Young Blood
1 Novo lar
Notas iniciais
Annie.
"Uma vida nova!" Eu disse pra mim mesma. Novas pessoas. Novas experiências. Boas de preferência. Meu pai acabou descobrindo tudo. E me mandou pro outro lado do mundo. Deixei Paris com poucas saudades. As péssimas lembranças que vivi vão ficar por lá. Ele teve que ficar, mas prometeu ir me visitar o quando possível. Eu o amava tanto que ficar e sentir a tristeza dele em me ver morrer aos poucos me machucava tanto quanto as lâminas, então aceitei sua ideia louca de eu fazer um intercâmbio.
Além de já saber inglês, eu ia pra casa dos meus padrinhos.
Olhava as nuvens, sempre sonhei em tocá-las, sonho bobo de criança que ainda preservava. Assim como o de que vai ficar tudo bem. Eu nunca iria superar o que vivi, já desistira. Levantei um pouco da manga do vestido amarelo florido e observei meu pulso, as marcas marrom clara da minha dor, elas iriam sempre me lembrar do que passei. Eu pensei no passado, de quando eu era feliz e sorri. Lembrei dos picnics em família no gramado da Torre Eiffel, minhas tardes loucas com Hazel e Frank. Eles valiam a pena. A quanto tempo não falava com eles? E meu irmão Malcom? Malcom trabalhava no Laboratório de Substâncias e Curas Federal da França, então morava no trabalho, nunca estava em casa, e quando estava, eu o ignorava.
Se a minha mãe ainda estivesse aqui, não estaria orgulhosa de mim, eu aposto. "Fraqueza e auto-piedade são os piores defeitos humano". Ela sempre me dizia, era uma ótima filósofa, diretora da Universidade Pantheon-Assas, e tinha um antigo sonho de montar a própria empresa de arquitetura.
Fraca. Era esse o meu destino, morrer por fraqueza? Faço o que me faz bem, pensei. Será mesmo?
Ouvi as primeiras notas de piano de Warrior. E eu fui fraca de novo, e chorei lembrando dos últimos meses todos. Tirei o coturno e o chapéu marrons, joguei-os no chão e abracei os joelhos. Eu queimava, soluçava, sabia que os metidos da primeira classe me olhavam feio. Mas eu precisava disso.
— Desculpe a ousadia— uma mulher loira, muito linda, usando o uniforme da AirFrance se sentou na cadeira vazia ao meu lado. Tirei os fones. Ela passou a mão nos meus cabelos loiros, não deixava ninguém fazer isso desde da morte da minha mãe. Mas não consegui me afastar. — Às vezes é bom, sabe... Chorar. Isso não é fraqueza. Mostra o tempo que você foi forte.
— Quem é você?— franzi as sobrancelhas.
— Eu? Ahn, me considere um anjo que vai dizer que tudo dará certo— eu sorri e ela me olhou compreensiva.
— E então...— ela enxugou minhas lágrimas.
— Pessoas importantes vão entrar na sua vida e vão te salvar. Vai dar certo. O seu plano. Não se preocupe— ela pareceu pensar um pouco.— Mas ora, que clichê.
— Clichês podem ser reconfortantes— eu senti suas palavras, e acreditei nelas. Eu precisava.
Ela sorriu e levantou.
— Durma, a viagem é longa.
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"Apertem os cintos, estamos em procedimento de pouso no Lax, Los Angeles."
Acho que dormi demais. Olhei para meu pés com meias longas e listradas e os calcei no coturno. Senti o impacto violento do pouso. Me olhei na câmera frontal do IPhone. Eu estava um desastre. Passei os dedos no cabelo tentando desembaraçar e coloquei o chapéu. Ajeitei a maquiagem borrada.
"Portas abertas"
Uma nova chance.
Agradeci internamente por meu pai por mandar minhas coisas antes. Peguei minha bolsa e passei pela imigração. Sai na porta de desembarque, não estava lotada, era 2h da manhã, dia 29 de Junho, domingo. Avistei um homem loiro com uma placa com o meu nome.
— Oi,—ele estava de terno preto, devia ter uns 35 anos, olhos azuis. — Tudo bem? Me chamo Argos, motorista dos Grace.
Seu sorriso era aconchegante. Eu continuei com a mesma cara de tédio.
— Bem...obrigado por perguntar— já estava acostumada a mentir. Não queria saber como estava, só foi educado.— Annie.
Ele me levou até um Surbban gigante. E fomos até o meu novo lar. As ruas iam passando rápido pela janela. Não identifiquei nenhuma, acabei esvaziando minha mente, não pensei em nada, logo vi uma plaquinha escrito Bel-Air e grandes portões se abriram.
