You Want Kiss Me
22 Steven
Notas iniciais
Elena
Damon estava atrasado.
Sabia que ele sair justamente hoje com o carro e sumir pouco antes de sairmos não ia dar certo. E eu tinha razão.
Eu estava perfeita. Mas o imbecil estava atrasado.
Soltei um longo suspiro audível.
Porque sempre que eu ia sair com uma cara ele atrasava e desaparecia? Primeiro Stefan, e agora Damon. Jesus, pareciam até irmãos.
A campainha tocou e eu atropelei Jenna, indo diretamente para a porta.
– O que aconteceu com sua chave? — reclamei enquanto a abria, antes de realmente ver quem era.
Não era Damon.
– Não lembro de ter uma chave — Stefan retrucou com um sorriso.
Encarei ele por um tempo. O que diabos ele estava fazendo na minha porta? E logo hoje?
– Aconteceu alguma coisa, Stefan? — perguntei, usando meu tom de voz mais distante e educado.
Mas eu odiava o quanto os olhos verdes dele ainda me pareciam bonitos.
Ele me olhou de cima a baixo, seu queixo se deslocando quase imperceptivelmente para baixo.
– Uau — murmurou. — Você está linda.
Eu não disse nada. Temi que se abrisse a boca, estragaria tudo.
Acho que quando se passa tanto tempo gostando de alguém, essa pessoa não para de te afetar. Nem quando você já está apaixonada por outra.
Não que eu fosse admitir isso. Nunca.
– Obrigada — respondi, usando a mesma educação fria.
A expressão de Stefan caiu um pouco.
– Porque está me ignorando? — perguntou, olhando para mim como um cachorro ferido.
Isso me afetou, é claro. Mas meu coração não saltou, como fazia quando Damon me olhava com aquela mesma cara.
– Não estou te ignorando, Stefan — falei. — Mas estou com Damon agora, você não devia estar aqui.
Sua mandíbula se apertou.
–E quando a memória dele voltar? — alfinetou — O que você vai fazer? Quando ele olhar na sua cara depois que descobrir que na verdade você mentiu esse tempo todo pra ele?
Meus punhos se apertaram.
– Não vejo como isso possa ser da sua conta — retruquei, decidida a manter a calma.
– Ainda está com raiva de mim por causa do baile? — ele tentou. — Porque já expliquei isso, Elena. Não é minha culpa se minha mãe ficou doente bem no dia.
Balancei a cabeça.
– Não é por... — então eu parei, me dando conta de uma coisa — Mãe? — repeti.
Ele assentiu.
– Você devia superar isso, afinal eu tive um bom motivo e...
– Sua mãe? — repeti, raiva nublando meus olhos — Engraçado. Achei que era a sua avó que tinha Alzheimer e que sumiu no dia do baile.
Seus olhos se arregalaram quando ele percebeu o deslize que havia feito.
Sua cabeça balançou inutilmente enquanto ele gaguejava desculpas esfarrapadas.
– Isso... — ele tentou — Minha avó. Claro. Falei errado... Eu...
Cruzei os braços, encostando-me na lateral da porta, meu rosto com a mesma expressão neutra.
– Seja honesto uma vez na vida — pedi. — Onde estava quando me largou plantada no dia do baile?
Stefan se mexeu desconfortavelmente.
– Eu estava com minha avó doente — disse.
Minha visão ficou vermelha.
Não sei muito bem o que aconteceu em seguida, só que em um segundo Stefan estava na minha frente contando mentiras e no outro ele estava no chão apertando o estômago lesionado e os nós dos meus dedos ardiam por causa do soco que eu lhe havia dado.
Alguém assoviou do lado de fora da casa, à alguns metros da cena que eu havia feito.
Levantei e vi Damon nos observando.
– Uau — assoviou novamente. — Não sei o que esse imbecil fez pra merecer isso, mas eu adorei.
Stefan levantou irritado e disse alguma coisa.
Porém eu não ouvi Stefan... Ou mais nada. Meus olhos estavam presos em Damon e eu não conseguia desviá-los.
Meu namorado estava usando terno. Sim. Terno e gravata. E estava tão absurdamente maravilhoso que eu não conseguia deixar de encarar.
O lado bom disso é que ele parecia não conseguir desviar o olhar também. Observei enquanto seus lindos olhos azuis escureciam quando desciam pelo meu vestido e imaginei se o calor que estava me atingindo era comum.
– O que você faz aqui? — Damon perguntou para Stefan, quando finalmente desviou o olhar de mim.
Soltei a respiração que nem sequer sabia que estava prendendo.
– Não é da sua conta — Stefan alfinetou.
Revirei os olhos. Aquela cena já estava começando a ficar ridícula.
Saí de casa, fechando a porta atrás de mim e caminhei até Damon.
– Tchau, Steven — resmunguei, errando seu nome de propósito.
Meu moreno abriu um sorriso incrível.
– É Stefan — o mentiroso corrigiu para as minhas costas.
Eu não disse nada. Não importava mais.
Apenas quando estávamos dentro do carro que Damon resolveu quebrar o silêncio.
– Você foi incrível — comentou, seus olhos azuis brilhando. — Você está incrível.
Corei um pouco.
– Você que está incrível — retruquei. — Não sabia que alguém tão largado conseguiria ficar tão bem em um terno.
Ele bufou do meu lado, se inclinando sobre mim e segurando meu rosto para que eu voltasse a encará-lo.
– Você já olhou pra mim? — brincou com um adorável sorriso de lado. — Eu sempre estou incrível.
Eu ri, quebrando a distancia entre nós e o beijando nos lábios.
Seus lábios eram macios como sempre. Mas cada beijo que trocávamos parecia diferente e único de uma forma insana.
Eu me perguntava se sempre seria assim.
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