You Want Kiss Me
23 Encontro e Sedução
Notas iniciais
Elena
Não fomos ao cinema — o que eu deveria ter imaginado ao ver Damon tão arrumado, — ao invés disso Damon, de alguma forma inimaginável, havia me levado para o melhor restaurante de Mystic Falls.
– Onde conseguiu dinheiro? — perguntei depois que o garçom havia nos entregado o cardápio.
Damon balançou a cabeça negativamente.
– Nem pensar — disse. — Estou te levando para sair, lembra? “Primeiro encontro” — levantou a mão e fez aspas nessas duas palavras. — Você não tem o direito de me perguntar onde consegui dinheiro, você só tem o direito de aproveitar a boa comida e esse lindo pedaço de mau caminho na sua frente — disse gesticulando para o próprio corpo.
Eu ri, abrindo o cardápio e passando o olho rapidamente nos nomes impronunciáveis dos pratos que eram servidos ali.
– Só queria ter certeza de que não roubou um banco — retruquei. — Porque esses sapatos não foram feitos para correr, muito menos da polícia.
Damon estendeu sua mão e tirou meu cardápio de meus dedos.
– Você não vai precisar correr — ele piscou para mim. — Prometo.
Observei enquanto ele levantava um braço, gesticulando para chamar a atenção do garçom e pedia pratos por nós dois, como se fizesse aquilo todos os dias. E no final, quando pediu uma garrafa de vinho, o garçom não nos acusou de ser menores de idade e nos mandou sair dali, apenas se virou e foi pegar nosso pedido.
Encarei Damon percebendo que não apenas parecia que ele havia feito isso antes, ele devia ter feito com certeza. Ele era um playboy solteiro e com dinheiro do pai para gastar, sem falar na sua popularidade com mulheres.
Congelei no lugar. Será que alguma memória oculta o havia dito para me levar para um lugar que já era conhecido para ele?
Então pensei em algo ainda mais aterrorizante: será que suas memórias estavam voltando?
Senti dedos acariciando minha mão, me tirando do estado de semipânico.
– Elena? — Damon chamou — O que aconteceu? Está tudo bem?
Assenti com a cabeça.
– Por que me trouxe aqui? — perguntei.
Ele me encarou por um tempo, sem entender.
– Eu não sei — respondeu. — Só achei que seria diferente. Claro que um cinema seria muito mais aconchegante, mas eu tinha essa ideia fixa de que o melhor encontro seria em um lugar claro, onde pudesse ver cada detalhe do seu rosto. E aqui estamos, princesa.
Assenti novamente.
– Ok — falei prolongadamente, dizendo para mim mesma que não havia outro motivo especial naquele lugar específico. — O que pediu para mim? — perguntei, mudando de assunto e sorrindo para ele.
Damon compartilhou meu sorriso.
– Não faço a mínima ideia — disse. — Só peguei o que tinha o nome menos complicado.
Eu ri.
– Achei que seríamos expulsos quando você pediu o vinho — comentei.
Seu sorriso aumentou e ele rodeou minha mão com a sua.
– Estamos pagando, princesa. Eles não se importam com a nossa idade.
Virei minha mão na sua, apertando seus dedos e desejando que ele estivesse mais próximo, mas o problema é que não estaríamos mais próximos até que esse encontro terminasse.
A comida chegou em porções ridiculamente pequenas, mas eu não reclamei, mantendo uma conversa leve e calma com Damon. Nós rimos muito juntos, e eu lhe dei alguns tapas quando falava algumas besteiras.
Não me excedi no vinho, porque conforme a noite ia passando uma decisão estava se solidificando em minha cabeça e eu não queria que o álcool atrapalhasse meu discernimento.
O jantar acabou e, finalmente, eu voltei a me aproximar de Damon sem uma mesa nos atrapalhando. Dentro do carro minha decisão tomou forma e eu só precisava se um empurrão para ir em frente com ela. E força, é claro, para não me acovardar e voltar atrás.
– Devo te deixar na porta da sua casa, como um cavalheiro? — Damon perguntou, brincando com meus dedos enquanto virava o carro em nossa rua.