Eu tinha uma puta casa em Paris, o que eu sempre achei um exagero. Mas aqui era excêntrico e wow... Lindo. Uma louca mistura do vitoriano e grego antigo, com um toque moderno.
Entramos pelo portão lateral dourado e passando por um jardim imenso e colorido até Argos me deixar na porta gigantesca branca e dourada. Entrei e a coisa era bem mais exagerada que eu pensava, havia uma escadaria junto a um lustre enorme e dois corredores.
Ouvi vozes e entrei no corredor direito onde ficava uma sala de estar.
— A garota já deve ter chegado!— falou uma voz animada.
— Não ficaria feliz com isso—falei com soque.
Uma morena dos olhos azuis apareceu atrás do sofá de camurça azul. Sua boca abriu em um leve "O". Seu corpo era lindo, coberto por algumas tatuagens que eu não fiz questão de observar. Usava um sutiã preto e uma calça de pijama estampada de raios.
— Caralho! Annabeth Chase!— sua voz era rouca, muito sexy.
Outras duas pessoas pularam do sofá e apareceram do seu lado com uma expressão engraçada.
— Puta merda é ela! Está de volta!— um cara loiro de olhos azuis, estava com um moletom cinza caído nos quadris, ele era musculoso e muito gostoso.
Uma morena com olhos de cores que não identifiquei tinha as unhas vermelhas cravadas no braço dele. Ela era tão perfeita que despertou uma leve inveja em mim. Usava umas pulseiras estanhas e um pijama de águias.
— Você é a aluna de intercâmbio? Annie? Como assim? Por não nos falou?— perguntou, provavelmente a filha do tio Zeus, Thalia.
Eu não via nenhum dos filhos dos amigos dos meus pais a tempos. Eu era problemática demais pra conviver com eles, desde pequena. Só quem sobrou foi Frank, meu primo mais velho e melhor amigo.
— Ah, deuses. DEUSES, ME ABRAÇA — a morena das unhas vermelhas correu até mim e me abraçou muito forte. Eu não correspondi, me julguem. Odeiava abraços.
— Me larga— falei, ela se soltou e me olhou confusa.
— Ah, desculpe. Você não gosta de abraços, é que eu acompanho todos os seus vlogs. Você é incrível, ah cara, eu te amo. De verdade. Você dá ótimos conselhos e suas pegadinhas... O seu namorado, ah! Eu queria te ver no enterro da sua...
Fiz uma cara tão ruim que toda alegria dela se dissipou. Percebeu que tinha falado merda. Me senti um pouco culpada, mas ela estava cutucando um ferida dolorida. Eu sai de Paris pra esquecer. O canal, a morte da minha mãe, o meu ex-namorado, tudo. Eu quero esquecer, engoli o nó na minha garganta e sussurrei:
— Só me mostrem o meu quarto, por favor— a morena tatuada caminhou até a escada e falou sem aquele entusiasmo de antes.
— Vem, eu te mostro— quando eu a segui, ouvi Piper falar.
— Não devia ter falado sobre sua mãe... —não sabia bem, mas o sangue subiu a cabeça. Eu tinha que responde-la. Qual era o seu problema?
— Concordo com você.
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— É aqui. Tchau— ouvi o baque alto da porta vermelha. Me escorrei na parede e me deixei cair. Ótimo, comecei bem, tratei as primeiras pessoas que vi mal, e eles eram meus amigos. Eu acho que tinha esse dom de afastar as pessoas. Quase desci e pedi desculpas, mas eu era uma orgulhosa babaca.
Notei o quarto. Tinha paredes cinzas, em uma das paredes a cama enorme e duas cabeceiras de acrílico transparente com abajures com formato de corujas amarelas sob eles, na parede que eu estava uma penteadeira linda com estampa de bolinha preto e branca, uma estante ao lado com as prateleiras penduradas por correntes de ferro. Tinha uns pufes vermelhos em outra parede com um balcão preto pra estudos. Havia milhares de caixas empilhadas. E uma varanda pegando o quarto todo com cortinas vermelhas. Silena havia mesmo feito um bom trabalho no meu quarto.
Entrei em uma porta do lado do balcão e parando em um closet gigante já com as minhas roupas, no final dele havia um banheiro. Me olhei no espelho, estava chorando de novo. E por quê? Pra quê? Lavei o rosto. Chega. Eu não posso, não aguento. Baguncei todo o closet a procura de um pijama. Acabei pegando um blusão de mandas compridas branco e manchado. Deitei na cama e...
"Ele entrava com tanta força, sentia um líquido quente na minha intimidade. Eu tinha certeza que não era gozo. Doía tanto e eu berrava pedindo que ele parasse. Bêbado ou drogado, eu sabia disso.
— Você é tão gostosa— lágrimas de dor e decepção corriam pelo meu rosto. Ele apertou meu seio. Eu não conseguia ter prazer em aquilo tudo.
