Young Blood
2 A volta da minha Tenente Coruja
Notas iniciais
Percy.
Calipso estava abraçada nua em meu corpo. E eu já estava com um semi-ereção. Da luz fraca vindo da varanda coberta com as cortinas azuis escura, eu via seu corpo incrível e seus cabelos castanhos estavam esparramados no meu peito. O nariz fino e empinado, a pele branquinha e com pintinhas aqui e ali. Alisei sua bunda, e sorriu. Meu coração bateu mais forte. E eu sabia o que sentia por ela. Não sabia?
— Eu te amo.
Ela arregalou os olhos. Os mais lindos que já vi. Castanhos amendoados. Eu gelei diante de sua reação.
— Percy, eu... Eu... Ahn não sei o que dizer— ela abaixou o olhar, corada. Fiquei um pouco triste diante de sua reação, eu realmente a amava.
— Você tá chateado, não?
— Claro que não, Cali. Cada um tem seu tempo. O meu chegou cedo de mais. E puta merda vamos escovar os dentes, que bafo.
Ela riu.
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— Oi, Percy. Bom dia, meu amor— desci as infinitas escadas da minha casa e encontrei minha mãe na cozinha.
— Mãe, se a senhora tem um casa com mais de 2 andares é viável um elevador, ok?
Minha mãe riu, sentei na mesa de madeira escura cheia de cookies azuis.
— E o seu físico, galã?— Cali sorriu de lado, enquanto passava a mão na minha coxa. Estava com um blusa roxa minha e um coque apertado.
— Você me ajuda— pisquei, ela e minha mãe riram.
Olhei pela varanda da cozinha e vi o enorme quintal com piscina e redes e espreguiçadeiras espalhadas por ali. Meu pai e Tyson corriam loucamente. Nós três somos muitos parecidos, olhos verdes e os cabelos negros. Sempre carismáticos com todo mundo. Menos Tyson, simplesmente odiava Calipso. O por quê? Eu não sabia.
Minha mãe lavava a louça. Seus cabelos cacheados castanhos presos no seu típico rabo de cavalo. O avental estrelado vermelho e o vestido longo verde por baixo. Minha mãe a quarentona mais linda de todas. Ela era escritora, se apaixonou pelo meu pai e largou tudo pra cuidar de mim e Tyson. A mulher mais encantadora de todas. Graças aos Deuses, que meu pai era um homem rico. Muito, na realidade, dono da Royal Caribeen. Não que me gabasse por isso, todos nós somos pessoas simples. Digo por mim, pelo menos, às vezes queria apenas ser um cara normal. Só pra variar.
— Família linda e querida— nós rimos com o pequeno sarcasmo do meu pai. Estava de pijamas ainda e suado. Meu irmão, ao seu lado, tinha o cabelo mais bagunçado possível estava corado de tanto correr.— Falow cambada, não prestou ser o pai normal de família. Vamos almoçar no Zeus e passar a tarde lá até o jogo dos Lakers— Tyson comemorou.
Meu pai era o cara. Sempre foi super presente em nossas vidas. Isso me fazia feliz.
Minha mãe lhe deu um selinho.
— Eca, que nojo— o pirralho de 12 anos sentou na cadeira e pegou um dos doces azuis. E eu o roubei da sua mão. — Ei!
— Percy, ainda tem cookies na mesa— minha mãe reclamou.
Cali revirou os olhos.
— Tenho que ir. Minha pai chegou—falou cansada.— Eu não quero ir— ela apoiou a cabeça nas mãos.
— Mas você tem que ir— Tyson retrucou, sorrindo de lado. Meu pai lhe deu um pescotapa.
— Vou me trocar— Cali saiu chateada.
Minha mãe sentou ao lado do meu pai.
— Você não pode fazer isso. É a namorada do seu irmão.
— Isso não quer dizer que eu goste dela.
— Qual é o seu problema?— perguntei exaltado.
— Percy...— meu pai sussurrou.
— Caralho, você é um pentelho no saco. Ela ficou mal, sabia?
Meus pais fizeram uma cara de nojo. Eu até riria, mas Tyson estava me dando nos nervos.
— Vai lá consolar a Vacalipso— ele sussurrou a última parte. Mas eu ouvi. Não ia bater nele na frente dos meu pais, é obvio. Apenas joguei um cookie na sua cara e subi para falar com Calipso.
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— Fala galera satânica!— disse pulando no sofá de Zeus. Eu já era de casa, lógico, e amava o sofazão azul de frente pra lareira. Era reconfortante o lugar.
