Notas iniciais
Para o meu amor,que deu sinal de vida ♥ Música do capítulo,por favor simultanea a leitura,galerinha: https://youtu.be/9iNFgQed9Tc

Dia seguinte

Sala de aula,às 8:30 AM

A sra. Linn,entrou e se posicionou no tablado, começou a escrever no quadro negro,arrastando aquele giz cujo barulho que produzia era infernal. Olhei para Jade que olhava a pobre freira na meia idade, com um sentimento tão...mortífero,que cai na gargalhada,não aguentei.

As caras e bocas de Jade eram impagáveis.

O tédio era massacrante, todo o santo dia tinha essa atmosfera chata, monótona,vazia,sem diversão...

Ainda mais na aula da freira mais insuportável de todo o internato,Linn era professora de produção textual. Nada que fizesse estava bom para aquela coisa.

Tudo bem eu devia respeitá-la mas quem me discriminaria por pensar como todo mundo. E além do mais os temas eram chatos, tudo tinha que ter fundamento literal,mas como? Se todas as emissoras eram cortadas? Por causa da lascívia,dos desejos mais libidinosos e blá blá blá....

Não aguentava com tudo aquilo queria estar de volta para as minhas sapatilhas ou meus livros ou melhor ainda,meus sonhos...Tão perfeito...

Annah...-Jade chamou.

Oi! -Saltei dos meus pensamentos e dei a devida atenção.

Você pode me contar sobre aquele carinha e tals...Que você conheceu quando era criança,que você meio que se apaixonou por ele,aquela coisa meio que infantil,não por ser fútil em si,mas por ser inocente,frágil..? -Ela perguntava.

Oi? O que que te deu,Yasmin Jade Summers? -Indaguei.

Já te falei que é só Jade. -Ela advertiu e continuou: É que estou compondo uma canção e queria muito que a sua história me servisse de inspiração,por enquanto só tenho a melodia...-Detalhou.

Ah sim,tudo bem. Ele era tão bonito,não era como aqueles caras e tal que a gente vê nos filmes (pelo celular) mas é a coisa mais cute desse mundo. Tinha um brilho naqueles olhos de jabuticaba que jamais esquecerei,o sorriso era meio inocente,meio maquiavélico,aquele tipo de criança arteira tipo black bloc que quebra tudo que vê pela frente tipo nascido e criado na Audácia*,não era muito alto,nem atlético,mas também pelo embasamento que tenho do seu perfil,não consigo imaginar tipo a coisa mais definida,era forte,mas não era gordo nem magro. Era simétrico,não era muito alto mas em relação a mim ele parecia quase um gigante,mas tinha a medida certa,sem exageros.Os cabelos ora bagunçados,ora arrumados.

Tia Liv,cortava um dobrado com aqueles cabelos, normalmente eram curtos porque ele não parava um só segundo. Era uma amizade tão doce,tão natural sabe...

Meu coraçãozinho nem sabia o que sentia por ele se dava nome de amor sabe? Éramos muito divertidos,me lembro de uma vez que ele descobriu que eu fazia ballet,ele quase teve um mini treco,porque ele imaginava que eu já fazia aqueles saltos e piruetas quase que monumentais. Depois tive maior trabalho para explicar melhor. Nesse dia também lembro que ele me pediu para dançar com ele, uma música da Colbie Caillat. Nós estávamos na cozinha e era muito espaçosa,tinha uma mesa de jantar e ainda tinha espaço,o rádio tocava aquela feliz melodia e ele começou a dançar com a vassoura e eu ria tanto que parecia ebulir. Eu fiquei muito vermelhinha.

Aí quando ele me puxou para dançar,eu fui tipo muito sem jeito,ele teve força demais para pouco corpo,no caso meu.

Ele colocou as mãos na minha cintura e pediu para que eu "pisasse"no pé dele e ficamos dançando assim,aí de uma vez ou outra ele me rodava no ar. Coisa que era muito engraçada porque eu sempre fazia caretas. Me lembro que ele me chamava muito de princesa. Acabou que nem me aguçava a curiosidade de perguntar o nome dele,ele era o meu príncipe encantado,só faltava o cavalo,o reino,a riqueza...

Foram momentos tipo memoráveis,foram poucos mas tão simples e bons. Não vivi a plenitude da infância mas a parte que vivi foi sensacional.

Trocaria tudo para voltar no tempo. -Disse.

Nossa,uau. Você realmente ainda é completamente doida por ele. Me conta mais...-Jade pediu.

Pode ser mais tarde, prometo de dedinho que conto mais tá? -Jade não aceitou muito bem mas balançou a cabeça loucamente esvoaçando seus cabelos castanhos.

O sinal ensurdecedor tocou e o tempo pareceu passar rápido,fazia tempo que não parava para pensar assim, me perder em minhas memórias tão cheias de carinho e saudosismo.

Quando enfim saí daquela sala me dirigi a biblioteca que era um dos lugares mais apreciados por mim, naquele lugar. Escolhi um livro de Maquiavel,o mais famoso O príncipe.

Com alguns minutos de leitura meus olhos começaram a pesar como se carregassem o mundo.

◆◆◆

Estava escuro, provavelmente a noite havia chegado e lá estava eu,sentada à janela,lá fora nevava e parecia que dentro de mim também,sem perspectiva nenhuma de agasalho,não o literal.

