You're A Million Ways To Be Cruel - NÃO CONCLUÍDA
17 All Your Reasons
Notas iniciais
“Dadas todas as escolhas
Boas dadas a partir do mau
Há muitas coisas que eu preciso te dizer
Há muitas coisas que você deve saber”
(All Your Reasons — Jake Bugg)
*
Gina estava encolhida, quase como uma bola, na poltrona do Salão Comunal. Lágrimas silenciosas rolavam pelo seu rosto. Era esse o sabor de ser traída?
— Gina? Procurei você em todo o canto — Disse Harry se aproximando. Ela limpou o rosto e tentou sorrir… Falhou miseravelmente.
— Ei você — Ela conseguiu dizer baixinho
— O que houve?
— Você me perdoa? — A expressão dela destruiu o coração dele. Mesmo que ela confessasse ser a assassina dos seus pais, ele a perdoaria.
— Mas é claro que sim — Ele a tomou em seu colo e afagou suas costas — O que aconteceu?
— Eu peguei sua capa emprestada e fui atrás da Hermione — Sua voz ficou histérica — E é verdade, ela está mesmo má, ela gosta mesmo do Malfoy e eles planejam… Planejam… Oh Harry — A ruiva não se conteve e chorou ainda mais.
Harry por outro lado pulsava de raiva, ele já havia passado do luto, agora só ódio sobrava.
— O que eles planejavam Gina? — A mudança na voz dele, de preocupação para raiva, fez ela olhar pra ele.
— Planejam recrutar mais alguns alunos.
— Nomes?
— Pansy, Blas… Luna — Nessa hora, Harry trincou os dentes.
— Não vou deixar eles tomarem Luna.
Gina assentiu. Ela mesma tinha pensado nisso.
*
Pansy havia se trancado em um banheiro e gritava o mais alto que podia. Não estava exatamente com raiva, mas gritar e puxar seus cabelos parecia uma boa solução no momento.
— Nossa será que dá pra parar? — Pansy se assustou, em sua pressa para extravasar a emoção, não percebeu que havia alguém em um dos boxes
— Me desculpe — Ela murmurou sem graça.
— Uma Parkinson pedindo desculpas? Ou será que estou ouvindo coisas? — A outra ironizou.
— Não enche Patil!
— Agora sim é a Pansy que eu conheço — Ela deu uma risadinha e encarou a outra. Nunca teve medo dela, afinal ela era apenas uma garota. E Patil era Grifinória! — O que aconteceu de tão grave para meus tímpanos sofrerem tamanha tortura? — Pansy suspirou e deu de ombros.
Ela podia muito bem botar tudo pra fora com aquela quase estranha. E se ela contasse pra alguém e daí? Foda-se e foda-se!
— Meu pai quer me obrigar a fazer coisas que eu não quero. Coisas que podem me machucar. Estou lutando contra isso. Perdi meu melhor amigo pra cobra da Granger. E pra completar meu coração traiçoeiro inventou de se interessar por alguém.
— Hum… — A morena ponderou — Sinto muito por seu pai — Pansy deu de ombros, não havia realmente nada a se fazer a respeito — Hermione realmente anda mesmo merecendo esse título de “cobra”. Acrescentaria peçonhenta também. — Pansy tremeu — Também me dá calafrios — Parvati observou. — Mas o que importa mesmo é QUEM É O GAROTO?
Isso já era demais, a sonserina não revelaria.
— Não vou contar.
— Qual é?!!! — A outra falou em um tom tão indignado, que Pansy riu — Uma dica?
— Ele não é da Sonserina e não falo mais nada que isso!
— É um desafio? — A expressão de Parvati foi tão engraçada que Pansy riu novamente. O que era isso? Estava rindo com uma estranha e estava gostando.
— É um desafio! — Ela finalmente respondeu — Você tem uma semana e três tentativas, combinado?
— Isso é emocionante! Combinado!
As duas apertaram as mãos para selarem o acordo e riram cúmplices.
*
Cho não fazia isso sempre, mas era excitante pensar que qualquer um poderia pegá-las em flagrante:
— Oh Chang, você é tão boa aaah — A menina gemeu. Cho parou o oral e a repreendeu.
— Fala mais baixo, alguém pode ouvir — A garota revirou os olhos e puxou a oriental pela gravata e a beijou.
Encostou ela na parede e desceu suas mãos pelo seu corpo. Subiu a saia dela e adentrou a calcinha e finalmente chegou ao seu objetivo.
— Oh — Chang deixou escapar ao sentir a outra brincando com seu clitóris.
— Você gosta não é? — A outra disse maliciosa — Diz meu nome vadia.
— Daphne? O que está acontecendo?
As duas pararam e olharam para quem havia estragado a festa. Estavam em um corredor pouco utilizado, mas ainda assim podia ser qualquer um. Daphne e Cho se ajeitaram e encaram a terceira.
