Your window pane
6 Flashlight
Notas iniciais
O final de semana parecia uma eternidade para acontecer,mas até que enfim o dito cujo deu sinal se vida. Da janela sempre aberta da biblioteca dava a perfeita visão de uma bola alaranjada sobrepondo a toda perspectiva monótona da neve,um sol tímido começou a raiar. Normalmente nos finais de semana,era dia de visitas ou de retornar para casa por mais que fosse por alguns instantes. Ravannah havia abdicado de tal privilégio por causa de Jade, devido a sua forte amizade,não sucumbiu em solidão.
Senhorita Marshall,os seus pais estão à sua espera. -Sra. Helena disse.
Diga que já vou. -Ravannah disse,andando paralelamente a Jade,que estava cabisbaixa.
Oi mãe! Oi pai! -Ravannah diz com muita empolgação trazendo os dois para um longo e demorado abraço. Ambos sorriam inclusive Jade que olhava para a cena.
Ravannah estende o braço, chamando a amiga para também participar daquele momento,que vai chorando.
Os pais de Jade haviam morrido em um acidente de avião e seus avós pareciam ter esquecido da pobre menina,não a visitavam e ela não retornou nenhum final de semana a sua casa. Ela sabia que tinham descaso e desprezo por ela, uma vez que o colégio era extremamente caro.
Mauren e Juan,desfazem o abraço.
Temos uma notícia boa! -Mauren sorri,fazendo suspense.
Fala logo mãe! -Ravannah diz,com certa expectativa.
Conversamos com a senhora Summers...e ela deixou levarmos a Jade para passarmos o final de semana.
Isso é maravilhoso. Obrigada mãe! -Ela abre os braços para a amiga, que agora chorava mais que antes, era realmente uma situação comovente,Jade abraça a amiga e se conforta ali. Alguns soluços insistem em aparecer e as duas acabam rindo.
Vamos,o que está esperando,eu te ajudo a arrumar as malas. -As duas jovens sobem as escadas em velocidade recorde.
Chegando ao quarto,Jade começa a se pronunciar:
Obrigada por tudo,pela compreensão,companhia,amor,amizade,carinho,por me escutar,por aguentar essa sua amiga cabeça dura tão diferente de você...Eu queria ser da sua família de sangue pra saber um pouquinho do que é ser amada. Eu te amo muito, Annah!
Ownt para de me fazer chorar! Obrigada mas você já é da família,garota! -Ravannah diz colocando algumas mudas de roupa na mala.
Até que enfim,vou poder usar maquiagem! E até que enfim também vou parar de usar maquiagem para cobrir minhas tatuagens. -Jade sorri,pegando a uma mala que só tinha cosméticos.
O que? Você tem tatuagens? -Ravannah indagava surpresa.
Tenho. E pretendo fazer mais. -Jade responde.
Nossa! Eu me odiando e você gosta disso. Qual o intuito de manchar o seu próprio corpo? -Ravannah pergunta.
Amiga,olha nem sempre o que é ruim pra você é necessariamente ruim pra mim. Digo que você não está adaptada a isso,é horrível não ter como mudar toda essa situação,te entendo. Mas eu amo as minhas tatuagens,especialmente porque meu namorado,ou melhor ex forçadamente era tatuador. -Jade explica.
Eu sinto muito. -Annah abraça a amiga.
Com menos de cinco minutos já tinham feito as malas,estavam descendo com dificuldade por causa do peso da bagagem.
Juan ajuda as meninas. -Mauren aconselha e o marido vai todo feliz.
Eram realmente uma família linda.
◆◆◆
O táxi esperava na porta,a família saiu como se pudesse iluminar o universo com tanta felicidade.
Vamos para Vila dos Anjos? -Ravannah perguntou.
Não,vamos para a casa da sua avó,filha. -Mauren respondeu.
Ah sim,a mesma que eu ia ficar,como desculpa para me convencer de que eu não iria sofrer dentro daquele lugar. -Ravannah falou.
Jade deu uma cotovelada no braço da amiga.
Juan apenas a olhou severamente.
Desculpas...-Ravannah disse de cabeça baixa.
Amor,você não precisa ficar assim. Sabe que tudo isso é para o seu bem,não sabe? -Juan fez aquela sábia pergunta retórica.
Annah apenas olhou para o céu.
Às vezes me sinto dentro de Alkalia*... -Ravannah resmungou.
