Young Blood
5 Eu não sei lidar com o amor
Notas iniciais
Thalia.
Nova Iorque ainda estava fresca na minha mente. Nico, festas, solidão, drogas, música... Foi o melhor ano da minha vida, sem dúvida, até meu pai e Hades tirarem o meu "melhor".
Depois que eu e Nico fomos expulsos da Goode, nossos pais nos mandaram pra NY. Como um castigo. E digamos que deu muito certo nós em um loft. Meio que nos envolvemos em algo intenso demais, perfeito demais e rápido demais.
Estudamos juntos na Yance por 8 meses. Até que em uma visita "surpresa", nossos pais nos pegaram transando na bancada da cozinha. Foi constrangedor e horrível. Meus pais me levaram e eu estava sem ele, pela primeira vez na minha vida. Fui julgada pelo incesto que cometemos, por todos. Depois é tudo um borrão, saí da desintoxicação a algumas semanas, e descobri que Nico tinha voltado, mas tudo que passamos lá, ficou por lá, pelo visto. O que me deixou devastada, Nico não era mais só o meu melhor amigo. Mas ele não pareceu notar.
Na verdade ele sabia da nossa situação torta, e tinha vergonha de falar comigo sobre NY, eu aposto. Ele não tinha vergonha de mim antes, eu ia até nos seus exames de próstata! Porém, quando o assunto era sentimentos se fechava. Só queria saber se meu sentimento era recíproco. E infelizmente tinha que criar coragem pra descobrir, e eu tinha essa missão até o final do banho. Eu precisava ele de volta, era isso que me deixou motivada, não ia desistir tão fácil assim.
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Vesti uma calça preta rasgada, uma blusa preta colada sem decote e sem mangas que mostrava meu umbigo, coturnos e um colar de pedras grandes preto e dourado da Tiffany's que Nico me deu. Seu pai era dono das lojas.
Nico. Por que não consigo passar 10 minutos sem que meus pensamentos voltem a ele?
Sacudi os cabelos para ficarem armados e coloquei o boné roxo dos Lakers. Meu estômago revirava, e não era por causa de fome. Era a música, ele ia ouvir hoje, eu tentaria expressar meus sentimentos pela primeira vez. Passei delineador e batom vermelho.
Sai da minha zona particular, lê-se meu quarto. Eu sou uma zona, porque meu quarto teria que ser diferente? E lá estava o meu problema.
— É o quê? Dormiu no banho?
Na verdade estava pensando em você...e o quanto tá gostoso nessa regata dos Lakers, pensei.
— Vamos, todos já foram—passou os braços pelo meu ombro.— Gostei do boné.
— Todos gostam—sorri, mais pelo seu gesto.— Não acha que estamos tendo muito contato físico?
Caminhamos até seu carro. Um Camaro preto. Deu um beijo na minha têmpora e sussurrou no meu ouvido.
— Já tivemos muito mais contato, uh?— me olhou significativo, e entrou no carro, o segui arrepiada.
— E o Percy e a Annie, apareceram?— ele deu partida e arrancou com o carro.
— Dormindo. Juntos. No quarto da Annie. Decidimos não incomodar—ligou o som. Tocava We Will Rock You.
— Eles...
— Não,— balançou a cabeça— conheço o Percy. Eles provavelmente não transaram, não teria coragem. Não com a Annie...
— É, você conhece o Percy— dei um risinho.
— Pois é, eu geralmente tenho quedas pelos meus primos— Parou no sinal vermelho e me olhou. Apoiava um braço na janela e o outro esticado no carro, sexy. Muito sexy. Virei o rosto antes que corasse. Quando o assunto é Nico, o homem dentro de mim se transforma nunca garotinha apaixonada. Peguei meu celular e fiquei falando com os meninos que iam tocar comigo.
— Vai me ignorar com o celular? Golpe baixo— sua voz era baixa e perigosa.
— Você me ignorou um mês desde que chegou, acho que tenho esse direito.
— Thalia...
Ficamos em silêncio até chegarmos no Los Angeles Memorial Sports Arena.
— Vou no banheiro— avisei ao entrar pelas portas de vidro e corri pros bastidores das atrações.
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— Cara, quem torce pros Clippers?—estava escorada na parede dos bastidores conversando com os Stoll. Eram morenos dos olhos caramelo, muito lindos, mas só amigos, quase irmãos pra falar a verdade, usavam a blusa dos Lakers autografadas pelo Nick Young. O jogo já tinha começado. Meus lindos ganhando de 21x16 do Boston Celtics.
— Oi, Lia— Tyler apareceu. Se eu fosse uma adolescente qualquer eu poderia até ter um enfarte. Mas eu já havia ficado com o Posey várias vezes. Não que me gabasse por isso. Eu esfregava na cara mesmo. Ele é um tesão. Vestia a camisa do Bosta Celtics e os coturnos marrons velhos. — Vim ver você cantar. E seu timezinho perder é lógico.
Ri com muito veneno, vendo seu sorrisinho de lado.
— Eu não me garantia tanto assim— disse Connor.
— Seu time tá perdendo— Travis completou.
— É só o primeiro tempo.
— Eu abaixava minha bola— Coloquei a mão no seu peito e me aproximei provocando-o.— Vocês vão ser massacrados— sussurrei contra sua boca.
Puxou minha cintura mais contra a sua e me beijou. Me afastei imediatamente e apontei com o queixo pra saída.
— Pode ir embora já. Ver seu time perder— arqueei a sobrancelha, voltei a me encostar na parede e sorri vitoriosa.
— Abusada—murmurou e foi embora sorrindo.
