Young Blood
10 4 de julho Part2
Notas iniciais
Annie.
Meu pulso ardia de leve. Tinha feito uma folha de Cannabis no pulso, eu gostei, Joe era um bom tatuador. Agora, Percy tinha me classificado na categoria drogada definitivamente.
Caminhávamos cambaleantes e risonhos pelos camelôs que tinham numa rua por ali, conversando sobre nada e tudo ao mesmo tempo.
Paramos na frente de uma barraca de pulseiras.
— Vou comprar uma coisa pra gente. Vira pra lá.
O olhei reprovadora, ele abanou a mão indiferente e eu fiz o que pediu.
Senti os nós dos seus dedos roçarem em minha pele.
— O que é...— passei o dedo por um pingente e sorri a perceber sua forma. Ele passou a cordinha que, acreditava ser de couro, pelo meu pescoço e senti amarrar atrás. Com duas voltas, o pingente ficava pendurado no meio do mesmo. Deu um beijo no meu ombro e passou as mãos pelo meu braço, causando arrepios, entrelaçou nossas mãos e me virou.
— Preciso que você amarre pra mim— me entregou uma cordinha de couro com um "A" que passava no meio dela, diferente da minha. Amarrei no seu pulso, olhei nos seus olhos, fiquei na ponta dos pés e lhe dei um beijo na testa.
— Amei meu "P".
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Alugamos patins, aqueles meio anos 90 de quatro rodas. Andávamos no calçadão, descobri que eu era desajeitada com patins, assim como Percy, que segurava meu tênis e meu óculos. A regata vermelha estrelada e a bermuda azul coladas ao corpo de tanto suor, e eu não estava diferente. Parecíamos loucos andando no meio de tanta gente andando pra lá e pra cá enfeitados com objetos e roupa estampado com a bandeira dos EUA, alguns com fantasias perturbadoras e promiscuas, mas quem era eu pra falar, né? Era uma confusão só, gritaria pra todos os lados, pessoas suadas, cachorros latindo, vendedores ambulantes, ciclistas e skatistas. Às vezes até algum espertalhão tentava passar de carro na rodovia principal.
— Mais rápido, molenga— o termo criança é aceitável, ou mais apropriado pra nossa situação. Tinha a bandana na cabeça, e começava a ficar menos abafado, o vento estava forte e comecei a sentir frio, ainda estava só de biquíni.
Essa sensação foi embora rapidamente, o sol apareceu com tudo. Passei o dedo pelo meu pingente e senti uma onda de adrenalina correr pelo meu corpo. Parei em uma barraquinha e comprei duas cervejas, sentei no batente, perto dali, que dava pra praia e esperei o Mr.Lerdeza.
Dei uma golada na cerveja e observava o caos colorido por toda parte. As pessoas pareciam felizes, seguravam garrafas de cerveja e gritavam músicas inidentificáveis. As palmeiras ao longo do calçadão dava todo um charme. Virei e olhei a praia, lotada, ao longe o show de um artista qualquer acontecia. O posto de salva vidas no meio da areia, os surfistas... A cerveja estava acabando, quando senti a outra ser puxada da minha mão e o moreno ao meu lado. Peguei meu óculos das suas mãos e coloquei.
— Parece coisa de filme.
— Eu não quero sair daqui nunca— passei o dedo sobre meu "P", avoada, contaminada pelo excesso de energia e alegria que era presente ali, e ele sorriu.
— Amou mesmo o seu "P".
— Ele me conforta.
Me abraçou e tomou um gole na garrafa. Vi seu pomo de Adão subir e descer e não contive um beijinho. Sorriu, os dentes branquinhos e o hálito gostoso de cerveja.
— Você não precisa ir embora.
— Eu nunca disse que ia.
O sol começava se por. E foi a momento mais lindo da minha vida, precisei tirar uma foto nossa. E ficou incrível, o por-do-sol e o mar como fundo; Percy beijava minha bochecha e numa outra sorriamos juntos. Resolvi fazer uma montagem rápida e postar.
— Vamos, temos que entregar os patins!— fiz um bico enorme.
— Tá tãooo bom aqui!
Ele deu a mão pra me levantar, o segui a contra gosto.
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Entregamos os patins, já era uma 7:30 e ainda não tinha anoitecido definitivamente, na verdade parecia que ia chover. Mas lá estava eu insistindo pra tirar uma photo booth com Percy. Então entrei lá com ele, fechei a cortina preta, coloquei 3 dólares e a máquina começou a tirar fotos; na primeira foto sorríamos normalmente; na segunda fizemos caretas horríveis e hilárias; na terceira ele colocou o dedo no meu nariz e sorriu feito um idiota, e eu olhei pra ponta dele; e a quarta nos riamos abertamente do nosso momento descontraído.
— Só você pra me fazer fazer isso!— eu ri um pouco.
— Só ela mesmo, né Perseu?— a namorada do Percy. Arregalamos os olhos um para o outro e sussurramos um "fudeu", simultaneamente.
Saímos da cabine e lá estava aquele lindo raio de sol que é a Calipso. Bingo. E pra comprovar a impressão de vadia que ela passou pela primeira vez, os seus lábios estavam inchados e um cara com cabelos longos e loiros parecia estar a esperando em do outro lado da rua, a fitando impaciente. Mas parecia ao mínimo se importar como namorado, seus olhos nos fuzilavam e estava com as três cópias das nossa fotos nas mãos. Elas tinham ficado legal mesmo.
E um trovão chicoteou o céu.
— E o que você tem a falar sobre isso, vlogueirazinha mal comida? Resolveu voltar, Annabeth? Logo agora? E ainda roubar meu namorado? Me conta, como é ser beijada pela mesma boca que me chupou?— Ah, baixou pra ofensa... Percy me olhou cauteloso.
— Sem escândalos... Por favor.
E eu sorri.
— Primeiro, transar com um número aceitável de caras não é ser mal comida. Coisa que você não é, pelo visto. Aquele cara ali deve ser quente, né? Assim como seu atual namorado— sua pose, sou dona da razão fraquejou.— E segundo, eu não sei como é ser beijada pela boca que te chupou. Aliás, vou te contar um segredinho, já que você ainda não sacou— me aproximei dela, e se afastou ameaçada. Uma vadia.— Só entre nós duas— apontei pra mim e pra ela rapidamente.— Eu sou lésbica, queridinha.
Voltei a minha posição anterior e sorri, satisfeita pela sua falta de argumentos, entrelacei meus braços na cintura de Percy, que nem hesitou em corresponder.
— Ah, seus peitos são...— salivei, olhando os seios fartos dela. Olhei em seus olhos castanhos com o máximo de sarcasmo que consegui.— São seus?
Bufou e bateu o pé frustrada, jogando nossa foto no chão. Saiu na direção do loiro, sendo seguido pelo mesmo
— Annie?— ele olhava pro céu preocupado, soltei um "hum" baixinho.— Corre.
Olhou pra mim e sorriu, peguei a foto do chão e corri junto com Percy enquanto víamos os fogos de artifício estourarem no céu. Vermelho, azul, branco... Pulei em suas costas e ele parou só perto do estacionamento onde pararam o carro. Observamos o resto dos fogos no silêncio proporcionado por todos ali. Ninguém se atrevia falar uma palavra. Ao final todos gritaram como se aquilo fosse o ano novo, caminhamos até ver Piper e Jason sentados no chão na frente da Kombie Chloe, abraçados numa bandeira americana.
— Oi, meus patriotas...— minha alegria foi por água a baixo ao ver seus rostos.—Que cara é essa?
— Os três grandes flagraram Thalia e Nico.
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