Young Blood
36 Vou adotar uma elefanta
Notas iniciais
And I'm holding on for dear life
Won't look down, won't open my eyes
Keep my glass full until morning light
'Cause I'm just holding on for tonight
Help me, I'm holding on for dear life
Annie.
— Tá conectando...— murmurei a mim mesma.
A pequena LAN house era úmida. E, digamos, sem preconceito nenhum,... Desatualizada. Era de se esperar a tecnologia pacata de uma cidadezinha da Malásia. Sério, nem sei se aquilo era mesmo uma cidade. Talvez um povoado muito distante, mas maravilhoso. Devíamos estar a uns 1000 e quebradinhos quilômetros de Singapura, acampando nas montanhas.
Nunca tinha visto tanta natureza, nem respirado ar tão puro quanto aquele. Cortando montanha e o nosso acampamento haviam a nascente de um grande rio. As construções de madeira e as igrejinhas eram simples. Eu e Thalia havíamos feito uma festa na feirinha do último vilarejo que passamos. Era completamente inacreditável tudo por tudo que tínhamos vivido até ali. E nem víamos tudo.
Nós havíamos feito o caminho inverso, por terra, por mar ou por ar, nossa viagem continuaria ao norte, em direção a Tailândia, Birmânia e Bangladesh. E então, França.
Eu particularmente não queria voltar. Adorei essa vida meio hippie natureba que estava levando. Pacífica, tão tranquila que podia ouvir o próprio ar se mexendo. Aquela estranha sensação de paz me preencheu por inteiro desde a Bélgica. E aqui, ela foi canalizada em todos os setores da minha vida. Eu podia sair voando sem nem mesmo tirar os pés do chão. Era a melhor forma que eu podia viver. Era maior que o passado.
Andava com um caderninho agora, dado por uma velha andarilha nas Philipinas. A capa velha desbotada e as inúmeras folhas amareladas me fizeram cair em tentação. Ela me disse pra escrever tudo que gostasse ali, talvez desenhar paisagens que eu me apaixonasse, e que carregasse ele por toda minha vida, anotando frases que me fizesse arrepiar de verdade, pequenos ensinamentos que iria levar nessa curta caminhada ao além. E assim eu fiz. A primeira coisa que escrevi foi Percy.
O folhei em cima da mesa empoeirada. Algumas páginas já estavam preenchidas, era tanta gente interessante, tanta coisa nova e vistas espetaculares. Até descobri um dom. Desenhar, e eu era muito boa nisso. Mais que fazer as pessoas rirem, mas do que meu senso feng shui.
Conheci várias religiões e culturas diferentes, e era cada vez mais... Explosivo. Inovador. Essa era minha palavra. Eu estava inovada, sempre tive aquela imensa dúvida de quem eu realmente era. Descobri, eu descobri quem eu era. Era uma aventureira. Desde andar de caiaque numa cachoeira a pular de bang-jump até amar. E amá-lo.
Mas a verdadeira aventura fora tentar achar um caminhão-pipa que nos levasse à civilização mais próxima. Thalia quase teve que dormir com o caminhoneiro, histórias a parte... Eu precisava! Tinha ganhado um prêmio e deveria tal satisfação.
Suspirei, pegando nas pontas dos cabelos, não mais roxas, agora nos ombros. Os pingentes das milhões de pulseiras que tinha nos braços chacoalharam, levei a mão ao pescoço, e nos outros milhares de colares de couro e ferro, achei o meu pingente favorito.
O daquele dia ensolarado, a meio mundo de distância. O 'P' dourado envelhecido. Evitava pensar nele. Mas me vinha a mente todas as noites, como um delicioso sonho. Só pra me lembrar que ainda tenho um compromisso nesse mundo. Ah, eu voltaria só por isso. Por ele. Às vezes, ele parecia inalcançável. Mas aí, eu era uma aventureira, nada era inalcançável pra mim.
Tamborilei os dedos na mesa, as orelhas suando por estar com aqueles fones de 1998. Minha testa também suava, mas as gotículas ficavam presas na fita de couro presa na mesma. Subi as pernas, as cruzando e cutucando as tiras da rasteira gladiador.