Antes fosse,só tem garota chata naquele lugar. -Jade observou,logo um sorriso tornou a aparecer no rosto de Annah.
O que é Alkalia? -Mauren perguntou.
Um lugar. Que ninguém quer ficar,faz parte de um filme... -Jade explicou.
Ah sim...-Mauren expressou sem saber o qur dizer.
Perdida em seus pensamentos, Ravannah tentava captar o máximo do mundo exterior.
◆◆◆
Ravannah conta:
Esse sonho havia sido estranho demais era como se Argos e o garoto mais lindo de toda a face da terra,tivessem se fundido em um só corpo. Não eles não eram a mesma pessoa. Isso que dá,morrer em minhas nostalgias,eu simplesmente era frágil demais,meus sonhos estavam confusos não sei se queria dormir para ter Argos perto de mim e não sabia se tentava compor uma expressão em dança mediante ao meu saudoso passado tão infantil e genuíno,com o meu príncipe de conto de fadas. Era possível isso? Às vezes eu só queria um sinal de que em alguma hipótese,o meu destino conspiraria ao meu favor. Jade sempre diz que nunca devemos perder a fé, por mais remota que seja a salvação.
Eu queria ter a força de sua crença mas sinceramente,para um péssimo otimista eu era muito boa pessimista.
Meu corpo estava estranho, a minha vida era assim também,eu não tinha mais para onde fugir.
O carro parou em frente a uma casa monstruosa de grande. Era bonita,pintada de verde-grama,as janelas de madeira combinando com a porta. Era perfeita.
Quem sabe um dia eu teria a oportunidade de construir a minha desse jeito? Namorar,ter filhos e vizinhos? Como todo ser normal na face da terra?
Eu simplesmente não sabia responder essa pergunta. Agora ia conhecer os meus avós paternos,pessoas quw até então só havia ouvido falar.
Saí do carro, espreguiçando-me.
A rua estava tranquila com poucas pessoas sentadas na varanda da casa da direita. O lugar era lindo,mas não me trazia a ideia de aconchego. Bati na porta esperando que alguém me atendesse.
Posso ajudar? -Uma senhorinha abriu a porta, tinha quase o meu tamanho. Era bonita, algumas rugas salientavam a sua pele,tinha o cabelo curto e branco. Vestia-se bem.
Mãe! -Meu pai gritou.
Filho! -A mulher exclamou. Ela era a minha avó...Meu Deus,perdi tanto tempo reparando que nem aproveitei a oportunidade de dizer alguma coisa para tal mulher.
Mãe,essa é a Annah. -Meu pai apontou para mim.
Nossa,ela está linda. Está grande...-A mulher observou.
Querido! -A mulher gritou, logo um homem alto apareceu,era mais novo do que ela,mas também tinha alguns fios brancos no cabelo.
Oi Gê. -Ele disse.
Hudson,a nossa menininha. -Gê disse com um ar de choro.
Meu Deus. -Hudson disse pasmo.
Pai! Quanto tempo. -O meu pai abraçou aquele homem.
Eram pessoas que eu mal tive a oportunidade de conhecer. Provavelmente tenham me conhecido quando era pequena.
Entrem. -Gê convidou.
O interior da casa era magnífico,me sentia dentro de um castelo digno de uma princesa.
O que me fez lembrar do sonho,rapidamente espantei o pensamento.
Qual o seu nome? -Perguntei.
Genevieve e o dele é Hudson. -Minha avó respondeu.
Me assentei ao lado dela.
Por que vocês nunca foram me visitar? -Perguntei.
É complicado,minha filha. -Genevieve segurou a minha mão.
A sua casa é muito bonita. -Olhei para o lugar e realmente tinha uma beleza simples,mas pra mim era sobrecomum.
Que bom que gostou, querida. -Hudson sentou do meu lado.
Jade apenas sorria,ela havia sumido por algum tempo,provavelmente estaria arrumando as coisas,em algum quarto daquela mansão.
Quer ver o resto da casa? Fique a vontade. A casa é sua.
Olhei para minha mãe e meu pai,sentados no outro sofá. Eles me olhavam com um sorriso que só faltava fazer 360 graus.
Me levantei e subi as escadas.
Me deparei com um longo corredor,com várias portas de madeira. Deviam ser quartos com certeza. A única porta que estava aberta era a do lavabo.
Comecei a andar,mas uma porta me chamou mais atenção tinha uma plaquinha pendurada com o meu nome: Annah.