— Não fale esse nome na minha casa, Perseu!— tia Meg me deu um beijo na testa. Loira dos olhos incrivelmente azuis, vestia um vestido branco. Uma atriz muito famosa. Eu a adorava. Menos o fato de ser crente. — Somos todos do bem!
— Eu não— Nico apareceu da cozinha, com um Donut. Roupas pretas pra variar. Deuses, o cara é louco por rock. Igual Thalia, dois primos insuportáveis, eles haviam ficado "amiguinhos" demais desde que foram expulsos e deportados pra NY. E agora, eles nem se falavam. Ele era bem parecido comigo exceto pelos olhos negros e o cabelo maior e se possível ainda mais bagunçado. Era um cara misterioso. Eu não queria desvendar seus mistérios.
— Claro! Fica invocando espíritos e não me deixa dormir— Bianca apareceu atrás dele com dois Donuts. Eita, bando de gordo. Bianca é uma das garotas mais lindas que já vi. Cabelos negros da cintura e olhos tão negros quanto do irmão Nico. Que tinham áureas bastante diferentes. Bianca era florida e fofa. Nico, escuro e misterioso. Usava um vestido marrom escuro e estava descalça. Como todos ali, por sinal. Zeusa era enjoada.
— BIANCA!— Tyson pulou em cima dela.
— Oi, filho— tia Maria falou. Tinha um leve sotaque italiano. Bianca e ela eram parecidíssimas. Mas tia Maria era da vibe dark. Como Nico. Família doida. Me abraçou. E logo depois veio meu tio Hades.
— Fala, tio.
— Iai, moleque?
— Perseu?— meu tio Zeus perguntou. Tinha mais cabelos brancos que o normal. Os olhos azuis e uma roupa informal. O que era muito raro.
— Não, tio. Cinderela!— deu um tapão na minha cabeça.
— De tanto tempo que ele não participa de um almoço em família, esqueceu a feição dos sobrinhos — Nico acabou sentando junto comigo no sofá.
Logo depois, todos já estávamos acomodados na sala de estar.
— Isso é saudade?— todos nós rimos.
— Isso é vantagem pra pegar sua filha— Meu pai comentou.
— Poseidon...— Mamãe abanou a cabeça.
— Olha o que você fala na frente do Tyson. Pervertido— Hades falou. Ele e Zeus tentavam esquecer esse episódio romântico dos meus primos.
— Vamos falar sobre outra coisa que não seja minha vida sexual com a Thalia.
— Então vocês ainda transam?— eu perguntei.
— Eu mereço— Bianca sussurrou.
— Gente, que fome— Tia Meg resmungou, tentando mudar o assunto.
— Bom, você é a dona da casa...— tia Maria disse com seu típico sarcasmo.
Minha família só tinha gente louca. E em falar nisso...
— E a Lia e o Jay?
— Dormindo como sempre— Tyson resmungou.— Eles são chatos.
— Porra, legal, pirra! Ia deixar você jogar Minecraft no meu Playstation. Mas já que é assim...
— Melhor primo do mundo— e correu pra abraçá-lo. Jay riu do seu interesse repentino.
— Sabe o quanto é legal ficar no vácuo?— Piper disse. O baixinho logo pulou pro colo dela.
— Oi, gente— Jay sentou com Piper no colo com o Tyson no colo. Respondemos um "oi" não sincronizado.
— Sabiam que a menina do intercâmbio chegou?— Piper falou acariciando os cabelos do pirra.
Tia Meg e Zeus arregalaram os olhos.
— Como assim?— falaram.
— Irresponsáveis— Hades tossiu e tia Maria deu um belo tapa no seu braço.
— Nisso concordamos— mamãe apontou pra Hades.— Como assim, vocês não sabiam que ela ia chegar?
— Ah, não enche, Sally— Tia Meg revirou os olhos.
— Às vezes eu acho que vocês são os adolescentes— Nico falou.
— Tá, e como ela é?— O pior defeito de Bianca: curiosidade.
— Vocês não sabem quem ela é?— Piper perguntou pros sogros, que negaram.
Piper e Jason riram como se compartilhassem um segredo obscuro.
— Ah, vocês vão ver— Jason deu um sorriso diabólico.
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Seria o primeiro a reclamar da minha família e o primeiro a dizer que não os trocariam por nada. Estávamos na mesa conversando sobre toupeiras e U2. A luz do sol entrava pela janelas compridas do salão de janta. Thalia e a garota misteriosa de intercâmbio ainda não tinham descido. Mas nem as esperamos, comíamos a deliciosa carne de panela com bacon da Héstia. A principal doméstica dos Grace.