Virei as costas, pra ver, através da suja vitrine do pequeno estabelecimento, Thalia na na rua de barro. Nos cabelos azul claro tinha alguns dreads com anéis legais que fez na Nova Guiné, o saião, a blusa flanela encardida e o mochilão nas preso a cintura davam um verdadeiro ar de peregrina. Pegava informações com um homem de olhos puxados, que tentava explicar alguma coisa pra ela no mapa que tinha em mãos.
"ANNABETH! Está nos ouvindo?"
Voltei minha atenção ao PC de caixa. Pela tela pude ver a decoração meio praiana do TCA. Ouvia milhões de pessoas gritando, Trina e Mark no palco segurando o prêmio (a prancha em tamanho real), ao lado de Tyler Posey e uma menina que não fazia ideia de quem era.
Senti o rosto rasgar num sorriso e uma lágrima caiu solitária, era a felicidade estava, literalmente, jorrando de mim. Vi o marcador que tinha na mesa, cinco minutos para agradecer. Precisaria de uma vida pra isso. Merda, que lugar no mundo não aceitava cartão de crédito e não tinha um caixa eletrônico? Suspirei, conformada com a minha situação.
— Ah, droga! Vocês são lindos— falei para minha webcam conectada, pelo menos isso. Eu sabia que não ia achar uma.
"Olhe pra você"— Tyler deslizou o indicador no ar, como uma garota. Ele era um amor. TEEN WOLF! E ainda fazia Teen Wolf. Gostoso!
— Bem, isso é natural...— sacudi os cabelos, rindo.— Hora do discurso, né?—falei, e ouvi mais gritos histéricos, o palco e a platéia estavam distorcidos, com a imagem péssima. Mas ainda dava pra ver alguma coisa.
"HORA DO DISCURSO, GALERA"— a menina gritou pro público. Todos foram a loucura.
Lê-se, hora de escancarar meu coração. Ou apenas abrir uma frestinha, o que já não era mais demais pra mim. Ficou fácil, agora.
— Silêncio aí, porra!— avisei, superior, fazendo uma careta culpada em seguida.— Acho que não posso falar palavrão aqui...— botei a mão na testa como uma donzela.— O que será de mim?— suspirei, como uma princesa.
Olhei o mostrador. Quatro minutos. Ouvi risadas amplificadas. A imagem estava horrível, pelo menos eles me viam bem.
— Eu estou um pouco triste por não poder receber o prêmio— comecei.— E é por isso que mandei uns dos meu fãs... Cara é tão estranho falar assim...— viajei um pouco. Eu tinha fãs, bicho. Isso era meio inacreditável.— Trina e Mark— voltei as palavras, não tinha tanto tempo assim. Vi eles darem um aceno, super animado, e a tela travou bem na hora, e todos ficaram no cio de novo. Uma reação explicável, já que os dois eram cativantes.— Que são as pessoas mais guerreiras e maravilhosas que já conheci em toda minha vida— os gritos não cessavam e decidir continuar mesmo assim.— Mas não preferiria estar presente, e deixar de presenciar os lugares maravilhosos que conheci.
Todos fizeram um Awn decepcionado, me arrancando risos.
— Calma, gente! Posso falar? Obrigada...— enrolei as palavras, arrancando mais risos.— Porque eu nunca conseguiria voltar a ser Annie que vocês, meus cafonas e amores, me tornaram. Depois da morte da minha mãe, as coisas ficaram um pouco confusas— fixei o olhar na lente da webcan, deixando algumas lágrimas escorrerem, eu estava muito emocionada, então deixei as palavras saírem sem nem mesmo controlá-las ou corrigi-las.
— Porque tudo que eu sou, na verdade são vocês, mas eu não falo da fama e nem dos bens materiais, eu falo do caráter. Desde de a mente maliciosa até meu altruísmo. Tudo são vocês. E vocês são tudo. Por isso irei deixar meu prêmio com Trina e Mark— a gritaria aumentou, eu não podia ver suas reações, mas eu continuei, já que não tinha muito tempo. A tela continuava travada. A platéia pirando. O palco preto, com poucas pessoas. Identifiquei Tyler Oakley e seu cabelo azul, sorrindo pra mim. Ai, que fofo! Saudades dele, era fã desde quando ele tinha cabelo loiro. Nos esbarramos algumas vezes em premiações.
— Por é deles, não meu! Ele é de vocês! Sabem disso...
"Annie, nós recebemos uma informação que você, pela primeira vez na história do TCA, é a ganhadora do Ultimate Award"— Tyler gritou nos meus ouvidos.
