You Want Kiss Me
21 Preparação
Notas iniciais
Elena
Caroline havia conseguido. Ela apenas havia chegado, piscado seus olhinhos e voilà! Ela tinha um encontro com o médico gostoso de Damon.
Eu não tinha esse tipo de charme. Nunca. Nem em um milhão de anos. O máximo que eu já havia conseguido era observar de longe um cara que me largou plantada no baile e então começar a ter sentimentos pelo meu inimigo desmemoriado.
Parabéns, Elena. Parabéns, realmente.
Mas pelo menos meu inimigo-desmemoriado-barra-namorado sabia dirigir.
Não estou brincando. Damon simplesmente pediu o carro de Tia Jenna e saiu por ai, dirigindo como se nunca houvesse esquecido de nada.
E eu, é claro, estava muito feliz com esse fato.
Porém a felicidade veio em meio termo. Isso significava que ele podia, sim, estar perto de se lembrar de tudo.
Significava que ele estava perto de voltar a me odiar.
Então, bam! O conto de fadas se transforma em abóbora.
– Elena? — alguém bateu em minha porta.
Reconheci imediatamente a voz de minha tia a e pedi para que ela entrasse.
Talvez ela me ajudasse a escolher algo para sair com Damon.
Um encontro, quase suspirei, um encontro de verdade.
– Ainda não se arrumou? — ela perguntou quando me viu sentada de toalha em cima da minha cama.
Neguei com a cabeça, apesar de ser óbvio que não.
– Não sei o que usar — reclamei, me odiando por isso.
Normalmente eu vestia a primeira coisa que via. Mas por algum motivo eu queria estar realmente atraente naquela noite.
– O que tem em mente? — tia Jenna perguntou, se aproximando do meu guarda roupa.
– Só quero ficar bonita — falei.
Tia Jenna riu.
– Bonita? — repetiu. — Não, Elena. É seu primeiro encontro. Você tem que estar sexy.
Então eu me arrependi de ter sequer pensado em pedir ajuda para ela.
A encarei como se ela fosse louca.
– Sexy? — repeti.
– Quente — ela explicou.
Joguei meu rosto entre minhas mãos, suspirando alto.
– Acho que eu consigo me arrumar sozinha, tia Jenna. Obrigada — falei, tentando fazê-la desistir de me arrumar.
Porém ela negou com a cabeça veemente, indo até meu armário e caçando algo no fundo do mesmo.
Ah, por favor, aquilo não...
Mas, sim. Era exatamente a última coisa que eu pensaria em usar.
Tia Jenna estava desenterrando do meu guarda-roupa o vestido que ela havia me dado no ano-novo. Um vestido preto, que mal passava da metade da minha coxa e extremamente colado ao corpo, sem falar no fato de que ele tinha tecido transparente contornando minha cintura e a parte do decote — que também era exagerado, por sinal.
O engraçado era que o vestido era maravilhoso, eu apenas nunca teria o corpo necessário para usá-lo.
– Você vai ficar inda com esse, Elena — tia Jenna declarou. Um brilho enorme em seus olhos.
– Jenna — reclamei, — você sabe que eu não uso esse tipo de roupa. Nunca.
Isso não a desanimou, fazendo apenas com que ela rolasse os olhos e se aproximasse de mim.
– Nunca é tarde para usar uma roupa bonita — disse, me entregando o vestido devidamente dobrado.
– O que aconteceu com o “sexy e quente”? — brinquei.
Ela riu.
– Garanto que ele é tudo isso e mais. Agora vá experimentá-lo — e depois acrescentou quando eu fiz uma careta: — Experimentar não arranca pedaço, Elena.
Suspirando, levantei-me com o vestido na mão e fui para o banheiro, me negando a trocar de roupa na frente da minha tia.
Ouvi uma risadinha dela atrás de mim.
Damon
Eu estava nervoso. Realmente nervoso.
Aquele ia ser tecnicamente o primeiro encontro da minha vida, porque eu não me lembrava dos outros que eu pudesse ter tido. Sem falar que eu ia contar para Elena que a minha memória estava voltando.
Primeiro havia sido a memória de quando éramos crianças e eu a sujei de suco. Depois, durante o dia outras duas ou três foram voltando também.