Eu não estava conseguindo fazer nada direito. Minha cabeça estava a mil, pensando como ele foi capaz disso e por quê? Deuses, eu pensava que ia perder as mãos de tanto que ele apertava meus pulsos.
Eu sentia ódio e nojo, desesperadamente, ele tentava beijar meus lábios, mas isso eu não permitiria. Bateu no meu rosto com sua mão pesada, senti o mesmo inchar e esquentar.
— Deixa de ser teimosa, Annabeth— segurou meu queixo tão forte que senti minha pele sendo esmagada nos meus ossos; e enfiou sua língua asquerosa na minha boca. Eu não correspondia e bateu de novo na minha cara. Aumentou a velocidade das estocadas enquanto eu berrava por socorro.
Onde estava meu pai? E meu irmão, ninguém me ajudaria? Senti seu líquido escorrendo pelas minhas pernas. Ele saiu de cima de mim e catou suas coisas. Passei as mãos pela coxa e levantei a altura do rosto vendo o sangue e gozo por toda ela. Tentei me apoiar nos cotovelos na minha cama e senti um tapa ainda mais forte no rosto. Fiquei imóvel olhando nos grandes olhos azuis.
— Isso foi por não corresponder. Porra, eu vim aqui pra de dar prazer e... Não faz essa cara.
E outro tapa. E outro. Meu rosto pulsava. Apertou tão forte meu seio direito que ardia. Chorava alto e soluçava muito.
— Como você pode. Eu te amava. Eu...—sussurrei.
— COMO VOCÊ PODE ME DEIXAR!
— VOCÊ ME TRAIU— minha voz falhou.
— CALA A BOCA. Eu vou embora. Eu, vou...— seus olhos estavam vermelhos, ele já vestido, olhou o meu corpo estirado na cama pela última vez (pelo menos por enquanto) e bateu forte a porta.
E eu fiquei ali, sem chão e virgindade."
Acordei encharcada de suor e gritando. Catei minha bolsa jogada no chão do quarto, peguei alguns maços de cigarro. Desci correndo, esbarrando no trio maravilha de mais cedo, subindo as escadas com expressões preocupadas.
— Ei, ei. Tá tudo bem?— perguntou Jason.
Já estava na porta principal quando gritei com a voz de choro.
—Vocês não se importam, ninguém se importa— abri os braços, inconformada comigo mesma, bati a porta e desci alguns degraus e sentei bem no cantinho. Meus dedos tremiam, meu cabelo estava um desastre, sentia as lágrimas traidoras. Acendi um cigarro, me encolhi e traguei como se a minha vida dependesse daquilo, e realmente dependia. Senti a dor aguda e comum nos pulmões.
— Cara, o que você tá fumando?— a voz rouca perguntou. Me encolhi de novo, mais ainda. Já temos problemas com privacidade?
— Olha, se eu perguntei, é porque me importo e quero saber— o loiro falou de uma forma carinhosa e pôs a mão no meu ombro. — Meu nome é Jason.
— Eu sei— funguei.
Me virei pra ele tentado decifrá-lo.
— E o meu Piper, se você não lembra— seus olhos eram verdes. E eles sorriam pra mim. Eu sorri. "PEÇA DESCULPAS, CARALHO!"
— Desculpa por hoje. Eu não sou assim— olhei bem nos seus olhos. Eles agora estavam castanhos.
— Nós sabemos. Você foi frígida!— me encolhi de novo.
— PORRA THALIA, não fode! Não liga pra ela. É uma estúpida— Jason fez um carinho no meu ombro.
— Ela sabe que foi! Mas isso não é o caso. A questão é o que aconteceu com A Parisiense Cafona? E, principalmente, a nossa antiga amiga Annie?— ela se sentou do lado da Piper e me olhou como se fosse uma criança esperando uma historinha pra dormir. Isso me fez rir internamente e confiar nesse povo, eu os conhecia, eles tinha mudado, assim como eu mesma, mas os conhecia.
— Vocês não querem saber...
— Caramba, cê é difícil, hein loirinha!
— Jason!— Piper exclamou.
— Ela é minha namorada, agora. Dá pra acreditar?— revirou os olhos. Piper bateu no seu joelho. Sorri para os dois.
— Cara, eu sou lésbica.
Olharam pra mim incrédulos.
— Você não tinha um namorado?— Thalia perguntou e logo se arrependeu. Minha cara provavelmente não foi uma das mais simpáticas. Joguei meu cigarro no gamado ao lado.
— Terminamos. Então me envolvi com mulheres, elas são mais fáceis de lidar.
— Então foi ele! Você não reagiu bem quando falei dele. O que aconteceu?
— Se fosse só ele o problema— fitei o nada.
