Your window pane

8 In hopes you’re on the side


Notas iniciais
Depois de anos de hiatus, retornando a postar os capítulos. Espero que gostem. Para a melhor experiencia, leiam ao som de Talking to the moon - Bruno Mars! Capítulo dedicado ao meu mais novo leitor incrível: Benjamin S2

Guilherme narra:

O dia havia amanhecido calmo em Boston, depois de muitas conversas, eu e Myriam decidimos enfim embarcar em direção a Vila dos Anjos, ambos mandamos os nossos currículos online para as escolas da Vila para que pudéssemos estar num ambiente mais familiar, sentíamos saudades dos nossos pais e com certeza aquela era a oportunidade perfeita para que eu pudesse me reconectar mais com o passado e com certeza ser um ótimo professor, já que era o estágio perfeito para galgar outros possíveis títulos profissionais.

Era o que eu considerava o meu reinicio de homem comum em busca do meu grande sonho de lecionar, sabia que tinha amor por estar a frente dos quadros ensinando com amor.

Ao começar a arrumar as malas com roupas e calçados e alguns objetos pessoais, vou até a minha mesa no escritório do apartamento que dividia em comum com Mymi e tiro todas as minhas anotações importantes dali, e logo noto que havia menos três cartas. MENOS TRÊS CARTAS!

Myriam! – Exclamo em alta voz a fim que a mesma entrasse no escritório, e deu certo, observo a figura da mais nova me olhando totalmente incrédula já que eu não era o tipo de homem que gritava nem para chamar alguém.

O que foi, está passando mal? – Ela diz em tom preocupado, franzindo levemente o cenho, se aproximando de mim basicamente na velocidade da luz.

Vou passar se não me explicar onde estão as minhas cartas!? – Levanto os papeis com a minha destra, olhando-a fixamente em seguida. A reação dela....Era claro que ela havia enviado as cartas, ela tentava falar mas estava nervosa e vermelha demais, as palavras não saíam, e as que eu conseguia compreender eram gaguejos picotados, o que me deixava mais irado dentro de mim.

Irmão, eu...eu...você...nunca tomou coragem e eu fiz por você, p-p-pronto, falei! – Myriam disse como se calculasse uma palavra e outra mas no final tudo resultava na mesma as cartas foram enviadas e não foram respondidas.

Ótimo, você invade a minha privacidade, envia cartas em meu nome sem meu consentimento e ainda me chama de covarde. Sabe por que eu não sou covarde? Você vê alguma correspondência dessa menina? Nem sei se ela está viva! Parabéns por me fazer sentir um idiota! Um idiota! – Digo enfurecido.

Gui, me desculpa... eu não devia. Me perdoa. — Disse Myriam estava transtornada, nunca tinha visto Guilherme naquele estado.

Samantha invade o escritório, chorando muito. Com grande grita entre lágrimas começando a dizer: Eu sabia, você estava me traindo, eu nunca tive espaço em seu coração.

Myriam suspira fundo e dispara em minha defesa: Cala a sua boca! Guilherme não te deve satisfação do que acontecia em sua vida antes de você chegar. Você que saiu se enfiando dentro dessa casa, achando que era esposa, você tá louca?

Apenas vou até Sam e fico estático em sua frente, ela por sua vez diz palavras ofensivas em seu ataque de fúria e bate em meu peito em total descontrole, Já eu fico mudo, estava na hora daquele relacionamento infeliz terminar e... seria melhor assim.

Myriam a afasta de mim e ela sai daquela casa totalmente triste e cabisbaixa, depois quem sabe não telefonaria e explicaria tudo de uma forma cronologicamente correta, afinal, as cartas eram datadas desde quando a “minha princesa” foi morar na Suiça com os avós e isso era tudo que eu sabia da mesma.

De passagens compradas e malas feitas com TRÊS CARTAS a menos, vamos até o Aeroporto, embarcar rumo a Vila dos Anjos.