Tive que tirar os fones para não ficar surda. Era inacreditável. Enterrei a cabeça nas mãos, bestificada e meio zonza. Puta merda! PUTA MERDA! Era a única coisa que conseguia pensar, que fazia sentido.
PUTA QUE PARIU!
BUCETAS VOADORAS!
CAREIDIO!
Me faltou palavrões naquele momento. Comecei a inventar alguns. Como estava necessitada deles.
— Caralho, nem dá pra bancar a legal! Vocês cagaram em mim depois dessa— recoloquei o fone, rindo com o resto das milhares de pessoas. Um riso maníaco ficou preso na garganta. Senti a pressão nas pontas dos dedos. Me tremi todinha. Apoiei meus cotovelos na mesa. Fixei meu olhar no buraquinho preto, com outro buraquinho no meio, deixando lágrimas de alegria caírem. Uma corrente elétrica me fez arrepiar. Cacete, que merda! Como assim?
— Sair daqui vou acender uma fábrica de cera inteira, porque né?— fiz uma careta, com muito esforça pra continuar. Eu queria mesmo era sair dando estrelinhas morro abaixo.— É sorte demais pra uma pessoa só. Sorte de mais pra mim, e sorte cheira a merda... Eita, que isso deve ser obra do capiroto! Tem mão do satã no meio! Eu to falando...— apontei pra lente da webcam.— Quero todo mundo rezando por mim quando chegar em casa... Vai que meu avião cai e...— houveram algumas comentários repulsivos e risadas, olhei o marcador, um minuto, só tinha mais um minuto.
— Brincadeiras a parte...— abanei a mão. Os fazendo calar.— Falando sério agora!— alguém gritou que me amava, escandalosamente, nem deu pra saber se era homem ou mulher.— Eu também te amo, por mais que não te veja!— dei uma risadinha.— Quero agradecer de todo meu coração remendado por ter essa honra... Tudo culpa de vocês, meus cafonas! Dois prêmios no mesmo dia? Você querem é me matar! Sérião... Queria ir em cada canto do mundo abraçar os um bilhão e meio de inscritos, mas não posso...— botei a mão no peito, lamentando algo.— Tenho a síndrome de Avril Lavigne! HA! The zoeira nevers ends!— ri da minha idiotice. Falei o mais rápido possível sem pausas.— Ok! Queria mandar um beijo pra toda minha família, que me apoiaram com essa genética escrota! E dinheiro também! PAI, to na TV!— fiquei vesga, dilatando as narinas, numa careta.—Frank e Hazel meus bebês, era pra ser ao contrário mas não tem problema, um super beijão, que sempre me ajudaram nas edições e em tudo, pra falar a verdade— me senti murchar um pouquinho. Falei tão rápido e tão pouco. E tinha milhares de coisas pra falar. O tempo voava.
Uma ideia me iluminou. Como se acendesse uma lâmpada encima da minha cabeça, igual naqueles desenhos animados. Ri, perversa.
— Galera, prometo postar vídeo quando eu chegar, ok? Mas por um último estante vou realizar um antigo desejo de vocês, porque estão de parabéns! Merecem, merecem! E eu já tinha prometido, não?— me fiz de boçal. Agora, faltava dez segundos pra acabar.— Sempre me pediram pra mostrar meus peitos... Então...— falei, sendo exageradamente, sexy. Ouvi uma gritaria ensurdecedora, assobios, risadas. Tudo.
Quando fui levantar a blusa, a ligação acabou e o computador desligou. Ri comigo mesma, o povo deve ter ficado louco.
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Uma semana para voltar à Paris.
Estávamos na selva dessa vez.
Não, exatamente.
Estávamos dentro de um rio raso, quase apenas uma correnteza, próximo ao um eco hotel tailandês, mas era largo e extenso. O lugar era de uma paisagem tão espetacular, que parecia de foto cartão postal, na verdade, eu tinha certeza que vira esse cartão postal em algum lugar. A água era, realmente, transparente. Folhas de árvores enormes caiam ocasionalmente ao nosso redor. O céu era azul cintilante com pouquíssimas nuvens.