Entrei no cômodo e era lindo,mais do que isso muito surreal.
As paredes pintadas de amarelo claro,uma luminária no teto com várias borboletas brancas penduradas.
–Acendi a luz para ver como ficava e logo refletiam-se nas paredes as borboletas rosas. Um armário modesto de duas portas estilo Bela e a Fera,uma penteadeira, uma cama de casal,uma poltrona,um criado mudo com um abajour em cima.
Esse quarto era mais perfeito do que tudo que já havia visto na minha vida.
Havia também alguns eletrônicos.
Eles já deviam imaginar que eu um dia pudesse vir.
Sentei-me na poltrona que era tão macia,abri a gaveta do pequena mobília e tinha uma carta dentro.
Era pra mim...
VL,14 de Setembro.
Pode parecer estranho dizer,ou melhor,escrever pra você mas deve estar se imaginando porque de tudo isso. A palavra é simples, tenho saudade,minha princesa. Queria saber se está bem,se ainda respira? Queria saber se está lendo com um sorriso no rosto ou ao menos com o mesmo sentimento que eu. Queria te contar um monte de coisas,mas não caberiam aqui,pois seriam um livro e não uma carta. Queria que soubesse que sinto a sua falta e que cada momento em que você regressava para mim,me tornando melhor,mais humano digamos assim. Você sempre iluminou tudo,minha princesa valente que nunca desistiu de nada,nem quando o caso era perdido (no caso eu). Espero que em qualquer lugar que esteja, qualquer que seja o seu caminho e não importa o quanto de espinhos tenham,queimem-os com a sua luz,faça os céus serem mais azuis e cheios de isqueiros acesos no céu, afinal é isso que faz por mim. Por mais que tão mínima fosse a minha dose de você,nos fins de semana. E para ser bem real e sincero com você, em curtas palavras,hoje eu posso dizer que sempre amei você.
Guilherme
◆◆◆
Meus olhos estavam tão embaçados por causa das lágrimas que eu não sabia o que pensar. Se bobear o sentimento nem era o mesmo e sim muito maior em proporção,eu não fiz nada. Meus finais de semana pareciam passar muito rápido quando estava com ele,era sempre assim antes da situação com o meu cabelo se tornar incontrolável. Quando isso aconteceu aos meus oito anos,eu parei de visitá-lo, eu só sabia ficar no quarto e chorar de tanta saudade. Até que um dia ele me viu e suspeitou,porque eu jamais o evitaria. Era engraçado porque ele atirava algumas pedras na janela,ele entrava no quarto e a gente ficava conversando, brincando ou até mesmo dormindo juntos. A gente estava vendo um filme chamado Anjo da Água, nós sempre assistíamos o mesmo filme. Lembro de como ele dormia como um anjo,de como seus olhos fechados pareciam ser desenhados,seus cílios quase me abanavam,me lembro que teve uma vez que a gente estava com tanta saudade que a gente dormiu tão pertinho,que os nossos lábios se encostavam (Isso com doze anos tá?) Aí parei de voltar. Não sabem como isso doeu,não sabem quanto eu sofri,não sabem nada sobre o amor,porque se soubessem o procuraria até os confins da terra. Ele era meu tudo.
Além do sol maravilhoso que Deus pôs em minha vida para iluminar o meu céu,meu coração pode cantar feliz e orar em paz,nesta terra Ele me deu um presente para tornar do meu dia em cada detalhe mais bonito,a pequena amostra grátis do tão perfeito amor divino,meu feixe de luz mais colorido,minha lanterna.
Levantei-me com aquela carta na mão e o meu coração parecia saltitar para todos os lados do meu corpo,meu corpo parecia entorpecido e leve,meus pés começaram a fazer uma circunferência com a porta dos pés tipo como se fosse um compasso,quando verdadeiramente depois de muito tempo me senti feliz,comecei a dançar,marcando com meus 1,2,3 ritmados mentalmente. Assim que a música atingiu seu clímax, abusei um pouco das piruetas e dos giros mais complicados. Com certeza se dona Helena visse isso, iria me matar já que nem me alonguei. Essa música parecia ditar tanto sobre mim,mais do que tinha parado para pensar. Meu
" I'm stuck in the dark but you're my flashlight" ( Eu olho à minha volta, e vejo uma vida boa Estou presa no escuro, mas você é minha lanterna)
Fale com o autor