Notas iniciais
Hello! ♡ Desculpas pela demora. ♡ Dessa vez só o instrumental ♡ Pfvr acessem aqui em baixo + a leitura e voilá ♡ https://m.youtube.com/watch?v=ic4qRC4eGmk

"This one's for you and me

Living out our dreams

We are right where we should be

Lift my arms out wide

I open my eyes

And now

All I wanna see

Is a sky full of lighters

A sky full of lighters"

( Essa daqui é pra mim e pra você

Vivendo os nossos sonhos

Nós estamos exatamente onde deveríamos estar

Com braços bem abertos

Eu abro meus olhos

E agora

Tudo que eu quero ver

É um céu cheio de isqueiros

Um céu cheio de isqueiros)

◆◆◆

Guilherme narra:

O dia foi árduo,mais uma vez fui a Universidade,era o que me dava prazer,mas detonava as minhas energias. Conforme as horas se passavam meu corpo já pedia descanso e meus olhos intermitentemente que fechassem. Quando enfim saí do campus, a luz solar parecia agredir os meus olhos. Myrian estava a minha espera.

Oi. -Myrian cumprimentou.

Oi.-Dei um beijo em sua testa.

Como você está? -Ela perguntou.

Cansado. Sem forças. Mas bem. -Respondi.

E Anne? — Ela indagou,desde que Annelise chegou em minha vida,Myrian se preocupava com ela.

Vamos para casa? -Ela me ofereceu o capacete preto.

Partiu! -Ri.

Aonde? -Ela brincou.

Percebi uns olhares maliciosos para ela,os homens que estavam no estacionamento pareciam babar por ela,ainda mais quando ela "subiu" na moto. Coloquei o capacete,sentei no único espaço vago na moto,abraçando a sua cintura. Eu era um irmão ciumento. Como não éramos parecidos um com o outro, sempre as pessoas tinham dúvidas de que eu era namorado dela ou não. Era hilário. Quando enfim chegamos na portaria do edifício eram meio dia. Exatamente doze badaladas. Optamos por subir a escadaria ao invés do elevador. Com isso a breve e tão presente nostalgia da nossa infância na Vila voltou a memória.

Ela sempre dizia: "Quem chegar por último é a mulher do padre". E saía correndo.

Por fim,sempre chegava por último,era lógico que eu a deixava ganhar. Minha irmã sempre teve muita dificuldade em lidar com a perda,em todos os sentidos. Até no jogo da vida,sempre chorava.

Quando enfim alcancei a maçaneta do apartamento, ela ria ofegante,estava quase pondo minha língua pra fora. Assim que entramos nos jogamos no sofá. Ficamos ali por um bom tempo,olhando para o teto branco.

O lugar não era muito amplo,pois pretendia passar apenas uma temporada.

Myrian resolveu testar seus dotes culinários e começou a fuxicar a geladeira.

Não mexa em nada,ela era um verdadeiro desastre com as panelas. Estava com vontade de comer pizzas,as massas já estavam prontas só precisava escolher o recheio. Ela me ajudou a escolher os sabores.

Por fim,Myrian tinha que me sujar com molho de tomate. Os sabores escolhidos foram mussarela,calabresa com as bordas de catupiry ,portuguesa,alho,quatro queijos.

Deixei-a olhando o ponto ideal das pizzas,enquanto tomava um banho.

◆◆◆

entretido numa das minhas mais diárias facetas, escrever... Em meio a tantas coisas que acontecem,que tenho saudade,ou que gostaria de almejar,desabafo pelo menos com alguém que não me recrimine: O papel.

Desde que a princesinha nunca mais retornou a Vila dos Anjos e consequentemente a mim,criei o hábito de escrever cartas. Não qualquer coisa,sem destino, mas na esperança de que um dia fossem lidas,lidas por ela. Era como uma terapia diária na tentativa de entorpecer a saudade. Por mais sábio que me considerasse com as palavras,cheguei a constatação de que a saudade não tem tradução.

Isso tudo porque todos falavam que era "coisa de criança",cisma...Desde então preocupei-me somente em redigir algo para alguém que não me jugaria,ou recriminaria por tal sentimento. Ela.

Não sabia por quanto tempo faria isso,haviam cartas que eram grandes com três a quatro folhas frente e verso preenchidas.

Sentado junto a escrivaninha, foi somente apoiar a ponta da caneta na superfície de papel reciclado que as palavras saíam com mais naturalidade do que respirar. Falar sobre tudo que me envolvia em relação a ela,era libertador. Trazia novos ares,tão puros,por mais que Boston fosse extremamente poluída.

