You Want Kiss Me
13 O Perdão
Notas iniciais
Eu já disse o quanto odeio a escola?
Porque eu odeio... E muito.
Eu sei que você também odeia a escola, qualquer pessoa com cabeça o suficiente odiaria. Agora imagine ter que ir pra escola com todos no seu pé, porque você salvou a vida do cara que odeia e foi a única aluna que conseguiu ver ele no hospital.
Todos queriam saber como Damon Salvatore estava. E todos estavam falando comigo.
Eu não fazia ideia de que ele era tão popular.
Céus, que dor de cabeça.
– Por favor — Andie Star (sim, esse era o nome dela. Pobre coitada) pediu pela milésima vez. — Me diz como ele está. Ele feriu o lindo rosto dele? Seria um desperdício.
Ah, meu Deus. Eu salguei a santa ceia? Sambei na cruz? Porque, Senhor?
– Sim — falei com raiva. — Ele bateu o alto da cabeça e deformou o rosto... Você é tão inteligente. Estou impressionada.
Então saí de perto dela e caminhei pelo corredor, tentando chegar ao meu armário.
Porém, na metade do caminho alguém segurou meu ombro.
– Damon está bem! — gritei para a pessoa.
– Bom pra ele — Caroline falou, — mas não era o que eu queria saber.
Soltei um longo suspiro, aliviada.
– Car! — eu disse. — Graças a Deus. As pessoas não me deixam em paz, estou ficando louca.
Mas ela apenas cruzou os braços e ignorou o que eu disse.
– Você me deve explicações — disse irritada.
Então eu quase comecei a chorar — não literalmente, mas — eu tinha ficado tão entretida tentando fugir das fãs do Damon, que havia esquecido de fugir da minha melhor amiga.
Uau. Que irônica minha vida.
– Car — implorei, — por favor, não...
– Você me ignorou o fim de semana inteiro — ela me interrompeu. — Sabe quantas vezes fui na sua casa? E onde você estava? Naquela merda de hospital! — exclamou, parecendo realmente chateada — E isso depois de me dizer que o Damon é seu namorado! — disse, talvez alto demais, porque dezenas de pessoas pararam no corredor e me encaram chocadas antes de começarem a murmurar umas com as outras — E quando isso aconteceu, aliás? E porque não me contou? Achei que eu fosse sua melhor amiga, e...
– Eu ia te contar — interrompi. — Eu juro. É só que... — pensei rapidamente em uma desculpa — É muito recente — falei por fim.
Ela bufou e colocou ambas as mãos na cintura.
Os murmúrios aumentaram, mas ela não parecia sequer ouvir.
– Recente? — repetiu — “Recente” quanto?
– Muito recente — respondi, não querendo mentir para ela. — E eu juro que ia te contar sobre Damon, mas...
– Achei que estivesse apaixonada por Stefan! — retrucou, interrompendo minhas explicações.
– E eu estava, mas...
– Estava?
Porém, desta vez não foi Caroline quem me interrompeu.
Foi alguém atrás de mim, e Céus, eu conhecia muito bem aquela voz.
Por todos os Deuses, porque diabos eu tive que vir para a escola hoje? Estava tão bom no hospital... Beijando Damon... Dormindo abraçada com ele... Observando o belo doutor Mikaelson enquanto ele ajudava meu suposto namorado...
Ah, sim. Lembrei porque tive que vir para este inferno.
Tia Jenna não me deixou faltar para cuidar de Damon, então ela foi cuidar dele no meu lugar. Porque aparentemente a família dele não se importa o suficiente.
Nossa, como a vida é injusta. Para ele e para mim.
Virei meu corpo devagar e dei de cara com Stefan, que me olhava com ambas as sobrancelhas arqueadas.
Ele parecia surpreso.
– Talvez — respondi para ele. — Mas já superei isso.
“Graças a Deus” acrescentei mentalmente.
Ele me analisou por um momento, mas não abriu a boca.
– Superou? — Caroline perguntou com sua língua grande — Porque até semana passada você estava morrendo de amores por este cidadão ai.
Virei o rosto para ela, fuzilando-a com o olhar.
– As coisas mudam — respondi.
Stefan deu alguns passos, se aproximando de mim.
– Quero falar com você — ele disse, ao mesmo tempo que Caroline o atropelava, falando:
– Mudam? As coisas mudam? Quando foi que...
E ainda havia os murmúrios dos alunos que formavam plateia para ver aquela cena.
– CALEM A BOCA! — berrei, tão alto que ecoou pelo corredor.
Todos se assustaram e o silêncio se alastrou pelo local.
– Eu passei o fim de semana na porra de um hospital! — gritei para todos — Porque um aluno da escola perdeu a memória tentando salvar um de vocês. Estou cansada e preocupada. Minha cabeça está doendo e vocês, seus filhos de uma puta, não me deixam em paz — virei meu rosto para Caroline. — Eu vou conversar com você depois, eu juro, mas me deixe descansar um segundo — então virei para a multidão. — E vocês vão cuidar de suas respectivas vidas! Não é porque a vida de vocês está uma merda que vocês devem piorar o meu inferno pessoal também! — então foi a vez de Stefan. A última pessoa que eu queria ver neste mundo — Achei que tivesse deixado claro quando matei seus filhos, que eu não queria conversar com você.
Ele levantou ambas as mãos, como se viesse em paz.
Caroline se aproximou de mim.
– Desculpe — ela disse, — seu fim de semana deve ter sido difícil. Vou te dar um tempo agora, mas na hora do almoço você vai ter que me contar tudo.
– Okay — concordei.
E quase me ajoelhei no chão e agradeci a deus quando ela sumiu no corredor, boa parte da multidão se dissipando com ela.
Depois me virei para Stefan, irritada.
– Falta você — falei. — Vai embora.
Mas ele continuou parado na minha frente.
– Eu vim me desculpar — falou. — E te explicar porque não te levei ao baile sábado.
– Não — retruquei, — o que você veio fazer, foi pedir outro chute no saco.
Ele fez uma careta de dor, como se a ideia o desagradasse. Porém não saiu de perto de mim.
Eu podia estar com raiva dele, mas tinha que admitir que ele continuava lindo. Principalmente com aquele jeans desbotado e a camiseta branca.
E a forma como o cabelo caía sobre seus olhos...
Ah, céus, eu estava virando uma tarada.
– Minha avó está doente — ele disse, cortando totalmente meus pensamentos impuros e me fazendo realmente querer ouvi-lo.
– O que? — perguntei.
Ele suspirou e se encostou em um armário.
Agora que eu o olhava mais nitidamente, eu conseguia ver olheiras debaixo de seus olhos, como se ele não tivesse dormido bem a noite.
– Minha avó está doente — repetiu. — Ela tem Alzheimer, e no sábado ela teve um AVC. Por isso eu não pude te levar ao baile. Eu sinto muito — falou, — e eu juro que estou dizendo a verdade. Tenho até uma fantasia de tubarão para comprovar.
Então eu ri.
Sei que o momento não era apropriado, mas não pude evitar rir.
– Céus — falei entre risos, — desculpe, é só que... Te imaginei vestido de tubarão e... — limpei a garganta — Sua avó está doente. Não posso rir. Perdão.
Ele riu também, se aproximando mais de mim e tocando meu ombro levemente.
– Tudo bem — falou, então acariciou de leve o meu ombro. — Eu realmente queria ir com você ao baile. Mesmo te fazendo passar vergonha com minha fantasia estúpida. Eu realmente queria te levar. Você me perdoa?
E, Deus, eu tive que perdoar ele. Como não poderia?
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