O sol castigava meus ombros, mesmo com um chapéu de palha gigante emprestado de Kakuno, o tratador asiático de elefantes. Ele era um amor, me ensinara a montar e nos levava para conhecer uns lugares estranhos. Uma saia cobria minhas pernas, mas não Ika toda, era impossível. E isso me preocupava. Apesar de não ter com que se preocupar, a pele de dela era grossa e áspera própria pra isso, e estava bem quente. Ika era a elefanta mais fofa e gentil do mundo. Ela e seu marido Badu, que estava com Thalia.
Eles tinham uma história emocionante. Digna de um filme. Foram caçados por bárbaros, que procuravam os seus chifres de marfim, e quando arrancaram deles e de sua família, os deixaram para morrer. Horrível, eu sei. Até que os encontraram, toda a família, mas só Ika e Badu tinham sobrevivido. Kakuno cuidava deles à anos, e eles sempre foram próximos. Até que um dia o hotel a que eles pertenciam patrocinou um casamento. As fotos eram lindas.
Eu montava nela, com um protetor de bambu e palha, e ela se movimentava devagar, balançando de um lado para o outro. Às vezes jogava um esguicho de água fria em mim, para refrescar, e eu continuava apaixonada pela elefanta de 5 toneladas.
Estava bem longe do chão, e faltava mais um tempinho para chegarmos na Lagoa Branca. Kakuno havia nos dado um mapa para chegar lá, que Thalia acabara de deixar cair no rio. Badu barriu alto e repetidamente, como se risse da cara de Thali.
— Porra de elefante! Não ria da minha desgraça!— ela segurou os cipós da cela, emburrada.
— Badu?—chamei. Ele virou a cabeça em minha direção.— Água nela!— ri, sendo atendida pelo seu companheiro. Sua tromba mergulhou na rio, dava pra ver o leito cheio de pedrinhas, e espirrou em Thalia, as gotas dançavam no ar em todas as direções, inclusive em mim. Thalia me xingava como se fosse eu uma barata voadora.
— Badu melhor elefante!— falei, impressionada com sua inteligência, e Ika assentiu.— Nhowww! Minha elefanta favorita! Posso te adotar?— abracei, praticamente deitando nas suas costas. Eles eram tão inteligentes e fofos e perfeitos e maravilhosos e legais e lindos. Eu precisava dela na minha casa. Definitivamente, sentiria falta daquela pele quentinha, e ela era tão carinhosa comigo. Bem melhor que pessoas. Sem dúvida.
Eu exterminaria todas elas e moraria num mundo só eu, Ika e Badu. Talvez poupasse Thalia, só porque Badu gostava dela, por mais que ele fosse mais implicante que Jason e Nico juntos. Ahhh! Ele era muito fofo.
Thalia tossiu e enxugou a cara, mas brava ainda. Usava uma calça folgada de tecido e uma regata. O cabelo azul ficou todo molhado e desgrenhado.
— Vai feder depois!— olhei com nojo.
— E você vai ter que ficar cheirando, só porque você obriga Badu ser um fuleiro comigo!— ela gritou, na minha frente, e acelerando o passo, de repente. Se calou por um momento.— Acho que chegamos.
Sentei, de novo, em Ika, super animada para ver logo essa tal lagoa. Todos no hotel disseram que era a melhor, e nos recomendaram a ir. Senti até Ika andar um pouco mais rápido, coisa que ela não fazia nem que trouxessem o peso dela em amendoim.
...
— Retiro tudo que eu disse em toda minha vida— Thalia falou devagar de mais, babando.— Esse é o lugar mais incrível do planeta Terra. Sem hipérboles. Sem exceções e vírgulas— deixou a bolsa de pano cair na areia tão branca quanto a neve, paralisada. Tirei o chapéu, jogando no chão. Na mesma situação.
Queria concordar, assenti, mas não pude. Quis falar, ou ter alguma reação. Mas, realmente, não pude. Me desfiz de todos os lugares que disse pra mim mesma que eram bonitos, ou esse tipo de coisa. Aquilo era quase que sagrado. Sei lá, as vibrações eram fortes, e nos deixavam em transe profundo.
O riacho desaguava em uma grande lagoa perfeitamente circular e inclinada pra baixo, lembrava o formato do centro de uma arena. Era transparente, eu podia ver cardumes laranjas pra lá e pra cá, pedrinhas coloridas e a areia, que desembocava, fora do alcance das águas, na selva verde vívida, tracejada de cipós, árvores que alcançavam o céu e flores supersaturadas.