— Olá irmã — Disse Daphne — Bem isso era só um pouco de sexo lésbico — Astória estava pasma, não conseguia raciocinar em cima disso.
— Como a-a-assim vocês, quer dizer… tipo, você — Ela gaguejava tentando ordenar seus pensamentos — Vocês estão namorando.
— Não cara — Disse Cho, se pronunciando — Sua irmã não é gay.
— Isso mesmo irmãzinha. É só diversão — E deu de ombros.
— Isso é estranho. Não quero saber disso — Astória falou ficando vermelha.
— Cê que sabe, mas ela faz um oral divino — Daphne falou apontando pra Cho e depois indo embora. — Vem Chang.
Cho piscou pra Astória e seguiu a outra. A loira ficou ali parada, vermelha e excitada.
*
Luna estava nervosa. Mordia os lábios e trocava o peso nas pernas o tempo todo. Olhou pela janela do torre de Astronomia e observou o céu. Estava escurecendo, dali a algumas horas já seria a hora do jantar.
Ela respirou profundamente e soltou o ar devagar.
Será mesmo que Draco e Hermione a queriam como aliada? Será que daria certo? O que ela teria que fazer? Então pensou em seu pai. Será que teria que abandoná-lo?
— Não seja estúpida Luna, é claro que sim. — Ela disse a si mesma.
Ele foi o único a amá-la do jeito que ela era. Então por ele a amar, talvez ele entendesse porque ela queria seguir esse caminho. Queria que outros a amasse também. Queria ser forte e poderosa como a sua mãe. E esse foi o único lado a lhe ofertar isso. Talvez ela consiga fazer com que seu pai viajasse para outro lugar e se omitisse da futura guerra.
— Luna? — Ela ouviu lhe chamarem e Hermione estava ali.
— Olá — A loira fitou a castanha. Ela estava de short jeans e uma camisa moletom simples. Seu semblante era tão calmo e meigo que ela relaxou logo de cara — Você está bonita.
— Não estou não. — A castanha revirou os olhos e sorriu.
— Está sim. Você está tão tranquila. Parece em paz.
— Mas eu estou Luna. Estou tão feliz. Pra essa felicidade está completa só preciso de uma amiga e vim saber se é você — Luna ficou vermelha e deu de ombros
— Onde está Draco? — Hermione deu de ombros
— Deve estar com Blás. Eu pensei em fazer um momento só de garotas.
— Entendo. — Luna disse por fim.
— Então, você quer mesmo se juntar a mim? Você sabe o que isso implica, certo?
— Sim. — Luna falou veemente. Cheia de certeza na voz.
— E porque você quer se juntar juntar a nós?
— Talvez pelo mesmo que você. — Hermione ergueu uma sobrancelha divertida.
—Você também quer o Draco? — A loira arregalou os olhos num misto de choque e surpresa.
— Não! Claro que não! Estava falando sobre não se sentir bem e nem aceita onde estou — Hermione parou de sorrir e olhou seriamente para sua — quase- amiga — Eu não aguento mais as chacotas. Eu sou uma pessoa legal, mas não sou besta. E não quero ser mais.
— Eu te entendo Luna, minha querida, seja bem vinda ao nosso mundo, que ao contrário do que se pensa temos total liberdade de sermos quem somos.
— Só se formos bruxos puro sangue? — Luna brincou e Hermione gargalhou.
— Só se formos bruxos puro sangue.
As duas seguiram de braços dados pelo caminho todo. Rindo e gargalhando. Mas Hermione sentiu que quanto mais pessoas as viam, mais Luna se retraia:
— Você está pronta pra isso Luna?
— Eu só quero que as pessoas vejam que realmente faço parte do grupo.
— É claro que eles vão ver e se alguém teimar em não ver é Crucio neles — Hermione piscou e Luna riu.
— Era isso que ia fazer comigo se eu não topasse?
— Claro que não… Eu apagaria a sua memória — Depois de um silêncio meio estranho, as duas riram.
— Estou vendo que temos um novo membro na equipe — Disse Draco, se aproximando das garotas — Bem vinda Lovegood.
— Obrigada Draco — Ela disse meio tímida.
— Sério Draco, você tem que me ensinar esse truque que faz as garotas ficarem vermelhas assim — Disse Blás, fazendo graça.
Os quatro caminharam juntos até o Salão Principal, com Hermione e Draco na frente, de mãos dadas e os outros dois rindo e conversando atrás. Nem sentiram a mudança de respiração das pessoas ao ver aquele quarteto estranho.
Harry que comia tranquilamente, engasgou-se com a comida. Baixou a colher e a cólera tomou conta da sua expressão. Ele perdera mais uma vez.
Ele não conseguia entender os motivos de Malfoy querer Luna em seu meio, ela parecia ser tão ingênua e pura Mas não era isso o que mais o incomodava e sim as razões de Lovegood querer se juntar a eles.
Ele não sabia de nada, sua única certeza era que era tarde demais para tentar alcançar Luna Lovegood.
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