Notas iniciais
Capitulo Programado ~ Boa Leitura ~

“Eu vejo esses lesados perdendo em

Todos os lugares

Se eu perder, apenas perderei o

Cuidado

Que poderia ter por outros”

(This Boy – Franz Ferdinand)

*

– Ah mas esse garoto... – Hermione suspirou mais uma vez, ao voltar de uma conversa com Draco.

Semanas já haviam se passado e os resultados eram incríveis. Ela conseguiu se controlar mediante a situações irritantes, e não sentia mais nada quando Harry e Rony a ignoravam. Até a forma de andar e comer, agora parecia mais segura, ela estava construindo a sua autoestima se maneira tão forte, que ela seria indestrutível.

Draco a fazia se sentir especial, mas não era algo dependente dele, pois o mesmo sempre repetia “você é especial, porque você é e pronto”, mas ela não conseguia deixar de achar que ele a fazia assim. Ainda era um defeito e ela tinha que contornar.

Ela se afastou de Harry, Rony e Gina definitivamente, os outros alunos notaram isso mas não questionaram. Quanto aos outros colegas de casa, Hermione não sentia ameaça alguma então sempre trocavam ‘Olá’ pelos corredores. Ela estava centrada nos estudos, mas ainda estava atrás de se aperfeiçoar como pessoa, isso significava que não podia se importar com os sentimentos dos outros.

Ela voltava para a Torre da Grifinória, sabia que já estava passando do toque de recolher, mas tomou cuidado. Estava chegando ao seu destino, quando ouviu vozes:

– Rony, a prova é daqui a algumas semanas e eu não sei nada sobre ela!!!! – Harry dizia exaltado.

– Calma Harry, o que foi que Moody disse a você mesmo?

– Ele disse “Será como se você fosse Teseu, e encarando o desafio de Édipo”. – Harry parecia realmente aflito, a última prova conseguiu por pouco e o que tudo indicava essa era ainda pior.

– Bom, esses caras são gregos, não é? – Rony respondeu confuso – Caramba Harry, eu estou com sono.

– Se pelo menos a Hermione estivesse falando com a gente... – Harry se lamentou. Hermione sentiu uma pontada de culpa no peito, mas logo ela foi esquecida ao ouvir as palavras do ruivo.

– A Hermione nunca foi normal Harry, agora ela enlouqueceu de vez. Você devia esquecer ela, quer dizer, ninguém que leia muito é normal.

– É realmente, ela sempre foi esquisita... – Harry concordou. Hermione correu dali e foi direto para o seu dormitório, a raiva queimava em seu peito e uma vontade de ir lá e espancar eles a tomou.

– Calma! – Ela disse assim mesmo. – Há milhões de maneiras de ser cruel e se vingar. – Ela lembrou-se do que Draco lhe dissera tantas vezes. Sentou-se e clareou a mente, por fim decidiu.

*

Estava no café da manhã, quando Rony e Harry chegaram com a cara horrível. Os dois pareciam que haviam passado a noite em claro:

– Caramba Harry, as minhas mãos estão doendo.

– Do que você está reclamando? – Harry disse irritado – Eu tive que lavar os sanitários.

– O que foi gente? – Perguntou Fred.

– Parece que dormiram com diabretes – Completou George.

– Estamos de detenção por duas semanas! – Reclamou Rony.

– O Snape pegou a gente fora da cama depois do toque de recolher.

Hermione ouvia tudo de onde estava sentada, segurou a vontade de gargalhar. Ah como a vingança é doce:

– Que expressão interessante em seu rosto Granger – Draco sussurrou em seu ouvido. O aparecimento repentino do rapaz e a respiração quente em sua nuca, assustaram Hermione.

– Ai meu Merlin, Draco! – Ela se recuperou e depois sorriu- Ontem à noite eu peguei os dois ali, falando mal de mim, então mandei um recado anônimo pro Snape e ele pegou os dois no flagra. Duas semanas de detenção.

– Parabéns Granger, pelo menos não está mais apegada a eles – Hermione sorriu orgulhosa de si mesma e Draco sentiu-se aliviado. Ela não se importava mais com os grifinórios – Espera só você fazer algo com as suas próprias mãos. – Ele disse e voltou para o seu lugar. Hermione o seguiu com os olhos.

Ah esse garoto, era um mistério para ela. Ainda não entendia o motivo de Draco ajuda-la, ainda mais ajuda-la em suas próprias vinganças. Ela estava se afeiçoando a ele, mas sentia que ainda não estava a sua altura. Ela suspirou. Um dia ela estaria, e teria orgulho dela.