Virei o rosto para ele, saindo de meus pensamentos amontoados.
– Se com “minha casa” está se referindo à porta do meu quarto, então sim, você deve.
Ele riu, estacionando o carro e o rodeando para abrir a porta para mim, como o perfeito cavalheiro que ele disse ser.
– Seu pedido é uma ordem, princesa — disse, dobrando o braço para que eu o segurasse.
Entramos em casa em silêncio, já que Jenna provavelmente já estaria dormindo. Damon subiu comigo pelas escadas e parou comigo na porta do meu quarto, como eu havia dito.
Respirei fundo, pronta para fazer minha decisão tomar forma, abri a boca e:
– Preciso te contar uma coisa — Damon disse, me atrapalhando.
Neguei com a cabeça.
– Não pode ser depois? — perguntei, pois sabia que se o deixasse falar, eu iria voltar atrás no que ia dizer, como uma covarde.
– É importante — ele insistiu.
Eu abri a porta do meu quarto e segurei seus dedos.
– Então entre — falei. — Podemos conversar lá dentro.
Aquilo era totalmente mentira. Eu não o deixaria falar nada. Não agora.
Damon assentiu, deixando que eu entrasse primeiro e entrando logo depois de mim. Fechei a porta, a trancando e em seguida passei novamente por ele, me sentando na beirada da minha cama.
Ele olhou para a porta que eu havia trancado e sorriu.
– Posso te contar agora? — perguntou.
Neguei com a cabeça, dando pequenas palmadinhas ao meu lado na cama, um gesto mudo pedindo para que ele se sentasse.
Damon revirou os olhos, mas fez o que eu pedi.
– E agora, posso? — insistiu.
– Conta amanhã — retruquei, tomando coragem e esticando o corpo para alcançar seus lábios com os meus.
Ele se afastou.
– É importante, Elena — tentou novamente.
Balancei a cabeça. Eu não queria ouvir.
– Amanhã — repeti, impulsionando novamente meu corpo para perto do dele.
Damon parecia estar travando uma luta interna, mas finalmente ele abaixou seus lábios e me beijou de volta. Afinal era apenas um beijo, certo?
Não. Não era.
Porque no encontro, quando me apavorei com a ideia de que talvez ele pudesse ter se lembrado de tudo eu me dei conta: ele pode se lembrar a qualquer momento. Eu posso perder Damon a qualquer momento.
A vida era curta demais. Eu o amava... E talvez nunca mais tivesse a chance de fazer isso de novo.
Eu iria aproveitar Damon ao máximo, o máximo de tempo que o tivesse, então quando ele se lembrasse e fosse embora, ainda me restaria as lembranças.
Aprofundei o beijo, forçando um pouco seu corpo para que deitasse na cama. Imaginei que se demonstrasse o que eu queria, não teria necessidade de dizer em voz alta.
Damon deixou que eu o deitasse, mas tentou manter um ritmo controlado em nosso beijo como sempre fazia quando tentava se conter. Quase gemi de frustração. Eu não queria que ele se contesse.
Subi mais em cima dele, rodeando uma perna em seu corpo e me sentando na base de seu abdômen, praticamente em seu quadril. O beijo não parou nem por um segundo, mas ainda não era o tipo de beijo afogueado que eu queria.
Eu já estava em cima dele, o que mais eu poderia fazer para que ele percebesse minha decisão?
Parei de beijar sua boca, tentando me lembrar de tudo o que Caroline e Jenna haviam me contado sobre como seduzir um homem. E eu também já havia visto muitos filmes com cenas sexuais, não podia ser tão complicado, eu só precisava lembrar e copiar.
Lembrar e copiar, repeti mentalmente várias vezes.
Fechei os olhos, abaixei a boca até sua mandíbula e pescoço e fiquei completamente focada na tarefa de beijar, mordiscar e chupar todas as áreas acessíveis. Minha posição havia ficado um pouco desconfortável, então desci meu quadril em seu abdômen, sentando mais abaixo do seu corpo.
