Young Blood
9 4 de julho em Venice Beach
Notas iniciais
Percy.
Era quinta, dia de escolher onde nos passaríamos o 4 de Julho. Eu estava muito animado. 4's de julho sempre são inesquecíveis e perfeitos. Tá, vou parar de ser gay. Mas era minha vez de escolher onde íamos
Estávamos no bar da minha casa, era tudo de madeira e vidro, o ar-condicionado ligado, ficava gostoso. Eles sentados no bancos altos vermelho, a luz da janelona que dava pro fundo da piscina me dava sensações boas. Ainda mais deitado no sofá abraçado com Annabeth. Ela tinha me contado o porque de todo aquele drama de ontem (mas nada muito detalhado), acabamos indo a pé pra minha casa e assistindo um filme.
— Eu pensei em o pier de Santa Mônica...— Piper começou e eu logo a cortei.
— NÃO,— me desgrudei da Annie.— Nem vem é meu ano de escolher. MEU ANO! E eu já decidi.
— Dá pra você falar o lugar e voltar a sua posição anterior?— ri e a abracei de novo.
— Venice Beach.
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— Me sinto uma bela vadia— Annie falou. Ela era a única de biquíni ali. Só de biquíni e tênis. O cabelo preso em duas trancinhas laterais e uma bandana. Ah, paraíso. Eles eram estampados com nossa linda bandeira.
— Tá linda— caminhávamos até a kombie azul e amarela de Thalia na garagem de sua casa. Usava um maiô azul estrelado e um canga na cintura vermelha e branca listrada. Chinelos brancos e a cara toda pintada.
— Eu dirijo. Não pretendo beber— Piper estava com aquelas blusas sutiãs branco e um short com a bandeira americana. Com o óculos de coração vermelho e um tênis azul.
— Você não vai beber?— Jason arqueou a sobrancelha, ela assentiu.— Nossa! É 4 de Julho, amor. Vai aguentar?
— Pelo menos não vou ter que voltar pra pegar a Chloe. Não gosto de deixar ela jogada por aí— Thalia falou. Sim, ela tem um nome pro carro dela. Correção, filha.
— Vamos amarrar as pranchas— falei, e dei dois tapas na costa de Nico praticamente dormindo abraçado a Thalia.— Qual é cara! É 4 DE JULHO.
— Continua sendo 6:30 da manhã. Eu to com sono.
— Deixa de ser frouxo e amarra essa porra— Jason o entregou as pranchas.
— Vou abrir a garagem— Annie falou.
— Isso vai ser ser épico— Piper falou já no volante.
— Pretendo fazer outra tatuagem— Thalia falou ao seu lado.
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— Graças aos deuses! Não está tão lotado— falei.
A areia da praia era branca e quente. Tinha várias pessoas ao redor, mas nada muito lotado. Procurávamos um lugar menos cheio possível. Eram 8 horas da manhã, e o povo por ali já estava bem animado. O palco na praia estava sendo montado e o primeiro show começaria depois de meio dia. A brisa gelada do mar açoitava nossos cabelos e o mormaço queimava nossa pele. O mar estava agitado, ótimo para surfar. Tive vontade de rir, parecíamos farofeiros, milhares de bolsas, a tenda gigante, as pranchas, skates, cadeiras...
— Graças aos deuses mesmo, Jackson! Porque se eu tivesse que acordar 5:30, pra chegar aqui e estar lotado, você iria pra Hades mais cedo.
Thalia tirou a canga, montou a cadeira que segurava e sentou.
— Para de chorar, bebezão. E montem a tenda— começou a passar o protetor e as meninas a seguiram. Piper já tinha tirado o short, deitada em uma toalha na areia ouvia música e Annie lia um livro sentada uma cadeira ao seu lado.
Jogamos as coisas no chão e começamos a montar. Aquela droga era mais difícil que parecia. Passavam das 10 horas e Jason jogou as estacas no chão.
— Desisto, esse caralho é muito complicado.
— "Isso é muito fácil, nem precisa levar as instruções" usa seus instintos agora ,fodão— talento natural de Thalia: jogar na cara nossas mancadas. Nem se deu o trabalho de olhar pra gente, e as meninas riam.
— Então vem aqui montar!— Nico estendeu o forro pra ela.
— Maricas— Piper se levantou com a Annie, Lia logo as seguiu. Nos sentamos e esperamos desistirem.
