Young Blood
8 O Japa China e a Preta
Notas iniciais
Annie.
Eu estava deitava no meu quarto pensando na vida. Mais precisamente em Hazel e Frank. Meu coração estava despedaçado só de pensar neles. Os piores 6 meses da minha vida, não só pelos "incidentes", mas eu morria de saudade, literalmente, e sabia que a culpa era inteiramente minha.
Entrei em estado vegetativo desde terça de manhã, já era umas 2 horas da quarta, e eu continuava deitada. Eu ainda havia perdido o aniversário da Thals e do Jay.
O maior tempo que fiquei sóbria. Percy tinha feito uma limpa nas minhas coisas, nem que eu quisesse podia ingerir algo. E não queria falar sobre eles com ninguém. Então, não respondia as mensagens do pessoal chamando pra ir num pub por causa do aniversário de Jay e Thalia, nem as que perguntavam onde eu estava, como eu estava... E eu de novo afastando as pessoas que se importam, suspirei de baixo das cobertas. Eu já estava profissional no ramo de afastar pessoas que amo. Posso tirar diploma.
Resolvi fazer alguma coisa. Não ia aguentar, peguei meu celular e desci até a sala de Home. Conectei meu Iphone no AppleTv, sentei no sofá e liguei para Hazel pelo facetime. Depois de algumas tentativas falhas tentativas, eu vi o "conectando" na Tv, meu coração acelerou e senti as lágrimas quentes encharcarem minha bochecha. Tinha tantas coisas pra falar, desculpas a pedir, pelos deuses, eu não sabia por onde começar.
Eu ouvi a voz da Thalia, e depois de Nico, eles (lê-se todo mundo) entraram e falaram tantas coisas, mas nem os olhei, eu sabia que estavam com roupas de praia, dava pra sentir o cheiro de maresia.
Meu olhar era fixo na Tv, no "conectando". Eles olharam pra lá e fizeram mais perguntas.
A cascata cacheada castanho chocolate apareceu, olhos grandes dourados. Me olhavam duro, estava com o terninho vermelho da escola que estudávamos, e parecia estar no quarto preto e branco do Frank.
Ouvi pessoal sussurrar 'Hazel'.
— Oi— sussurrei. Ela continuou me encarar duro.
— O que você quer?— eu solucei e o olhar dela pareceu mais sólido.
— Eu sei que você quer me matar.
Ela riu sem graça, olhou pro lado mordendo o lábio e me olhou de novo.
— Matar? Eu não quero te matar, mas se você tiver uma morte longa e dolorosa de câncer anal, eu não vou reclamar.
Arqueei a sobrancelha chorando.
— Por que anal?
— Sei lá, Annabeth! Saiu isso aí— eu sabia que ela queria rir, mas não ia perder a pose na minha frente.
Criamos nossa própria bolha, ouvia apenas a respiração do pessoal atrás de mim e Hazel nem pareceu notá-los, estava ocupada demais me fulminando com o olhar.
— Não me olha assim?
—Olhar como?
— Assim!
— O que quer?
— Falar com você. Sempre. De novo. Me desculpar...
— Se desculpar?— ela riu, fria.— O que você fez não tem desculpa, nem perca seu tempo!
Me encolhi e solucei mais forte.
— Sabe o sol, Annabeth. Pois é, o mundo gira entorno dele, não de você— falou com veneno. Eu duvidava que fosse me perdoar, e pra melhorar a situação Percy tinha que se meter.
— Você não pode falar assim com...
— Você é o Perseu, né? O "amigo" da Annabeth?— fudeu, vai dar merda. Isso é um sinal que ela vai explodir de raiva.
— É, mas...