Abri a janela e coloquei as mãos para fora e assim que alguns flocos de neve tocaram meus dedos,foi inevitável o sorriso. Este tão cobiçado na minha vida real.

Sabia que aquilo era um sonho.

Olhei para as dunas,que estavam brancas e para a árvore e para todas aquelas flores que agora estavam "mortas" não mais frondosas.

Será que aquele garoto estava morto? -Pensei.

É lógico que não. -Ele disse.

Sorri com a sua resposta.

Onde está? -Perguntei.

Mais perto do que imagina. -Ele respondeu.

Eu o procurava apenas com o olhar,quando de repente, ele surgiu na minha frente, me assustei com tal aparição e ele ria,vitorioso.

Nossa,sou tão feio assim? -Ele perguntou.

Quem dera. -Pensei.

Ele riu.

Ah...Você...Desculpas. Não quer entrar? -Sorri.

Por que você não vem pra cá? -Ele perguntou.

Mas faz frio. -Deduzi.

É psicológico. -Ele segurou nas minhas mãos,fiz um eixo de apoio e pulei da janela,toda destrambelhada.

Tudo bem? -Ele perguntou.

Sim. -Abracei o meu próprio corpo.

O que faremos? Cadê o livro? Ele quer "falar" comigo hoje? -Indaguei.

Calma,sra. perguntadeira. Eu ainda não sei. Mas veremos. Que tal um boneco de neve? -Ele sugeriu.

Estou fazendo nada mesmo...-Sorri.

Montamos o molde e sinceramente estava perfeito a não ser a falta dos olhos e boca.

Um nome para ele...-Pensei alto.

Argos. -Ele disse.

Han? 1000 anos de escravidão**? -Perguntei.

Ele ria.

E o seu? Por favor não me diga Tom...-Sorri.

Por que? -Ele indagou.

Às vezes tenho medo dele. -Fiz uma careta.

Quer escolher o nome então? -Ele sugeriu.

Acho justo. Hm....Deixa-me ver...-Segurei o seu rosto, comprimi as suas bochechas com as mãos,o forçando a fazer um bico inédito. Que foi inevitável,gargalhar.

Olhei no fundo dos olhos dele e os meus começaram a lacrimejar,pareciam exercer uma força sobre mim. Esfreguei os olhos.

E então,achou o nome? -Ele perguntou.

Ainda não. -Fiz beicinho.

Ao cabo de alguns minutos terminamos o boneco,havia ficado excepcional como nos filmes.

Por fim,ele me deixou na "porta" ou melhor janela.

Obrigado. -Conforme ele sorria, seus olhos se estreitavam quase não dando para ver seus tão estonteante par de olhos coloridos.

Que bonitinho. -Pensei.

Ele arregalou os olhos de forma engraçada,é bem provável que tenha visto esse pensamento.

Sai daqui. -Ri.

A culpa não é minha. -Ele alegou.

A culpa é de quem então? -Coloquei as mãos na cintura.

A culpa é das estrelas. -Ele riu.

Tá bom,farei astronomia,então. -Sorri, sentando-me na janela, colocando as pernas para dentro do meu humilde e (cômodo) cômodo.

Espera! -Ele gritou.

Não quer saber o que o livro tem a dizer? -Ele indagou.

Sim. -Respondi obviamente.

E parou de nevar e logo as flores voltaram a ter vida,as pétalas iam tomando forma e o lugar antes congelante,estava ameno. O nosso tão lindo companheiro de neve agora estava um pouco disforme. E a areia começou a se sobrepor e absorver a água se tornando ressequida.

O livro se abriu e as palavras brancas,uma a uma começaram a sair e surgir na imensidão azul:

"Se quer o arco íris tem que aguentar a chuva."

John Green....-Pensei,esse livro era uma caixinha de surpresas com páginas.

Argos me olhava com uma carinha indecifrável,mas ainda sim com um belo sorriso. Decidi dar esse nome para ele,devido a ser tão misterioso. Quando percebi o óbvio,olhei para os seus olhos e vislumbrei a coisa mais linda e colorida. Vermelho,Amarelo,Azul,Anil,Verde,Laranja,Violeta... Sim,era o arco íris. Será que eu estaria realmente disposta a obter o máximo do seu olhar,não me importando com a tempestade que se formasse?

"Wherever you are Where will you be Are you the same or Dreaming after waiting only for me Waiting for love Waiting for the same or Dreaming on the other side Hoping no matter how far i'll find my way to you..." (Qualquer lugar que você esteja Onde você estará Você é o mesmo ou Sonhando depois de esperar só por mim Esperando por amor Esperando pelo mesmo ou Sonhando no outro lado Esperando que não importa a distância eu encontrarei o caminho até você Seguindo um arco-íris)

Ele era o meu sonho,o sonho mais bonito que já tive, desejava do fundo do meu coração,que ele se materializasse ali bem na minha vida (castigo) real. E As palavras começaram a se desintegrar como orvalho e cair sobre o livro,que absorveu até o último minuto e fechou.

Obrigada,Argos. -Agradeci.

Não há de quê,princesa.

–Acordei assustada.

Notas finais
**Menção ao título de uma fic. *Facção da trilogia de Veronica Roth. Coments? Opiniões? ♥