*

Draco estava mais do que feliz por ela ter recusado Harry e Rony, isso significava que o plano dele de tê-la, estava dando certo. Hermione seria uma companheira adorável, seria sempre linda, forte, sexy e fiel a ele.

Ainda que estivesse satisfeito, pelo fato de ela ter os entregado, ainda precisava de uma prova maior. O plano já estava formado em sua cabeça, e como não poderia realmente pedir ajuda a ninguém, ele usaria a ‘força’:

– Blás, Nott – Draco apertou a mão deles – E então, o que estão fazendo?

– Temos aula ué – Blás respondeu.

– Me encontrem no fim do corredor de Runas, depois da terceira aula.

– Ah mas eu vou estar faminto – Reclamou Nott.

– Não vai demorar nada, só façam o que eu pedi! – O tom autoritário em sua voz, foi o suficiente para esses assentirem. — Assim que eu gosto, nos vemos depois.

Ele despediu-se dos amigos e seguiu para a sua primeira aula.

Durante todo o trajeto, foi com a mão no bolso certificando-se de que os frascos estavam lá.

*

Hermione tinha acabado de assistir a mais uma aula de Runas, foi inevitável a irritação. Parvati e Lilá tinham que fazer essa matéria também? As duas tagarelavam sem parar e não paravam de falar em Rony! Chegaram até a dizer que ele era afim de Hermione, ah se elas soubessem.

Devido a sua irritação com as colegas, esperou todos saírem e resolveu ir por último. Guardou suas coisas e verificou, pelo menos duas vezes, se não esquecia de nada. Quando o corredor ficou em silencio relativo, ela saiu tranquila. Até que ela ouviu vozes alteradas, e saiu correndo para ver o que era:

– Ah qual é Potter, vai dizer que é covarde e precisa me segurar pra me bater – Draco dizia em escarnio.

– Cala a boca Malfoy! – E Harry o socou.

Hermione chegou ao local e viu Draco, sendo segurado por Rony e Harry o batendo na maior covardia. O ruivo incentivava o moreno:

– Isso mesmo Harry, bate nesse filhote de comensal – Por um instante ela ficou estática, era ela ou o mundo virou de cabeça pra baixo? Ela nunca imaginaria tal cena, pois seus ex amigos nunca foram de fazer essas covardias. Talvez fossem um febre maluca dando em grifinórios.

– Posso saber o que está acontecendo? – Ela disse ao se aproximar. – Larguem o Draco agora!

– Ah qual é Hermione, venha bater também. É divertido! – Harry socou a boca do louro, o que lhe cortou os lábios.

– Ronald solte o Draco agora! Vocês estão machucando ele – Ela andou até o Rony, para fazê-lo soltá-lo, mas o ruivo a empurrou e ela caiu no chão. Nessa mesma hora, Harry acertou um soco no nariz de Draco, quebrando-o.

– Já chega Potter! – Ela esbravejou se levantando.

– Qual o seu problema Hermione? Para mim é Potter e pra ele é Draco? – Ela tirou sua varinha das vestes, furiosa.

Estupefaça! – Harry foi atirado pra longe, e ela correu até o louro – Largue-o agora seu imprestável! – Ela rosnou e o Rony o soltou – Ah meu Merlin, Draco você está bem?

– Hermione? Ai está doendo – Ele tentou sorrir, mas fez uma careta.

– O que aconteceu contigo garota? Você ficou louca? Agora fica nos desprezando e ajudando ele!

Antes que ela pudesse responder, uma pessoa veio apressada pelos corredores:

– Ora, mas o que está acontecendo aqui? – Esbravejou a professora McGonagall

– O Potter e o Weasley bateram em Draco! – Hermione disse com raiva. – Olha o que eles fizeram! – Draco gemeu forçadamente.

– É verdade isso rapazes? – A professora estava atônita com a cena bizarra, mas não tinha tempo para maiores perguntas.

– Estávamos dando uma lição nele – Rony deu de ombros.

– Essa cena é muito inusitada! – Ela ajustou os óculos – Mas vocês confessaram e a senhorita Granger não é de mentir. Os dois estão de detenção! Só não os levo agora, pois estou atrasada. Podem esperar meus recados e menos 50 pontos, para cada, da Grifinória. – A professora saiu correndo pelo corredor, deixando os quatro sozinhos.