— Olha, eu vejo seus vídeos desde... Sempre. Bem, sei seu jeitinho e seus gostos. E nos conhecemos desde o saco dos nossos pais, por mais que não nos falamos há uns 6 anos. Você não é a garota de antes. E algo muito ruim aconteceu, tão ruim e devastador que você parou de fazer seus vídeos e virar a pessoa que você é hoje. E eu sei que não foi só a morte da sua mãe.
Ela era via demais, seus olhos, azuis elétricos, me avaliavam profundamente, como se lesse minha mente. Gostei disso, olhava nos meus olhos, isso me trazia segurança, de alguma maneira eu confiava nela.
— Você é observadora—fiz uma careta.— Bem, eu nem... "Sei" quem são vocês...
Ela bufou alto.
— Beleza então, vou te atualizar. Meu nome é Thalia Grace. To com 18, agora. Sou completamente louca por música. Sou grossa e irônica pra esconder o que realmente sinto. Minha melhor amiga é a Piper que namora meu gêmeo o Jason. Odeio que os outros esperem algo de mim, só quero ser feliz a minha maneira. E todos me julgam por cometer incesto. Ah, acabei de sair da desintoxicação.
Me surpreendi da maneira que falou, rápida e bruta. E desintoxicação?
— Ok, então— fiz uma careta pra ela.
—Tá minha vez. Sou a Pipes, me chame de Pipes— eu sorri.— Tenho 17. Amo dançar. Sofro de abando pelo meu pai ator megaultrafamoso...— revirou os olhos.
Arregalei meus olhos, era filha do tio Tristan, tinha esquecido disso.
— É, pois é. Por isso vivo aqui. Sei lá quem é minha mãe. Sou super sensível e zoam comigo porque sou descendente Cherokee.
— Isso é legal.
— As pessoas não acham isso— seu olhar foi triste, eu não queria nem imaginar o que falavam pra ela.
— Falow, sou eu agora. Jason, tenho 18. Sou capitão do time de futebol— sussurrei um "Ui" e ele riu.— Sou legal, pode crer. Só um pouco moldado pra ser o cara perfeito pelo meu pai. Ao contrário da vida louca ali. Eu sigo ordens e às vezes me senti babaca por isso. E você?
Respirei fundo. Eles também tinha problemas. Não como os meus, mas eram problemas. Eu confiava neles, não confiava? Eles eram pessoas boas eu sabia disso. Lembrei da mulher no avião. E contei. De uma forma bruta e sem muitos detalhes. Me arrisquei, abri meu coração a eles. Eu, sinceramente, estava tentando ser feliz e ter uma amizade com eles me traria isso. Talvez eu estivesse errada, mas eu tinha que ter alguma esperança, eu tinha que acreditar em algo. Revezava olhando seus rostos, expressavam horror, medo, nojo até. Enquanto contava não derramei mais uma lágrima sequer.
— [...] É isso. Eu sei que não tenho motivos pra mudar tão drasticamente. Mas também sou um ser humano, eu tenho medo, e sou fraca— suspirei alto.— Deuses, foi bom contar isso. Acho que eu estava desesperada.
— Você não tem motivos pra mudar!? ANNABETH! Eu teria me suicidado se fosse você— Jason pareceu sair de um transe, levantou e ficou caminhando de um lado para o outro coçando os cabelos.
— Eu tentei.
— Mas você está aqui. Agora. Com a gente— Piper me deu um beijo na testa. Aí, eu desabei, ela me abraçou forte enquanto eu chorava igual a um bebê. Thalia sentou do meu lado e também me abraçou. Jason sentou na minha frente e pegou minha mão. E eu nunca me senti tão amada quanto naquele momento. Eu sentia meu estômago queimando. Eu... Me sentia bem, pela primeira vez em meses.
— Por que você sumiu, Annie?— Thalia perguntou.
— Tive uns probleminhas emocionais e de alto-estima...— fiz uma careta lembrando dos dias que passei sem comer, e nas noites vomitando quando era criança. E do motivo de tudo isso.
— Minha santa piroca, vou ganhar dinheiro com sua história— Jason riu.
— Some de novo, não! Agora desembucha os outros problemas!— Piper me obrigou a desembuchar.
Nos ficamos naquela posição por minutos não determinados. Quando uma luz cegou meu olhar longe.
— Merda, papai e mamãe— Jason pegou a mão da Pipes e saiu porta adentro.
— Esperar que é bom nada, né?
— Vem logo. Você não quer ver meus pais bêbados— Thalia puxou meu braço, já subindo a escada correndo.
— Vem, dorme comigo. Eu ouvi seus gritos. Teve pesadelos, não é?
Assenti. Entramos em seu quarto e cai nos lençóis pretos. Ouvi risos altos vindos do corredor e dormi. Dessa vez sem pesadelos.
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