— Escuta herói, conheço até o nome que ela dá pros pentelhos dela, ok? Somos melhores amigas desde que me intendo por gente. E você quem é? O coleguinha que ela passava as férias, durante 12 anos da vida dela? Eu tenho direitos de jogar na cara dela o quanto fraca ela foi!— seu olhar se voltou pra mim e sua voz se acalmou.— Durante meses eu vi minha irmã, minha única amiga, se trancar em um quarto e cheirar quilos e quilos de pó, fumar centenas de cigarros. Via a blusa da escola suja de sangue todos os dias. Vi ela beijar inúmeras garotas, desaparecer nas noites, andar com caras da pesada, vi ela mais machucada do que ela mesma pode lembrar. Passei dias no hospital por causa dela. E eu não pude fazer nada, NADA! Por ela não deixou. Eu nem sabia o que tinha acontecido. Mas eu sabia que podíamos superar, como superamos outras vezes. Mas ela não quis. E o que eu fiz, eu não desisti, porque eu me importo. E quando a Tia A morreu, parecia ter morrido junto. Sabe por que ela não foi no enterro? Porque você não a viram quando vinheram pra França? Por que estava no hospital, internada, com hemorragia craniana. E onde eu estava? Ao seu lado, o tempo todo! Foi a pior parte, ver a minha amiga morrer e ela recusar minha ajuda. E ela foi embora sem mesmo dar tchau— ela voltou a olhar Percy.— E agora eu posso falar alguma coisa?
Senti Percy se encolher. Dom natural de argumentação da Hazel. Regra da vida: não discuta com Hazel Levesque se você não for o Frank. Monopolizava as palavras e te deixava sem argumentos. Eu quis sorrir, mas sentia o peso das suas palavras, a razão era única e totalmente dela.
— Desculpe... Eu não sabia.
— Tudo bem, Percy— deu sorriu de lado, como se soubesse que ele tentava me proteger e ficava feliz com isso.
— Eu sei que fui a maior vacilona da história...
— E fraca, egoísta, egocêntrica, mesquinha, esdrúxula, covarde, otária, drogada... Se tornou tudo o que mais desprezou. E pra que, esquecer a sua doença, o babaca-mor, a morte da sua mãe? Eu estive aqui pra você o tempo todo para afogar as mágoas ser seu porto seguro, e você me trocou por uma coisa pior, que te mata, te vicia. Como você acha que eu me senti?
Eu tinha minha cabeça baixa durante o tempo que ela jogava toda a merda na minha cara. Chorava como nunca, soluçava e minha garganta ardia.
— Eu to aqui pra tentar concertar as coisas. Eu sinto sua falta a todo minuto— a encarei, e vi suas barreiras rachando.
— Você acha mesmo, depois de eu passar sozinha a barra de perder minha mãe, descobrir que eu...
Ela pareceu se tocar e calou a boca. Um silêncio tenso pairou sobre nós.
— Chérie, tu as mieux?— ouvi a voz do Frank e uma porta se bater. Meus músculos tencionaram, ele tem coração de manteiga e provavelmente ia convencer a Hazel a me perdoar. Pelo menos, eu contava com isso.
— Oui, oui. Thé de gingembre aidé— Hazel odeia chá de gengibre, não entendi o por quê dela tomar chá pra enjôos.
— Avec qui tu parlez?
— Annabeth.
Ele apareceu na câmera só com a calça cinza da escola, exibindo seu lindo e definido tanquinho. Não que eu tare meu melhor amigo/primo. Ouvi as meninas suspirarem de leve.
— Salut, Frank— tomei coragem e falei.
— PORRA SÓ A PIPER FALA FRANCÊS AQUI! FALEM EM INGLÊS, EU NÃO TO AQUI DE ENFEITE, EU TO AQUI PRA PEGAR SERVIÇO!— Thalia estava vermelha de tanto gritar. E os outros explodiram na gargalhada.
— Ok, desculpe, por falar a minha língua, Thalia. Ah, oi pra vocês também, estou morrendo de saudades— Frank falou, irônico.—Por que você ligou pra gente Annabeth?
Senti as lágrimas de novo em meu rosto e o coração se contrair. Será que nem ele me perdoaria?
— Sua ironia me comove. Eu queria falar com vocês— a expressão dura de Frank relaxou e ele sorriu. Senti o quentinho reconfortante do seu sorriso.
— Tava na hora já, né? Senti sua falta pintada— ri, chorei. Ri mais. Hazel mantinha o mesmo semblante, com os braços cruzados no peito.
— Ah, meu panda gordo— solucei.— Eu senti tanta,— minha voz falhou— tanta saudade.
— De gordo ele não tem nada, tá muito gostoso, Zhang— Thalia tinha aquele sorrisinho no rosto. E recebeu um tapão na cabeça e Frank riu.
