomar café bem mais contente. Sua amiga estava de volta.
A castanha porém fez uma careta para seus ovos com bacon. Sua consciência começou a entrar em conflito novamente, o gesto inesperado de Harry a fez se lembrar de sua antiga eu e sentiu saudades. Draco observava tudo de modo impaciente, ele podia ver que ela estava confusa:
– Merda! – Ele abandonou seu garfo e suspirou.
Antes que Harry pudesse terminar seu café, ela correu para a sala de sua primeira aula:
– Hermione, isso não é nada. Você é outra agora! – Ela lembrou-se dos olhos de Draco e se concentrou nisso.
– E aí Mione – Por essa ela não esperava. Rony sentou-se ao seu lado, todo sorridente – Olha, o Harry me disse que talvez o motivo de você ficar maluca, tenha sido uma crise existencial ou talvez um problema de garota. Essas paradas de mulher, ainda bem que eu sou homem – Ele falava tão rápido e descontraído, que ela não conseguiu evitar uma risada. – Ainda bem que você já voltou ao normal. – E ele também a abraçou.
A aula começou e a cabeça de Hermione dava voltas e mais voltas. Ela passou uma semana sendo disciplinada por Draco, é claro que seus ataques pararam e ela voltou a ser a mesma Hermione para os outros. Mas só ela sabia a verdade, os sentimentos que a idiotice dos outros a causavam, a repulsa as pessoas lerdas e burras, a aversão a estupidez e hipocrisia humana, era por isso que tinha aceitado ficar com o Draco, para andar e ser como as pessoas que ignoravam os outros e eram superiores. Então porque ela estava vacilando?
Rony sorriu para ela e ela conseguiu sorrir de volta, espontânea. Era isso que faltava. Apesar de toda a sua frieza, ela ainda queria um pouco de abraço, carinho e sorrisos. Uma parte dela dizia para romper com o Draco, e a outra dizia que apesar do carinho que Harry e Rony poderiam oferecer, ainda havia coisas dentro dela que, se eles vissem, nunca entenderiam.
Draco tentava fingir que não se importava com Hermione sentada ao lado de Rony, tudo isso para não dar bandeira de sua irritação para os amigos. Mas a sua cabeça estava cheia de argumentos que fariam Hermione voltar para ele e esquecer de vez esses dois.
A aula acabou e Harry e Rony rodearam Hermione, esperando ela para irem para a próxima aula. A castanha sentiu a sua nuca esquentar, enquanto colocava seus pergaminhos na mochila, Draco a fitava com um olhar furioso:
– Er... Meninos, minha aula é Aritmancia agora – Ela declarou sem olhar para eles – Podem ir, a sala fica do outro lado do castelo. Vão se atrasar.
Os dois deram de ombros e cada um deu um beijo em Hermione, antes de seguirem o fluxo dos colegas, para fora da sala.
“Não sente lá e jogue apenas
Tão franca, tão correta, tão ingênua,
Tão pensativa, tão graciosa,
Tão profunda, tão imparcial.
Não seja tão malditamente boa e
Não desperdice a minha merda de tempo.”
Assim que o ultimo passou pelo batente, Draco se pôs na frente dela:
– O que você está fazendo? – A voz era calma, mas os olhos eram uma fúria só.
– Ai eu não sei – Ela desabafou – Eu não disse nada, nem fiz nada demais. Eles que estão interpretando tudo errado. – Ela falou insegura.
– Você não fez nada do que eu lhe disse! – Ele gritou – Hermione, deixe de ser ingênua! Eles não conhecem você direito! Se um dia você voltar a explodir com eles mais uma vez, eles vão te ignorar e pisar em você como fizeram!
– Eu não sou ingênua. – Ela respondeu sem muita convicção. – Talvez seja só uma fase essa minha loucura, e depois passe. – Ela disse, mas não acreditou em nada do que falou. A escuridão já estava entranhada nela, mas ainda não tinha tanta força.
– Oh que gracinha – Ele sorriu irônico – Tão correta, não é Hermione? O problema, é que você sempre foi muito boa e está se assustando com tudo o que está sentindo. Mas vai por mim, não tem volta, você pode até achar que melhorou, mas foi graças a mim. Eu estou te mostrando a luz.
Uma ironia cruel com o que de fato ambos estão fazendo. Mas ela entendeu o que ele disse e deixou-se cair na cadeira, cansada:
– Eles nunca vão sentir o que eu sinto, não é? – Ela disse por fim – Essa agonia toda de estar com os outros, e até essa raiva de burrice – Ela sorriu – Só queria saber, como foi que eu fiquei assim.
– Não se esqueça, que eles foram o motivo – Ele falou mais confiante – Eles faziam graça de você, não prestavam atenção em seus sentimentos, só queriam as suas respostas das atividades. Você não precisa deles.
– Tudo bem Draco – A chama de raiva dela acendeu, após Draco lembra-la o motivo de ela estar ali – Mas o que eu faço?
– Ah pare de ser tão malditamente boa, garota! – Ele exclamou em exaspero – Tenho certeza que vai pensar em algo, não me faça achar que só estou perdendo o meu tempo com você!
