You Want Kiss Me
18 Team Stefan?
Notas iniciais
– Cadê ele?
Essa foi a primeira coisa que Caroline me disse quando cheguei na escola segunda-feira.
Bufei, apesar de me divertir com seu interesse.
Apontei com a cabeça por cima do ombro.
– Está na secretaria — respondi. — A diretora achou melhor que seus horários batessem com os meus. Ela achou que ficaria mais fácil ele se acostumar com a escola com alguém conhecido por perto.
Caroline assentiu, puxando-me pelo braço até a extremidade vazia do corredor.
– Stefan estava perguntando por você — ela disse, parecendo estar imensamente feliz por mim.
Eu a encarei.
– Car — reclamei, — não tenho tempo para pensar em Stefan. Tenho que cuidar de Damon, e, além disso, eu e ele estamos...
Caroline se mexeu, impaciente.
– Pelo amor de Deus, Elena — ela disse. — Stefan é perfeito, e ele finalmente parece interessado, não pode jogar isso fora por causa do que aconteceu com Damon.
– Não estou jogando nada fora — falei, começando a ficar frustrada. — Na verdade estou muito feliz com Damon e...
– Feliz? — repetiu — Feliz??! Ele tá sem memória Elena! — gritou — Ele não se lembra de você! E se ele lembrar? E quando ele lembrar? Acha que ele vai aceitar numa boa você fingindo que é namorada dele? Acha que ele não vai lembrar que te odeia?
Dei um passo para trás, sentindo como se ela tivesse me dado um tapa. Por que todos insistiam em me lembrar do que aconteceria quando Damon se lembrasse de tudo?
– Não ligo — menti. — Só quero ajudá-lo. Não posso pensar em Stefan enquanto Damon não recuperar sua memória. Mesmo que ele me odeie depois de recuperá-la, ainda assim eu escolho ele.
Caroline me encarou com uma expressão indecifrável.
– Escolhe ele? — perguntou — Desde quando isso é uma escolha?
– Desde quando você é “Team Stefan”? — retruquei.
Ela riu. Sua fúria se dissipando quando ela percebia a idiotice que eu havia falado.
– Sim, Elena — disse rindo. — Acredito que no momento eu seja stelena.
– Stelena — eu repeti, rindo também. — Céus, que nome terrível. Parece uma doença.
Caroline se recuperou, parando de rir e se aproximou para me abraçar.
– Desculpe brigar com você — ela disse. — Mas eu me preocupo. Sei melhor que ninguém o quanto você odiava Damon e o quanto ele infernizava sua vida, sem falar no fato de que ele era um tarado que transou com mais da metade da escola. Inclusive comigo, se lembra disso?
Fiz uma careta. Havia me esquecido disso, da época em que Caroline havia caído nas lábias do maior sedutor da escola e... Bem, havia se estripado.
Porém isso já fazia uns dois anos.
– Faz muito tempo — falei, — e ele nem se lembra, Car. Ele não se lembra de nada, e... Damon é tão doce! Ainda me irrita como ninguém nesse mundo, mas é tão fofo que eu... — suspirei, passando uma mão em meu cabelo — Acho que gosto dele.
Seu queixo caiu e ela me encarou como se eu fosse louca.
– Pare de gostar! — aconselhou — Pelo amor de Deus, Elena, se tem algum amor próprio conte a verdade para Damon, esqueça ele e vá atrás de Stefan. Você vai acabar se machucando por causa disso e eu...
– Que verdade? — alguém falou atrás de mim.
Car e eu congelamos.
Virei lentamente na direção da voz aveludada que eu havia passado a conhecer tão bem nas últimas semanas.
Damon nos encarava de forma estranha. Sua mochila simples caída em seu ombro enquanto ele segurava o papel com seus horários em uma mão.
Como sempre ele estava todo de preto, jeans, tênis e uma camiseta que colocava em evidencia cada músculo que eu já havia tido a chance de tocar e que eu daria tudo para tocar de novo. Seus cabelos negros caiam bagunçados sobre seus olhos azuis que me olhavam de forma desconfiada.