— Tá doida? Quer apanhar?— Nico perguntou com raiva.
Lia o olhou com o mesmo sorriso.
— É pra ficar com medo ou excitada?
— POR POSEIDON, VOCÊS NÃO TOMAM JEITO!— Percy gritou, de saco cheio, não me surpreende.
— Pera lá, Nico e Lia estão juntos? Isso é sério?
— Piper você tá chorando?— Jason peguntou e eu os olhei. Ela chorava mesmo.
— C'est si beau— enxugou suas próprias lágrimas dramaticamente. Nós (lê-se os que sabem francês) rimos, até Hazel.
— Tradução— Nico falou. Percy apontou pra ele em concordância.
— Somos americanos. Inglês por favor!— pediu.
— Nós também somos americanos!— Hazel a mais teimosa desse planeta.
— Eu sou canadense— Frank o mais implicante desse planeta. Eles se encaravam numa disputa particular. Sorri, coisas de namorados, mas eu era íntima o bastante pra saber que aquela disputa era pra ela me perdoar e não por suas nacionalidades.
— FODA-SE VOCÊ FALA INGLÊS!
— Deixa de ser teimosa.
(Criando sua bolha particular)
— Eu sou teimosa? EU?
Ele passou a mão pelo cabelo, bagunçando seu topete natural. E cruzou os braços, ressaltando seus músculos.
— Fala pra ela.
Bingo.
— Você não pode ter tudo que quer— ela fez um bico.
— VOCÊ SENTE A FALTA DELA.
— Você sente minha falta?— perguntei com vozinha de criança, eu queria me dar um soco.
— Não— revirou os olhos.
— Sente— sorri.
— Sente— Frank concordou.
Ela revirou os olhos.
— Talvez— eu a encarei.— Um pouco— arqueei as sobrancelhas.— Eu sinto.
Frank tossiu. E eu me vi obrigada a cantar nossa música.
"I know I drive you crazy, hmm... sometimes
I know I call you lazy, and that's most times
But you complete me, and that's no lie
You are my tuxedo, and I'm your bow tie
We're in the car, singin', singin', singin' our song
Walk in the building, tear it down, like we're King Kong
And in my eyes you could do, do no wrong
You got a best friend sing, sing, sing along.
Laughing so damn hard
Crashed my dad's new car
All the scars we share
I promise, I swear
Wherever you go, just always remember
That you got a home for now and forever
And if you get low, just call me whenever
This is my oath to you"
Ela tinha algumas lágrimas no rosto. E eu provavelmente estaria um caco de tanto chorar. Todos riram da cantoria tosca e desafinada. Não estava nem aí, queria e precisava da minha amiga de volta.
— Isso virou High School Musical agora?
Nos duas rimos e Frank deu um sorriso satisfeito.
— Sempre funciona. E outra, por você corro até nua— rimos mais ainda.
— Isso você já fez— nos rimos lembrando o dia que invadimos a corrida dos pelados universitária.
— Quê?— ouvi a voz de Percy.
— A visão do paraíso cara. Tantos peitinhos.
Os meninos riram.
— Tantas pirocas...— Hazel falou gesticulando algo comprido, suspirei e as meninas riram.
— E agora, essa novela mexicana acabou?— Jason perguntou.
— Francess, cara! Eles são merdinhas francesas...— Percy gozou.
Foi a vez de Hazel suspirar.
— Tá, loira de blondor. Eu sinto demais sua falta. Eu morro de saudades. E eu to puta, de tanta saudade. Eu jorro saudade por todos os orifícios desagradáveis por você. Falow? — enxugou as lágrimas.— Odeio chorar nesse caralho, merda de emoções! Era pra sermos robôs, Annabeth.
Ri, lembrando da nossa antiga promessa, peguei meu celular e comecei a fuçar rapidamente. Eu iria trazê-los pra Califórnia.
— Porra, acabo de te desculpar por uma coisa indesculpável e tu fica mexendo no meu celular, é serio essa merda, cadela?
Sorri de lado, e assoei o nariz, adorava o jeito negão da Hay de ser.
— Arrumem suas malas, domingo 9h eu pego vocês no aeroporto. Mando mensagens. Tchau. Amo vocês.
E desliguei.
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