Adorava ser desejada por caras como Tyler. Comiam na palma da minha mão, eu poderia largar tudo e ficar com ele, era mais fácil. Mas meu coração optou pelo mais difícil a muito tempo. Nico. Merda! Meu coração quase saiu pela boca quando disseram que era a hora de entrar. Fechei os olhos e respirei fundo. E lembrei porque eu estava ali, por ele.
Agarrei o microfone, fechei os olhos novamente. Ouvia as pessoas aplaudindo e o os primeiros acordes de guitarra tocados por Travis, logo quando comecei a cantar Connor me acompanhou na bateria.
"It's really hard
I can't cry in your arms 'cause you're not here
It's not your fault and if it was I wouldn't care
My heart is bigger than the distance in between us
I know it 'cause I feel it beating
So strong it'll knock you down
So strong, so strong"
Abri meus olhos e continuei sorrindo. Agitava minhas mãos loucamente, sentia a música dançar pelo estádio, e pelo visto as pessoas amaram. Tentavam me acompanha e não dava muito certo, elas riam e tentavam de novo.
"Over here
You can count the miles away
From where I wanna be
I bet your skin is warm and that you're smiling
Yea, that's what I always loved the most about you
You're so strong, come and knock me down
Baby if I'm half the man I say I am
If I'm a woman with no fear just like I claim I am
Then I believe in what you say
There's nothing left for you to do
The only proof that I need is you
I'll get in my car
Driving faster than I ever did before
Head out west until I finally reach the shore
Then I'll swim out to wherever you are
And we'll ride the undercurrent down to the floor
Making friends with all the unfamiliar creatures
Push your back on the unnecessary pressure
Come up for air just so you know we won't drown
You're so strong
The world can't keep us down, hey!
...
So do you love me?
All you gotta do is say yes
Now do you love me?
And I won't ever second guess
Now do you love me?
All you gotta do is say yes
Now do you love me?
Then you already proved it
Baby if I'm half the man I say I am
If I'm a woman with no fear just like I claim I am
Then I believe in what you say
There's nothing left for you to do
The only proof that I need is you"
Me aplaudiram de pé. Foi a melhor sensação de todas os meninos me deram um beijo na bochecha sincronizado e todos foram a loucura. Até o povo do Bosta, opa, Boston.
— É POR ISSO QUE EU AMO ESSE LUGAR! QUE TALENTO—ouvi a voz do locutor. Meus ouvidos zuniam, sai abraçada com os meninos. Minha cabeça rodava um pouco. As pessoas gostaram. E ele? Será que entendeu a mensagem subliminar. Provavelmente. Tava na cara pra quem era a música, fiz questão de deixar explícito não em entrelinhas. E depois? O que seria?
— Vocês arrasaram—gritei correndo pra encontrar com Nico.
No corredor vi ao longe o mesmo atravessar o salão da entrada principal e sair. Virei meu boné ao contrário e corri o máximo que pude, o encontrei descendo os degraus acendendo o segundo cigarro.
— Nico!
Me olhou, parecia que ia chorar, levou o cigarro a boca e saiu com a mão nos bolsos. Sua mania. Caminhou até o seu carro e eu o segui. Sentei no banco e ele suspirou.
— Bela música. Você não vai ver o final do jogo?— indiferente, mas o conhecia o bastante pra saber que tinha merda acontecendo.
— O que você tem?
— Nada!
Nos encarávamos.
— É claro que tem!
— Não, não tem! Agora, volta pro jogo. Eu vou pra casa. O Tyler pode estar te esperando.
Bingo. Fiz uma careta.
— Está com ciúmes, é isso?
— Não.
— Então o que você tem? Você está mexendo com a minha cabeça— gritei.
— Que hipocrisia. Não se faça de coitada. Você mexe com a minha também, as duas!—gritou de volta.
— Não tente me fazer rir, Di Angelo— falei mais baixo.
— Quer saber o que eu tenho?
— To te perguntando isso a meia hora!—gritei.
— Eu te amo, é isso que eu tenho—gritou.— Sim, é ciúmes. Porque você é minha. Você é minha na minha cama com o travesseiro entre pernas. Você é minha nos beijos bêbados e nos beijos sóbrios também. Você é minha nas tardes de domingo. Você é minha na TPM. Suas sardas são minhas. Você é minha atacando pizzas. Você é minha xingando no trânsito. Você é minha roendo as unhas. Você é minha no torpor das drogas e quando come igual criança cachorro-quente com nutella. Você é minha!— sussurrou pra si mesmo.— E eu cuido do que é meu, eu tenho valor por elas—suspirou, encostou a cabeça no banco e fitou o longe.— É isso que eu tenho! Eu tenho transbordado amor. Por você.
Eu já estava chorando a muito tempo. Claro. Eu me assustei com a minha própria reação.
Era recíproco.
Atacar seus lábios era a única coisa racional que consegui fazer. Explorávamos a boca um do outros, como os nossos beijos de costume. Que saudade daquela boca! Eu já estava em seu colo, minhas mãos bagunçando seu cabelo e as suas apertando minha bunda. O beijo dele era do tipo: gozei. Ele mordeu meu lábio inferior.
— Eu não sei lidar com amor, Nico— Nossos peitos subiam e desciam rapidamente e eu ouvia meu coração nos ouvidos. Continuava com os olhos fechados.
— Nem eu. Eu to ficando maluco.
— A gente pode aprender, né?— ele me puxou com força pela nuca e nos beijamos de novo e de novo...
— Amar já é difícil. Eu ainda tinha que amar você—nós sorriamos feito retardados. Me afastei consideravelmente, ainda no seu colo, pra não atacar aquela boca inchada e vermelhinha.
— Você tá fudido!
— Eu sei. Eu sou um fudido.
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