Claro que a dor de cabeça era enorme e extremamente incômoda, mas a alegria de finalmente lembrar de algo, mesmo que aparentemente inútil, era maior ainda.
Eu estava estacionado em frente a um parque, obsevando as crianças brincando e tentando matar o tempo até a hora do meu encontro com Elena quando senti aquela terrível dor na têmpora novamente.
Abaixei minha cabeça e a encostei no volante, deixando que as lembranças viessem.
Elena estava furiosa, saltava para cima de mim com um dedo em meu rosto e parecia querer me esbofetear.
– Seu cretino — cuspiu. — Filho de uma...
Estendi minha mão, tirando seu dedo de meu rosto.
– Calma, princesa — pedi. — Não sei por que está tão irritada. Não fiz nada demais.
– Você estragou tudo! — ela berrou.
O engraçado era que, até irritada, Elena conseguia ser linda.
– Ainda não sei o que eu fiz demais — me fingi de desentendido.
Seus olhos brilharam mais com fúria, se é que aquilo era possível.
– Você arruinou tudo — acusou. — Eu estava lá, pronta pra dizer por Stefan... — ela pausou. — Para chamar ele para... — se enrolou, seu rosto corando — Argh! E você arruinou tudo!
Cruzei os braços, fingindo um sorriso sarcástico, apesar de estar queimando por dentro.
O que ela via naquele topetudo?
– Eu só te acertei com uma bola, Elena — me defendi. — E foi sem querer.
A última parte era mentira, e ela sabia disso.
– Porque você gosta tanto de transformar minha vida em um inferno? — reclamou.
Dei de ombros.
“Porque eu gosto de você desde criança e não quero te ver com outro cara”.
– Porque você torna isso fácil — respondi.
– Argh! — ela voltou a resmungar — Eu odeio você.
E se afastou de mim, me dando uma bela visão de seu bumbum emoldurado pelo jeans desgastado.
Pisquei algumas vezes, tentando me situar. Eu não sabia o que pensar dessa última memória.
Elena
Detesto admitir isso, mas o vestido tinha ficado perfeito.
Eu estava perfeita.
Era como se ele abraçasse cada curva do meu corpo e escondesse tudo o que eu odiava em mim. O vestido me fazia parecer deslumbrante.
E daí que mostrava mais das minhas pernas e dos meus seios do que eu já havia mostrado em toda a minha vida? Nada me faria mudar de roupa agora que eu havia visto o resultado.
– Uau — tia Jenna disse atrás de mim. — Se você não tiver gostado, você é maluca.
Eu ri, passando a mão nas tiras transparentes na minha cintura e no meu quadril.
– Eu adorei — admiti.
Tia Jenna pulou de felicidade, batendo palmas e chegando perto de mim.
– Eu sabia! — disse entusiasmada — Agora você tem que deixar eu arrumar seu cabelo... E sua maquiagem!
Fiz outra pequena careta.
– Só não exagere — permiti.
Ela ficou três vezes mais empolgada e saiu correndo do quarto para buscar seu nécessaire de maquiagem e itens de beleza.
Depois do que me pareceu horas enchendo meu rosto de produtos, repuxando meus cílios e o meu cabelo. Finalmente. Finalmente, ela disse que eu estava pronta e que podia me olhar no espelho.
Mas não antes de enfiar meus pés em scarpins pretos com um salto tão grande que eu tinha certeza que quebrariam meus tornozelos.
– Não seja fresca — tia Jenna retrucou quando eu disse isso a ela. — Você está linda neles.
Revirei os olhos, me equilibrando nos saltos para chegar no espelho e conseguir me ver.
Meu queixo caiu no chão e atravessou a terra.
– Está... — travei, sem saber o que dizer. — Perfeito — falei por fim. — Está tudo perfeito.
Eu mal podia me reconhecer. O vestido abraçava perfeitamente meu corpo, a maquiagem estava leve, apenas um pouco pesada nos olhos, onde tia Jenna havia manuseado a sombra negra para que meus olhos parecessem maiores. Meu cabelo estava cacheado e metade estava preso no alto da cabeça, apenas com alguns cachos escapando e emoldurando meu rosto.
Eu só esperava que Damon gostasse.
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