Notas iniciais
Desculpem a demora, gente. Andei tão ocupada esses meses e fim de ano, sabem como é, né? E eu ainda terminei com meu namorado essa semana e... Bem, não iremos falar disso. Espero que gostem do capítulo, e tem gente nova no pedaço!

Acordei com a luz da janela do hospital incomodando meus olhos.

Com um gemido frustrado, enterrei meu rosto em algo que estava ao meu lado, assim, bloqueando aquela luz dos infernos. Inalei profundamente o cheiro que veio junto com o que abracei, sorrindo ao encher meus pulmões com aquele odor maravilhoso.

– Espero não estar fedendo — o que eu cheirava respondeu, sua voz incrivelmente sonolenta.

Balancei a cabeça, abrindo a boca para dizer o quanto ele estava cheiroso, mas então me dei conta de que estava abraçando uma pessoa.

Não qualquer pessoa...

Damon Salvatore.

Saltei para trás, minha cabeça girou por conta do sono e o movimento brusco, mas não me importei.

Passei a mão ao meu redor e joguei a primeira coisa que encontrei em Damon. O que, no caso, era um travesseiro.

– Ei! — ele reclamou, agora totalmente acordado — Porque fez isso?

– Você me assustou — acusei.

Ele sorriu e me lançou um olhar com a sobrancelha arqueada.

– Eu acordo com você agarrada em mim e me cheirando e é você quem se assusta? — zombou — Vai entender.

Estiquei o braço e bati novamente com o travesseiro na cara dele... Bem, teria batido, porém Damon foi mais rápido, levantando a mão e arrancando o travesseiro de meus dedos.

Depois, de alguma forma, ele já estava sobre mim.

Mexi-me, tentando afastá-lo, mas ele era mais forte que eu.

– Bom dia — ele disse perto do meu rosto...

E o idiota estava com o hálito perfeito.

Como diabos ele conseguia acordar sem mau hálito? Porque ele tinha que acordar totalmente lindo e cheiroso enquanto que nós, meros mortais, tínhamos que fazer higiene matinal toda manhã para parecer nem que fosse minimamente apresentável.

O que me lembrava que eu era apenas uma mera mortal... E que eu provavelmente estava com mau hálito.

Ah, Deus, por favor, tire esse homem de cima de mim!

– Hum hum... — murmurei, cerrando firmemente os lábios.

Ele me encarou com uma sobrancelha arqueada e um sorriso malicioso brincando na ponta de seus lábios.

– Dormiu bem? — quis saber.

– Hum hum — murmurei novamente, minha pele esquentando com aquela atenção exagerada que ele estava me dando.

– Bom saber, princesa — ele murmurou. Seu rosto se abaixando perigosamente na direção do meu.

Virei rapidamente o rosto, fazendo com que seus lábios roçassem em minha bochecha.

– Preciso ir ao banheiro — sussurrei com o rosto virado.

Damon roçou novamente os lábios em minha bochecha, em seguida descendo para meu pescoço.

Céus, o que aquele homem estava fazendo?

– Damon — chamei.

Mas ele estava ocupado, beijando o lóbulo da minha orelha.

Um arrepio subiu pelo meu corpo e eu quis desesperadamente beijá-lo.

Mas eu não podia.

Deus, como o mundo era cruel.

– Sr. Salvatore, Srta. Gilbert... — alguém chamou da porta do quarto do hospital — Eu... Ah, meu Deus! Desculpem... Eu... Ah, céus, podem continuar... Eu...

Damon não saiu de cima de mim. Ele apenas virou o rosto e encarou uma Meredith muito envergonhada que permanecia na porta.

– Meredith! — chamei antes que ela tivesse a chance de sair — Pode entrar! — avisei então me virei para Damon, esperando que ele entendesse o recado e saísse de cima de mim.

Ele suspirou e se jogou na cama ao meu lado.

Levantei-me rapidamente, caçando meus sapatos no chão e então encarando Meredith.

– Faz o que veio fazer — falei. — Eu vou ao banheiro, já volto.

Então eu saltei sobre meus pés e voei até o banheiro, me fechando lá em seguida.

Fiz minha higiene matinal, finalmente, e fiquei me perguntando qual era o problema de Damon e o que havia dado nele nessa manhã.

Onde já se viu? Atacar uma pessoa assim, justo quando ela está impossibilitada de devolver os beijos que ele parecia tão disposto a dar.