— Cara, elas vão conseguir montar— falei baixinho, estava mais concentrado na bunda de uma loira. A loira, bem, não a subestime, ela era filha de Atena, inteligente até o último fio de cabelo, por mais que fosse disléxica e imperativa.
— Foda-se. Isso é a coisa mais excitante que eu já vi— Nico quase babava.
— Vale o orgulho ferido— Jason completou. E nós assentimos, em transe. Fiz um prece silenciosa pra que elas demorassem mais.
— E agora? Levantamos a barraca!— Annie abaixou os óculos redondos até o nariz cheio de sardinhas e cruzou os braços no peito, realçando os seios. O luz do sol deixava seu cabelo dourado reluzente.
— Levantaram outra coisa também— eu falei e os meninos riram.
Pipes tinha um leve "O" formado na boca, um coque mal feito e o corpo moreno brilhante pelo suor.
— Seus tarados, fizeram de propósito.
— É claro que eles não fizeram de propósito, são trogloditas demais pra isso— Thalia sentou na sua cadeira de novo.— Melhor do que tararem outras garotas, uh?
— Nada de ficar sentada, você vai pra água...— Nico a carregou como um saco de batatas e correu até o mar, sendo xingado e estapeado.
Rimos quanto os dois levaram um caldo.
— Eu também vou— Piper correu até eles.
— Ei, alguém sabe qual é o primeiro show?— Jason perguntou encarando o mar.
— American Authors.
— Tá brincando, né?— Annie negou.— Cacete, eles são incríveis. Merda, eu preciso ir nesse show.
— Sei nem quem são!— Jason fez uma careta.
Ann arregalou os olhos.
— Agora, VOCÊ tá brincando! Por minha santa Atena virgem, eles são definitivamente os melhores. Não sei o que fazem do outro lado dos Estados Unidos, mas os melhores.
— A francesa conhece os nova-iorquinos. Nossa!— brinquei.
— E você não? Eu amo todas as músicas deles. Luck é minha favorita.
— Alerta bolha particular Percabeth. To vazando— reviramos os olhos pro Jason correndo com sua prancha até o mar.
— Believer é melhor. "I'm just a believer that things will get better..."— cantarolei.
— "Some can take it leave it"— continuou.
— "But i don't wanna let it go"— rimos juntos. E nos encaramos.
Annabeth era complicada demais. E era isso que eu mais gostava nela. Além de ser linda, inteligente, engraçada, simpática, humilde e da vida.
— Por que tá me olhando assim?— ela sorriu envergonhada, desviei meu olhar.
— Você está linda.
— Correção: eu sou linda.
Ri.
— Desculpe então.
— A música tem significado?— perguntou de repente.
Suspirei.
— Talvez tenha— olhei em seus olhos límpidos.
— E o que está errado pra você?
— Por que confiaria em você meus problemas, se você não confia em mim os seus?
Ela me olhou feio. Talvez, magoada.
— Eu já te falei o por quê, um dia você vai saber.
— Você contou pra Lia, Jay e Pipes. Até Nico e Bia sabem, pela língua solta da tia Maria. Só eu— franzi a testa.
— Eu precisava, eu estava pra explodir de angustia e amargura.
— Sorte sua que sou paciente.
Sorriu, e meu estômago pesou. Seu sorriso era grande e verdadeiro, como se a tempo seus sorriso não fosse tão espontâneos. Fiquei feliz de ser o motivo.
— Acontece que eu não sei, Annie. Eu a toda hora me sinto incompleto. Só que minha vida é "perfeita". E me condeno por me sentir assim. Tem tantas pessoas que queriam estar no meu lugar. E eu me sinto um ingrato, querendo algo a mais. Eu não sei o que eu procuro, de verdade. Só algo que me faça completo. Bem... To tão cansado do perfeito! Eu quero uma bagunça, uma complicação. Por isso insisto em você. Talvez seja você a bagunça que eu sempre precisei na minha vida.
Ela sorriu de novo.
— Isso é lindo! E Percy, as pessoas podem ter tudo e não ter nada. Não se sinta um ingrato por se sentir incompleto. Pode ser só passageiro. Olha, eu não sou a melhor pessoas a dar concelhos mas, eu vou te ajudar a procurar o que você precisa pra ser feliz— segurou minha mão forte e me deu um beijo estralado na bochecha.
— Chega desse papo. Vamos comprar uns salsichões.
Me abraçou de lado e fomos até uma barraquinha.
— Teve duplo sentido.
Ela gargalhou. E chegamos ao calçadão, já entupido de pessoas.
— Dois, por favor.