Céus, era como se a cada dia que passasse aquele homem ficasse mais sexy.
– Damon — cumprimentei, tentando sorrir para ele. — Já conhece a Caroline?
Ele negou rapidamente com a cabeça, estendendo uma mão para ela.
Car apertou sua mão com relutância, suprimindo uma careta.
– Caroline Forbes é minha melhor amiga — os apresentei.
Damon sorriu para ela, esquecendo por alguns segundos a conversa que ele havia escutado momentos antes.
– Muito prazer — ele disse educadamente.
Caroline soltou a mão dele.
– Soube que perdeu a memória — ela disse. Então deixa eu te dizer uma coisa... — se aproximou dele — Eu não gosto de você.
E saiu. Largando-nos plantados no corredor.
Suspirei alto. Mais tarde eu teria que ter uma palavrinha com ela sobre boas-maneiras.
Damon me encarou.
– O que foi isso? — perguntou.
Dei de ombros.
– Vocês tinham uma história complicada — falei simplesmente.
Esperava que aquela explicação fosse o bastante, porém Damon ficou em silêncio, esperando por mais.
– É uma longa história, Damon — avisei.
– Acredito que temos tempo — retrucou.
Bufei alto. Por algum motivo eu não queria falar daquilo.
– Faz uns dois anos, ok? — grunhi irritada — Você transou com ela. Satisfeito?
Tentei sair de perto dele, mas Damon foi mais rápido, segurando meu braço e me pressionando levemente contra os armários.
Acima de nossas cabeças o sinal soou alto, anunciando o inicio das primeiras aulas, porém Damon não afrouxou seu aperto em meu braço, fazendo com que eu queimasse de dentro para fora.
– Isso na sua voz é ciúme? — ele perguntou, parecendo estar divertido.
– Eu não sinto ciúmes — resmunguei.
Damon sorriu amplamente, aproximando seu rosto até que ficasse a poucos centímetros do meu.
– Não precisa ter ciúmes de uma coisa que eu nem me lembro, princesa — ele murmurou, seu hálito atingindo meu rosto.
Um arrepio subiu por minha coluna.
– Já disse que eu não sinto ciúmes — repeti, porém minha voz tremeu, o que arruinou completamente a minha credibilidade.
Damon inclinou sua cabeça, roçando seu nariz de leve em minha mandíbula.
Céus, ele queria me matar?
– Sobre o que você estava falando com Caroline antes? — ele perguntou, depositando um beijo de leve em um ponto abaixo de minha orelha. — Que verdade você não me contou?
Então eu congelei.
Obviamente ele não havia esquecido isso.
Revirei minha mente, procurando a melhor desculpa possível. Não achei nenhuma.
– Esqueça isso — pedi. — Caroline fala muita besteira.
Ele se afastou e me encarou. Seus olhos azuis me olhando como se pudesse ler minha alma e ver cada mentira estampada no meu rosto.
– Quem é Steven? — perguntou.
– Stefan — corrigi, involuntariamente.
Então me arrependi, pois Damon se afastou mais e me encarou de forma estranha.
– E ele é... — insistiu.
Fiz uma careta.
Ele não podia me beijar e esquecer tudo aquilo?
– Não é ninguém — respondi agoniada.
Damon se afastou mais.
– Não foi o que pareceu — retrucou.
– Eu gostava dele — disparei, frustrada. — Ok? Eu gostava de Stefan MacCullough. Mas agora estou com você, então, pelo amor de Deus, esqueça isso.
Ele voltou a se aproximar, colocando ambas as mãos em minha cintura.
– E agora você gosta de mim — ele deduziu.
Fechei os olhos por um segundo, então encarei seus incríveis olhos azuis que me faziam perder a cabeça.
– Gosto — confirmei. — Eu gosto de você.
A verdade translúcida, escorrendo de minha boca até seus ouvidos.
Ele sorriu satisfeito.
– Ótimo — disse. — Porque estou apaixonado por você.
E ele me beijou.
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