Lavei meu rosto e prendi meu cabelo em um coque frouxo. Ao me olhar no espelho soltei um longo suspiro, eu estava um pouco longe de estar apresentável com essa cara de sono, mas não tinha o que fazer quanto a isso.

– O que você está fazendo? — perguntei para meu reflexo no espelho — Fingindo ser namorada de alguém sem memória... Ficou doida? Dormindo abraçada com Damon Salvatore...

Eu havia enlouquecido, só podia.

Todas as minhas recentes atitudes e o fato de que eu estava falando comigo mesma em um banheiro de hospital apenas comprovavam isso.

Dei meia volta e voltei para o quarto antes que alguém achasse que eu havia morrido no banheiro, ou coisa pior.

Congelei na porta ao perceber que Meredth e Damon não eram os únicos na minha frente.

Havia um homem ali. Um lindo homem loiro e alto com jaleco de médico.

Realmente... Um colírio para os olhos.

– Oh, Srta. Gilbert — Meredith chamou, vendo que eu estava parada os observando, — venha aqui, quero lhe apresentar o novo médico do Sr. Salvatore.

Forcei meus pés a se aproximarem daquele sexy homem de branco.

– Oi — murmurei para o estranho.

Ele me lançou um meio sorriso.

– Este é Niklaus Mikaelson — Meredith o apresentou, — ele é o melhor neurologista que eu conheço. Ele estava de passagem pela cidade e pedi para que ele viesse analisar o caso de Damon.

Assenti com a cabeça. Fiquei satisfeita ao perceber que alguém realmente experiente iria tratá-lo.

– E de onde você é, doutor? — perguntei curiosa.

Ele manteve o meio sorriso em seus lábios.

– Nova Orleans — respondeu.

Contive um leve som de surpresa.

– Ele foi eleito o melhor neurologista da América do Norte — Meredith continuou de maneira orgulhosa. — Então o seu namorado está em boas mãos.

“Que namorado?” Quase perguntei, mas consegui manter minha boca fechada a tempo.

Damon, talvez se irritando com a demasiada atenção que o médico estava recebendo, limpou a garganta atrás de mim.

– Será que pode continuar o que estava fazendo antes da minha namorada entrar? — Damon pediu, enfatizando desnecessariamente a parte do “minha namorada”.

Isso na voz dele era ciúmes?

Sorri de forma afetada e fui na direção de Damon, que estava sentado na cama, então me sentei ao seu lado.

– O que estavam fazendo? — eu quis saber.

Meredith abriu a boca, mas Niklaus Mikaelson foi quem respondeu:

– Eu estava testando a memória do Sr. Salvatore — explicou, — tentando descobrir até onde foi a perda e o quão grave foi, para que possamos iniciar o tratamento correto para o caso dele.

Ele era britânico, constatei.

– Continue — Damon pediu.

Fiquei em completo silêncio, observando enquanto o doutor Mikaelson colocava uma luz nos olhos de Damon e lhe fazia diversas perguntas.

Perguntas desnecessárias, se você me perguntar. O que importava qual era a cor favorita de Damon ou qual filme ele mais simpatizava?

Principalmente quando ele não conseguia responder nenhuma dessas coisas?

Tudo bem, Damon sabia todas as coisas básicas que todo ser humano deve saber, como o nome das coisas e o que cada um quer dizer e ele podia relacioná-las, afinal a pancada na cabeça não o havia deixado estúpido. Ele apenas não conseguia se lembrar se já havia comido chocolate, ou de qual cor ele gostava mais, além de não se lembrar de nenhum filme além do que havíamos visto ontem.

Porém, ele sabia que chocolate era gostoso porque tinha uma breve recordação de seu gosto, também sabia que ele tinha grande simpatia com as cores preto e azul, sem falar no breve reconhecimento do filme.

Damon não estava perdido. Eu sabia disso sem que o médico precisasse dizer.

Damon Salvatore ainda podia recuperar totalmente a memória e não estava muito longe disso...

Eu só não podia estar por perto quando isso acontecesse, pois não queria receber toda a raiva que ele dirigiria a mim. Porque quando sua memória voltasse, ele saberia que eu estava mentindo todo o tempo para ele. Ele saberia que não era sua namorada.

E então ele iria me odiar como me odiava antes da noite passada.

Só que dessa iria ser mil vezes pior.

Notas finais
Gostaram? O que acharam do nosso doutor Klaus?