Lembrei-me essa manhã,da vez que estávamos deitados na grama do quintal da minha casa,já eram nove horas da noite,todo o céu estava iluminado,a lua se exibia prateada no meio de tantas estrelas como isqueiros acesos na imensidão escura. Ela estava ao meu lado e não parava de sorrir,parei de olhar para cima e quando olhei para ela tive a certeza de que aquela oportunidade singular era a paisagem mais linda que tive ou teria um dia. Ela vestia um vestido lilás com renda de flores, seus cabelos estavam soltos,pareciam pétalas de rosas vermelhas jogadas na grama. Nos seus olhos brilhantes estavam imprimidos a paisagem celeste,via as estrelas brilhando. Era inexplicável a beleza do conjunto de toda aquela obra. Debret com certeza sentiria inveja. Assim,como todos os outros momentos com ela eram ímpares. Ela me olhou risonha e eu não me cansava de olhar mudo para ela. Me sentia parcialmente culpado por querer alguém tão inocente e pequena,mas era involuntário,assim como controlar as batidas cardíacas. Queria que durasse para "todos os sempre".

◆◆◆

VL,14 de Setembro.

Pode parecer estranho dizer,ou melhor,escrever pra você mas deve estar se imaginando porque de tudo isso. A palavra é simples, tenho saudade,minha princesa. Queria saber se está bem,se ainda respira? Queria saber se está lendo com um sorriso no rosto ou ao menos com o mesmo sentimento que eu. Queria te contar um monte de coisas,mas não caberiam aqui,pois seriam um livro e não uma carta. Queria que soubesse que sinto a sua falta e que cada momento em que você regressava para mim,me tornando melhor,mais humano digamos assim. Você sempre iluminou tudo,minha princesa valente que nunca desistiu de nada,nem quando o caso era perdido (no caso eu). Espero que em qualquer lugar que esteja, qualquer que seja o seu caminho e não importa o quanto de espinhos tenham,queimem-os com a sua luz,faça os céus serem mais azuis e cheios de isqueiros acesos no céu, afinal é isso que faz por mim. Por mais que tão mínima fosse a minha dose de você,nos fins de semana. E para ser bem real e sincero com você, em curtas palavras,hoje eu posso dizer que sempre amei você.

Guilherme

Achei que assim estava bom,mas não tinha como sempre coragem de enviar a carta. Quando enfim saí daquela minha pequena redoma,deixando tudo do jeito que estava,apenas saí do quarto esfregando a toalha no cabelo.

Olha só quem está aí! -Sorri. Anne já havia chegado,veio até a mim com um sorriso tão delicado e sapeca e me deu um abraço tão genuíno,que valia sim a pena ter vindo a Boston. Por ela somente.

Como foi a aula de ballet,amor? -Perguntei.

Ótima. -Ela respondeu.

As pizzas já estão prontas,queridos. -Myrian gritou da cozinha.

Nos servimos e conversamos sobre os detalhes do nosso dia.

◆◆◆

Ravannah conta:

Tudo parecia ter mais sentido. Fazia tempo que grandes interrogações se formavam em minha cabeça quanto ao tão perfeito amor. Quando li cada palavra,tudo voltava aos eixos,era como se cada olhar,cada sorriso,cada abraço,o cheiro,nossas brincadeiras...Tudo isso era recheado de sentimentos recíprocos. Já estava de noite,provavelmente partiríamos após o jantar. Agora que estava me acostumando com os meus avós,que estava pegando o gostinho da minha pouca liberdade. Já havia acabado de arrumar as malas e olhava para a janela,Argos havia desaparecido nesses dois dias. Tinha saudade dele,parecia não dar sinal de vida,mas sinceramente a única coisa que realmente mais senti em toda a minha vida. Tinha uma música que Guilherme sempre tocava no violão para eu dormir que retratava exatamente isso.

"Saudade não tem tradução."

Mas agora eu tinha algo para me agarrar,eu tinha uma carta,eu tinha palavras e mais palavras que atravessaram fronteiras pra me encontrar. O papel já estava completamente amassado devido a tanta força que extraía dele. Jade me chamou para jantar. Pus a carta no bolso da calça jeans de lavagem manchada com dois tons de azul. Desci as escadas como sempre correndo. Entrei na sala de jantar.

Oi família -Disse.

Oi -Disseram em coro.

Todos já estavam ao redor da mesa,Halle estava servindo o jantar. Me assentei ao lado de Gê.

Meus cabelos estavam soltos,coisa que era inédita.

Notas finais
E aí? Gostaram?