Assim que a professora sumiu de vista, Draco começou a gargalhar:

– Draco, você está bem? – Hermione ficou preocupada, talvez ele tivesse batido a cabeça.

– Bom, tirando esses machucados, estou ótimo! O plano saiu melhor do que eu imaginei!

– Plano?! – Ela exclamou surpresa e ultrajada — Que plano?

– Veja Hermione – Ele apontou pros dois, e eles estavam parados como postes e olhando pro além.

– Você usou Imperio neles? – Ela disse chocada.

– Não, ia ser muito arriscado – Ele explicou – Esses são Blás e Nott, dei poção polissuco a eles – Ele deu de ombros, e ela ainda parecia ultrajada.

– Mas porque você fez isso? – Ela quis saber. Sentia-se humilhada por ter feito papel de boba.

– Precisava saber se podia confiar totalmente em você. Queria saber se você tinha realmente esquecido eles. – Ele falou sincero, e os ombros dela caíram. – Me desculpe. – Hermione o olhou espantada, e seu coração começou a bater mais forte... ele nunca pedia desculpas.

– Está admitindo que errou? – Ela questionou.

– Não, eu estou dizendo que sinto por você ter sido enganada, mas era necessário. – Ele deu de ombros – Eu confio plenamente em você. – Ele entrelaçou os dedos dela, fazendo com que marolas de prazer passassem por ela.

– Confio em você também. – Ele gargalhou.

– Eu sei disso, bobinha. – Ela corou constrangida, mas nada disse.

– Bem, temos que curar isso. – Ela apontou pro rosto dele – Faça o que tem que fazer com eles. – Ela apontou para Blás/Harry e Nott/Rony.

– Pode deixar! – Ele levantou-se e a poção já perdia o efeito, ele acelerou o processo e tirou os dois da maldição. Antes que eles fizessem perguntas, alterou a mente deles e os mandou para o refeitório – Feito! – Ele concluiu.

– Nossa, você fez uma bagunça para provar isso – Ela disse.

– Sim, mas valeu a pena. – Ele pegou a mão dela e beijou levemente – Bem, eu vou para enfermaria agora, você devia ir almoçar e fazer a capa.

– Mas eu achei que fosse com você – Ela quase fez biquinho.

– Ainda não podemos ser vistos juntos, temos que ter cuidado. – E ele se foi. Hermione ficou até as costas dele sumirem pelo corredor. Ela juntou a sua mochila e seguiu para o refeitório.

– Ai Draco! Você ainda me mata! Mas está certo, só deixar os outros fazerem mancada, não você! – Ela ia murmurando para si mesma por todo o caminho.

*

A tarde passou-se sem maiores contratempos, porém com a chegada do jantar, Harry e Rony receberam o aviso da detenção e ficaram revoltados!

– Mas como estamos recebendo isso? – Exclamou Rony – Não fizemos nada!

– Não acredito nisso! Isso significa que vou ficar de detenção até a prova do torneio! – Harry batia o garfo no prato.

– Vamos falar com ela! – Rony exclamou.

– Vai só piorar as coisas – Gina meteu-se na conversa – Vocês já estão de detenção com dois professores, se reclamarem podem ganhar mais tempo de castigo.

Mesmo revoltados, os dois acataram as falas de Gina. Hermione remexia-se em seu lugar, para não gargalhar alto:

– Meu Merlin, como esses garotos são lesados!

– São uns perdedores, Granger! – Mas uma vez, Draco chegou de mansinho e falara em seu ouvido. – Você está bem melhor sem se importar com eles! – Ignorando a proximidade dele, ela falou sem suspirar:

– Como foi na enfermaria?

– Bem, estou ótimo. Só foi ruim botar meu osso no lugar. É a segunda vez em menos de dois meses – Ela ficou rubra.

– Que bom que está bem. – Ela disse antes que ficasse mais vermelha – Você não disse que não podemos ser vistos juntos ainda?

– Hermione, você tem que parar de ficar vermelha. Você não deve ter vergonha de nada, muito menos de mim. – Ela assentiu séria, tinha vacilado nessa lição – Estamos na hora do jantar, ninguém está realmente prestando atenção.

Antes que ela pudesse responder, ele já tinha ido. Ela notou como ele caminhava confiante, e desejou caminhar da mesma forma.

Notas finais
E então? Gostaram? As coisas só tendem a esquentar... rs' Beijos, até breve ;)