Respirei fundo, enfiando os dedos dos pés na areia, fina e quentinha, e levantei a cabeça deixando a luz do sol banhar meu rosto. Ouvi apenas os sons dos animais. Pássaros, macacos e nossos elefantes, se curtindo em algum lugar por aí. Uma pequena brisa balançou meus curtos fios de cabelos meio presos.
Abaixei a saia e levantei a blusa, com toda a calma, ficando completamente nua. Fazia dias que não usava roupa íntima, isso era libertador. Nada de apertos, só eu, meu corpo e o vento. Caminhei em direção à água, e comecei a sentir a areia úmida, até meu corpo estar submerso no confortável quentinho. Bati as pernas, fazendo que não mergulhasse por inteiro, era fundo. Virei para Thali, que apenas me olhava, e ri de leve, mordendo o lábio inferior.
— Você vem?— perguntei, sugestiva, e mergulhei de cabeça, nadando por debaixo da água, e pude ver o céu distorcido, meus ouvidos zuniam, em paz, abri os braços me sustentando e levando pra longe, mantendo meu olhar lá no infinito. Peixinhos passaram ao meu lado e eu sorri, sentindo uma onda de calor passar no meu rosto.
Algo me puxou pra cima, e eu encontrei a sua boca. Continuava a bater as pernas.
— Eu não quero que isso acabe— ela estava molhada, lógico. E mais linda do que todas as vezes que a vi. Suas mãos sustentavam minha fina cintura contra a dela, me abraçando.
Eu não conseguia entender o por quê da água aqui ser quente, e lá em cima gelada. Talvez porque estivéssemos mais próximas do vulcão em ativa.
— Nem tudo é pra sempre, Lia— levei minhas mãos ao seu rosto, desenhando formas entranhas com as pontinhas dos meus dedos, suas bochechas tinham muitas sardas, assim como seu nariz.
— Mas imagina se fosse— sussurrou.
É claro que não estávamos em um nível elevado de sanidade. Mas... Nunca estávamos, quer dizer, fazia um bom tempo que não. E sua pele era macia e convidativa. Ela entrelaçou nossas pernas, ainda me sugando a alma com os seus grandes e poderosos olhos azuis.
Então, eu a beijei. Passei meus braços pelos seus ombros, roçando os seios. Me apertei mais contra ela, e num impulso, entrelacei as pernas na sua cintura, enfiando, provocadoramente, a língua na sua boca. Num movimento, ela a chupou, controlando o beijo e toda minha mente. As coisas se tornaram mais sensuais e desesperadoras.
Quando me dei por mim, estava deitada na areia, que grudava na pele. Ela por cima, distribuindo beijos cálidos, que flutuavam por mim como penas, e me deixando formigante. Meu coração batucava numa música sincronizada com a dela. Me apertava inteira e agarrou com uma das mãos meu seio direito, e o lambeu, chupando tão forte que não evitei um grito de prazer, arqueando as costas. Eu gemia loucamente nas mãos de Thalia. Ela era tão habilidosa.
A outra, desceu pela minha barriga, como uma cobra a procura da presa. Enterrei os dedos no seu cabelo, a fazendo dar mais atenção aos meus peitos. E ela riu. Beijando minha boca, arrogantemente, me deixando com gostinho de quero mais. Sorriu, perdida nos meus olhos.
Ela pressionou meu clitóris, o esfregando com força, fazendo minhas pernas tremerem e um arrepio gelado correr meu corpo inteiro. Gemi alto, ofegante. Deuses, eu não estava aguentando mais.
Não trocávamos uma palavra em momentos como esse. Não precisávamos. Parecia um segredo a ser guardado, geralmente. E eu o guardaria, contando com que ela me fodesse logo. Peguei sua mão e a levei até minha entrada encharcada e pulsante que clamava por alívio, meu ventre ficara muito pesado para mais preliminares.
Seus dedos relaram, sutilmente, os cantinhos da minha entrada, me fazendo choramingar alto. Subiu a cara, achando meus olhos, e penetrou forte demais. Não pude sentir quantos dedos eram, mas eram longo e habilidosos. Era rápida e bruta. Ela ia fundo. Explorava lugares que eu nem sabia que existiam dentro de mim, brincando com os dedos. Seus beijos eram ainda mais excitantes. Pelo pescoço, mamilos, boca... Mordidas, e eu rebolava no seu ritmo, calmo e profundo. Joguei a cabeça pra trás, sendo fudida por mãos deliciosas, gemi repetidamente, de boca aberta e testa franzida.