— Parrain? Marraine?— todos paramos e olhamos pra loira do corredor. Minha boca se formou em um "O" propriamente dito. Era Annabeth Chase! Companheira de viagens em família e, vlogueira que eu tive uma paixonite impossível. Nico riu lembrando o quanto eu era apaixonado por ela quando criança, provavelmente. O tempo pareceu parar. Jason lançou um olhar significativo. Era isso que dá contar as coisas para os melhores amigos babacas. A loira parecia uma estátua. E muito mais linda do que antes. Bem mais alta, e o seu corpo... Os cabelos dourados estavam como ninho de ratos, a blusa até as coxas (onde se lia a palavra DÉCÈS) e olheiras profundas. Sexy, tinha uma tatuagem em francês.
— Thalia, au secours!— gritou. Olhando pra trás. Percebi meus tios Zeus e Meg olharem inquietos pra francesa, em um choque que os impediam de fazer algo.
— PIPER TRADUÇÃO— ouvi a voz da Thalia.
— Ela pediu socorro— e enfiou uma garfada de macarrão na boca. Eu gostava disso na Pipes. Estava dentro do mundo de celebridades e não ligava para os carboidratos.
— Só eu não tô entendendo nada? Essa não é a Annie? Não tinha ido embora?— Tyson perguntou.
— Piper, o que significa décès?—sussurrei.
Ela me olhou com uma carranca estanha.
— Morte.
Pisquei atordoado. Minha antiga paixonite havia voltado, mas sexy do que nunca. A saudade apertou, depois de tanto tempo. Tentava matar a saudade vendo seu canal. Que, aliás, era a definição de foda. Não me impressiona sua fama. Me controlei pra não esmagá-la em um abraço. Ia, finalmente, vê-la no dia do enterro de sua mãe. Mas não tinha aparecido, nem depois. Meus pais me falaram que ela estava tendo sérios problemas com drogas e tudo mais, eu não acreditei. Como a minha maria-chiquinha loira era capaz de fazer uma coisa dessas? Nos éramos carne e unha, e cão e gato, tínhamos uma relação de amor e ódio muito forte.
— Annie?— tia Meg tinha voz de choro. Zeus logo se levantou e lhe deu um abraçou de urso. Tia Meg o seguiu. Assim como meus tios.
Ouvia comentários avulsos, "como cresceu" "quanto tempo" "está linda".
Thalia entrou pelo corredor e se deparou com a cena um pouco não comum. Estancou e arregalou os olhos, passou por eles se sentou ao lado de Nico (com foco nos peitos da Lia), pegou um prato e se serviu ainda meio chocada com a cena. Estávamos em um silêncio incomodo, e não era eu que ia quebrar aquela vibe de reencontros épicos. Falavam baixinho algumas coisas indecifráveis.
— Eles você abraça, né fofa?— Piper já estava no seu segundo prato de macarronada.
— Ah, deuses, são meus tios!
Sua voz entrou melodiosa nos meus ouvidos. Estava chorosa e com um sotaque leve.
— A Annie tá de volta! Lembrou que tinha amigos?— Nico sacaneou.
— Eita porra, Nico. Depois de anos, você continua chato e implicante. Só falta ter a paixonite pelo Percy...— Jason que bebia o copão de Coca, engasgou e ela acabou saindo pelo nariz. Problema de família. Eu já tive isso.
Nós rimos. E por um minuto me concentrei na risada da garota nova, não tão nova assim pra mim. E era gostosa de se ouvir ao vivo e de novo, sorri mais ainda ao ouvi-la.
— Bem...— Piper ajudava com guardanapos a limpar a bagunça do Jason— você que poderia mudar sua paixonite do Percy para mim, né Annie? — ele piscou pra ela.
Abri os braços satisfeito e fiz cara de boss.
— Todos me amam!
— Sai dai, Perseu!— Thalia retrucou, jogando um guardanapo em mim.
— Nem com sua namorada limpando seu estrago, você deixa de fazer uma cantada— Bianca reclamou.
— De boa! Eu não sou da vibe... gosto de homens.
WOW.
Nós sabíamos disso, eu sabia disso, mas com ela falando era diferente. Eles voltaram aos seus lugares. Annie abraçou Nico, Bianca e eu. Ao fazer isso senti meu corpo se arrepiar.
— Senti sua falta— sussurrei ao seu ouvido.
Eu achei ela mais estranha do que o normal, pensei que sentia minha falta também, mas ela não demostrou sentimento nenhum. Não me olhou nos olhos e se sentou do lado de Tyson, que tinha que abrir a boca.