— E duas Bud Light.
— Não pode beber na praia.
— A gente termina antes.
— Aqui— entreguei o dinheiro pro cara.
— Feliz 4 de Julho!
— UHU!— gritamos e levantamos nossos salsichões e cervejas. E as pessoas ao redor começaram a cantar o hino americano. Vai entender, e eu só os segui. Adorava todo aquele espírito patriota. Annie ria sem parar, os acompanhei cantando/gritando enquanto voltava pra tenda, demos goles grandes nas garrafas e as jogamos fora antes de chegar na areia. O show começaria daqui alguns minutos, e nós não o perderia por nada.
"And this be our motto: "In God is our trust":
And the star-spangled banner in triumph shall wave
O'er the land of the free and the home of the brave."
Bati no meu peito, forte.
— Iai americano? Vamos pro show?
— Demorou— segurei sua mão.
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Perdi a Annie no meio daquela no meio da multidão. E comecei a procurá-la, e esbarrei em um...
— Desculpe... Eu to procurando uma... Calipso?
Levei um baque histórico, eu tinha uma namorada e me esqueci totalmente disso. Annie tinha me tirado totalmente da realidade naquela semana.
— Oi, namorado incompetente e sumido!— vestia um vestido minúsculo colado vermelho listrado e tinha uma faixa azul estrelada grossa no cabelo. O batom azul borrado.
— Sem piti, Cali— A cabeleira ruiva apareceu usando as mesmas roupas só que com estampas invertidas. Isso foi cafona.
— Oi, Rach.
— Hi!
Calipso me olhava dura.
— Onde esteve, a semana toda?
— Por aí, com meus primos. Uma velha amiga voltou e vai morar com Zeus, passei a semana com eles.
Uam música qualquer berrava por todos os cantos. E eu continuava a procurando com os olhos.
— O que está procurando?— Cali tinha a expressão cada vez pior.
— A minha am...
— Você quer me matar— levei um pescotapa e sorri.— Babaca! Vamos! Não gosto de Fifth Harmony, e eu quero fazer uma tatuagem— ela olhou Cali e Rach, um pouco atordoada.— Eca, pensei que você tinha bom gosto.
Elas pareciam surpresas e ofendidas. Eu sorria abertamente em sua direção, parecia mais bêbada que da última vez.
— Quem você...
— Tchau, feliz 4 de Julho— ela me puxou pra longe e... Salvo pelo gongo.
— A morena era minha namorada, Annabeth— olhei repreendedor e soltou minha mão já do outro lado da rua, onde tinha "pouco" movimento, comparado a praia. Seu olhar parecia culpado. Eu ri.— Relaxa, não tava pra ela hoje.
Ela fez uma careta.
— Percy, você tem algum sentimento por aquela garota?— a pergunta me pegou em cheio.
Eu senti a mesma coisa por Calipso a uma semana? Eu senti mesmo alguma coisa por ela a uma semana? Eu era o mesmo de uma semana atrás?
— Eu não sei. No domingo passado eu disse que a amava. Mas não tenho certeza disso.
Me dirigiu um olhar profundo e começou a andar até um estúdio de tatoos.
— Seja sincera, Annabeth. O que está pensando?— parou abruptamente e me encarou.
— Percy, você não percebeu?
— Tá, você não vai falar que se apaixonou por mim... De novo— inflei o peito honrado.
Riu alto, e eu senti um aperto desconfortável, eu estava decepcionado?
— Não, bobo— ela se aproximou e me abraçou, e por um momento eu esqueci onde eu tava, tudo que importava era nós dois juntos e sua pele quente e macia. Me encarou.— Eu acho que ela possa estar te traindo.
Eu me afastei de leve, mas não senti nada em relação a isso. Nada que fosse me fazer entrar em depressão. Ou, sei lá. Talvez Cali tinha sido um erro, um engano. Ou tivesse sido a melhor coisa que aconteceu comigo. Não sabia o que sentir, não sabia nem se era verdade. Estava bêbado demais pra raciocinar.
— E por que você acha isso?
— Olha, eu não sou ninguém pra você acreditar, mas de traição eu entendo. Ela estava descabelada, batom borrado, marcas vermelhas no corpo. Pensei até que tinha sido você, mas você parecia normal.
Tudo que ela falou era verdade, olhei atrás dela e vi uma Calipso provavelmente me caçando no meio da multidão.
— Deixa isso pra lá— abanou a mão indiferente e entramos juntos no Summer Tatoos.
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