Ravannah narra:

O jantar era servido por Halle que era uma espécie de funcionária que virou amiga da família, descobri tudo isso só de olhar o carinho e a forma como ela tratava Gê e Hudson. Apesar de ela ser uma adulta bem madura, ao olhar para as suas expressões e formas de se colocar, tinha muita beleza em sua fisionomia, olhos claros e cabelos loiros, algumas sardas em seu rosto adicionavam certo charme como se fossem pintas.

Parecia que ela também havia feito o jantar, pois explicava com um domínio como se fosse um livro de receitas, logo me imagino na cozinha da casa de Vila dos Anjos, adicionando cada ingrediente com Guilherme, meu amor de infância, que além ser a memória mais perfeita que eu tinha de toda a minha vida, tinha também um belíssimo nome, que por curiosidade numa visita rápida ao dicionário online significava protetor, e isso fez um total sentido pra mim.

Perguntava-me mentalmente naquele jantar, onde as pessoas eram apenas vozes distantes, indignas de atenção perante a maior descoberta da minha vida, como ele havia conseguido o endereço dos meus avós na Suíça? Ou melhor, o porquê de nunca ter acesso a essa carta antes? Ou se ele escreveu mais e eu não procurei direito? Ou se queimaram as outras cartas e esqueceram essa?

Eu mal podia esperar até descobrir um jeito de correspondê-lo, um jeito de voltar nem que fosse numa extensa carta, o que me parecia ideal, dizendo o quanto era recíproco, o quanto era especial pra mim.

Entre poucas mastigadas, eu mal consegui me alimentar aquela noite, eu precisava escrever, precisava me esvaziar das minhas emoções senão mal conseguiria dormir.

Halle chama a minha atenção, parando ao meu lado com uma bandeja vazia perguntando se podia retirar o prato, mas eu estava tão perdida em meus pensamentos que nem consegui dizer uma palavra, até que Jade que estava sentada à minha frente do outro lado da mesa, me chama a atenção com uma careta e com um barulho como se tivesse limpando a garganta.

Ravannah Marshall, vamos para o quarto foi um dia cansativo, preciso te atualizar como foi o meu dia nesse Montreux. – Jade disse, elevando o tom, como forma de me arrancar daquela mesa sem ser furtiva, já que eu ao ser devidamente despertada coloco o prato na bandeja que Halle estendia não sei exatamente por quantas horas.

Meus avós e meus pais me olhavam com estranheza, não sei se por me verem depois de muito tempo ou se por me verem depois de muito tempo sem a bendita touca. Mas a essa altura eu para as suas expressões absortas, dantes me levantei e me retirei da sala de jantar acenando para não parecer muito alheia.

Jade se despediu, desejando uma boa noite a todos e justificando a amiga num extenso despedir, falando em como tinha sido complicada a sua jornada naquele convento/colégio interno, antes de me acompanhar que eu estava me adiantando seguindo em direção à escada ainda tentando digerir o que estava acontecera naquele dia.

Assim Jade a alcança no primeiro patamar da enorme escada que ligava o andar das suntuosas salas de jantar e estar no primeiro piso aos quartos no segundo piso, Jade estava bem mais curiosa do que o habitual, essa sim me conhecia mais que os seus próprios familiares, quase saltitando na minha frente a fim de receber alguma pista do que aconteceu quando entrei naquele quarto e saí totalmente diferente.

A sensação que tive era a de mais plena liberdade para usar os meus cabelos, para usar a minha dança, o meu canto, as minhas palavras, eu queria usar tudo que estivesse ao meu dispor para gritar aos quatro ventos que não era coisa da minha cabeça, que Guilherme era mais real e palpável mais do que nunca estava ao meu alcance, ao meu alcance limitado que mal sabia o seu endereço agora.