— Você gosta de mulher?
Boa parte da mesa o repreendeu.
Eu esperava ansioso e um pouco surpreso pela resposta da loira.
— Bem, sim— ela deu um sorrisinho envergonhado, talvez, percebendo o pirralho só agora.
— E isso é certo?
— Chega, Tyson— minha mãe foi firme. Annabeth mandou-lhe um sorriso reconfortante para minha mãe, e senti meu estômago embrulhar.
— Veja só... Quando você tiver minha idade vai descobrir por si só o certo e o errado.
— E o que você acha?— nós a fitamos em expectativa.
— Eu cheguei a conclusão que, não sou ninguém pra decidir o que é certo ou errado. Mas que sou gente o suficiente pra seguir meu coração.
Ok. Definitivamente eu nunca tinha ouvido uma lição de vida tão natural. Ela me deixava nervoso. Olhei seu braço atentamente e vi marcas. Talvez se cortasse. Fiquei tonto ao pensar isso. Ela mudou tanto, mas nos seus vídeos parecia a mesma pessoa. Tudo bem que tinha parado de fazê-los por tempo indeterminado.
— Você é muito legal, sabia? Não sei por quê não te conheci ainda? Quer dizer, eu te conheço, mas não lembro. Lá em casa é cheio de fotos suas. Eu vejo seus vídeos, Percy sempre fala o quanto você era incrível— Tyson a fitou afobado.
Quase morri de vergonha. E os outros pareciam rir com o seu alvoroço.
— Eu quero te beijar— sorriu, o que me deu inveja do meu irmão.
— Pensei que você gostava de mulher?— Nico perguntou implicante.
— Bem pra ele... — ela agarrou as bochechas do Tyson com uma mão e apontou o biquinho para Nico— Sou obrigada a abrir um exceção.
— Somos bem parecidos— o que Nico estava tentando fazer?
— Pensei que você era da Thalia, Nicolas.
— Sou?
Lia corou de uma forma fenomenal. Parece que a mesma tinha dado uma aulinha, lhe atualizando, sobre a família Olympius pra Annabeth.
— Vai entrar pro clube dos inconvenientes que é essa família?— perguntou Thalia com a pior careta assassina. O que não assustou Annabeth. E me fez perguntar o quanto Lia gostava de Annie. Com ela não se brinca, já recebi um facada na perna pela minha petulância diante a Lia. Literalmente.
Nico beijou seu pescoço com um sorrisinho convencido e escondeu o braço com os pelos eriçados de baixo da mesa. O que foi muito estranho, porque eles não mantinham contato direto um com o outro, mas todos naquela mesa sabiam que eram loucos um pelo outro. Inclusive seus pais.
— Quer dizer que sou seu?
— Agora não. Cê tá comendo— Tia Maria reclamou. — Comida. Carne, ó— ela cutucou a carne com a faca.
Mente poluída do povo.
— Sempre fiz parte— Annabeth falou olhando pra todos nós com um sorriso verdadeiro. O que fez meu estômago esquentar, de novo.
— Mas espera aí. Não acredite no que Thalia contou sobre nos— Thalia rosnou. — Provavelmente falou que eu sou um babaca egocêntrico.
Sorriu de lado. E olhou pra mim. Seus olhos eram os mesmos, cinzas, aquilo me deixou estático.
— Capitão do Time de Basquete e namorado da Vacalipso. E nunca sabe o que quer. Desculpe, não são minhas palavras.
— Fui eu que inventei esse apelido— Tyson fez biquinho.
— E sobre a Bianca, falou que continua sendo uma flor. No sentido ruim. De novo, não são minhas palavras. E de você, babe, ela falou bem. A propósito, tá um homem. Eu te vi na barriga da sua mãe...— ela deu um beijão na sua bochecha, sorriram um pro outro e me senti irritado.
— Nunca sei o que quero?— perguntei. Olhando pra Thalia que deu de ombros.
— Bem, temos algo em comum— respondeu sorriu triste.
— Não acredite nela. Somos pessoas legais— falei.
— Eu não prejulgo as pessoas— respondeu olhando nos meus olhos.— Afinal, eu era sua amiga, Capitão Sardinha.
Eu ri, lembrando de nossas aventuras juntos.
— Isso é muito bom, Tenente Coruja— nós rimos juntos, deixando os outros com uma cara de "oi?".
— Isso é uma pena— Thalia resmungou.
— Então, Annie como estava Paris? Tenho falado pouco com seu pai, desde... Sua mãe. Não lhe vimos no enterro...
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