Ele sentenciou e saiu da sala, deixando-a imersa em pensamentos. Após a saída de Draco, as lembranças de todas as coisas ruins que aconteceram com ela, por causa deles, afloraram em sua mente. Todos os apelidos que recebeu, as chacotas e a lembrança dos choros de dor que Rony a causou. Draco estava certo, ela não podia querer isso de volta!
Decidia levantou-se para assistir suas duas aulas, antes de encontrar com os seus futuros ex amigos, novamente. A fúria se alastrava em seu peito, esmagando qualquer sentimento que poderia ter por eles novamente, além disso uma parcela de si se sentia contente em poder fazer Draco se orgulhar.
A hora do almoço chegou, ela entrou no Salão com passos decididos, do nada aprendeu a andar do modo que Draco a ensinara. Ela sentou-se no canto da mesa, esperando Harry e Rony chegarem e ela poder fazer seu discurso. Ela se sentia estranhamente animada com isso. Contente estava também Draco, que sentou-se na direção dela para que pudesse apreciar tudo de camarote.
Harry e Rony se aproximaram dela, conversando e gargalhando:
– Pois é cara! Elas estavam lá no lago e eu fiquei admirando por horas.
– Rony, você é um pervertido. As garotas de Beauxbatons vão acabar descobrindo você – Hermione ouviu o trecho e se sentiu enojada.
– É por isso que não vou mais andar com você – Ela disse calma, cortando o empadão em seu prato – Vocês me dão nojo.
Os garotos pararam de rir imediatamente e a encararam surpresa:
– Que foi Mione? – Harry perguntou, Rony já estava vermelho.
– Você dois são uns idiotas. – Sua voz estava calma, como se comentasse o tempo – Não acredito que perdi tanto tempo com vocês e seus cérebros minúsculos. Ficar olhando as garotas no lago, francamente Rony, você não tem vergonha?
– Hermione, tá de crise de humor de novo? – Rony disse emburrado.
– Você são uns trogloditas se acham que ajo assim por causa de algo ridículo como uma crise – Ela ironizou – Não, meu bem, eu sou assim agora. Cansei de deixar os outros pisarem em mim com apelidos ridículos e de ser a amiga nerd que sempre dá a cola para vocês.
– Hermione, o que você está falando? Você está maluca? – Harry sentiu-se realmente ofendido, a relação deles era mais do que isso... não era?
– Não Harry, eu nunca estive tão lúcida. Cansei de ser boazinha, cansei das palhaçadas e gracinhas de vocês. Me deixem em paz, obrigada!
Quanto mais os dois pareciam confusos, mas a vontade de gritar com eles aumentava. Hermione tentou se controlar, não queria chamar atenção para si.
– Você está louca Granger! – Explodiu Rony, falando alto – Eu disse no primeiro ano Harry, essa garota é maluca!
– Obrigada Ronald, agora eu já sei que você nunca gostou de mim – A decepção do primeiro amor a pegou desprevenida, mas ela não demonstrou – Agora vão embora, que eu quero almoçar e eu odeio escândalos.
– Falou a rainha dos escândalos – Gina intrometeu-se. Assim que chegou ao salão e viu o grupinho, sabia que não era coisa boa. Ela foi a única que não tinha esquecido o que Hermione fez – Vamos rapazes, deixem essa mal amada aí.
O tom frio de Gina e suas palavras a atingiram como uma punhalada, mas ela escondeu com um sorriso sarcástico. Agora ela não tinha mais ninguém, só Draco que apenas a enxergava como uma cobaia aprendiz. Tudo bem, talvez essa nova Hermione não precisasse de amor.
*
Draco estava explodindo de felicidade! Finalmente o vínculo fora cortado de vez, e a semana que passou dando dicas a Hermione não havia sido em vão! Ele estava realmente feliz, poderia até...
*
Hermione terminou de almoçar e levantou-se com toda a classe que podia, mesmo estando abalada por dentro. Não é todo dia que descobrimos que talvez, ninguém nos ame de verdade. Ela andou calmamente até uma parte vazia do castelo, deixando todos para trás. Assim ela pensava.
Ela esbarrou em alguém e os dois foram ao chão:
– Droga! – Ela esbravejou.
– Eu já lhe disse para andar olhando para frente, não? – Ele sorriu ao ver a expressão confusa dela.
– Desculpa, não estou com cabeça hoje. – Ela desabafou. Os dois estavam no chão, ela deitada em cima dele, apenas com a cabeça erguida para fitar o seu rosto.
– O que foi Hermione? Você livrou-se deles! – A alegria era evidente em seu rosto – Devia estar contente!
– Você realmente gostou, não foi? – Ela conseguiu esboçar um sorriso ao ver a felicidade dele.
– Mas é claro, agora você vai estar só pra mim! – Ele sorriu triunfante e envolveu sua cintura, puxando-a para um abraço. – Ah Hermione, você vai ser a melhor aluna de todas.
Talvez essa nova Hermione precise de um diferente tipo de amor.
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