Acontece que o “mais abaixo” era exatamente em cima do que havia entre as pernas de Damon, e o que havia ali parecia estar muito acordado.
Percebi que havia parado de beijar o pescoço dele e que estava congelada em cima dele por causa dessa embaraçosa constatação.
Coragem, Elena, meu subconsciente sussurrou, então eu fiz a última coisa que me imaginei fazendo em toda minha vida: Rebolei. De forma involuntária e praticamente imperceptível eu havia rebolado em cima do membro de um homem.
Ok, talvez não tivesse sido tão imperceptível assim, pois Damon gemeu e me arrancou de cima dele, me encarando como se eu tivesse enlouquecido.
– O que você está fazendo? — ele perguntou, sua voz saindo mais rouca do que nunca.
Podia jurar que seus olhos nunca estiveram tão escuros.
– Não é óbvio? — retruquei, minha voz saindo um pouco rouca também.
Ele continuou me encarando, até que fechou os olhos e respirou fundo, como se estivesse buscando controle.
Eu não o queria controlado. Tentei subir em cima dele novamente, mas ele me manteve afastada.
– Damon — chamei, acariciando seu rosto. — Abre os olhos.
Ele fez o que eu pedi, me encarando com aqueles maravilhosos olhos azuis que pareciam ainda mais maravilhosos agora que estavam nublados de desejo.
– Estou tentando, Elena — disse. — Juro que estou tentando me segurar. Mas você está tornando difícil.
Retirei sua mão que me segurava, levantando da cama e o encarando.
– Venha aqui — pedi, estendendo uma mão para ele. Damon segurou minha mão, mas levantou sozinho, sem colocar peso nenhum sobre mim. Ele caminhou até ficar de frente comigo. — Feche os olhos e não se mexa — falei, sorrindo um pouco.
Ele me olhou como se tivesse certeza que eu havia perdido o juízo.
– Por quê? — questionou.
Estendi a mão e a coloquei sobre seus olhos, obrigando que ele os fechasse.
– Só os deixe fechados até que eu mande abrir — falei baixo, — por favor.
Retirei minha mão, me surpreendendo ao vê-lo fazer exatamente o que eu havia pedido.
Sorri sozinha, tomando coragem e começando fazer o que eu havia acabado de planejar. Abaixei e retirei meus sapatos, os jogando em um canto afastado do quarto.
– O que foi isso? — Damon perguntou, virando a cabeça, ainda de olhos fechados.
– Eu tirei meus sapatos — respondi. — E agora estou soltando a metade presa do meu cabelo — narrei, enquanto eu fazia o que eu falava. Levei a mão até meu zíper, o abrindo devagar. — Esse barulho sou eu abrindo o meu vestido.
Damon abriu os olhos, mas eu os cobri novamente com minha mão.
– Não pode olhar, curioso — brinquei.
– Por que está tirando a roupa?
Não respondi, retirando a mão de seus olhos e constatando que estavam realmente fechados.
– Por que estou de olhos fechados enquanto você tira a roupa? — Damon reformulou sua pergunta.
– Porque não tenho certeza se consigo tirá-las se você estiver olhando — respondi, sendo realmente sincera.
Voltei para o zíper do meu vestido, mas a mão de Damon me conteve, quando eu olhei para cima, seus olhos me olharam de volta.
– Não precisa fazer isso, princesa — ele sussurrou, sua voz soando doce e leve.
Retirei sua mão de cima da minha, tomei coragem e terminei de descer meu zíper.
– Eu preciso sim — respondi, sendo sincera outra vez, deixei que o vestido escorregasse pelos meus ombros e então que caísse aos meus pés antes de chutá-lo para longe, dei um passo para mais perto dele e rodeei seu pescoço com meus braços. — Eu quero você, Damon — sussurrei, encarando seus maravilhosos olhos.
– Você tem certeza disso? — ele perguntou, ainda hesitante e eu assenti. — Como pode ter tanta certeza? — insistiu.
– Porque eu te amo.
Então fiquei na ponta dos pés e o beijei.
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