Sorte que na escola infantil, as professoras de Vila dos Anjos sempre nos estimularam a escrever, a mandar cartas no correio da escola, e com isso nós que desenhávamos o selo, escrevia e desenhava cartões postais e, sobretudo sabíamos onde morávamos e bem como o nosso endereço.

Era perfeito demais para ser verdade, eu só precisava canalizar os sentimentos certos em meu coração para a caneta, assim entrei no quarto, tão feliz que rodopiava sobre a ponta dos meus pés até pousar na cama de forma abrupta, sendo acolhida pelo colchão macio forrado por não sei quantos lençóis.

Jade se jogou ao meu lado na cama e me interrompeu em meus pensamentos começando a tagarelar mil coisas por minuto como: “Amiga, você está bem? O que aconteceu com você? Você está estranha!”

Então interrompo a sua agonia, me deitando de bruços na cama e apoio meu rosto sobre as minhas mãos...

Eu nem sei por onde começar a te contar, acho melhor que veja, mas posso dar o spoiler que a noticia é muito boa. Meu garoto mistério tem nome, meu protetor se chama Guilherme, ele me escreveu uma carta, não só confessando a sua saudade de sua princesa, mas também se declarando para ela. E se eu não tiver muito enganada essa sou eu.

– Retiro o papel que estava mais do que amassado em meu bolso e coloco na frente de Jade que escutava tudo sem me interromper, ela que em menos de quinze segundos já tinha lido a carta toda, soltou um gritinho animado e talvez bem mais histérico, já me abraçando.

Eu nem sei o que dizer, Annah... estou tão feliz por você. Eu acho muito justo que você encontre o seu príncipe, mas não seria justo com você buscar responder o óbvio? Podemos nos corresponder no convento com pessoas queridas, familiares, então porque não remeteram ao destino certo? – Jade me olhava de forma tão contemplativa e curiosa quanto eu estava.

Para te ser sincera também pensei nisso bastante e cheguei à conclusão que ele não tinha como saber meu endereço, quem diria que eu estaria enclausurada num bom colégio interno, sem privilégios e sem meninos? Como Guilherme sabia que eu estaria morando em tempo integral num lugar que não fosse a casa dos meus avós? – Faço uma pausa, olhando para Jade tentando calcular infinitas rotas que justificassem o porquê de saber tudo tão retardadamente e lidar com aquela mistura de sensações e pensamentos sozinha.

Jade, você mais do que ninguém sabe que eu nunca o esqueci. E se ele sempre esteve tentando me encontrar, eu me sinto tão descansada por não ter tomado uma atitude sequer de procurá-lo. Mas eu ao menos nem lembrava o seu nome e isso me conforta. – Desabafo ainda anestesiada com a descoberta.

Acho que você não descobriu antes porque sempre optou por estar ao meu lado, você nunca tinha escolhido voltar antes por minha causa, sei bem sobre isso porque a sra. Marshall disse a essa tarde que a sua única condição para que você viesse ver os seus avós era a minha presença aqui. Eu sinto muito por ter dado trabalho a vocês, sei o quanto a direção do colégio/inferno interno é burocrática para a liberação de alunos, e sei mais ainda o quanto seus pais devem ter penado para conseguir conversar com os Summers. – Ela disse se referindo a própria família com um ar triste, seus olhos estavam marejados.

Oh amiga, não se sinta assim. Você é a irmã que eu não tenho. Tô feliz de poder compartilhar essa felicidade com você! Podemos investigar tudo isso juntas, vai ser ótimo. Eu te amo mais que a liberdade daquele lugar. – Disse sincera, olhando e admirando os traços orientais de Jade, abraçando-a naquele instante.

Jade resmunga um pouco como se tivesse contendo o choro, sabia que ambas precisávamos desse momento extramuros, suspiro aliviada crendo que a partir dali boas descobertas aconteceriam.

Sorri, me afastando um pouco de Jade que já exclamava com o rosto ruborizado: Vamos, temos uma carta pra responder!.