Quase arrancava o cabelo de Thalia, enterrei as unhas no seu corro cabeludo, a fazendo ir mais bruta. E ela grunhi comigo, puxou meu queixo, encontrando meu rosto. A olhei, rosnando com os dentes amostra. Gostosa. Apertei sua bunda durinha, a beliscando, mantendo o contato visual.
E eu só via estrelas em seus olhos, enquanto meu líquido jorrava pelas nossas coxas.
...
— Só uma, é sério, Annabeth— Thali alertou.— É dos fortes.
Peguei o frasquinho a mão dela e derramei uma mísero pingo, transparente do conta gotas. Era salgado.
Entreguei de volta, para um ainda nua, Thalia. Ela sentava na suas roupas, inchada e vermelha, e eu ao seu lado, na mesma situação. Olhando o nada. Eu ainda estava um pouco excitada.
— Geralmente, não se usa antes de transar?— perguntei, acariciando sua coxa suja, deitando no seu ombro.
Deu uma gargalhada gostosa. Inclinado a cabeça pra mim.
— Desde quando você faz algo com as regras dos outros?— me olhou de esguelha, o cabelo todo no rosto. E eu o tirei, colocando atrás da orelha.
— Você é uma pessoa horrível, sabia disso?— subi em seu colo, e fiz círculos nos seus mamilos durinhos. Ele eram todos rosadinhos e pequenininhos. Abaixei o rosto para lambê-los. Eram irresistíveis. Ela se inclinou e passou as mãos por todas as minhas costas. Gemi, mordendo o biquinho acordado.
— Annie, tem uma coisa que quero te falar...— hesitou, falando baixo.
— Pode falar— sorri, apertando seu peito, encantada. Dava pra fazer um churrasco pra África inteira com aqueles peitões. Distribui selinhos envolta deles.
— Annie! É sério— ela falou, ofegante, e eu estanquei, tirando minhas mãos dela, recuando um pouco. Thalia se ajeitou.
— Pode falar— sussurrei, preocupada e desconfiada com o que viria.
— Lembra do que aqueles seus amiguinhos da Chanel falaram um dia antes de viajarmos?— levantei uma sobrancelha, confusa.— Isso vendo matutando na minha cabeça... O assunto da LVMH ser só uma máscara para alguma coisa maior...
Sai de cima de Thalia, sentando a sua frente, meu corpo queimava devagar. Meus sentidos fraquejaram.
Olhei algo atrás dela, não soube distinguir que animal era aquele.
— Thalia...— puxei os joelhos pra cima, como um escudo.— É... Eu pensei nisso, mas não quis comentar.
— Aposto que pensou o mesmo que eu, não?— se aproximou de mim, curiosa.
— Por que estamos falando sobre...
— Responda— ela cortou, autoritária.
Semicerrei os olhos, com muita raiva, eu estava ficando tonta pra aquela conversa. Peguei minha saia e a coloquei, levantando e evitando seu olhar acusador.
— Responda— pediu, de novo, em pé.
— Você tá estragando o...— me senti chorar, e a boca tremer, debilmente. Ela agarrou meu braço, me fazendo olhá-la, era bem mais alta que eu.
— Me desculpe... Eu não...
Solucei, com a minha garganta se fechando e um gosto horrível na boca.
— Luke vendia drogas do Bernard... Ele era pequeno, vendia pra pessoas como eu, e quando eu dei um pé na bunda dele com todos meus motivos, ele me estuprou! Nem uma, nem duas, nem dez vezes— apontei pro seu peito, com o corpo todo gélido e trêmulo— e também matou minha mãe... Eu acho. Então, nunca mais vamos tocar nesse assunto, ok?— sentia o ar insuficiente nos pulmões, eu estava nervosa e de cabeça quente, que queria arrancar minha pele com as próprias mãos.
— Annie, calma, eu não devia...— ela segurou meus braços, impedindo que caísse. Parecia realmente arrependida. Tarde demais pra isso.
— Não, você não devia— falei ofegante.— Mas acho que eles também podem ter sido os cara que te pegaram no Canadá— o ódio chacoalhava dentro de mim.— Eu conheci Bernard, e ele é capaz de tudo. Tudo mesmo.
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