Apenas assenti com a cabeça, minha japa estava certa, eu não podia perder tempo já que seria apenas esse final de semana que estaríamos teoricamente LIVRES, então me levanto e vou até a escrivaninha começando a pegar o que poderia utilizar na escrita.

Jade dedilhava atrás de mim alguns acordes num teclado que ela achou no vão entre o armário e a parede, a melodia era tão bonita capaz de me emocionar ao ponto de oscilar algumas vezes por nem saber como começar. Então decido desamassar a carta de Guilherme, as suas palavras eram tão precisas e comoventes que me sentia teletransportada para um romance, como corresponder a algo tão perfeito?

Jade começou a cantarolar um trecho que fazia muito sentido para aquele momento então decidi começar a transcrevê-lo:

“ I know you’re somewhere out there, somewhere far away, I want you back, I want you back....” ( Eu sei que você está em algum lugar lá fora, em algum lugar longe, eu quero você de volta, eu quero você de volta”

Meu príncipe, você nunca foi esquecido em meu coração, você é o que faz o meu mundo único, a minha eterna esperança de sermos tudo o que não tivemos chance. Me desculpe as curtas palavras, me desculpe ter demorado tanto pra responder a sua carta. Você me fez sentir dentro de um soneto de sonhos, obrigada por me permitir sonhar e por trazer cor e nitidez a memória dos finais de semana incríveis que passamos outrora. Espero ansiosamente pelo dia que teremos a saudade na mira dos nossos abraços para poder matá-la. Acabei de achar a sua carta, não sei se enviaste outra, mas essa foi suficiente para o meu coração acreditar de novo. Agora, tenho alguém para sonhar.

“... At night when the stars light up my room, I sit by myself, talking to the moon, try’na get to you, in hopes you’re on the side, talking to me too...” (“À noite quando as estrelas iluminam meu quarto me sento sozinha, conversando com a lua, tentando chegar até você na esperança de que você esteja do outro lado conversando comigo também!”).

Mande me um email, escreva-me o seu número, me conte da sua vida, eu amarei saber do que tem feito, eu espero nunca mais perder o contato com você. Foi difícil sem você, espero que seja mais fácil pra nós dois a partir de agora.

E saiba que todos os seus sentimentos foram bem aceitos em meu coração e em resposta, eu nunca deixei de sentir tudo por você. Está para sempre em minha memória.

Suíça, 09 de fevereiro.

Saudades, sua princesa Annah.

Arranjo um envelope qualquer numa das gavetas da escrivaninha e ponho a simples carta dentro do envelope, nele preencho com alguns dados que me lembrava de cor. Na verdade preenchi com os dados da escola, já que não sabia seu endereço ao certo, esperava que ainda morasse em Vila dos Anjos para que pudéssemos de certa forma nos corresponder, meu coração estava apertado só de pensar em que pudéssemos ter algum tipo de problema logo agora que descobrimos um meio de comunicação.

Ao olhar novamente para a carta escrita por Guilherme, tinha a impressão que aquela carta tinha sido escrita há muito tempo, o papel era diferente, a escrita tinha algumas falhas como se estivesse desbotada, ou seja, eu realmente demorei muito tempo e esperava que agora o tempo trabalhasse ao meu favor.

De manhã cedo, eu e Jade iríamos ao correio mais próximo nem que se fosse em Nárnia para enviar a carta, esperava ansiosamente pelo momento de correspondê-lo e também tinha uma saga a encarar que consistia em meus pais e avós e o mistério da carta que não chegou em minhas mãos.

Desta forma, adormeço sobre a escrivaninha, esperando muito sonhar com Guilherme dessa vez, sonhar com o meu príncipe tão esperado, mas dessa vez como todas as outras Argos aparece em minha janela.

Notas finais
E aí gostaram? Deixem seus comentários e reviews! É importante pra mim Beijos da Ame!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.